Notas iniciais
Vai começar o nonsense agora. Adoro minha criatividade. Esse capítulo vai esclarecer muita coisa e é provável que vocês terminem de ler já sacando tudo. Ou quase tudo. Não posso fazer nada, sou óbvia assim.

QUALQUER ERRO OU INCOERÊNCIA É CULPA DA MINHA BETA QUE NÃO VIU DIREITO asheasjdhasjdkasjdjas 8D e Hetalia não me pertence... Ainda.

Amo quem deixou review pra mim no último capítulo. Muitos chocolates deliciosos com Iggy e Alfie pra vocês.

Arthur empurrou o lençol que havia esquecido no sofá na noite anterior para um canto enquanto batia o pé no assoalho com algum nervosismo, sem ousar tirar os olhos da bebida ainda intocada em sua mão. Por outro lado, aquele sujeito com ares de oriental bebia seu chá como se entrar na casa dos outros anunciando que era alguém bastante importante e depois beber chá fosse a coisa mais normal do mundo. Não fora bem a persuasão do sujeito, mas o medo do inglês de que ele resolvesse puxar alguma arma oculta e atacá-lo que o fez dar um sorriso amarelo e convidá-lo a sentar.

"Você tem um ótimo chá aqui. Não é o melhor que já provei, mas é muito bom."

"Fico contente... Por ter gostado."Respondeu tentando – mas falhando em – esconder o incômodo.

O tal de Kiku deu um sorriso – um tanto presunçoso – e descansou a xícara na mesinha de centro.

"Não pense que não sei que você não acreditou em mim. Mas não pense que me importo, do mesmo jeito. Não sou do tipo que tenta provar minha condição, como o teimoso do meu pai." Kiku fez uma pausa para enfatizar o seu ponto. "Mas como sou do tipo que cumpre com a sua palavra, fiz questão de vir aqui assim que recebi a confirmação de sua mortal existência."

"Você está oficialmente vinte e três anos atrasado." Comentou o inglês, bebendo um pouco do seu proprio chá.

"Hmph. Insolente como sempre, não estamos? Não me faça reconsiderar o que prometi, garoto. Com essa sua forma humana fraca eu posso acabar com você em um estalar de dedos, da maneira mais rápida ou dolorosa possível." A esse ponto, Kiku já estava de pé e apontava uma espada – que Arthur não fazia a mínima ideia de onde havia saído – em sua direção. Agora ele estava assustado de verdade. Havia um tom óbvio de ameaça na voz do outro.

A ponta da lâmina encostava no queixo do loiro, que engoliu seco.

"D-desculpe?"

"Você não acha que está um pouco tarde para desculpas, pirralho? Seria muito mais fácil me livrar de você agora do que permitir que você volte a ser o que era, não seria? E pouparia uma grande dor de cabeça a Zeus."

Quando Arthur pensou que o sujeito realmente fosse cumprir suas ameaças, um clarão iluminou a sala escura e um forte e violento trovão rasgou o céu.

Kiku franziu o cenho e suspirou com irritação, desmaterializando a espada na mesma velocidade em que a fizera aparecer.

"Ótimo. Não faço mais. Feliz? Mas você me deve essa." Pelo fato de olhar para a janela enquanto falava, Arthur tinha quase certeza de que não era com ele que Kiku queria se comunicar. "E você," Disse, virando-se para o loiro. "seja razoável. Afinal, meu único objetivo em estar aqui é ajudá-lo."

"Ajudar com o que? Até onde sei tenho vivido muito bem sozinho. Sem ofensas." Kiku acatou o comentário e ergueu ambas as mãos em sinal de trégua.

Arthur ainda estava desconfiado, mas se aquele sujeito deveria estar do seu lado, ele não queria nem imaginar o que fariam as pessoas que poderiam lhe causar problemas.

Mas então, pelo andar da carruagem não deviam ser sequer pessoas, mas deuses. Gregos, não por menos.

Sim, a performance de materializar uma espada em plena madrugada na sala alheia ajudou Arthur a por um pouco de fé em Kiku. A bem da verdade, para quem acreditava, conversava e até lutava com fantasmas como se fossem pessoas comuns, engolir aquela história de deuses gregos não deveria soar tão absurdo assim. Mas todos nós somos incrédulos até que nos provem o contrário.

"Oh, vejo que a coisa é grave por aqui. Você não faz a mínima ideia do que está acontecendo aí fora por sua causa, faz?"

"Lamento, mas não. E agora que você me convenceu – em parte – sobre essa história de deuses gregos existirem mesmo, eu agradeceria uma explicação o que está acontecendo. E sobre a sua visita também. Sem explicações, não posso colaborar com você." Arthur se viu sorrindo satisfeito com a segurança e determinação com que falou.

