Círculo Secreto A Prisioneira
5 Capítulo 5
Faye guinchou, se lançando para longe de Cassie. — Sua forasteira
idiota! Tinha apenas começado e você estragou tudo!
Cassie estava deitada de costas, ofegando. Levantou-se apontando
para o alto, trêmula.
— Isso foi o que eu arruinei —, disse ela sua voz fraca por causa da
falta de ar e do medo. Faye olhou para o teto, para o círculo negro
carbonizado no gesso branco.
— Estava vindo diretamente para você —, disse Cassie, irritada
demais a ponto de gritar. — Você não vê?
Faye apenas olhou para ela, cílios negros sob os olhos dourados
especulativos e então, olhou para a caveira.
Cassie se inclinou e cobriu a caveira com um pano.
— O que você está fazendo?
— Eu o estou guardando —, disse Cassie ainda sem fôlego. — Diana
estava certa. Eu estava certa, se eu tivesse escutado a mim mesma. É
perigoso de segurar.
Ela esperava que Faye explodisse, e até mesmo brigasse com ela. Mas
Faye olhou a mancha no teto e disse pensativa:
— Eu acho que é questão de um pouco mais de proteção. Se
pudéssemos capturar a energia alfa...
— Você está louca —, Cassie disse sem rodeios — E —, acrescentou
ela — nosso trato está acabado, fiz o que você mandou: Eu trouxe a
caveira. Você o usou, e você quase morreu. Portanto, agora acabou.
A expressão relaxada de Faye desapareceu.
— Ah, não Cassie —, ela disse com um sorriso começando a aparecer
em seus lábios, mas seus olhos estavam predatórios. Implacáveis. — Isso é
só o começo. Você não vê? — Ela começou a rir. — Você é minha
prisioneira agora mais do que nunca. Não é mais apenas o Adam, posso
dizer isso sobre Diana. Como você acha que a Princesa da Pureza vai se
sentir quando souber que sua “irmãzinha” roubou a caveira? E depois o
trouxe para eu usá-lo? — Ela riu ainda mais, parecendo encantada. — Oh
Cassie, você devia ver seu rosto.
Cassie se sentiu como se estivesse se sufocando. O que Faye disse era
verdade. Se Diana descobrisse que Cassie tinha desenterrado a caveira,
que ela tinha mentido para ela, que toda a história do domingo passado
sobre estar com muito medo de ir para casa tinha sido um truque... Assim
como a ultima vez que tinha estado nessa sala, Cassie sentiu seu espírito,
sua vontade, se esvaindo. Ela estava mais presa do que nunca. Ela estava
perdida.
—Você guarde a caveira agora —, disse Faye como se fosse totalmente
ideia dela. — E depois, bem, vou pensar em outra coisa que quero de você.
Enquanto isso, fique disponível. É o bastante.
Eu te odeio, Cassie pensou, com uma raiva impotente. Mas Faye
estava ignorando Cassie completamente, se abaixando para pegar os
gatinhos eriçados, um cinza e um laranja,que tinha fugido da explosão de
poeira.Os gatinhos vampiros, Cassie se lembrou distraidamente, os únicos
com gosto por sangue humano. Aparentemente eles não tinham gostado
do negócio com a caveira.
— E quanto a isso? —, Cassie disse apontando para a mancha escura
no teto de Faye. — Você não acha que é irresponsável deixá-lo solto? Ele
poderia sair e matar alguém...
— Eu duvido —, Faye disse encolhendo negligentemente os ombros.
— Mas suponho que teremos que esperar e ver.
Ela acariciou o gatinho laranja, e seu pelo começou a se eriçar
novamente.
Cassie só podia olhar para ela, lágrimas enchendo os seus olhos. Ela
pensou que podia controlar Faye, mas estava errada. E agora essa nova
energia sombria poderia estar aprontando alguma coisa e ela não podia
detê-la.
