Faye guinchou, se lançando para longe de Cassie. — Sua forasteira

idiota! Tinha apenas começado e você estragou tudo!

Cassie estava deitada de costas, ofegando. Levantou-se apontando

para o alto, trêmula.

— Isso foi o que eu arruinei —, disse ela sua voz fraca por causa da

falta de ar e do medo. Faye olhou para o teto, para o círculo negro

carbonizado no gesso branco.

— Estava vindo diretamente para você —, disse Cassie, irritada

demais a ponto de gritar. — Você não vê?

Faye apenas olhou para ela, cílios negros sob os olhos dourados

especulativos e então, olhou para a caveira.

Cassie se inclinou e cobriu a caveira com um pano.

— O que você está fazendo?

— Eu o estou guardando —, disse Cassie ainda sem fôlego. — Diana

estava certa. Eu estava certa, se eu tivesse escutado a mim mesma. É

perigoso de segurar.

Ela esperava que Faye explodisse, e até mesmo brigasse com ela. Mas

Faye olhou a mancha no teto e disse pensativa:

— Eu acho que é questão de um pouco mais de proteção. Se

pudéssemos capturar a energia alfa...

— Você está louca —, Cassie disse sem rodeios — E —, acrescentou

ela — nosso trato está acabado, fiz o que você mandou: Eu trouxe a

caveira. Você o usou, e você quase morreu. Portanto, agora acabou.

A expressão relaxada de Faye desapareceu.

— Ah, não Cassie —, ela disse com um sorriso começando a aparecer

em seus lábios, mas seus olhos estavam predatórios. Implacáveis. — Isso é

só o começo. Você não vê? — Ela começou a rir. — Você é minha

prisioneira agora mais do que nunca. Não é mais apenas o Adam, posso

dizer isso sobre Diana. Como você acha que a Princesa da Pureza vai se

sentir quando souber que sua “irmãzinha” roubou a caveira? E depois o

trouxe para eu usá-lo? — Ela riu ainda mais, parecendo encantada. — Oh

Cassie, você devia ver seu rosto.

Cassie se sentiu como se estivesse se sufocando. O que Faye disse era

verdade. Se Diana descobrisse que Cassie tinha desenterrado a caveira,

que ela tinha mentido para ela, que toda a história do domingo passado

sobre estar com muito medo de ir para casa tinha sido um truque... Assim

como a ultima vez que tinha estado nessa sala, Cassie sentiu seu espírito,

sua vontade, se esvaindo. Ela estava mais presa do que nunca. Ela estava

perdida.

—Você guarde a caveira agora —, disse Faye como se fosse totalmente

ideia dela. — E depois, bem, vou pensar em outra coisa que quero de você.

Enquanto isso, fique disponível. É o bastante.

Eu te odeio, Cassie pensou, com uma raiva impotente. Mas Faye

estava ignorando Cassie completamente, se abaixando para pegar os

gatinhos eriçados, um cinza e um laranja,que tinha fugido da explosão de

poeira.Os gatinhos vampiros, Cassie se lembrou distraidamente, os únicos

com gosto por sangue humano. Aparentemente eles não tinham gostado

do negócio com a caveira.

— E quanto a isso? —, Cassie disse apontando para a mancha escura

no teto de Faye. — Você não acha que é irresponsável deixá-lo solto? Ele

poderia sair e matar alguém...

— Eu duvido —, Faye disse encolhendo negligentemente os ombros.

— Mas suponho que teremos que esperar e ver.

Ela acariciou o gatinho laranja, e seu pelo começou a se eriçar

novamente.

Cassie só podia olhar para ela, lágrimas enchendo os seus olhos. Ela

pensou que podia controlar Faye, mas estava errada. E agora essa nova

energia sombria poderia estar aprontando alguma coisa e ela não podia

detê-la.

Você poderia contar a Diana, uma voz em seu interior disse, mas ela

nem sequer fingiu ouvi-la. Ela nunca poderia dizer a Diana; ela perdeu

essa chance. As coisas tinham ido longe demais com Faye.

