Código Secreto

14 Capítulo 14 - Código Revelado


Notas iniciais
Desculpem a demora! XD

Esse capítulo é dedicado à minha querida Akage Verseau. Flor, eu espero que você goste. E está aí o beijo prometido! rsrs Eu sei, terá mais, muito mais! Ainda pra frente! rs Beijos, meu anjo!

Espero que gostem!

– Afrodite, tem como você tentar descobrir quem deles está contatando o Carlo? Certamente não é o chefe... – Milo perguntou.


– Posso tentar... – Dite deu de ombros, fingindo não ser tão difícil quanto seria.



– Afrodite, você sabe... Sabe que se ele se pôr contra nós, se ele tentar matar o Hyoga, você sabe... Eu não vou poupá-lo dessa vez... – Ikki proferiu em tom de alerta.



– Eu sei Ikki... E nem vou pedir o contrário. É nosso dever proteger o Hyoga. – Dite concordou, secamente. Sabia que o moreno estava disposto a tudo para proteger o loirinho, inclusive matar Carlo se fosse necessário. Era preciso estar preparado, embora estivesse pronto para algo assim desde que se descobriu perdidamente apaixonado por um assassino.



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O teto branco com apenas um pequeno lustre rústico já o estava deixando louco. Fitava aquele pedaço do quarto há mais ou menos uma hora, e nada de Ikki aparecer pra dar notícia ou qualquer coisa. A casa estava em absoluto silêncio, mesmo depois da chegada do carro misterioso. Mas Hyoga sabia que não devia se tratar de pessoas perigosas, já que chegaram há bastante tempo e tudo permanecia tranquilo. Provavelmente eram amigos do policial.



Angustiado e já morto de fome, o loiro resolveu que deveria sair do quarto. Sim, o moreno mandou que ficasse lá dentro, mas iria enlouquecer se continuasse lá, sem nenhuma informação. E também, não devia haver mal ir até a cozinha e comer alguma coisa. Cautelosamente, ele decidiu abrir a porta e olhar por entre o corredor. Só podia ouvir o som da televisão ligada, a única coisa que indicava que não estava sozinho.


Desceu as escadas com as pontas dos pés, procurando não fazer barulho. Não sabia se devia temer alguma coisa, mas aquela situação deixaria qualquer um tenso. Hyoga não conhecia a casa, nem as pessoas que lá viviam. Não sabia quem estava por lá, ou se devia realmente sair do quarto. Eram muitas dúvidas sem respostas, mas não poderia ficar trancado para sempre.

O som da televisão ficou mais audível e o loiro notou que se tratava de uma programação infantil. Franziu o cenho e logo se lembrou de Shun. Será que ele estava na casa? Andou mais em direção ao sofá e esticou o pescoço para ver quem estava ali. Alívio! Era sim o filho de Ikki. Ele dormia tranquilamente abraçado a um ursinho de pelúcia. O loiro sorriu ante a cena, tão doce e inocente, e tão diferente do que estava acostumado a ver. Aproveitou para delicadamente cobrir melhor o menino, que se remexeu, mas não acordou.

Depois seguiu pela casa até encontrar a cozinha. Estranhou não encontrar ninguém pelo caminho. Mas certamente Ikki estava por perto, ou Shun não estaria na casa. Mas então, onde estava? E aquela senhora que lhe deixou roupas limpas? Também queria falar com ela e agradecer, mas parecia que a casa estava vazia. Fitou a geladeira e torceu para que tivesse algo para comer.

Para sua sorte, ela estava recheada de coisas deliciosas. Olhou ao redor, com dúvida se devia pegar algo, afinal não estava em sua casa. Mas... Estava morto de fome! Não iria fazer mal pegar o iogurte, o suco de laranja e o bolo de baunilha e se fartar no balcão da cozinha. E foi o que fez. O loiro levou meia hora para se alimentar, e ainda assim ainda não tinha visto ninguém pela casa e isso já estava ficando estranho.

Arrumou a cozinha rapidamente e começou a procurar alguém. Shun ainda dormia, mas fora ele, não havia absolutamente ninguém na casa. Então só lhe restava o lado de fora. Seu coração palpitou no peito somente com a ideia de sair daquela casa. E se tivesse alguém do ‘chefe’ ou...