Você poderia contar a Diana, uma voz em seu interior disse, mas ela
nem sequer fingiu ouvi-la. Ela nunca poderia dizer a Diana; ela perdeu
essa chance. As coisas tinham ido longe demais com Faye.
— Cassie, você está preocupada quanto a alguma coisa ? — Laurel tinha
interrompido, com uma faca branca em suas mãos.
— Eu? Não, por quê? — Cassie se sentia como se seu coração fosse
sair pela boca.
— Por que você parece meio nervosa —, Laurel gentilmente talhou
uma raiz de hamamélis com a faca. — Agora, isso não vai doer nada...
Você tem muitas raízes e voltarão a crescerem a partir de... — ela
murmurou suavemente. — Isso não é sobre o Baile, não é? — ela
perguntou, erguendo seus olhos novamente.
— Não, não — disse Cassie. Ela nem tinha pensado no Baile essa
semana. Ela não conseguia pensar em nada, exceto na energia sombria.
Esperando a cada dia um novo desastre.
Mas hoje era quinta e nada tinha acontecido ainda. Nenhuma
avalanche, nenhum corpo encontrado, nenhum desaparecido. Ah, se ela
pudesse se deixar pensar que nada iria acontecer... A energia que ela e
Faye haviam liberado era pequena, e talvez tivesse desaparecido. Cassie
sentiu uma paz deliciosa tomar conta de seus pensamentos.
Laurel tinha mudado para um maço de tomilho.
— Não é tarde demais para mudar de ideia quanto ao Baile —, disse
ela. — Eu gostaria que você fosse. Dançar é muito natural para as
feiticeiras... É como um de nossos feitiços:
"O homem para mulher, mulher para o homem,
Desde que o mundo começou.
Coração para coração, de mão em mão,
Desde que o mundo começou. "
Ela acrescentou, olhando pensativa para Cassie:
— Não havia um cara que você conheceu no verão e que estava
interessada? Nós bem que poderíamos fazer um feitiço para atraí-lo até
aqui...
— Não! —, Cassie disse. — Quero dizer, eu realmente não quero ir
para o Baile, Laurel. Eu não me sentiria confortável.
— Obrigada —, Laurel disse. Por um instante, Cassie pensou que ela
estava falando com ela, mas na verdade, era com o tomilho. — Me perdoe,
mas eu precisava de parte da raiz também, mas eu trouxe isso para ajudar a
crescer novamente, e ela tirou um cristal rosa do bolso, colocando-o na
terra. — Por acaso, Cassie você não encontrou o seu tipo de cristal ainda?
— Não — Cassie disse. Ela pensou na confusão de cristais da caixa
de Faye. Ela gostava de usar eles, mas nenhum demonstrou afinidade por
ela, o que ela precisava, como uma bruxa.
— Você vai, não se preocupe —, Laurel assegurou-lhe. — Só vai
aparecer um dia, e você saberá.
Ela se levantou com o tomilho na mão.
— Tudo bem, vamos lá dentro e eu vou lhe mostrar como fazer uma
infusão. Ninguém deve brincar com ervas, a menos que saiba exatamente
o que estão fazendo. E se você mudar de ideia quanto ao Baile, sopa de
tomilho ajuda a superar a timidez.
Cassie fez uma busca ao redor procurando por energia negativa, e
então seguiu Laurel.
No dia seguinte, na aula de história americana, Diana espirrou.
Ms. Lanning parou de falar e disse, "Saúde" distraidamente. Cassie mal
notou no momento. Mas então, no final da aula, Diana espirrou de novo, e
continuou espirrando. Cassie olhou para ela. Os olhos de Diana estavam
vermelhos e lacrimejantes. Seu nariz estava ficando cor de rosa, também,
enquanto ela o enxugava com um lenço de papel.
Naquela noite, invés de ir ao Jogo de abertura, Diana ficou em casa,
na cama. Cassie que não sabia nada de futebol além de gritar quando todo
mundo gritava, estava preocupada com ela. Não podia ter nada a ver com a
energia sombria, poderia?