— Cassie, você está preocupada quanto a alguma coisa ? — Laurel tinha

interrompido, com uma faca branca em suas mãos.

— Eu? Não, por quê? — Cassie se sentia como se seu coração fosse

sair pela boca.

— Por que você parece meio nervosa —, Laurel gentilmente talhou

uma raiz de hamamélis com a faca. — Agora, isso não vai doer nada...

Você tem muitas raízes e voltarão a crescerem a partir de... — ela

murmurou suavemente. — Isso não é sobre o Baile, não é? — ela

perguntou, erguendo seus olhos novamente.

— Não, não — disse Cassie. Ela nem tinha pensado no Baile essa

semana. Ela não conseguia pensar em nada, exceto na energia sombria.

Esperando a cada dia um novo desastre.

Mas hoje era quinta e nada tinha acontecido ainda. Nenhuma

avalanche, nenhum corpo encontrado, nenhum desaparecido. Ah, se ela

pudesse se deixar pensar que nada iria acontecer... A energia que ela e

Faye haviam liberado era pequena, e talvez tivesse desaparecido. Cassie

sentiu uma paz deliciosa tomar conta de seus pensamentos.

Laurel tinha mudado para um maço de tomilho.

— Não é tarde demais para mudar de ideia quanto ao Baile —, disse

ela. — Eu gostaria que você fosse. Dançar é muito natural para as

feiticeiras... É como um de nossos feitiços:

"O homem para mulher, mulher para o homem,

Desde que o mundo começou.

Coração para coração, de mão em mão,

Desde que o mundo começou. "

Ela acrescentou, olhando pensativa para Cassie:

— Não havia um cara que você conheceu no verão e que estava

interessada? Nós bem que poderíamos fazer um feitiço para atraí-lo até

aqui...

— Não! —, Cassie disse. — Quero dizer, eu realmente não quero ir

para o Baile, Laurel. Eu não me sentiria confortável.

— Obrigada —, Laurel disse. Por um instante, Cassie pensou que ela

estava falando com ela, mas na verdade, era com o tomilho. — Me perdoe,

mas eu precisava de parte da raiz também, mas eu trouxe isso para ajudar a

crescer novamente, e ela tirou um cristal rosa do bolso, colocando-o na

terra. — Por acaso, Cassie você não encontrou o seu tipo de cristal ainda?

— Não — Cassie disse. Ela pensou na confusão de cristais da caixa

de Faye. Ela gostava de usar eles, mas nenhum demonstrou afinidade por

ela, o que ela precisava, como uma bruxa.

— Você vai, não se preocupe —, Laurel assegurou-lhe. — Só vai

aparecer um dia, e você saberá.

Ela se levantou com o tomilho na mão.

— Tudo bem, vamos lá dentro e eu vou lhe mostrar como fazer uma

infusão. Ninguém deve brincar com ervas, a menos que saiba exatamente

o que estão fazendo. E se você mudar de ideia quanto ao Baile, sopa de

tomilho ajuda a superar a timidez.

Cassie fez uma busca ao redor procurando por energia negativa, e

então seguiu Laurel.

No dia seguinte, na aula de história americana, Diana espirrou.

Ms. Lanning parou de falar e disse, "Saúde" distraidamente. Cassie mal

notou no momento. Mas então, no final da aula, Diana espirrou de novo, e

continuou espirrando. Cassie olhou para ela. Os olhos de Diana estavam

vermelhos e lacrimejantes. Seu nariz estava ficando cor de rosa, também,

enquanto ela o enxugava com um lenço de papel.

Naquela noite, invés de ir ao Jogo de abertura, Diana ficou em casa,

na cama. Cassie que não sabia nada de futebol além de gritar quando todo

mundo gritava, estava preocupada com ela. Não podia ter nada a ver com a

energia sombria, poderia?

