Céu Obscuro
6 Voz oculta
Notas iniciais
O vento frio do outono tocava a sua frágil pele pálida. As nuvens corriam de forma veloz e os raios solares já se encontravam em demasiada força. A jovem estava deitada no telhado observando o céu, perdida em suas ilusões. Sua face demonstrava tristeza e agonia.
–Então você estava aí. –disse uma voz familiar.
–Hi-Hibari-kun!-respondeu Chrome levantando imediatamente.
–Volte para aula. Os professores estão reclamando da sua constante ausência.
–Estou apenas ajudando Mukuro-san.-
Hibari responde com sua típica insatisfação ao ouvir aquele nome. -Ajudando em que?
–A vigiar o chefe. A um grupo tentando mata-lo...
Ele sorri sarcasticamente. –Se um dia precisar matar aquela peste, será pelas minhas mãos.- dito isso, ele lhe da as costas.
Chrome apenas sente calafrios. –Mas-mas, é esse grupo que está fazendo ataques na cidade.
Hibari logo se recorda dos dois homens que havia lutado no telhado, concluindo que eram parte do tal referido grupo. Hibari aproxima-se de Chrome, se encostada na cerca de metal. A garota, apesar de entender as intenções dele, sentiu um leve nervosismo de ficar em companhia de sua aura assustadora e o momento se seguiu em silêncio até os dois resolverem descer escadas abaixo.
Tsuna estava junto de Yamamoto e Gokudera na aula de educação física, uma das matérias que possuía desdém por ser péssimo em esportes. Hoje seriam algumas partidas de vôlei como aquecimento do ano letivo. Mesmo com o treinamento físico de Leonardo e o aumento de agilidade, o jovem Vongola continuava com um desempenho decepcionante no esporte, era desatencioso, sem senso de direção e raramente conseguia fazer um passe. Ele nunca esperou afirmar isso, mas lutar contra os inimigos era mais fácil que um simples jogo de vôlei para ele.
–Meu deus, ele é realmente péssimo. –comentou Kenjiro rindo.
–Acho que Sawada-san tem seus altos e baixos, ele já foi um destaque em uma competição que teve no primeiro ano.- comentou um veterano.
–Ouvi os boatos.- disse o garoto com sorrindo acompanhado de um olhar distante.
–Você é novato?
–Hã...Sim, eu sou.
–Não deveria estar na aula agora?
–Err...Bem.. eu...
–Tudo bem, eu não vou entregar que está matando aula. –disse o veterano sorrindo. –Opa, minha vez! Até mais.
–Olá Kenjiro-kun.
–Olá Tsuna-kun. Os boatos sobre você ser péssimo em esportes foram benevolentes diante do que presenciei.
–Não me diga que estava assistindo!?
–Pois é, eu estava precisando rir um pouco. Só estou tentando entender como que um cara que luta bem não sabe jogar vôlei.
–Nem pergunte. – falou Tsuna.
–Hahaha, Tsuna, hoje o jogo não foi muito bom para você. -comentou Yamamoto.
–E quando ele já foi bom?
–Na competição do primeiro ano.- respondeu Kenjiro.
–Como sabe?
–Investigação.
–Ei moleque, o que está fazendo aqui!?-indagou Gokudera.
–Estou vigiando o Tsuna-kun.
–Essa é a nossa função. Por que está vestindo o uniforme do colégio?
–Calma Gokudera-kun. Ele estuda aqui!
–Com certeza deveria estar na aula. Vá para lá que é o seu lugar.
–Proteger Tsuna-kun é mais importante.
–Nem te conhecemos para colocar a vida dele em suas mãos.
–Parem!!! Estão chamando a atenção.
–Acalme-se Gokudera, quanto mais pessoas protegerem Tsuna é melhor.
–Quer confiar o décimo a um qualquer!?
–A Epifania não é qualquer uma. E por sinal acho que você está meio desatualizado Gokudera-kun. – falou Kenjiro em sarcasmo.
–Atrasado em que maldito?
–Tsuna não é mais o futuro décimo Vongola, mas sim Neo Primo Vongola.
O guardião da tempestade se enfurece. – Quer morrer!?
–Você é meio esquentado para um braço direito. Tem certeza que serve para o cargo?
Gokudera tenta agarra-lo pelo colarinho da camisa, mas Tsuna e Yamamoto impedem.
–Já chega Kenjiro-kun!- fala Tsuna em tom de imponência e acaba por tossir.
–Você está bem décimo?