— Aplauda — , Laurel disse, cutucando ela. — Para a rainha do
Baile. Sally realmente parece quase bonita, não é?
— Me diz —, disse Cassie, aplaudindo mecanicamente. — Laurel,
como que nenhuma de nós é Rainha do Baile? Ao invés de uma estranha?
— Diana não queria ser —, Laurel disse sucintamente. — E Deb e as
outras acham isso muito bobo. Mas do jeito que Jeffrey Lovejoy está
olhando para Sally, acho que Faye cometeu um erro. Ela o convidou para
vir ao Baile com ela, mas ele já tinha convidado a Sally e ele é um lutador.
Seria interessante ver quem conseguiria ficar com ele.
— Nem me diga —, disse Cassie. — Eu vi a ultima briga entre Faye e
Sally; essa eu posso perder.
Mas não foi assim que aconteceu.
Cassie estava na horta quando o telefone tocou. Ela teve que passar pela
cozinha e pelo corredor até alcançar o telefone.
— Alô, Cassie? A voz era tão baixa e sussurrada que era quase
irreconhecível. — É a Diana.
Medo correu pela espinha de Cassie. A energia sombria...
— Oh Diana, está tudo bem?
Houve uma explosão de riso abafado.
— Não entre em pânico. Eu não estou morrendo. É apenas um
resfriado.
— Você parece horrível.
— Eu sei. Estou completamente miserável, e eu não posso ir ao Baile,
e eu liguei para te pedir um favor.
Cassie congelou com uma intuição súbita. Sua boca se abriu, e depois
fechou de novo em silêncio. Mas Diana estava falando.
— Jeffrey ligou para Faye para lhe dizer que ele vai com Sally afinal
de contas, e Faye ficou chocada. Então, quando ela soube que eu estava
doente, ela telefonou para dizer que iria com Adam, porque ela sabia que
eu quero que ele vá mesmo que eu não possa. E eu quero, eu não quero
que ele perca isso só por causa de mim. Então eu disse a ela que não
poderia porque eu já lhe pedi para ir com ele .
— Por quê? — Cassie deixou escapar, e então pensou: Faça uma
pergunta estúpida. . .
— Porque a Faye está à espreita — , Diana disse pacientemente. —
E ela gosta de Adam, e com o humor que ela está hoje, ela vai tentar
qualquer coisa. Essa é a única coisa que eu não suportaria, Cassie, ela por
as mãos em Adam. Eu simplesmente não conseguia.
Cassie procurou em volta de algo para sentar-se.
— Mas Diana ... Eu nem sequer tenho um vestido. Eu estou toda
enlameada...
— Você pode ir para Suzan . Todas as outras meninas estão lá. Elas
vão cuidar de você.
— Mas... Cassie fechou os olhos. — Diana, você simplesmente não
entende. Eu não posso. Eu..
— Oh, Cassie, eu sei que é pedir muito. Mas eu não sei a quem mais
recorrer. Se Faye for atrás de Adam...
Foi a primeira vez que Cassie ouvia tal nota de desespero na voz de
Diana. Ela parecia à beira das lágrimas. Cassie apertou a mão na testa. —
Okay. Ok, eu vou com ele. Mas...
— Obrigado, Cassie! Agora vá para a casa de Suzan! Eu conversei com
ela e Laurel e Melanie. Eles vão te arrumar. Vou conversar com Adam.
E aquela, Cassie pensou impotente, era uma conversa que poderia
perder também.
Talvez Adam os livrasse disso de alguma maneira, Cassie pensou
enquanto estacionava o Rabbit na garagem de Suzan. Mas ela duvidava
disso. Quando Diana colocava alguma coisa na cabeça, ninguém poderia
fazê-la mudar de ideia.
A casa de Suzan tinha pilares. A mãe de Cassie disse que era uma
imitação grega ruim, mas Cassie secretamente pensava que era
impressionante. O interior era esplendoroso, e o quarto de Suzan era um
luxo por si só.