— Aplauda — , Laurel disse, cutucando ela. — Para a rainha do

Baile. Sally realmente parece quase bonita, não é?

— Me diz —, disse Cassie, aplaudindo mecanicamente. — Laurel,

como que nenhuma de nós é Rainha do Baile? Ao invés de uma estranha?

— Diana não queria ser —, Laurel disse sucintamente. — E Deb e as

outras acham isso muito bobo. Mas do jeito que Jeffrey Lovejoy está

olhando para Sally, acho que Faye cometeu um erro. Ela o convidou para

vir ao Baile com ela, mas ele já tinha convidado a Sally e ele é um lutador.

Seria interessante ver quem conseguiria ficar com ele.

— Nem me diga —, disse Cassie. — Eu vi a ultima briga entre Faye e

Sally; essa eu posso perder.

Mas não foi assim que aconteceu.

Cassie estava na horta quando o telefone tocou. Ela teve que passar pela

cozinha e pelo corredor até alcançar o telefone.

— Alô, Cassie? A voz era tão baixa e sussurrada que era quase

irreconhecível. — É a Diana.

Medo correu pela espinha de Cassie. A energia sombria...

— Oh Diana, está tudo bem?

Houve uma explosão de riso abafado.

— Não entre em pânico. Eu não estou morrendo. É apenas um

resfriado.

— Você parece horrível.

— Eu sei. Estou completamente miserável, e eu não posso ir ao Baile,

e eu liguei para te pedir um favor.

Cassie congelou com uma intuição súbita. Sua boca se abriu, e depois

fechou de novo em silêncio. Mas Diana estava falando.

— Jeffrey ligou para Faye para lhe dizer que ele vai com Sally afinal

de contas, e Faye ficou chocada. Então, quando ela soube que eu estava

doente, ela telefonou para dizer que iria com Adam, porque ela sabia que

eu quero que ele vá mesmo que eu não possa. E eu quero, eu não quero

que ele perca isso só por causa de mim. Então eu disse a ela que não

poderia porque eu já lhe pedi para ir com ele .

— Por quê? — Cassie deixou escapar, e então pensou: Faça uma

pergunta estúpida. . .

— Porque a Faye está à espreita — , Diana disse pacientemente. —

E ela gosta de Adam, e com o humor que ela está hoje, ela vai tentar

qualquer coisa. Essa é a única coisa que eu não suportaria, Cassie, ela por

as mãos em Adam. Eu simplesmente não conseguia.

Cassie procurou em volta de algo para sentar-se.

— Mas Diana ... Eu nem sequer tenho um vestido. Eu estou toda

enlameada...

— Você pode ir para Suzan . Todas as outras meninas estão lá. Elas

vão cuidar de você.

— Mas... Cassie fechou os olhos. — Diana, você simplesmente não

entende. Eu não posso. Eu..

— Oh, Cassie, eu sei que é pedir muito. Mas eu não sei a quem mais

recorrer. Se Faye for atrás de Adam...

Foi a primeira vez que Cassie ouvia tal nota de desespero na voz de

Diana. Ela parecia à beira das lágrimas. Cassie apertou a mão na testa. —

Okay. Ok, eu vou com ele. Mas...

— Obrigado, Cassie! Agora vá para a casa de Suzan! Eu conversei com

ela e Laurel e Melanie. Eles vão te arrumar. Vou conversar com Adam.

E aquela, Cassie pensou impotente, era uma conversa que poderia

perder também.

Talvez Adam os livrasse disso de alguma maneira, Cassie pensou

enquanto estacionava o Rabbit na garagem de Suzan. Mas ela duvidava

disso. Quando Diana colocava alguma coisa na cabeça, ninguém poderia

fazê-la mudar de ideia.

A casa de Suzan tinha pilares. A mãe de Cassie disse que era uma

imitação grega ruim, mas Cassie secretamente pensava que era

impressionante. O interior era esplendoroso, e o quarto de Suzan era um

luxo por si só.