"Vejo que pelo menos você não se esqueceu do seu lado diplomático." Riu o outro. "Fui mandado aqui exatamente com a finalidade de informá-lo sobre o perigo que está correndo."

Arthur assentiu, indicando que o outro deveria continuar.

"Lá no Olimpo, e todos os mortais e imortais do planeta sabem que nunca vivemos realmente em paz entre nós, as coisas não vão muito bem. Quero dizer, os deuses são conhecidos por serem brigões, ciumentos, invejosos, vingativos e hedonistas boa parte do tempo. Lamento confessar que algumas dessas 'qualidades' também se aplicam a mim." Kiku pigarreou, aparentando estar um pouco envergonhado. "Contudo, sempre houve um 'equilíbrio' instável entre nós. Quando me refiro a equilíbrio, isso quer dizer que nenhum de nós efetivamente tentou destruir o outro por causa desses desentendimentos."

Respeitosamente, Arthur não interrompeu, apesar da longa pausa.

"O ponto é que esse equilíbrio foi rompido, há algumas décadas, quando o estúpido e teimoso Zeus resolveu 'pular a cerca'."

"Com todo o respeito, er... Kiku? Posso chamá-lo assim?" O outro assentiu. "Mas até onde conheço a história dos deuses do Olimpo, Zeus sempre 'pulou a cerca'. Quero dizer, por isso que existiram Hércules e Perseu, só para ilustrar, não? Hera não teria por que ficar aborrecida com isso, já é tão normal."

"Sim, sim. De fato. Mas ela não se incomodava tanto com os relacionamentos de seu marido com as mortais. O problema foi quando ele inventou de se relacionar com um imortal. Mas não qualquer imortal." Arthur rapidamente começou a unir as peças do quebra-cabeças. Bom, não era tão difícil.

"E presumo que esse imortal... Seja eu?"

"Era você." Ele sorriu. "Que bom que você não perdeu sua perspicácia."

"Era eu? O que... Eu, sendo imortal, morri, por acaso?"

"Bom, não, você não exatamente morreu. Como você mesmo deu a entender com o seu tom incrédulo, um imortal não pode morrer. No entanto -"

De repente, Kiku se impediu de concluir a frase. Levantou-se do sofá rapidamente, conjurou sua espada e analisou o ambiente de forma desconfiada.

Arthur acompanhou o movimento, mas ao contrário de Kiku, não sentia nada de diferente. Nenhum fantasma no horizonte. Pelo menos não o fantasma que Arthur desejava ver.

"Alguma coisa errada?"

"Nada bom, nada bom. Ele se aproxima. Posso senti-lo. Devemos sair daqui o quanto antes."

"Quem é ele?"

"Não dá pra dizer agora. Nós precisamos sair daqui, antes que ele chegue."

"Podemos sair pela janela, se a porta da frente não ajudar."

"Não dá. Toque em meu ombro, ráp-"

Se, talvez, Kiku tivesse perdido menos tempo anunciando o perigo, eles teriam fugido. Talvez não. De qualquer forma, foi bastante irônico para quem era a personificação da deusa da estratégia não ter um plano de fuga quando se deveria proteger alguém.

Arthur sentiu muito bem o que era o nada bom de Kiku. Sentiu calafrios, o ambiente ficou pesado e um odor metálico, acompanhado por um desejo incontrolável de matar se apoderou dele. Arthur se sentiu cada segundo mais propenso à violência.

A última coisa que Arthur ouviu Kiku dizer antes de alguém surgir em sua sala foi "cubra essas sobrancelhas agora".

Tarde demais para conseguir um boné.

"Yooo, Kiku ~"

O sujeito que se materializou na sala de Arthur era estranho, muito estranho. A mera presença dele já despertava uma violência, um ímpeto de causar estrago, que Arthur jamais sentira. Sua aparência dava sinais de revolta, era a própria rebelião. Em seus olhos, sentia-se a sede por sangue, como se o líquido fosse fonte daquele vermelho vivo que constituía sua íris. Seu cabeço branco nem de longe conotava pureza: o sujeito, como um todo, estava pronto para a guerra. Enquanto Kiku transparecia um ar de sabedoria, estratégia, aquele recém-chegado simplesmente lembrava matança desmedida.

E Arthur finalmente sentiu algum medo.

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"Ares. Ou devo dizer, Gilbert." Kiku disse, em tom neutro, discretamente colocando-se a frente de Arthur. O sujeito, por outro lado, portando um sorriso arrogante no rosto, ignorou – ou talvez sequer tivesse percebido – o movimento e se pôs a analisar o ambiente.