–Estou, é apenas um resfriado.
Fabricio estava sentado de pernas cruzadas em cima de uma mesa, ao seu lado estava Lavina de camiseta rosa e um macacão jeans, seus cabelos estavam presos em dois rabos laterais. Ambos observavam atentamente um mapa do mundo rabiscado pendurado na parede.
–O que Lavina e Fabricio-kun estão fazendo?
–Estamos raciocinando. Quanto antes acharmos a resposta, veremos nossos pais. – o celular dele começa a vibrar.
–Alguém está ligando para Fabricio-kun, não vai atender?
–Não a necessidade.
–Por que?
Logo eles começam a ouvir um homem blasfemando e andando a passos largos pela casa. Fabricio aponta para Lavina observar a porta aberta e logo avistam Masao passando com celular em mãos, seguindo reto pelo corredor. Em segundos ele retorna e encontra o seu alvo.
–Fabricio!? Você está em casa!?
–Para que tanto espanto? Fala como se eu não estivesse em casa nunca.
–Mas Fabricio-kun quase nunca está aqui.
–Lavina não o ajude a ter motivos.
–Realmente estou admirado de encontra-lo. E onde estão seus modos? Desça da mesa e Lavina faça o mesmo.
–Mas Masao, ficar assim me ajuda a pensar.
–Desça agora!!!
–Quem tem que obedecer você é a Lavina, eu apenas respondo a Sakura.
–O seu pai foi muito claro, você deve também obedecer a mim.
Fabricio suspira, desce da mesa e tira Lavina dela. – Satisfeito?
–Muito. O que estavam fazendo?
–Tentavamos supor onde os Anciões estão.
–Fabricio isso é trabalho do Claudio! Ele já tem o livro.
–Masao, você não viu o ataque da Giustizia ao Sawada-san ontem. Eles estão lutando para valer. Claro que reduzimos muito a pesquisa do Claudio, mas ainda assim vai levar tempo.
–Eu entendo a sua preocupação, mas não podemos interferir.
–Mais do que a Epifania e Giustizia já fizeram? Se a Giustizia conseguir vai ser um enorme estrago! Mesmo detestando eles, temos que torcer que a Epifania consiga proteger Sawada-san.
–Não aprovo! É arriscado.
–Meu pai faria o impossível para salvar a situação! E é o que eu farei. Esse é o nosso objetivo aqui!
–Meu pai também faria de tudo. –afirmou Lavina e eles sorriem.- Lavina pode ajudar Fabricio-kun?
–Lavina você é apenas uma garotinha.
–Mas quanto antes Fabricio-kun descobrir, Lavina verá os pais dela certo?
–Olha você deveria concordar Masao. Eu puxei a determinação do meu pai e Lavina puxou a teimosia do meu tio.
–Façam o que quiserem. Sei que irão me desobedecer mesmo.
–Pegando leve é? Eu sei que no fundo quer que façamos isso.
Masao apenas sorri e sai da sala.
–Viu só? No fundo ele concorda com nossas ações.
–Mas e quanto a vigiar Sawada-san?
–O Negro já está fazendo isso por mim. — Fabricio se referia ao seu corvo.- Vamos voltar ao mapa. Pelas informações que temos são oito anciões.
–Só há três círculos no mapa. –observa Lavina.
–Não a necessidade de acharmos todos.
–Por que?
–Apenas precisamos de um que purifique a alma do Sawada-san. Obviamente Claudio irá também utilizar o Ancião para purificar aquele amigo italiano da Vongola.
–Jack-kun?
–Bem esse.
–E quais anciões purificam a alma?
–Eu sei de três: o Ancião da natureza que elegeu o pai de Claudio e a Anciã dos dragões que elegeu o tio. O primeiro foi visto a última vez na Itália e o segundo na China. O seu pai disse é provável encontrarmos a Anciã dos dragões na Índia
–E qual é esse terceiro?
–O ancião da luz, a que elegeu Leonardo chefe da Céu Selvagem.
–Mas se Fabricio-kun já possuía a localização de dois Anciões, o que Lavina pode ajudar?
–Tem um problema. Anciões mudam de local quando elegem alguém, escolhem locais com afinidade aos seus poderes e os espaços são modificados com a presença de um ancião. Encontrando um deles, tentaremos indaga-los da localização dos outros.
–Mas o mundo é enormeee!
–Por isso tenho minha ajudante.- Lavina riu.-Vamos começar.