Era de todas as cores do mar: areia, conchas, pérolas, caramujos. A
cabeceira de cama Suzan foi moldada como uma concha gigante
recortado. Mas o que chamou a atenção de Cassie eram os espelhos, ela
nunca tinha visto tantos espelhos em um só lugar.
— Cassie!
Laurel estourou atrás dela, fazendo com que Cassie por sua vez, se
assustasse. — Eu tenho isso! — Laurel anunciou triunfalmente às outras
meninas, segurando um cabide de plástico embrulhado. Dentro Cassie
vislumbrou algum material, pálido e brilhante.
— É um vestido que Granny Quincey me deu este verão, mas eu não
o usei e nunca usarei. Não é meu estilo, mas vai ser perfeito para você,
Cassie.
— Oh, Deus —, foi tudo Cassie poderia pensar em dizer. Ela mudou
de ideia, ela não poderia fazer isso apesar de tudo. — Laurel — obrigado
—, mas eu poderia arruiná-lo...
— Não a deixe falar — Melanie ordenou do outro lado do quarto. —
Coloque-a em uma banheira, ela bem que precisa de uma.
— Dessa forma —, disse Suzan, gesticulando com os dedos
espalmados. — Eu não posso fazer nada até que minhas unhas estejam
secas, mas todo o material está lá dentro.
— Mix banho de beleza —, regozijou-se Laurel, examinando a
variedade de garrafas nas prateleiras douradas no banheiro de Suzan.
Havia todos os tipos de garrafas, algumas de boca larga e algumas
pequenas, o verde e o azul brilhante a distancia.
— Aqui, isso é ótimo: tomilho, hortelã, alecrim, lavanda... O cheiro é
maravilhoso, e é tranquilizante, também...
Ela espalhou flores secas de cores vivas na água fumegante.
— Agora entre e se esfregue. Oh, isso é bom —, continuou ela,
cheirando a outra garrafa. — Shampoo de camomila. Clareia o cabelo e faz
aparecer luzes loiras. Use isso!
Cassie obedeceu atordoada. Ela se sentiu como se tivesse acabado de
ser introduzida no campo de treinamento.
Quando ela voltou para o quarto, Melanie dirigiu-a para sentar-se e
manter uma toalha quente no rosto. — É uma resina perfumada
impregnada com as virtudes misteriosas de bálsamos tropicais — , disse
Melanie, na leitura de um Livro das Sombras. — Clareia a pele e a deixa
brilhante,e ele realmente deixa, também. Portanto, mantenha isso em seu
rosto enquanto eu faço o cabelo.
— Melanie é maravilhosa com o cabelo —, Laurel disse quando
Cassie corajosamente escondeu o rosto no pano.
— Sim, mas não vou fazer isso nela — disse Melanie em tom crítico.
— Vou deixá-lo em um macio natural, caindo em torno de seu rosto. Ligue
a baby-liss na tomada, Suzan!
Enquanto Melanie trabalhava, Cassie podia ouvir Deborah e Laurel
conversando no fundo do closet de Melanie.
— Suzan — Laurel gritou. — Eu nunca vi tantos pares de sapatos na
minha vida. O que você faz com todos eles?
— Eu não sei. Apenas gosto de comprá-los. O que é muito bom para
as pessoas que os querem emprestados —, Suzan respondeu.
— Agora, vamos colocá-la no seu vestido —, disse Melanie algum
tempo depois. — Não, espera. Vamos lhe dar um pouco de vaidade, Suzan
vai fazer a sua maquiagem.
Inutilmente, Cassie tentou protestar enquanto Melanie colocava uma
toalha em torno de seu pescoço. — Não, está tudo bem, eu posso fazer a
maquiagem sozinha e...
— Não, você quer que a Suzan faça — disse Laurel imergindo do
closet. — Eu prometo Cassie, basta esperar para ver.
— Mas eu não quero usar muita maquiagem, isso não combina
comigo...
— Sim, você vai. E vai parecer muito como você mesma.
