Cálice de Fogo
16 De volta à Hogwarts
Notas iniciais
A neve parecia ter dado uma pequena trégua depois do ano novo, caindo apenas durante a noite e sem ser a avalanche de sempre. As ruas, as casas e toda a paisagem amanheceram cobertas de branco.
A viagem até a estação King 's Cross foi tranquila e, pela primeira vez na vida, Sasori foi quem acompanhou Sakura. Deidara foi junto, por pura “curiosidade”, mas era o primo quem não deixava a situação ficar constrangedora entre os irmãos.
— Caramba – ele assobiou quando chegaram, enfim. – Os paparazzis te adoraram mesmo hein?!
Sakura também ficou surpresa por isso. Um pequeno corredor com policiais se formou rapidamente entre o carro do duque e os portões da estação, eles rapidamente desceram.
— Gente, eu sei que vocês nos amam – disse Deidara brincalhão para eles. – Mas minha prima tem horário.
Sasori segurava o braço de Sakura como um perfeito cavalheiro, enquanto carregava a mala dela com a outra. Deidara não demorou para acompanhá-los.
— Tá bom – ele bateu palmas animados. – Onde fica essa estação 9 e meia?
— Isso porque você disse que ia ser discreto – Sasori revirou os olhos.
Sakura tinha um sorriso mínimo nos lábios enquanto caminhava calmamente, só esperando para ver a reação deles. Se encostou de leve em um dos pilares da estação e quando os dois pararam ao lado dela sem entender, ela os puxou de surpresa para dentro da parede.
Os dois gritaram surpresos achando que iam dar de cara com o bloco de pedra.
— Nossa – Sasori soltou afobado.
— Que maneiro – Deidara olhou de um lado para o outro, vendo os bruxos e bruxas correndo de um lado para o outro.
— Isso não é nada – disse Sakura contente com a reação deles. – Isso aqui fica lotado no começo do ano letivo.
O Expresso de Hogwarts, a reluzente locomotiva vermelha, estava soltando sua costumeira fumaça, pronta para partir.
Um punhado de alunos aqui e ali se organizavam, seus bichinhos um tanto agitados.
— Aquilo na mão daquela garota é um sapo? – Deidara perguntou nervoso.
Sasori olhava igualmente admirado ao redor.
— Sejam bem-vindos a um pedacinho do meu mundo – ela apertou as mãos deles.
O tio de Sakura estava igualmente interessado em saber mais sobre o mundo mágico, mas Kizashi o convenceu a não ir até a estação, justamente para não chamar mais atenção do que o necessário.
Enquanto o primo e o irmão olhavam ao redor, Sakura viu o melhor amigo antes que ele a visse. Naruto ainda parecia um pouco abatido.
Ela acenou quando ele a notou. Ele não estava sozinho, a mãe e a irmã mais velha estavam juntos. Ele acenou de volta e disse algo para a mãe antes de irem na direção dela. Naruto arregalou os olhos ao perceber quem estava ao lado dela. Sakura já tinha mostrado uma foto do irmão para ele, então deveria ter reconhecido.
— Tudo bem? – perguntou quando ele se aproximou.
— Vou ficar – ele respondeu dando de ombros, ainda olhando com surpresa para as companhias dela.
Ele fez uma cara de quem dizia “O que aconteceu?” ao que Sakura respondeu, também com o rosto, “Depois te conto”.
— Sasori, Deidara – chamou a atenção deles. – Este é Naruto, meu melhor amigo – disse com um sorriso carinhoso nos lábios. – Estas são Kushina e Karin, a mãe e a irmã dele. Eles são bruxos da família Uzumaki. Este é meu irmão, Sasori Haruno – apresentou primeiro – e este é meu primo, Deidara Haruno.
— Olá – Kushina se adiantou e ergueu a mão em cumprimento, Deidara foi o primeiro a cumprimentá-la de volta com entusiasmo enquanto Sasori cumprimentava Karin.
— Acho que a sua “não visão” tava certa então – Naruto sorriu com sarcasmo.