Era de todas as cores do mar: areia, conchas, pérolas, caramujos. A

cabeceira de cama Suzan foi moldada como uma concha gigante

recortado. Mas o que chamou a atenção de Cassie eram os espelhos, ela

nunca tinha visto tantos espelhos em um só lugar.

— Cassie!

Laurel estourou atrás dela, fazendo com que Cassie por sua vez, se

assustasse. — Eu tenho isso! — Laurel anunciou triunfalmente às outras

meninas, segurando um cabide de plástico embrulhado. Dentro Cassie

vislumbrou algum material, pálido e brilhante.

— É um vestido que Granny Quincey me deu este verão, mas eu não

o usei e nunca usarei. Não é meu estilo, mas vai ser perfeito para você,

Cassie.

— Oh, Deus —, foi tudo Cassie poderia pensar em dizer. Ela mudou

de ideia, ela não poderia fazer isso apesar de tudo. — Laurel — obrigado

—, mas eu poderia arruiná-lo...

— Não a deixe falar — Melanie ordenou do outro lado do quarto. —

Coloque-a em uma banheira, ela bem que precisa de uma.

— Dessa forma —, disse Suzan, gesticulando com os dedos

espalmados. — Eu não posso fazer nada até que minhas unhas estejam

secas, mas todo o material está lá dentro.

— Mix banho de beleza —, regozijou-se Laurel, examinando a

variedade de garrafas nas prateleiras douradas no banheiro de Suzan.

Havia todos os tipos de garrafas, algumas de boca larga e algumas

pequenas, o verde e o azul brilhante a distancia.

— Aqui, isso é ótimo: tomilho, hortelã, alecrim, lavanda... O cheiro é

maravilhoso, e é tranquilizante, também...

Ela espalhou flores secas de cores vivas na água fumegante.

— Agora entre e se esfregue. Oh, isso é bom —, continuou ela,

cheirando a outra garrafa. — Shampoo de camomila. Clareia o cabelo e faz

aparecer luzes loiras. Use isso!

Cassie obedeceu atordoada. Ela se sentiu como se tivesse acabado de

ser introduzida no campo de treinamento.

Quando ela voltou para o quarto, Melanie dirigiu-a para sentar-se e

manter uma toalha quente no rosto. — É uma resina perfumada

impregnada com as virtudes misteriosas de bálsamos tropicais — , disse

Melanie, na leitura de um Livro das Sombras. — Clareia a pele e a deixa

brilhante,e ele realmente deixa, também. Portanto, mantenha isso em seu

rosto enquanto eu faço o cabelo.

— Melanie é maravilhosa com o cabelo —, Laurel disse quando

Cassie corajosamente escondeu o rosto no pano.

— Sim, mas não vou fazer isso nela — disse Melanie em tom crítico.

— Vou deixá-lo em um macio natural, caindo em torno de seu rosto. Ligue

a baby-liss na tomada, Suzan!

Enquanto Melanie trabalhava, Cassie podia ouvir Deborah e Laurel

conversando no fundo do closet de Melanie.

— Suzan — Laurel gritou. — Eu nunca vi tantos pares de sapatos na

minha vida. O que você faz com todos eles?

— Eu não sei. Apenas gosto de comprá-los. O que é muito bom para

as pessoas que os querem emprestados —, Suzan respondeu.

— Agora, vamos colocá-la no seu vestido —, disse Melanie algum

tempo depois. — Não, espera. Vamos lhe dar um pouco de vaidade, Suzan

vai fazer a sua maquiagem.

Inutilmente, Cassie tentou protestar enquanto Melanie colocava uma

toalha em torno de seu pescoço. — Não, está tudo bem, eu posso fazer a

maquiagem sozinha e...

— Não, você quer que a Suzan faça — disse Laurel imergindo do

closet. — Eu prometo Cassie, basta esperar para ver.

— Mas eu não quero usar muita maquiagem, isso não combina

comigo...

— Sim, você vai. E vai parecer muito como você mesma.