Hyoga meneou a cabeça, repreendendo-se raivosamente pela covardia. Ikki só podia estar lá fora, talvez tomando um ar. E não faria mal ir lá e perguntar por que não foi falar com ele. Toda aquela espera estava deixando-o louco! Meio hesitante, o orgulho o impulsionando para fora, o loiro abriu a porta da sala, sentindo a leve brisa noturna bater seu rosto. Fechou os olhos e inspirou o ar puro do lugar. Não sabia onde estavam, mas certamente estavam bem longe da cidade grande. Dava para sentir o ar mais limpo entrando no pulmão, o ar fresco balançar levemente, no mesmo ritmo das folhas nas árvores, trazendo consigo uma paz reconfortante.

Porém, havia um som além das folhas das arvores, do vento e dos animais. Era um baixo gemido. Fraco, mas constante. Abriu os olhos novamente prestando atenção nesses gemidos e foi se guiando até ele. Não precisou andar muito para descobrir a origem deles. Sim, era de Ikki e ele parecia estar treinando alguma arte marcial. O som ficava mais alto a cada passo avançado e por um motivo que ele não sabia explicar, seu coração acelerava cada vez mais.

Até que a imagem do moreno se formou em seus olhos e ele estancou o passo. A respiração ficou suspensa por um momento sem que ele percebesse, um tanto constrangido e hipnotizado pela cena. O policial treinava socos e chutes numa árvore, o choque de seus golpes fazia com que as folhas se agitassem, e o ar se tornava mais refrescante, embora o suor de seu corpo tenha impregnado de calor tudo a volta dele. Os olhos azuis de Hyoga percorreram lentamente pelas costas morenas, os músculos evidenciados pelo esforço, a bela tatuagem da fênix, as gotas de suor descendo devagar. Ele estava sem a camisa, posta presa pela bermuda, caída sobre as nádegas do moreno.

A cena mexeu com o adolescente, que não entendia a própria reação. Sua boca ficou seca de repente e ele simplesmente não conseguia tirar os olhos de Ikki, de seus movimentos, de seus gemidos roucos toda vez que acertava um golpe forte na árvore. O que estava acontecendo com ele, afinal? Porque não conseguia desgrudar os olhos dele? Porque seu corpo estava reagindo daquela maneira?

O policial continuou com seus exercícios e aparentemente não havia notado a presença do adolescente, que ficara um pouco afastado. A mente do loiro não processava muito bem o que estava acontecendo, mas sentiu seu corpo reagir automaticamente, assustando-o. Nunca sentiu atração por homem nenhum, então porque isso agora? Hyoga pensava, aturdido e constrangido com o volume entre as penas e a fixação de seu olhar no corpo moreno de Ikki.

Avançou seus passos vacilantes, e sacudiu levemente a cabeça de um lado a outro, tentando recuperar-se, tentando abrandar o súbito calor em seu corpo. Mas era inevitável, correr o olhar pelo corpo do policial, estando daquele jeito, estava-o deixando com cada vez mais calor e... Excitado! Isso não podia estar acontecendo! Talvez fosse melhor ele sair dali, tomar um banho e pensar direito. Provavelmente estava ficando louco com tudo o que estava acontecendo. Sim, era isso. Estava completamente louco! Não era gay, não tinha razão pra se preocupar com isso, devia voltar para a casa e esquecer essa loucura!

Hyoga? Hyoga? – Piscou os olhos rapidamente, aturdido, ao ouvir o moreno lhe chamando, um tanto preocupado. Ficou tão aturdido que não percebeu o seu chamado? Isso era absurdo! Pensou consigo mesmo, corando. – Você está bem? – O moreno perguntou, desconfiado.

– Ahh... Eu... Eu estou bem. Estava com fome. Ai eu desci pra comer alguma coisa... – Respondeu, desviando o olhar, completamente sem graça. E é claro que o moreno percebeu tanto a vergonha como a excitação do garoto. Tinha suas dúvidas quanto a sexualidade do garoto, e pelo que percebeu o próprio Hyoga não estava consciente ainda sobre isso. O que tornava as coisas ainda mais difíceis para Ikki.