Os telhados do colégio estavam populares aquele dia. A vista do alto da cidade e a impressão ilusória das nuvens próximas, criavam o ambiente perfeito para os jovens estarem sozinhos e sem interrupções. A única coisa que interrompia a conversa do casal, eram os espirros e tosses frequentes de Tsuna.
–Está resfriado Tsuna-kun? Você tossiu várias vezes hoje.
–Acho que sim.
–Deveria descansar um pouco quando chegar a casa.
Ele ri.-Não se preocupe, é apenas um resfriado. Então, você disse que tinha algo para mim hoje.
–Tenho sim. – ela pega uma marmita e desenrola de um lenço rosa, abrindo a tampa e exalando um delicioso cheiro. – Eu fiz para você.
–Uauuu!!! Comida da Kyoko-chan! Obrigado! – ele começa a comer rapidamente. –Delicioso!!!
Ela ri.- Estou feliz. Apenas coma mais devagar para não se engasgar.
–Hehe, eu me empolguei!
O sorriso de Kyoko some e transforma-se em preocupação. –Então...Tem certeza que quer sair hoje? Podemos ficar na sua casa.
–Mas eu quero sair com você.
–Estou preocupada com aquelas pessoas lhe atacando. Estará em segurança em casa.
–Estaremos com os outros justamente por isso. Não precisa se preocupar.
–Tsuna!!!- grita Kyoko. Ele nem pode indaga-la ao ver uma adaga cortando o ar e a atravessando a parede. O rapaz sentiu uma leve ardência no rosto, provavelmente a arma lhe fez algum dano.
–É Sawada-san, devia escutar mais a sua namorada e tomar cuidado.
O rapaz não precisou fixar seus olhos no inimigo para descobrir de quem se tratava, era o jovem de voz marcante e facas afiadas. O jovem Vongola foi tomado pela surpresa ao ver que o mesmo se encontrava em pé, com o corpo coberto de ataduras e gazes. Seu olho estava inchado e roxo e sua boca se encontrava com um corte.
Uma grande revolta iniciou em Tsuna, Giustizia estava acabando com qualquer momento de sossego e paz ao jovem. Os segundos confortantes com a namorada se transformaram em medo e raiva. Ele sentia a moça tremer atrás dele, as marmitas estavam caídas com a comida preparada com carinho por ela.
O futuro chefe ao se dar conta, já estava com sua Vongola Gear e a chama queimava alta e ardente. Matt se pôs em modo de ataque, sua face revelava a dor por todo o seu corpo, gotas de suor frio escorriam pelo queixo e a respiração dele estava agitada. A briga não iria perdurar, aquele rapaz não estava em condições de lutar.
–Kyoko-chan, no meu primeiro movimento você foge. – ele falou baixo para a namorada que apenas afirmou com a cabeça.
Tsuna correu em direção a Matt e o socou, Kyoko apenas viu ele atingindo o estomago do rapaz enquanto fechava a porta do terraço e correu pelas escadas abaixo, ela precisava avisar os guardiões do que estava ocorrendo.
Matt para a surpresa do jovem resistiu bem ao soco e continuou em posição de defesa. Tsuna dava-lhe socos que pareciam sem sentido, como levaria uma luta à sério com o oponente naquele estado?
–Não precisamos fazer isso.
–Iremos te eliminar hoje.
–Qual é o sentido? O que foi que cometi de errado?
–Você traiu a sua família.
–Adelina me capturou e tirou as memórias, não foi opção minha.
–Não tem nada haver com Adelina, jovem Sawada-san.
–A Vongola está escondendo algo? Não recordo de ter cometido erros.
–E nem iria recordar.
–Vocês da Giustizia falam coisas confusas.
–Elas não precisam fazer sentido se nós o eliminarmos! Você só traz desgraça para o mundo!
–Minha alma!
–Exatamente!
–Claudio já está em busca de uma solução.
–Será tarde demais! A opção mais confiável é livrarmos o mundo de sua existência. Se entregue pelo bem de todos.
–Epifania não acredita nisso.
Matt ri.- Se soubesse ao menos a lógica pela qual o grupo foi criado, veria que são apenas arrogantes fanáticos.
–Pelo menos me protegem!
–Com serviço de quinta categoria? Não estou vendo nenhum deles por aqui.- Matt atira facas, uma delas raspa na barriga de Tsuna por pura distração.
O Vongola o retribui com uma sequência pequena de socos, fazendo o rapaz cair facilmente no chão. Ele ajoelha-se ao lado de Matt e o encara com olhar benevolente.