— Bem, alguém decida isso logo, pelo amor de Deus! — disse Suzan,

em pé envolta em um hobbie com uma esponja de pó compacto,

impaciente. — Eu tenho o que fazer também, né, vocês sabem.

Cassie se rendeu, sentando em um banquinho.

— Hummm —, disse Suzan, olhando Cassie de cima para baixo. —

Hummm...

A meia hora seguinte foi preenchida com instruções desconcertantes.

— Olhe para cima —, ordenou Suzan segurando um delineador

marrom. — Olhe para baixo... Tipo... Senão seus olhos vão doer. E

ninguém vai poder dizer que você está maquiada. E agora... Um pouco de

sombra amendoada...

Ela mergulhou um pequeno pincel em um pó, e sacudiu para remover

o excesso. — Agora, só um pouco de azul marinho no canto para te dar um

ar de mistério...

Olhos fechados, Cassie relaxou. Foi divertido. Sentiu-se ainda mais

decadente e mimada quando Laurel disse:

— Vou fazer as suas unhas.

— O que você está usando? — Cassie perguntou confiantemente.

— Infusão de hamamélis e Chanel Flamme Rose Polonês— , Laurel

respondeu, e ambas riram.

— Não afaste minha mão — disse Suzan, irritada. — Agora, sugue as

suas bochechas como um peixe. Pare de rir. Você tem bochechas grandes,

então só vou destacá-las um pouco. Agora faça assim; vou passar brilho

nos seus lábios.

Quando ela finalmente se afastou para olhar sua obra, todas as garotas

se amontoaram para ver, até mesmo Deborah.

— E finalmente... Um pouco de perfume aqui e aqui — , disse Suzan.

Ela tocou a garganta de Cassie os lóbulos das orelhas e os pulsos com algo

que cheirava maravilhosamente e selvagem.

— O que é isso ? — Cassie perguntou.

— Mignonette, tuberosa e ylang-ylang — , disse Suzan. — Isso faz

você irresistível. E eu deveria saber.

Alarme lanceou através de Cassie, de repente, mas antes que ela

tivesse tempo para pensar, Laurel estava a transformá-la, soltando a toalha

do pescoço. — Espere, não olhe até que você tenha se calçado... Agora!

Laurel disse em júbilo. — Olhe para isso!

Cassie abriu os olhos e respirou fundo. Então, mal sabendo o que ela

estava fazendo, ela aproximou-se do espelho de corpo inteiro, para a

desconhecida linda refletida lá. Ela mal podia resistir, chegando a tocar o

vidro com a ponta dos dedos.

A menina no espelho tinha um fino, cabelo castanho-claro agitando

suavemente em volta de seu rosto. As luzes brilhavam quando Cassie

moveu a cabeça, por isso deve ser seu, mas não poderia ser, Cassie

pensou. Seus olhos não têm essa aura, de sonho misterioso. Sua pele não

tinha aquele brilho, e ela não cora dessa forma, destacando as maçãs do

rosto. E seus lábios definitivamente não pareciam tão beijáveis.

— É o batom —, explicou Suzan. — Não o borre.

— É possível —, disse Melanie — que você tenha ido longe demais,

Suzan.

— Você gosta do vestido? — Laurel perguntou. — É o comprimento

perfeito, curto o suficiente, mas ainda assim romântico.

A menina no espelho, aquela com os ossos delicados e pescoço do

cisne, virou de lado a lado. O vestido era prateado e brilhante, como

metros da luz das estrelas, e isso fez Cassie se sentir como uma princesa.

Sapatos de Suzan são, apropriadamente, parecidos com sandálias de

cristal.

— Oh, obrigada! — Cassie disse, girando para olhar para as outras

meninas. — Quero dizer... Eu não sei como dizer obrigado. Quero dizer,

eu finalmente pareço uma bruxa!

Elas caíram na gargalhada, exceto Deborah, que lançou um olhar

enojado para o teto. Cassie abraçou Laurel, e então, impulsivamente,

abraçou Suzan, também.

