Notas iniciais
Este é o último capítulo que se passa em "O Prisioneiro de Azkaban".

—NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOO!

Um grito perturbador veio do dormitório próximo. Lena correu, atordoada, para a Sala Comunal, onde todos estavam amontoados em volta de uma das poltronas. Rony estava sentado nela, pálido.

—Não seja tolo, Sr. Weasley- disse Minerva- Como seria possível ele passar pelo buraco do retrato?

Todos voltaram para suas camas, sem esperança de pegarem no sono novamente.

—Acha que Sirius realmente entrou aqui e destruiu a cama do Rony?

—Acho-respondeu Lena involuntariamente, deixando Colin atordoado.

No dia seguinte a confusão foi vista plenamente pelo castelo. Os professores andavam para todos os lados e ensinavam aos alunos a reconhecer o rosto de Sirius Black.

Na tarde do dia anterior à execução de Bicuço, Lena, Luna e Colin sentaram-se em uma elevação do terreno de Hogwarts, a poucos metros de distância do Salgueiro Lutador.

—Acha que ele vai nos matar?-perguntou Colin.

—Por que ele nos mataria, Colin?- indagou Luna, olhando o sol se pôr entre as montanhas.

—Me dê um motivo para ele não nos matar- murmurou Colin, olhando sob as sobrancelhas.

—Ele nem sabe que existimos- murmurou Lena zombeteira, imitando o tom de voz do amigo e depois rindo- Isso serve?

De repente ela parou, os olhos fixos em algo aos pés do Salgueiro.

—Me dê um doce, Colin-disse a menina sem tirar os olhos da arvore.

—Não tenho doces.

—Sei que carrega muitos em seus bolsos.

Colin bufou e entregou uma bala de embalagem vermelha a garota. Lena jogou-a aos pés do Salgueiro, perto da cavidade próxima ao solo, e observou. Colin e Luna se posicionaram ao lado dela e fixaram seus olhos na mesma direção.

—O que está olhando?-disse Luna.

—Acho que vi uma coisa.

E lá estava ele. Um pequeno e quase imperceptível vulto preto rasgou a terra na base da arvore e desapareceu.

—Viram?-perguntou Lena.

—O quê?-disseram Luna e Colin juntos.

—A bala sumiu.

Na manhã seguinte, Lena correu até a Ala Hospitalar.

—O que está fazendo aqui?-perguntou o Doutor, parecendo muito surpreso.

—Por que? Não posso mais entrar aqui?

—Achei que gostaria de ver.

—Ver o que?

—A “morte” do Bicuço!-disse o Doutor, fazendo sinal de aspas ao dizer “morte”.

Lena sorriu entusiasmada e puxou o Doutor pelo braço através dos corredores.

—Pare!-sussurou o Doutor-Olhe.

Harry e Hermione surgiram de uma esquina e correram para fora do castelo, sem nota-los escondidos atrás de uma das lacunas da parede. Pararam logo em seguida e observavam alguma coisa. De repente esvaeceram, e Draco, Crabbe e Goyle surgiram esbravejando, desaparecendo pelo fim do corredor. Lena deu um passo para frente rumo à onde Harry e Hermione supostamente estariam, mas o Doutor a interceptou.

—Não-disse ele.

—Mas...

—Não vamos atrapalhar ainda mais a linha de tempo deles. Afinal, são viajantes do tempo assim como nós.

O Doutor voltou a Ala Hospitalar, dizendo “Não” a todos os argumentos que a menina indicava para que pudesse seguir Harry e Hermione. Frustrada, Lena voltou para o Salão Comunal, e subiu para o Dormitório. Passou a tarde toda ali, parada, imaginando toda a cena que ocorria em volta do Salgueiro Lutador e resmungando. Quando a noite caiu e uivos puderam ser ouvidos do castelo. Mais tarde a notícia de que Sirius estava preso em uma das torres do castelo chegou aos ouvidos de todos.

Foi então que Lena teve uma ideia. Descendo as escadas que levavam ao Salão Comunal, seguiu pelo aglomerado de alunos que se formava ali e passou pelo retrato que agora era ocupado pela Mulher Gorda.

Descendo e subindo escadas, Lena foi chegou a Torre de Astronomia sem encontrar ninguém no caminho. Todos pareciam estar muito entretidos com o novo hóspede do castelo para se ocuparem de vigiar os corredores. Ali a menina esperou, encostada no parapeito da torre.

Um estrondo rompeu o ar. Algo voou em direção ao chão. Lena sorriu, e guardou seu grande momento. Minutos depois ela pode ver nitidamente o que voava; um grande pássaro acabara de decolar de algum ponto do solo, e carregava algo em seu lombo. Ele passou a uma curta distância da torre e Lena fez algo que não achava possível que sua coragem sustentasse: ela ACENOU. Acenou alegremente para quem montava a criatura voadora. Então, a ave parou no ar a comando dele e o coração da menina parou. Ele plainou de volta e parou batendo suas asas a poucos metros de onde Lena estava.

—Obrigado pelo doce, menina-disse uma voz.

—Por nada- respondeu Lena, gaguejando.

O rosto de Sirius estava oculto pela luz da lua que batia em suas costas, mas ela sabia que era ele.

Sirius sorriu, ou pareceu sorrir e voltou a voar pelo céu, sumindo como um ponto negro no horizonte.

Lena voltou para o salão comunal que ainda estava abarrotado de alunos. A notícia de que Sirius fugira só chegaria no dia seguinte, e a menina estava feliz por naquele momento ser uma das poucas a saber. Sentia remorso por não poder contar a Colin, que perguntou onde ela estava e se sabia da prisão de Sirius. A noite passou conturbada, e nada era mais importante para a menina do que a chegada da luz do dia para que corresse e contasse tudo ao Doutor.

Notas finais
Comentários, por favor. Conto com a opinião de vocês!