— Bem, alguém decida isso logo, pelo amor de Deus! — disse Suzan,
em pé envolta em um hobbie com uma esponja de pó compacto,
impaciente. — Eu tenho o que fazer também, né, vocês sabem.
Cassie se rendeu, sentando em um banquinho.
— Hummm —, disse Suzan, olhando Cassie de cima para baixo. —
Hummm...
A meia hora seguinte foi preenchida com instruções desconcertantes.
— Olhe para cima —, ordenou Suzan segurando um delineador
marrom. — Olhe para baixo... Tipo... Senão seus olhos vão doer. E
ninguém vai poder dizer que você está maquiada. E agora... Um pouco de
sombra amendoada...
Ela mergulhou um pequeno pincel em um pó, e sacudiu para remover
o excesso. — Agora, só um pouco de azul marinho no canto para te dar um
ar de mistério...
Olhos fechados, Cassie relaxou. Foi divertido. Sentiu-se ainda mais
decadente e mimada quando Laurel disse:
— Vou fazer as suas unhas.
— O que você está usando? — Cassie perguntou confiantemente.
— Infusão de hamamélis e Chanel Flamme Rose Polonês— , Laurel
respondeu, e ambas riram.
— Não afaste minha mão — disse Suzan, irritada. — Agora, sugue as
suas bochechas como um peixe. Pare de rir. Você tem bochechas grandes,
então só vou destacá-las um pouco. Agora faça assim; vou passar brilho
nos seus lábios.
Quando ela finalmente se afastou para olhar sua obra, todas as garotas
se amontoaram para ver, até mesmo Deborah.
— E finalmente... Um pouco de perfume aqui e aqui — , disse Suzan.
Ela tocou a garganta de Cassie os lóbulos das orelhas e os pulsos com algo
que cheirava maravilhosamente e selvagem.
— O que é isso ? — Cassie perguntou.
— Mignonette, tuberosa e ylang-ylang — , disse Suzan. — Isso faz
você irresistível. E eu deveria saber.
Alarme lanceou através de Cassie, de repente, mas antes que ela
tivesse tempo para pensar, Laurel estava a transformá-la, soltando a toalha
do pescoço. — Espere, não olhe até que você tenha se calçado... Agora!
Laurel disse em júbilo. — Olhe para isso!
Cassie abriu os olhos e respirou fundo. Então, mal sabendo o que ela
estava fazendo, ela aproximou-se do espelho de corpo inteiro, para a
desconhecida linda refletida lá. Ela mal podia resistir, chegando a tocar o
vidro com a ponta dos dedos.
A menina no espelho tinha um fino, cabelo castanho-claro agitando
suavemente em volta de seu rosto. As luzes brilhavam quando Cassie
moveu a cabeça, por isso deve ser seu, mas não poderia ser, Cassie
pensou. Seus olhos não têm essa aura, de sonho misterioso. Sua pele não
tinha aquele brilho, e ela não cora dessa forma, destacando as maçãs do
rosto. E seus lábios definitivamente não pareciam tão beijáveis.
— É o batom —, explicou Suzan. — Não o borre.
— É possível —, disse Melanie — que você tenha ido longe demais,
Suzan.
— Você gosta do vestido? — Laurel perguntou. — É o comprimento
perfeito, curto o suficiente, mas ainda assim romântico.
A menina no espelho, aquela com os ossos delicados e pescoço do
cisne, virou de lado a lado. O vestido era prateado e brilhante, como
metros da luz das estrelas, e isso fez Cassie se sentir como uma princesa.
Sapatos de Suzan são, apropriadamente, parecidos com sandálias de
cristal.
— Oh, obrigada! — Cassie disse, girando para olhar para as outras
meninas. — Quero dizer... Eu não sei como dizer obrigado. Quero dizer,
eu finalmente pareço uma bruxa!
Elas caíram na gargalhada, exceto Deborah, que lançou um olhar
enojado para o teto. Cassie abraçou Laurel, e então, impulsivamente,
abraçou Suzan, também.