Sakura estreitou os olhos para o amigo, mas antes que pudesse dizer algo uma voz gritou seu nome chamando a atenção de todos ao redor na estação.
— SAKURA HARUNO – a garota de cabelos cor de rosa estremeceu reconhecendo a voz. – Você não me escapa!
Temari vinha a todo vapor na direção dela.
— E eu achando que ia conseguir me esconder em alguma cabine – Sakura suspirou.
— Eu também quero saber – Tenten apareceu na direção contrária.
E as duas não eram as únicas. Todos estavam curiosos para saber mais sobre o… Uchiha.
Não que Sakura tivesse esquecido o garoto, de maneira nenhuma, sempre pensava nele antes de dormir… e algumas vezes durante os dias no decorrer das férias também… Mas tanta coisa havia acontecido nos últimos dias que havia esquecido que era a fofoca do momento.
— Querem saber sobre o que? – Deidara perguntou alegre, completamente entusiasmado por estar em meio a bruxos.
— Ah! – Karui, que tinha se aproximado lentamente, ofegou ao reconhecer o garoto. – Lor… – foi interrompida por Sakura que negou com a cabeça em um movimento sutil.
— Ela foi ao baile de inverno com o garoto mais improvável do mundo, Sasuke Uchiha! – Temari a dedurou. – COMO isso aconteceu? – a garota exigiu. – Achei que você odiasse ele.
— Eu nunca disse que odiava ele – Sakura se defendeu.
— CRIANÇAS! – a voz de Kushina chamou a atenção de todos. – O trem já vai partir, é melhor entrarem – aconselhou.
Deidara foi o primeiro a se despedir da prima.
— Vou sentir sua falta – ele a abraçou. – Você pode usar celular na sua escola?
— Não – ela respondeu. – Mas eu te mando uma carta.
— Carta? – ele se perguntou confuso. – E a magia? – perguntou desesperado.
— Deixa que eu lido com ele – Sasori disse sem saber como se aproximar da irmã.
Sakura tentou não agir de maneira sentimental, mas depois de tantos anos era difícil não ser, finalmente tinha seu irmão ali consigo e ele não a odiava. Ela não resistiu e pulou em cima dele, o abraçando. Sasori devolveu o abraço, surpreso, mas aliviado.
— As coisas vão ser melhores daqui pra frente – ele murmurou no ouvido dela, apertando-a forte. – Eu prometo.
Sakura acenou com a cabeça, segurando as lágrimas.
Ela se separou dele e entrou no trem. Deu um último aceno de mão antes de partir.
. . .
— Agora você não me escapa! – Temari enlaçou o braço no dela e a puxou para uma cabine onde as outras garotas estavam. – Desembucha: como, quando e onde você e o Uchiha aconteceram?
— A gente não aconteceu – Sakura respondeu exasperada.
Temari lhe fez uma careta tão grande que Sakura até sentiu um arrepio.
— Tá bom – suspirou se rendendo. – Será que eu posso pelo menos guardar a minha mala?
As garotas se sentaram nos bancos, encurralando a garota de cabelos rosa contra a janela. Temari de frente, Tenten sentada ao lado dela, enquanto Karui sentou ao lado de Sakura.
— Como ele é? – Karui perguntou primeiro.
A reação de Sakura ditaria como elas reagiriam e foi o que aconteceu.
Sakura Haruno… soltou um suspiro no mínimo apaixonado, surpreendendo a todas.
— Ele é surpreendentemente gentil – ela confessou. – E muito educado.
— E você odiando o garoto a troco de nada – Temari alfinetou.
— Tá – Sakura aceitou. – É só que…
— Que… – Tenten incentivou.
— Naquele primeiro dia do ano, quando foi anunciado o Torneio Tribruxo e todas as escolas chegaram, bom… – ela contou meio sem jeito, se lembrando do acontecido. – Um dos amigos dele, o de cabelos platinados, me disse uma coisa na língua deles que eu não entendi e riu, o Sasuke cobriu o rosto e se afastou, mas o outro amigo, o ruivo, ficou rindo junto e eu achei… Sei lá, que fosse uma coisa ruim.