–Esta luta não faz o menor sentido. Você mal consegue ficar em pé.
O rapaz ri em ironia. –Jovem Sawada-san, já lhe disseram que sua compaixão pode mata-lo? – Matt o derruba contra o chão, aperta o seu pescoço o afogando e retirando outra adaga do bolso. Tsuna percebeu que a lâmina escorria algo viçoso e com cheiro familiar, tinha certeza que era o mesmo veneno da flecha. — É mesmo, a uma pessoa que lhe disse: Adelina. Deveria ter seguido pelo menos esse conselho.
–Me...lar...largue...
Matt o segurava muito forte, não deixando forças para Tsuna reagir. Sentia sua respirando deixando os pulmões, a boca estava secando e o suor frio começou a tomar conta da pele quente. O rapaz inimigo ria das suplicas do jovem, estava ele ali com a vida do futuro chefe Vongola em suas mãos. O riso sumiu quando ele aproximou a adaga envenena do pescoço dele. Tsuna conseguiu reunir um pouco das forças e agarrar a mão com a adaga a empurrando para longe.
Iniciou uma briga pela vida e a força que possuía, o inimigo estava forte, mas Tsuna estava muito mais determinado a salvar sua vida do que nunca. O rapaz suplicou que ele ficasse quieto e iniciou novamente o discurso sobre a existência de Tsuna ser uma ameaça. A Vongola ignorou aquela fala tediosa e concentrou-se na adaga, percebendo que sua estratégia estava falhando e ele perdendo suas forças. Notou novamente as feridas com gases do rapaz imaginando uma rápida e talvez eficaz ação, mas se estivesse errado custaria sua vida.
“Faça!”- ele escutou uma voz no seu interior ordenar.-“Faça”.-ouviu novamente. Em rápido movimento, ele apertou com suas forças as feridas, o rapaz se retraiu de dor. Ele tomou a adaga em mãos e jogou Matt contra o chão, ameaçando enfiar a adaga no pescoço do inimigo. Suas mãos que haviam ficado pálidas estavam vermelhas de tensão, seu coração palpitava rápido e seu corpo começou a reagir com a entrada de oxigênio, deixando escapar um sorriso assustador. Tsuna estava em êxtase.
“Elimine-o” — ordenou a voz. Tsuna observou que sua mão tremia de tensão, raiva e a força que estava aplicando para segura-la. –“Vamos, elimine-o!”-o jovem respondendo a voz ergueu a adaga para tomar força e parou nesta posição receoso.- “Ele irá te eliminar se não o fizer.”
Ele observou a cena: Matt estampava o medo em sua face, Tsuna sentia seu suor agora quente escorrer pela face e corpo. Algo dentro dele queria fazer aquela ação, eliminar aquele jovem e talvez reencontrar a paz. Ele ergueu a adaga um pouco mais, o segurou mais firme para que não escapasse das mãos suadas e olhou nas pupilas esbugalhados do inimigo, conseguiu ver no reflexo o seu temível sorriso, mas não o intimidou.
O vento forte veio e fez barulho atrás deles, Tsuna procurou com o olhar a origem do som e viu que seriam as marmitas preparadas com carinho pela namorada. Estavam um pouco desmontado, mas conseguiu ver um arroz com a metade de um coração desenhado nele.
–Kyoko-chan...-era como se algo lhe trouxesse para realidade. Tsuna deu-se conta do que estava prestes a fazer, jogou a adaga longe e se afastou rapidamente de Matt, sentando-se contra a grade. O que ele estava pretendendo fazer? Ele se indagava.
–É a segunda vez...Que não me elimina. -falou o jovem inimigo. –Você ainda tem consciência dos atos.
Tsuna apenas o observou o inimigo levantar e fugir logo em seguida, sem sequer trocar uma palavra. Passou a mão no pescoço para tentar aliviar a sensação incomoda e observava a adaga. Olhou suas mãos e notou que não estava mais usando a Vongola Gear e sequer lembrava-se de quando ela desapareceu.
“O que eu ia fazer?”
–Décimo!!! – Gokudera gritou retirando Tsuna de seus pensamentos distantes.
–Tsuna-kun!!! –gritou Kyoko.
–Décimo, você está bem?
–Acho... Acho que sim!
–Deixaram uma adaga aqui. – comentou Yamamoto inclinando-se para pega-la.
–Cuidado, ela possuiu veneno.
–Aonde está aquele homem?