"Cara, esse lugar está mais morto do que o submundo! Kesesese! Mais morto do que o submundo! Eu sou um gênio incrível afinal."

"O que veio fazer aqui?"

"Como se você não soubesse! Mas então, vou contar só porque você perguntou. E por que eu sou incrível. Então, você sabe, a Hera estava lá, toda emburrada coisa e tal, e eu percebi que ela queria um pouco de sangue, pra variar. Ora! Quem melhor do que EU pra conseguir um pouco, hm? Não que eu me importe com o que ela gosta ou desgosta, eu não me importo. Mas eu não resisto a esse ódio dela. Desse jeito, um dia ela ainda vai me conquistar kesesese"

"Ela o mandou aqui."

"Tsk. Hera não manda em mim. Vim por conta própria. Mas, sim, ela sugeriu." Ele manteve o sorriso no rosto por algum tempo. "E então, onde está ele?"

Não que Arthur quisesse provar algo para aquele sujeito, mas era a segunda vez que alguém tocava em um ponto fraco seu naquela noite. Primeiro, o seu suposto aliado simplesmente ofende suas sobrancelhas. Agora, aquele sujeito que não tinha nenhum ar muito amigável sugerira que ele era baixo. Só porque Kiku estava na sua frente? E Kiku ainda era mais baixo do que Arthur no final!

De qualquer modo, Kiku se aproveitou da falta de perspicácia de Ares para ganhar tempo.

"De quem você está falando?"

"Ora, Atena, não seja estúpida! Cara, é tão estranho falar com você... Com você nessa forma. Quer dizer, eu a chamo de estúpida, mas na verdade você é um homem! Divertido... Enfim, você sabe de quem falo. Onde ele está?"

"Gostaria de saber também." Kiku não ousou olhar para trás, mas internamente desejou que Arthur tivesse seguido seu conselho.

"Qual é a do sujeito com um lençol enrolado na testa aí atrás?"

Arthur segurou a respiração e Kiku estremeceu.

"Ele é... Um mortal que estou... Treinando. Precisamos de mais inteligência aqui do que só força, se é que você me entende."

"É, tá." Desdenhou. "Se ele não está aqui, por que me mandaram vir para cá?"

"Provavelmente você errou de endereço. Não me surpreenderia."

"E por que essa espada apontando na minha direção? Quer um pouco de sangue?"

Kiku provavelmente não queria, mas pela expressão de Ares, ele desejava que sim.

"Hmphf. Pensei que fosse outra pessoa."

Hesitante, Kiku baixou a espada, mas a manteve em mãos enquanto estudava a expressão do albino. Arthur começou a se sentir nervoso com a tensão no ar e seus olhos iam de Kiku para o recém-chegado e dele para Kiku novamente, como se temesse que a qualquer momento a situação pudesse explodir.

"Mas por que então me mandariam pra cá?" Pensou Gilbert, para si mesmo.

"A prova mais contundente de que você está equivocado é o fato de não haver nenhuma presença imortal no ambiente." Kiku comentou com mais segurança.

Gilbert o encarou pensativo, pareceu conversar consigo mesmo e depois assentiu.

"Você tem razão. Nenhum sinal de imortalidade por aqui."

Alguma coisa no sorriso de Kiku traduzia seu apreço pela perspicácia do outro.

"Adeus, Atena. Kiku. Ou como infernos você quer ser chamado. Nos vemos no Olim-"

Se a primeira frase de Ares havia livrado o coração de Arthur de um peso, os acontecimentos subsequentes por certo o trouxe de volta. Em questão de segundos, uma voz aparentemente vinda do além, estridente e ameaçadora, pairou no ar.

Seu estúpido! Atena está blefando. O garoto é o nosso alvo.

"Como você tem certeza? Não sinto nenhuma presença aqui."

É claro, idiota, é porque ele não passa de um mortal! As sobrancelhas! Olhe as sobrancelhas!

Imediatamente Arthur levou a mão à testa, dando a falta do lençol que usara para esconder sua característica mais marcante.

"O quê? Geez, por que você não disse antes? Eu reconheço essas sobrancelhas em qualquer lugar!"

Quando Ares fixou seu olhar sanguinolento na direção de Arthur, Kiku já portava a espada em mãos.

"Não ouse chegar perto dele, Ares."

"Tch. Como se eu ligasse para ameaças. Elas me alimentam!"

Ares materializou sua espada e partiu para cima de Arthur. Kiku interpôs-se na frente do outro, defendendo o loiro com a própria espada. Quando as lâminas se tocaram, uma onda de ar quente varreu a sala, quebrando todas as lâmpadas. Arthur precisou se segurar em Kiku para não ter o mesmo fim de seu pobre abajur.