— Mas não era? – Karui deduziu, o tom de voz apaziguador.
— Não era – Sakura concordou.
— Logo você que pressente tudo – comentou Temari se surpreendendo. – E isso fez você baixar a guarda com o Uchiha? – perguntou cética.
Sakura soltou outro suspiro apaixonado.
As meninas se entreolharam abismadas.
Quem era aquela e o que tinham feito com a garota de cabelos cor de rosa?
— O Sasuke se lembra de mim da Copa Mundial de Quadribol – Sakura confessou.
— Uou, uou, uou – Temari ergueu as mãos. – Aquela única dança…?
Sakura acenou com a cabeça e sorriu.
— Nossa – Karui sorriu junto.
— Que romântico – Tenten deu um gritinho.
— Tá, mas e o convite? – Temari perguntou. – Porque você é que não ia convidar ele – apontou.
Sakura mordeu o lábio inferior envergonhada ao lembrar da ocasião em questão.
— Ele me convidou num final de semana e…
— E?
— E eu disse que não.
— O QUE? – As três perguntaram em uníssono.
— É, eu meio que estourei com ele achando que ele não gostava de mim e que estava tirando uma comigo. Mas ele me explicou os mal entendidos – disse com carinho. – Disse que estava interessado em mim, mas que se isso me desagradava ele não iria mais me incomodar.
— Não acredito que você fez isso – Tenten colocou a mão na boca embasbacada.
— É – Sakura soltou um sorriso sem graça.
— Mas como é que vocês foram ao baile juntos de todo jeito? – Karui perguntou curiosa.
— Eu demorei uns dias, mas fui me desculpar – Sakura explicou. – E ele disse que não me desculpava e que…
— Mas o que ele… – Temari começou a soltar indignada.
— … Ele só iria me desculpar se eu fosse ao baile com ele – Sakura esclareceu.
— Ai – Tenten colocou a mão em cima do coração. – Ele só melhora o meu conceito.
— Eu fiquei surpresa que ele ainda queria ir ao baile comigo – Sakura sorriu acanhada. – Querem saber o que ele me disse?
— ÓBVIO! – Temari se empertigou.
— CLARO! – Karui acenou animado.
— E AINDA PERGUNTA? – Tenten colocou as mãos na cintura.
— Que ele tinha dito que não iria mais me incomodar, não que tinha perdido o interesse em mim – o coração de Sakura saltava no peito toda vez que se lembrava da fala do garoto.
— Oh – as amigas suspiraram, cada uma com um sentimento diferente. Temari, surpresa. Karui, contente. E Tenten, encantada.
— Sasuke Uchiha, hein? – Temari assobiou.
— Fico feliz por você – disse Karui.
— A gente não tem nada – Sakura balançou a cabeça.
— Garota, se isso não é nada eu não sei o que é – Tenten fez careta, mas depois sorriu com tristeza. – Mas faço das palavras da Karui as minhas: fico feliz por você.
— Não vi convicção nisso – Temari se voltou com o olhar desconfiado para ela.
— Tá falando isso por causa do Neji? – Sakura perguntou delicadamente. – Eu percebi que vocês não foram ao baile juntos.
— Ele é um idiota – Tenten balançou a cabeça de um lado para o outro. – Mas eu não quero falar sobre isso agora.
Sakura trocou um olhar preocupado com as meninas, mas antes que pudessem tomar alguma atitude, o vagão foi aberto.
— Já terminaram de fofocar? – Shikamaru invadiu o vagão.
— Olha só quem tá falando de fofocar – Temari provocou, incentivando as meninas a deixarem Tenten em paz por enquanto. Quando ela quisesse desabafar, elas estariam ali para ela. – Vocês todos estão doidos para saber os detalhes.
Eles continuaram a discutir entre si e Sakura prendeu o riso.
É claro que não tinha dado todos os detalhes. Havia coisas que ela guardaria só para ela.
