CANCELADO Um Doutor no Mundo Mágico
7 Cartas Empilhadas
Notas iniciais
Luna
Estou há alguns meses no Instituto das Bruxas de Salém e receio não poder voltar a Inglaterra no Natal. Os Estados Unidos é lindo. Sinto muito por não ter mandado muitas cartas. O Sr. Smith tem ficado muito ocupado durante esses últimos dias, ficando de plantão no hospital bruxo daqui.
Sua carta chegou ontem, e sim, sei dos ataques que tiveram na Copa Mundial, li no jornal daqui. Não pude ir, e agradeço por não ter ido. Colin havia me perguntado se eu gostaria de ir com ele os pais dele, mas como disse, o Doutor anda muito ocupado. Espero te ver no verão do ano que vem.
OBS: Soube também sobre o torneio. Harry não tem sorte.
Atenciosamente
Lena Smith.
Lena amassou a carta e jogou a um canto onde se empilhava várias bolinhas de papel que havia feito antes. Levantou-se do sofá e frustrada foi para o quarto onde o Doutor estava.
Ao entrar viu que o lugar estava repleto de tralhas e ferros velhos; vários circuitos estavam jogados no chão junto de centenas de fios coloridos que seguiam até o centro do cômodo, ligando-se a chave sônica que estava, de alguma maneira, acoplada em uma máquina de lavar.
—Algum progresso?-perguntou ela ao Doutor.
—Nenhum-murmurou ele, deitado sobre uma cama de solteiro praticamente desmontada.
—Afinal, o que está tentando fazer?-disse ela, olhando para dentro da máquina e vendo no colado em fundo um grande espelho.
—Estou tentando manter uma ligação mais forte entre Tardis e a chave sônica.- ele se sentou abruptamente, os cabelos bagunçados- Se conseguir uma força na intensidade certa poderei criar um reflexo do vortex temporal que nos levará de volta a Tardis.
Lena se sentou ao lado do Doutor e o observou. Logo após o começo das férias ele parou de tomar a poção polissuco. Eles haviam se mudado para uma cabana aos fundos de uma casa em Ludgate Hill, onde morava um senhor de meia idade chamado Graham Turner. O Sr. Turner era pacifico, e sabia do segredo do Doutor. Antes, ele e Lena viveram na antiga casa que havia alugado, mas supôs que seria perigoso continuar ali.
—Está vendo, Lena?-perguntou o Doutor, logo que viu um anuncio no Profeta Diário que dizia “Aluga-se casa em Ludgate Hill, nº 132. Interessados, comunicar a Graham Turner (Acomoda somente 2 bruxos).”-É para lá que vamos. Allons-y!
—Já escreveu para seus amigos?
—Não.-respondeu Lena- O interessante é que, mesmo a carta tendo como remetente a escola de magia dos Estados Unidos, ela chega diretamente a mim.
—As corujas devem sempre saber onde cada um está-disse o Doutor.
—Enfim, não quero mentir para eles.
—Entendo- respondeu o Doutor-Senti o mesmo quando comuniquei minha partida a Dumbledore. O curioso é que ele não pareceu acreditar que iria morar nos Estados Unidos por que recebi uma oferta irrecusável de emprego. Seria muito arriscado você voltar a estudar. Muitas coisas estão para acontecer.
—Com o que estamos pagando o aluguel?-perguntou a menina, curiosa.
—Com meu salário de professor.
—Seu salário está rendendo a 7 meses? Se for assim, quero virar professora.
O Doutor olhou para ele de canto de olho mas permaneceu em silencio. Lena sorriu.
—Ele deve saber.
—Quem?
—Dumbledore.-respondeu Lena.
—Saber o que?
—Sobre o que somos e de onde viemos.
—Impossível.
—Totalmente possível-finalizou Lena com um sorriso ainda maior.-Podemos confiar nele, Doutor.
—Não podemos confiar em ninguém.
Lena saiu do quarto enfurecida. O pessimismo daquele homem a irritava muito. Ela se deitou de volta ao sofá e se ocupou em ler os cartões de feliz aniversário que Colin e Luna haviam lhe mandado nas férias. Luna que deu um novo pingente de concha, desta vez uma vermelha, e Colin um álbum de fotos parcialmente completo com imagens animadas. Muitas delas eram dos três amigos juntos, mas uma em particular lhe chamou a atenção: ela estava andando em algum dos corredores sorrindo para a câmera e lá atrás, como uma imagem borrada, estava uma parcial silhueta de uma porta que não existia lá realmente.
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Meses se passaram. Lena recebia cartas, mas não as respondia. O Doutor passava um bom tempo na casa do sr. Turner, coisa que a menina sempre questionava.
—Só estávamos conversando-respondia o Doutor.
—Sobre o que?
—Coisas.
As férias haviam começado novamente e Lena se via pressionada pelos amigos que lhe abarrotavam de cartas. Até que chegou aquela que a garota mais temia:
Lena,
Estou muito preocupado com você. Conversei com meus pais sobre isso e decidimos ir até sua casa. Vejo você em 3 dias.
Atenciosamente.
Colin.
—Isso é preocupante- disse o Doutor ao ler a carta.
—Preocupante-disse a menina, enfurecida-Doutor, estou evitando meus amigos a um ano, não mando cartas e disse uma grande mentira como despedida. Acha que me sinto bem com isso? Não, eu não me sinto. Estou cansada, presa nesta casa e ouvindo você dar desculpas esfarrapadas sobre as suas idas e vindas da casa do senhor Turner. Não sei nem se vou voltar para casa. Quer que eu fique feliz? ENTÃO ME DIGA A VERDADE!
O Doutor ficou em silêncio. Encarou a menina com seus velhos olhos castanhos e suspirou.
—Eu não posso.
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A chuva caia em toneladas acima do telhado envelhecido da cabana. O Doutor correu para e foi recebido por Graham na entrada de sua casa. Lena entrou logo atrás, a testa franzida. Eles se sentaram de frente para a lareira em silencio.
—O que estamos esperando?-perguntou Lena, aborrecida e confusa.
De repente uma voz disse:
—Acredito que estão esperando a mim, Lena.
A garota olhou para a lareira em sua frente e nas chamas que ali ardiam viu o rosto de Sirius Black.
—Bem, acho que devo começar a esclarecer certas coisas,-continuou ele- principalmente o porquê que o Doutor não lhe contou nada sobre nossos planos.
—Que planos?-perguntou ela, os olhos arregalados e um leve sorriso apontando em sua face.
—Bem...-disse Sirius- Agora seu pai é o mais novo membro da Ordem.
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