"Meus. Ombros. Agora." Grunhiu Kiku, ainda contendo Ares. Arthur piscou, confuso. "AGORA!"

De imediato, o loiro acatou. E em um piscar de olhos, sua sala de estar havia saído de vista.

Uma força desconhecida tentava separar suas mãos dos ombros de Kiku, não importasse o quão forte Arthur se agarrasse a eles. Não conseguiu abrir os olhos e sentiu vertigem e ânsia de vômito. O mal estar perdurou mais alguns eternos segundos até o loiro se deparar com um chão sólido sob si. Ainda tonto, abriu os olhos e a forte luz do ambiente lhe deu dor de cabeça.

"Mas que infernos..." gemeu, cobrindo os olhos com o braço.

"Quem está aí?" Disse aquela voz muito conhecida. "Marie, é você? Esqueci minha chave na sua casa de novo?"

"O quê?" Kiku demandou com indignação. "Eu aqui, tendo o maior trabalho para lidar com esse moleque e você está saindo com mortais? Francamente, Francis!"

"Francis?" Arthur levantou rapidamente. E novamente se sentiu tonto. "O que você está fazendo aqui?"

Francis arqueou a sobrancelha. Em suas mãos portava uma xícara recém-enchida com café.

"Eu que deveria perguntar isso, non?" Disse em tom zombeteiro, ajudando o amigo a se levantar.

"O q-"

"Gilbert já sabe quem Arthur é. E onde vive." Kiku anunciou sem cerimônias.

"O QUÊ?" Francis alarmou-se e cuspiu o café que havia bebido. No rosto de Arthur.

"SEU SAPO IDIOTA! MAS QUE MERDA!"

Francis prontamente ignorou os protestos.

"Como isso aconteceu?"

"Você sabe como. Ela aconteceu. Em algum momento, Arthur deve ter dito o nome dela e eu não percebi."

"Aquela vadia."

"Vocês estão falando da He-fhsjf"

"Não. Diga. O. Nome. Dela." Sibilou Kiku, cobrindo a boca de Arthur. "É para isso que temos nomes de mortais, para não chamarmos a atenção uns dos outros."

"Sim. Dizendo o verdadeiro nome, ela automaticamente saberá sua localização." Explicou Francis. "Lembro que tive muito trabalho com você no colegial, pra despistar os outros e tudo mais."

"O- q-C-como? Você está com ele? Quero dizer, você é um..."

Francis passou a mão pelos cabelos, sorriu e piscou.

"Certamente, mon ami, eu sou parte do Olimpo. A parte mais bela, diga-se de passagem. Sou a personificação do amor e da beleza, o ser mais perfeito daquele lugar. Lá, me conhecem por Afrodite."

E Arthur riu. Muito.

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Demorou algum tempo para que, baixo protestos revoltados de Francis, Arthur conseguisse parar de gargalhar. Kiku também não conteve um risinho, mesmo que discreto, contagiado pela espontaneidade do gesto de Arthur.

"Se vocês quiserem falar sério agora, já podem." Brigou, cruzando os braços e fazendo bico.

"Acho justo." Kiku limpou uma lágrima. "Desculpe por rir de você." Mas Kiku ainda tinha um sorriso enorme no rosto.

"Tão estranho. Parando pra ver, você tem tão a ver com a Afrodite." Arthur também sustentava um sorrisão no rosto. Segundos depois, o sorriso se desfez, quase que brutalmente. "E-espera. Então você é esp... Quero dizer, marido do Hef-fghdjhfgjdh"

"O. Nome."

"Desculpe."

Francis pigarreou, meio sem jeito. "Meu hm... Marido não está do nosso lado. No momento, ele é um grande inimigo nosso."

Arthur fez um 'o' com a boca.

"E, a propósito, Kiku, você nunca mais fez um relatório de como vão ascoisas no Olimpo. Faz um bom tempo que não apareço lá, você sabe, por causa dos meus afazeres aqui no mundo dos mortais."

"De fato. Peço desculpas. Mas a situação lá é bastante séria."

"Séria? Como assim?"

"Ela está furiosa. Está me culpando pelo que aconteceu. O culpa também. Exceto por Feliciano e Lovino, todos estão lentamente se virando contra nós. E ela está sendo incentivada. Sinto que estamos à beira de uma guerra."

"Uma guerra? Zeus não está mais conseguindo controlá-la?"

Kiku meneou a cabeça. Atento à conversa, Arthur inclinou-se para a frente e engoliu seco.

"Zeus desapareceu, Francis."