. . .
As carruagens pararam, tilintando, perto da escadaria de pedra que levava às portas de carvalho e, por mais que tivessem ficado de gracinha durante toda viagem de volta para Hogwarts, ninguém estava preparado ao sair das carruagens acolchoadas e ver o famoso jogador nas portas de entrada da escola, nem quando ele sorriu suavemente ao ver Sakura (não era muito difícil de identificá-la, o cabelo rosa era visível a quilômetros de distância).
Sakura sorriu de volta e se adiantou indo falar com o jogador.
O grupo de amigos se entreolharam sem saber bem o que fazer.
Naruto quem tomou a iniciativa e disse a todos:
— Vamos entrar.
O melhor amigo viu de relance o garoto pegar a mão de Sakura e murmurar algo antes de entrar no salão, indo em direção a mesa da Sonserina.
Sakura andou calmamente em direção aos amigos, somente Naruto percebeu ela esconder algo no bolso.
— E aí, o que ele queria? – Temari perguntou.
— Eu não vou contar mais nada pra vocês – Sakura empinou o nariz.
— Até porque as paredes têm ouvido – Naruto apoiou a amiga e ela lhe olhou agradecida.
Os alunos estavam espalhados pelo salão. Por mais que a maioria estivesse sentado às mesas de suas respectivas casas, dava para ver alunos se misturando aqui e ali. Era Grifinórios se sentando com Corvinos e Lufanos e vice versa, isso em meio aos alunos de Durmstrang, Ilvermorny e Beauxbaton.
Os que menos se misturavam eram os Sonserinos. Se o grupo de alunos que se sentaram a mesa da Grifinória dessem uma rápida olhada para a mesa da Sonserina, perceberiam o olhar de profundo desgosto e carregado de raiva de Gaara e sua turma devido ao afastamento do Uchiha e seus amigos, mas os Grifinórios não fizeram isso, estavam mais atentos a eles mesmos. Eles estavam jantando tranquilamente e conversando entre si, como foi o natal de cada um, quem havia feito tal dever de casa e quando iniciaram as inscrições para as aulas de aparatação.
. . .
A resposta veio mais rápido do que imaginavam.
O novo trimestre começou na manhã seguinte com uma surpresa agradável para o sexto ano: um grande aviso fora pregado durante a noite nos quadros da sala comunal.
AULAS DE APARATAÇÃO
Se você tem dezesseis anos, ou vai completá-los até 31 de agosto, inclusive, poderá se inscrever em um curso de Aparatação de doze aulas semanais com um instrutor do Ministério da Magia.
Se quiser participar, assine abaixo, por favor.
Custo: 12 galeões
Sakura e Naruto se juntaram à multidão que se acotovelavam em volta do aviso, revezando-se para se inscrever no local indicado. Quando assinaram seus nomes um seguido do outro, sorriram entre si animados.
— Minha irmã vai ver só – Naruto comentou empolgado. – Agora ela não vai mais ser a única a aparatar em casa.
Sakura gostava de ver ele assim, mais animado. Ainda não entendia como é que Hinata tinha dispensado ele, pareciam que se gostavam tanto. Mas não queria encher o amigo, por isso foi atrás da única que poderia explicar a situação para ela.
— Te encontro no café-da-manhã – ela se despediu do amigo rapidamente.
— Tá bom – ele sorriu de canto, achando que ela ia se encontrar com o Uchiha.
O garoto não estava de todo enganado, mas mal imaginava que sua melhor amiga iria atrás de Hinata antes. Sakura queria saber exatamente o que havia acontecido na noite do baile.
A garota de cabelos rosa caminhou rapidamente até o lado oeste do castelo, indo em direção aos dormitórios da Corvinal. A aldrava de bronze estava lá com um grupo considerável de alunos aguardando para entrar. Pelo que Sakura pôde perceber, eram todos primeiranistas.
— Como é que eu pude esquecer? – uma aluna se lamuriou.
— Tá muito cedo pra eu pensar – reclamou outro.