Ah... Tudo bem. Eu estive conversando com Afrodite e Milo. – Desconversou, pegando sua camisa e a vestindo, notando o olhar cobiçoso do loiro pra cima de si no processo.

E tem alguma novidade? – Hyoga também optou por entrar na conversa, espantando aquela sensação que ele não compreendia.

Tenho sim... Mas deixa-me tomar um banho primeiro. Depois eu te conto, nós precisamos conversar... – Pediu, indo na direção da casa. O loiro concordou e o acompanhou, agora com ainda mais dúvidas do que quando chegou a casa, só que agora não sobre seu futuro e sim sobre o policial a sua frente.


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Milo chegou a sua casa flamejando em suas ideias. Deixou Afrodite em sua casa, e ainda conversou longo tempo com o amigo antes de voltar para casa, mas ainda não podia acreditar naquela suspeita que pairava sobre a cabeça de Kanon. O delegado sempre se mostrou muito empenhado na prisão do ‘chefe’, embora que já desconfiassem de alguém infiltrado, alguém que provavelmente sabotava todas as investigações que realizavam, mas ainda assim...



Cansado de tentar entender e acreditar naquela história, o loiro resolveu tomar um longo e relaxante banho. Foi até seu confortável banheiro e retirou toda a sua roupa, ficando completamente nu diante do grande espelho que mantinha no banheiro, contemplando o reflexo de seu corpo nu. Admitia que era um homem bonito e vaidoso, e gostava de cuidar do corpo fazendo exercícios na academia da polícia e, vez ou outra, corria na beira da praia, o que mantinha seu físico em excelente forma, os músculos bem delineados, firmes. A pele bronzeada completava o belo porte físico do homem que mexia com a imaginação de muitas mulheres e homens também.


E enquanto admirava-se pelo espelho, a lembrança de Camus veio a sua mente. E passou-lhe a ideia de que ele, embora fosse mais velho, devia ter o físico parecido com o seu. O ruivo era um homem que devia ter seus cinquenta anos, mas estava em excelente forma. Milo sempre teve um interesse acentuado em homens mais experientes, embora que ele não parecia ser homem que tivesse tido muitas experiências com homens.

Mas e porque está pensando nisso agora, Milo? – Perguntou a si mesmo meneando a cabeça e achando graça de si mesmo. Era só o que faltava ceder aos desejos provocados por aquele homem sedutoramente sisudo. Mas deixou suas divagações para depois e foi para debaixo daquela ducha forte e relaxante, deixando que a força da água em seu corpo levasse embora a tensão daquele dia.

E por mais que a água molhasse seus cabelos loiros e pele, por mais que aquilo fosse extremamente relaxante, a imagem de Camus não deixava sua mente. E o que era pior, sua imaginação misturado com o cansaço o fez desejar inconscientemente que o ruivo estivesse ali, tomando banho junto com si. Desejou poder sentir o toque das mãos do ruivo em sua pele, em seu corpo... Desejou sentir o gosto de seus lábios e da sua pele, e como era o seu toque. Desejo que fez com que sentisse seu membro enrijecer.

– Droga! – Acelerou o término do banho antes que não conseguisse mais esfriar o corpo, e deixou o banheiro com uma toalha branca em volta da cintura. Os cabelos molhados deixavam a pele bronzeada cheia de gotas d’água, mas não se preocupou em secá-los. Vestiu um short confortável e já se preparava para dormir quando ouviu a campainha. Ficou confuso, pois não esperava ninguém, mas resolveu atender somente de short mesmo.

Camus... – Balbuciou surpreso ao ver o ruivo bem a sua frente.

Oi Milo... – O francês corou levemente vendo o estado em que o policial encontrava-se: completamente à vontade, e pelo visto, recém-saído do banho. – Desculpe a hora, eu não queria atrapalhar.

– Não, não você não atrapalha... Entre! – Milo convidou, completamente surpreso pela visita. Camus entrou hesitante, parando no meio da sala e observando todo o apartamento. Era pequeno, mas confortável e organizado.

Eu sei que já é tarde... – Começou, mas o loiro logo o interrompeu.