— Bem, você é uma bruxa —, disse Suzan razoavelmente. — Eu vou

te mostrar como fazê-lo sozinha, se quiser.

Cassie sentiu algo parecido com humildade. Ela tinha pensado que

Suzan era apenas uma cabeça oca, mas não era verdade. Suzan amava a

beleza e era generosa em partilhá-la com outras pessoas. Cassie sorriu para

os olhos azuis e sentiu como se tivesse inesperadamente fazendo um novo

amigo.

— Espere, quase esqueci! — Melanie disse. — Você não pode ir a um

baile sem um único cristal ao seu nome.

Ela remexeu em sua bolsa de lona, e então disse:

— Aqui, isso vai ser perfeito, mas era da minha bisavó.

Ela ergueu um colar: uma corrente fina com uma lágrima de quartzo

claro. Cassie tomou-a carinhosamente e colocou-a em torno de seu

pescoço, admirando a maneira como ele estava no oco de sua garganta.

Então ela abraçou Melanie também.

Do andar de baixo uma campainha tocou fraca, e, mais perto, uma voz

masculina gritou: — Para sair gritando! Você vai conseguir isso, Suzan?

— É um dos caras!— Suzan disse, jogada em uma emoção. — E nós

não estamos prontas. Você é a única vestida, Cassie. Corre até lá, e

acalme-o antes que meu pai desça!

— Olá, Sr. Whittier, desculpe, Sr. Whittier —, Cassie ofegou quando

ela correu escada abaixo. Não foi até que ela estava na porta que ela

pensou: Oh, por favor, por favor, por favor, que seja qualquer um dos

outros. Não deixe que seja ele. Por favor.

Adam estava lá quando ela abriu a porta.

Ele estava com um sorriso irônico, apropriado para um cara que foi

ordenado no último minuto para escoltar a melhor amiga de sua namorada

para uma dança. O sorriso desapareceu instantaneamente quando ele viu

Cassie.

Por um longo momento ele simplesmente olhou para ela. Seu próprio

sorriso exultante desbotou, e eles ficaram olhando um para o outro.

Adam engoliu em seco, começou a dizer algo, então desistiu e ficou

em silêncio novamente.

Cassie ouviu as palavras de Suzan: Ele vai fazer você irresistível. Oh, o

que ela fez?

— Vamos cair fora —, disse ela, e sua voz era tão suave como quando

ela disse a Faye sobre a energia sombria. — Vamos dizer a Diana que eu

fiquei doente também.

— Nós não podemos — disse ele, igualmente suave, mas muito

intenso. — Ninguém vai acreditar e, além disso...

O sorriso fez uma tentativa de reaparecer.

— Seria uma vergonha para que você perder o Baile. Você está... Ele

fez uma pausa. — Linda.

— Então você —, disse Cassie, e tentou vir para cima com um sorriso

irônico de si própria. Ela tinha a sensação de que acabou vacilando.

Cassie respirou fundo, mas naquele momento ela ouviu uma voz vinda

do segundo andar.

— Aqui —, Laurel disse, inclinando-se sobre a balaustrada para

lançar a Cassie uma pequena bolsa de contas. — Leve-a para a dança,

Adam, dessa forma ela vai ter uma chance com alguns caras que estão

disponíveis.

E do quarto, Suzan chamou: — Mas não muitos Cassie, deixe alguns

para nós!

— Vou tentar afastar alguns deles — Adam respondeu, e Cassie

sentiu seu pulso acelerado acalmar um pouco. Eles tiveram suas partes

ruins agora. Era como atuar numa peça, e tudo que Cassie tinha que fazer

era lembrar do seu papel. Ela tinha certeza de que Adam poderia lidar com

o seu ... Bem, quase certeza. Algo em seus olhos deu um arrepio na

espinha de Cassie.

— Vamos —, disse Adam. Cassie respirou fundo, e com ele penetrou

na penumbra diante dela.