— Hã… – Sakura chamou a atenção deles. – Algum de vocês sabe me dizer se Hinata Hyuuga já saiu do dormitório?
— Se você responder a charada, eu te digo exatamente onde ela está – o rosto de uma das meninas se iluminou ao ver Sakura.
— Tá bom – Sakura concordou.
“O que é cabeça, mas não tem olhos, é dura sem ser teimoso e adora levar pancadas?”
— Quem é que gosta de levar pancadas? – um aluno se indignou.
— Prego – Sakura respondeu e o portal se abriu.
Sakura ficou se perguntando se eles não usavam o artefato com tanta frequência no mundo mágico. Se lembrasse, perguntaria ao pai de Naruto algum dia.
— Obrigada – a aluna agradeceu. – A Hinata foi para a biblioteca.
— Por que a Haruno não veio para Corvinal? – choramingou um dos alunos.
Foi tudo o que Sakura ouviu antes de virar o corredor.
A monitora da Grifinória caminhou rapidamente, queria achar Hinata logo já que tinha um encontro marcado logo em seguida. Apertou por cima de um dos bolsos das vestes do uniforme só para se tranquilizar ao sentir o papelzinho que lhe foi entregue na noite anterior.
Seu coração parecia rodopiar em seu peito só de pensar no Uchiha.
— Hinata! – chamou quando a viu sair da biblioteca.
Ainda bem que não teria que procurar pela garota lá dentro, a biblioteca era enorme.
— Bom dia Sakura – Hinata a cumprimentou.
— Bom dia – cumprimentou de volta. – Você tá muito ocupada agora? Eu quero falar com você.
— Não estou ocupada agora não – Hinata pôs a mão no queixo e olhou para o lado. – Eu ia para o salão tomar café da manhã.
— Eu te acompanho até lá, só quero te perguntar uma coisa.
Hinata piscou os olhos duas vezes.
— Qual é a pergunta?
— Você gostou de ir ao baile com o Naruto?
— Sim! – Hinata exclamou feliz.
— Então se divertiu?
— Muito!
— Certo… – Sakura disse de maneira incerta. Não sabia muito bem como abordar o assunto. – O Naruto te pediu em namoro, não é? – perguntou delicadamente, se certificando de que não havia ninguém ao redor para que pudessem ouví-las.
— Sim – Hinata sorriu carinhosa.
— Mas você disse não.
— Não!
— O que? – Sakura ficou confusa.
— O Naruto sempre me entende – disse Hinata carinhosa.
A cabeça da garota de cabelos cor de rosa estava começando a se embolar como sempre acontecia quando conversava com a garota de olhos claros.
Sakura fechou os olhos por três segundos e respirou fundo antes de dizer:
— Então explica pra mim, já que eu não entendo.
— Oh! – Hinata exclamou. – Está bem. O Naruto é muito gentil em não dizer meus motivos – comentou, o tom de voz carinhoso. – Mas ele sabe que eu não posso namorar agora.
— Ele sabe? – Sakura perguntou cética.
— Sim! – Hinata respondeu empolgada. – Ele sempre me entende.
Sakura suspirou vendo as portas de entrada do salão principal surgirem.
— Eu tenho que ir agora – disse Sakura –, mas eu quero te dar um conselho antes: é impossível alguém entender o outro todo o tempo, por isso conversar é necessário.
— Como assim? – Hinata ficou confusa.
— Você diz que o Naruto sempre te entende, não é? – Hinata acenou. – Mas e você? – Sakura questionou. – Você sempre entende ele?
. . .
Aqueles dois!
Sakura balançou a cabeça de um lado para o outro e suspirou, mas em seguida sorriu. Seu melhor amigo e a garota que ele escolheu gostar eram duas figuras que se completavam muito bem. Bastasse que não ficassem de cabeça para baixo um para o outro.
— Ou talvez até se entendam se ficarem de cabeça para baixo – murmurou pensando.
— Kavko znachi tova – ouviu uma voz que estava começando a se familiarizar muito bem.