Não se preocupe com isso Camus, eu não sou de dormir cedo... Mas, diga-me... O que o traz aqui? – O loiro estava tão surpreso com a visita do avô de Hyoga que se esqueceu de que estava apenas com um short.

– Você... Não quer se vestir antes? – Comentou, apontando discretamente para o peito desnudo e levemente molhado do ruivo.

– Ah... Sim, sim... – Riu levemente atordoado. – Eu vou ao meu quarto... Vestir uma camisa. Fique à vontade! – Foi até o quarto e vestiu uma regata velha, e aproveitou o breve momento sozinho para organizar a mente... E o corpo. Sentiu um arrepio correr seu corpo e ficar tenso assim que seus olhos encontraram os dele, mesmo homem por quem fantasiara instantes antes. E foi inevitável olhar para ele e não relembrar as imagens que se formaram quando estava no banho.

Mas como não podia e nem queria demorar muito, logo respirou fundo e voltou para a sala, onde estava Camus. O ruivo estava se esforçando ao máximo para se manter controlado, mas estava difícil. A sensação que tinha era que o passado tenebroso estava voltando para assombrar a ele e a sua filha. E diante de tamanha angustia, a única pessoa que poderia ajuda-lo era o policial Milo. Não que ele soubesse exatamente como o loiro poderia ajuda-lo, mas precisava procura-lo.

Por isso, não pensou duas vezes antes de ir até a delegacia. Como ele não se encontrava, pediu o endereço do policial para outro que lá estava, e que aceitou prontamente o pedido depois de um agrado financeiro. O francês logo se apressou até a casa de Milo, mesmo sendo tarde para uma visita. Mas aquela era uma situação urgente. Não sabia onde estava Hyoga e a informação que tinha poderia ser valiosa para salvar o neto, de alguma forma.

Quando chegou, se surpreendeu com a organização do lugar. Milo parecia àqueles solteirões desorganizados, completo oposto do ruivo. Mas o apartamento estava em perfeita ordem, um ambiente muito agradável, diria. Fato esse que contradizia com o estilo completamente jovial do loiro. Milo era um homem extremamente atraente, ainda mais daquele jeito tão a vontade. De banho recém-tomado, cheiroso e sensual, era impossível não gostar da visão que ele proporcionava, embora se mantivesse contido a maior parte do tempo.

– Camus? – Milo voltou para a sala e o chamou, que o fitou preocupado. – Está tudo bem?

– Está sim... Desculpe vir a essa hora, desse jeito, mas é que eu precisava muito falar com você.

– Sente-se Camus... – Ofereceu e também se sentou. – E então? O que tanto precisa me dizer? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou verdadeiramente preocupado. O ruivo parecia muito preocupado e angustiado.

– Você me disse que eu poderia te procurar caso acontecesse alguma coisa... – O francês começou.

– Sim, claro! E você lembrou-se de alguma coisa?

– Não exatamente... – Ele ajeitou-se melhor no sofá, parecendo angustiado. – A minha filha teve uma crise de nervos com toda essa história com o Hyoga, como sabe. – Milo concordou gestualmente e esperou que ele continuasse. – Ela recebeu alta hoje e eu fui busca-la. Quando estávamos chegando a nossa casa, encontramos um homem que estava cercando a casa. – Assim que Camus falou, Milo lembrou-se de Carlo.

Você viu o rosto desse homem, Camus?

– Não, nem eu e nem minha filha conseguimos ver o rosto do homem. Mas esse homem estava num carro preto. E... Havia um símbolo nesse carro. – Camus ergueu-se, hesitante. A reação estranha do outro deixava o policial cada vez mais curioso para saber o que estava acontecendo. – Eu conheço esse símbolo... – A voz enfraquecida deixou claro que Milo precisaria incentivá-lo a contar.

– Que símbolo era esse, Camus?

É o brasão de uma família tradicional da Rússia... Uma família poderosa, de políticos, empresários. De pessoas muito influentes. – Ele falou e voltou a fitar os olhos confusos do loiro, que parecia não entender o que ele queria com aquilo. – Milo, a minha filha, o Hyoga e também a minha falecida esposa Irina são russos. O Hyoga veio para cá ainda recém-nascido, mas nasceu na Rússia. – Explicou, voltando a sentar-se.