— Bem, você é uma bruxa —, disse Suzan razoavelmente. — Eu vou
te mostrar como fazê-lo sozinha, se quiser.
Cassie sentiu algo parecido com humildade. Ela tinha pensado que
Suzan era apenas uma cabeça oca, mas não era verdade. Suzan amava a
beleza e era generosa em partilhá-la com outras pessoas. Cassie sorriu para
os olhos azuis e sentiu como se tivesse inesperadamente fazendo um novo
amigo.
— Espere, quase esqueci! — Melanie disse. — Você não pode ir a um
baile sem um único cristal ao seu nome.
Ela remexeu em sua bolsa de lona, e então disse:
— Aqui, isso vai ser perfeito, mas era da minha bisavó.
Ela ergueu um colar: uma corrente fina com uma lágrima de quartzo
claro. Cassie tomou-a carinhosamente e colocou-a em torno de seu
pescoço, admirando a maneira como ele estava no oco de sua garganta.
Então ela abraçou Melanie também.
Do andar de baixo uma campainha tocou fraca, e, mais perto, uma voz
masculina gritou: — Para sair gritando! Você vai conseguir isso, Suzan?
— É um dos caras!— Suzan disse, jogada em uma emoção. — E nós
não estamos prontas. Você é a única vestida, Cassie. Corre até lá, e
acalme-o antes que meu pai desça!
— Olá, Sr. Whittier, desculpe, Sr. Whittier —, Cassie ofegou quando
ela correu escada abaixo. Não foi até que ela estava na porta que ela
pensou: Oh, por favor, por favor, por favor, que seja qualquer um dos
outros. Não deixe que seja ele. Por favor.
Adam estava lá quando ela abriu a porta.
Ele estava com um sorriso irônico, apropriado para um cara que foi
ordenado no último minuto para escoltar a melhor amiga de sua namorada
para uma dança. O sorriso desapareceu instantaneamente quando ele viu
Cassie.
Por um longo momento ele simplesmente olhou para ela. Seu próprio
sorriso exultante desbotou, e eles ficaram olhando um para o outro.
Adam engoliu em seco, começou a dizer algo, então desistiu e ficou
em silêncio novamente.
Cassie ouviu as palavras de Suzan: Ele vai fazer você irresistível. Oh, o
que ela fez?
— Vamos cair fora —, disse ela, e sua voz era tão suave como quando
ela disse a Faye sobre a energia sombria. — Vamos dizer a Diana que eu
fiquei doente também.
— Nós não podemos — disse ele, igualmente suave, mas muito
intenso. — Ninguém vai acreditar e, além disso...
O sorriso fez uma tentativa de reaparecer.
— Seria uma vergonha para que você perder o Baile. Você está... Ele
fez uma pausa. — Linda.
— Então você —, disse Cassie, e tentou vir para cima com um sorriso
irônico de si própria. Ela tinha a sensação de que acabou vacilando.
Cassie respirou fundo, mas naquele momento ela ouviu uma voz vinda
do segundo andar.
— Aqui —, Laurel disse, inclinando-se sobre a balaustrada para
lançar a Cassie uma pequena bolsa de contas. — Leve-a para a dança,
Adam, dessa forma ela vai ter uma chance com alguns caras que estão
disponíveis.
E do quarto, Suzan chamou: — Mas não muitos Cassie, deixe alguns
para nós!
— Vou tentar afastar alguns deles — Adam respondeu, e Cassie
sentiu seu pulso acelerado acalmar um pouco. Eles tiveram suas partes
ruins agora. Era como atuar numa peça, e tudo que Cassie tinha que fazer
era lembrar do seu papel. Ela tinha certeza de que Adam poderia lidar com
o seu ... Bem, quase certeza. Algo em seus olhos deu um arrepio na
espinha de Cassie.
— Vamos —, disse Adam. Cassie respirou fundo, e com ele penetrou
na penumbra diante dela.
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