–Ele fugiu!
–Droga! Prometo décimo que iremos procura-lo por toda cidade.
–Você tem certeza se está bem?-indagava a namorada.
–Sim. – ele levanta e caminha junto aos amigos até a porta das escadas.- Viu como estou bem, Kyoko-chan? Não precisa se preocupar. –dito isso, Tsuna começou a descer as escadas. Mas a inclinação fez sua visão borrar e ver as escadas girarem. Seus amigos o socorreram rapidamente.
Shopping subterrâneo...
–Robert, precisamos fazer alguma coisa. Paolo já está lá por horas! –Tarcísio apenas recebeu o silencio em resposta. –Ei Robert. Você ouviu alguma palavra minha?
–Palavras não irão nos tirar daqui, mas as ações nos trarão resultados. – ele pareceu em pé ao lado de Tarcísio, arrancando espanto.
–Mas como!?
–Eu era um ladrão antes de entrar na Giustizia.- ele se ajoelhou e examinava os círculos de metal ao redor dos pulsos do amigo.- Algemas são fáceis diante minhas habilidades.
–Ok. Tire-me dessas correntes e vamos libertar Paolo.
–Seja realista! Deve ter vários caras da Epifania atrás desta porta e sequer sabemos onde fica a câmara fria. Voltamos com os outros para resgata-lo.
–Esqueceu-se das ordens de Marco? Não realizamos resgate aqui. Apenas temos que cumprir nosso único objetivo.
–Quer realmente deixar Paolo?
–Não. Ele salvou minha vida várias vezes.
Robert suspira. -Então não a há jeito, teremos que elaborar um ótimo plano para conseguir salva-lo em apenas duas pessoas.
O garoto olhava fixamente para a estante de livros, imóvel e inexpressivo. O anel em seu dedo estava tomado pela radiante chama do sol. Lavina aproximou-se dele e o observou por alguns minutos, já havia visto aquilo antes, seu primo estava recebendo imagens do seu corvo do mundo externo. Logo o folego voltou aos seus pulmões e ele esfregou os olhos.
–O que você estava vendo Fabricio-kun?
–Negro localizou ameaças ao Sawada-san, mas Giustizia falhou novamente para a nossa sorte. Epifania está sendo negligente quanto à proteção.
–Lavina e Fabricio-kun não tem pistas dos anciões.- disse a criança em tom melancólico.
–Averiguou se algum Ancião já esteve no Japão.- sugeriu Masao ao entrar na sala junto a Sakura e Charlote.
–A mil anos atrás, o Ancião do raio esteve na região sul, foi apenas o que encontrei. – ele sentou em uma poltrona pensativo e sua testa se enrijeceu.
–Parece preocupado.
–Não gostei do que Negro mostrou-me. Tsuna está lutando contra a escuridão em sua alma e você deve conhecer as consequências.
–Meu patrão me disse certa vez.
–Giustizia não sabe medir as consequências dos seus atos. Está acelerando este processo. Se continuar assim eles vencerão e todo nosso trabalho será em vão! O que Claudio está fazendo!?- ele soca o apoio de braço do sofá.- Seria possível que ele não leu o livro!?
–É uma possibilidade.
–Sugiro tirar Sawada-san do campo de batalha.- sugeriu Charlote.
–Ele não vai abandonar a cidade. –respondeu Masao.
–Poderíamos raptar a Nana-san e a Kyoko-chan para outro país. Ele viria atrás com a Vongola.
–Sakura-san, como pode sugerir tal coisa? Seria torturante e irá piorar ainda mais a situação. Sugiro revelar quem somos e nossas intenções. Colocar as cartas na mesa.
–Já houve interferência demasiada pelos dois grupos.- respondeu Sakura.
–A interferência deles está piorando tudo! Cabe a nós impedir.
–O que acham de trazermos Claudio para o Japão? Ele poderia agir como um quebra galho caso algo acontecer.- falou Charlote.
–A Vongola o deixou sobre a vigia da Varia, duvido muito que o liberem facilmente.-respondeu Masao.
–Mesmo se Reborn-san pedir?
–Sakura-san, ele nem sabe de nossa existência, como pretende conseguir?
–Com a maneira mais fácil, caro Fabricio. –A loira lhe alcança um papel e uma caneta. -Chegou a hora de usar sua habilidade de falsificação para alguma coisa. Vou ditar o texto para você.
O jovem ri em ironia. –Eu entendo o porquê de minha mãe ter contratado você.
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