Eu não sabia disso... Pensei que fossem franceses.

– Não, eu sou francês, mas a minha família toda é russa.

– Entendo... Mas, o que isso tem a ver? – O ruivo hesitou novamente, mas continuou:

– Lá na Rússia eu era um homem rico, influente, vivia da política de uma cidade rural perto de Moscou. E dentre meus atos, influenciei da eleição de um homem, um afilhado político que poderia me dar ainda mais prestígio, poder e dinheiro naquelas terras. Mas... Eu fui traído pelos meus aliados. – Milo ouvia atentamente, surpreso pelo que ele dizia. – Eu perdi tudo, dinheiro, prestígio, minha amada esposa... – Disse com profundo pesar que incomodou levemente o loiro. – Eu fui jurado de morte e então, para não perder também minha filha, nós pegamos os restos das nossas economias e viemos para o Japão.

– Sinto muito, Camus... – Disse, apoiando-o com um aperto no ombro.

Esse meu afilhado político fazia parte de uma tradicional família da Rússia. A mesma representada por esse Brasão que vi no carro. – Contou, levando estranheza na face de Milo.

O que suspeita, exatamente?

Essa família me odeia, profundamente! Eu acho... Eu desconfio que, se eles estão aqui, cercando novamente a minha família, eu acho que eles podem ter algo a ver com esse caso do Hyoga. – Contou, sua angustia crescendo visivelmente. O policial parecia cada vez mais confuso.

Espera Camus, conta isso direito! Porque você está relacionando uma coisa à outra? – O ruivo fechou os olhos e respirou fundo, sabia que teria que contar todos os detalhes daquele terrível passado.

– Há dezoito anos, eu havia conquistado uma grande vitória política na minha cidade, na Rússia. Mas ao mesmo tempo, estava sendo escrito a maior desgraça da minha vida. Eu batalhei muito para que um rapaz da alta sociedade fosse eleito para prefeito. Mas... Por algum motivo que eu não sei até hoje, ele e toda sua família mantinha um ódio de mim, um ódio mortal. – Ergueu-se, os passos pela sala era a forma de tentar manter o controle. – E para me afetar, me atingir, esses monstros mandaram... Violentar Natássia! Quatro monstros cercaram a minha filha e a violentaram, quase a mataram! – Disse com profunda e viva dor e ódio. Milo arregalou os olhos ao ouvi-lo. Então, isso quer dizer que...

– Camus... Então quer dizer que...

– Sim... Hyoga é filho de um desses monstros! – Aquela informação explicava muitas coisas, principalmente a relação difícil entre ele e o neto. Por isso ele não chamava o loiro de neto, provavelmente estava projetando o ódio ao garoto, e por isso ele era tão arredio e rebelde! – Eu fiquei com imenso ódio e dediquei cada moeda da minha fortuna para fazê-lo pagar. Eu consegui capturar os monstros, mas descobri que meu próprio afilhado político havia sido o mandante desse crime contra minha inocente filha. Ele queria me desestabilizar, e não posso negar, meu ódio cegou-me e eu gastei fortuna na intenção de fazê-los pagar. E embora não tivesse o mesmo dinheiro que eles, ainda me restava algum prestígio e eu o usei para acabar com a imagem e o nome daquela família. Eu joguei com aquilo que eu podia, e consegui meu intento. Porém, o preço foi alto demais...

– O que aconteceu?

– Eles juraram que acabariam com a minha vida e a vida da minha família. Pegaram-me e surraram-me a ponto de não ter forças nas pernas. Depois, procuraram e agrediram minha amada esposa, na minha frente, até ela não ter mais forças e morrer diante de meus olhos. E esse seria o destino também de minha filha, não fosse estar protegida no hospital dando a luz a Hyoga. Com a ajuda de alguns amigos, eu consegui me livrar dos homens que me mantinham preso e fugi da Rússia, com minha filha e neto. Mas eu sempre soube... Eles não desistiriam de mim. E parece que agora, depois de dezoito anos, eles nos encontraram!