— Bom dia – Sakura sorriu, tímida de repente. – Esperou muito?
— Ne – ele negou com a cabeça.
— Você tá falando em búlgaro – disse carinhosamente. – Eu não entendo nada.
— Suzhalyavam – ele murmurou um feitiço. – Me desculpe, eu não reparei.
— Tudo bem – Sakura se sentou ao lado dele. – Eu gosto quando você fala na sua língua, é fascinante.
O garoto sorriu para ela e pegou uma das mechas cor de rosa soltas, levando até o nariz. Sakura ficou boquiaberta pelo gesto, mas em seguida corou de vergonha: sua barriga roncou.
— Não tomou café? – ele perguntou preocupado.
— Ainda não – ela não conseguiu encará-lo.
“Que vergonha!” pensou.
Ele se levantou e ofereceu uma mão para que ela pegasse. Sakura aceitou. Caminharam calmamente em direção ao castelo ainda conversando, ambos ainda de mãos dadas.
— Você já tomou café? – ela perguntou.
— Sim – ele acenou. – Sempre fazemos uma refeição antes de treinar. O diretor chama de pré-treino.
Sakura estava familiarizada com o termo, mas ainda assim ficou surpresa, sabia que aquilo vinha do mundo não mágico.
— Desculpa, às vezes esqueço que vocês da Durmstrang acordam mais cedo – percebeu ela, a cabeça matutando. – O seu diretor – perguntou depois de um tempo –, ele tem parentes que não são bruxos?
— Não sabia? – O garoto se voltou surpreso para ela. – Ele é como você, não tem nenhum bruxo na família dele.
Sakura ficou chocada.
— Pelo jeito que ele se comporta, eu jamais iria imaginar – ela comentou.
— Ele não é uma pessoa ruim, só é meio rígido – ambos olharam para a mesa dos professores quando entraram no salão e definitivamente ele está lá, olhando com olhos de gavião para os dois. Ele não era o único. Sakura percebeu a professora Tsunade com a boca franzida.
— Eu acho que é melhor a gente se encontrar depois das aulas – disse com a voz esganiçada, surpreendendo a si mesma. Estava nervosa por causa do garoto? Deu um pigarro. – Acho que vai funcionar melhor pra nós dois.
– Combinado – ele sorriu sutilmente. – Até depois das aulas então.
Sakura acenou passando por ele indo em direção a mesa da Grifinória e torceu para seu rosto não estar vermelho, mas ainda assim tocou uma de suas bochechas com o dorso da mão sentido ela formigar.
A garota de cabelos rosa tomou o café tranquila junto dos amigos, mas foi surpreendida pela professora Tsunade ao terminar a refeição.
— Quero conversar com você a sós antes de ir para suas aulas se não se importar.
— Tudo bem – Sakura respondeu e a seguiu.
Os amigos trocaram um olhar preocupado.
— A professora não parecia com uma cara muito boa – comentou Temari.
— Pois é – disse Naruto.
. . .
— Feche a porta – a professora pediu.
— Aconteceu alguma coisa? – Sakura perguntou.
— Sim, eu… – a professora pigarreou. – Eu quero que você tome cuidado com o Uchiha.
A garota de cabelos rosa piscou três vezes sem acreditar.
— Tomar cuidado com o Sasuke? Por que?
— Na sua idade, é melhor…
— Não – Sakura ergueu um dedo e cortou a professora, deixando as duas chocadas com seu gesto. – Eu não vou ter essa conversa com você.
— Tudo bem, não sou sua mãe – a professora suspirou. – Só quero dizer para tomar cuidado e não deixar que isso atrapalhe seus estudos. Pode ir.
Sakura ficou embasbacada por um segundo, mas saiu da sala da professora antes que a situação se tornasse ainda mais constrangedora.
Quando fechou a porta, olhou bem para a textura de madeira com a testa franzida.
Aquele quebra-cabeça envolvendo a professora Tsunade e o diretor da Durmstrang estava prestes a ser resolvido.
Continua…
Fale com o autor