– Camus... – Milo levantou-se também, percebendo o quanto ele se esforçava para não chorar bem a sua frente. – Você quer beber uma água? – O ruivo negou veementemente. Não queria se acalmar. – Tem certeza? Eu vou pegar um pouco de whisky pra mim, essa história é... Você tem certeza que não quer?

– Eu aceito whisky. – Camus aceitou, na certeza que aquilo o acalmaria. Esperou Milo voltar com os copos e voltou a sentar-se no sofá. Aquele assunto sempre mexia com seus ânimos, com seu ódio, com seu autocontrole.

– Aqui está. – O loiro voltou com dois copos da bebida, e sentou-se perto dele. Camus agradeceu e bebericou, mas ficou quieto, sendo seguido pelo policial. O clima tenso entre eles não passava e eles continuavam em silêncio. Milo pensando em tudo o que tinha ouvido e Camus tentando acalmar os ânimos.

– Obrigado, Camus. – O policial começou, com baixo tom de voz. O ruivo o encarou sem entender. – Por me contar tudo isso, eu imagino que deva ser bem difícil pra você. – Disse e percebeu que Camus respirou fundo e pesadamente.

Era preciso... – Respondeu, fingindo que não estava tão abalado quanto realmente estava, e o loiro percebeu isso. – Mas Milo, eu ainda não contei...

– Calma... – Milo o interrompeu, sorrindo discreto. – É muita coisa pra mim e pra você também. Não precisa fingir ser tão forte comigo, Camus. Eu, antes de qualquer coisa, sou seu amigo.

– Amigo...? – O ruivo murmurou confuso com a aproximação do policial.

– Sim... Eu não estou aqui apenas como policial, eu também me preocupo com o Hyoga. E com você também. – O loiro lambeu os lábios, hesitante, e se aproximou ainda mais, quase colando os corpos, incentivado pela inércia do ruivo. – A sua história é muito dolorosa e eu fico feliz que tenha me escolhido para conta-la, mas eu não quero que você fique mal relembrando essa história.

– Eu estou bem... – O francês respondeu, fitando profundamente nos olhos do loiro, que levou sua mão ao rosto alvo de Camus.

– Não, você não está. Mas tudo bem, vai ficar tudo bem. – Disse calmo e sorrindo gentil. Os olhos se encontraram, assim como o silêncio cúmplice encontrou com os corações que aceleram diante daquele momento íntimo. E então o loiro deixou-se levar pelo seu desejo, pela aproximação e pelos lábios convidativos do ruivo. Os lábios se encontraram, num leve roçar, tímido, antes que línguas pedissem permissão para passar.

Os olhos de ambos fecharam, a mente entrou em torpor e sentiram como se aquele fosse o ato mais perfeito. O beijo começou lento, as explorações das línguas se uniram a exploração de mãos, o toque gentil, mas desejoso, curioso...

Espera! – Camus afastou-se abruptamente, desnorteado por aquele beijo. Milo piscou confuso e sentiu-se culpado.

– Desculpe, Camus... Eu não devia... – Desculpou-se tentando aproximar-se, mas foi impedido por um ruivo confuso.

Não se preocupe com isso, foi... Um momento de fraqueza. Não se preocupe. – Respirou fundo. – A culpa foi minha, depois que minha esposa faleceu eu não... Enfim!

– Fraqueza... – Milo murmurou num tom triste.

– Mas bem, eu acabei não dizendo o que realmente queria. – Respirou fundo novamente, arrumando os cabelos. – Depois de tudo isso, eu resolvi procurar informações sobre essa família, algum indício de que eles vieram pra cá. E eu descobri algo estarrecedor!

O que você descobriu? – Percebeu que ele queria desviar o assunto, e fingir que nada havia acontecido, e embora não fosse o que quisesse, ficou curioso diante de tais palavras.

Esse homem que me traiu e fez da minha vida um inferno, teve dois filhos, gêmeos. – Disse com olhar assustados, procurando as fotos que havia encontrado, mostrando para Milo. – O delegado Kanon, ele é um dos filhos do homem que destruiu minha vida! – Confirmou para o policial que encarava incrédulo para a foto em suas mãos.



Continua...