Notas iniciais
Vocês podem notar uma pequena semelhança com Titanic, é, sem querer eu acabei seguindo a história... Mas NÃO a copiei. Escrevi esta one shot para um trabalho de Redação meu. Que, como sempre, acabei postando aqui no Nyah. Espero que gostem! PS: a dividi em duas partes.

Já era final de tarde quando olhei pela janela de meu carro. O sol estava se pondo e isso só significava uma coisa: Eu estava pronta para pilotar Donnie.

Deixei as chaves de meu carro com o manobrista “amigo” do pessoal do porto aqui de L.A. Ajeitei meu cabelo — passando a mão ligeiramente pelo rabo-de-cavalo bem feito — uniforme e fui em direção ao trapiche.

Que este estava bem movimentado pelo jeito. Conseguia ver um homem que aparentava ser um biólogo com seus óculos de lentes redondas e roupa engomada; outro um jornalista. Nem prestei muita atenção nas outras pessoas. Subi as escadas ligeiramente parecendo uma criança em um parque de diversões e entrei na cabine.

Wow. Meus olhos brilhantes percorriam toda a cabine. Nossa Donnie!!! Você mudou hein amiguinho?!, não pude deixar de falar em voz alta. Minhas mãos deslizavam em cada aparelho novo de última geração. Eu realmente estava impressionada. O que antes era uma balsa agora tinha se tornado cruzeiro. Não, não me pergunte COMO isso aconteceu... Mas... aconteceu.

Comecei a pilotar Donnie há 3 anos atrás. Porém houve um pequeno problema com a mecânica da antiga balsa – há um ano e meio — que fui aconselhada a parar de navegar para minha própria segurança. Então, mandei-o para uma “oficina”. E desde aí nunca mais sequer enxerguei sua sombra. Eu navegar somente pequenas embarcações. O que não é o meu forte. Para falar a verdade nem cruzeiros são, pilotar o novo Donnie irá ser um desafio para mim.

- Oi moça! – Disse uma garotinha entrando na cabine e interrompendo meus pensamentos.

-... Hmmm... Oi? Como é seu nome? O que você está fazendo aqui? – Perguntei surpresa por ter uma pequena garota em minha cabine. Eu poderia jurar que tinha fechado a porta...

- Me chamo Lucy. Lucy Brandon! Me perdi de minha mãe... – Disse ela cabisbaixa. – Você poderia me ajudar a encontrá-la por favor?

- C-claro – gaguejei. Ela sorriu. Peguei sua pequena mãozinha e fomos em direção da porta.

Quando de repente apareceu uma mulher no meio do caminho. Ela tinha cabelos loiros iguais aos meus, olhos azuis e estava resmungando algo. A loira foi chegando mais perto, foi aí que percebi que ela estava grávida. De uns sete meses acho.

- Ahh... Aí está você mocinha!!! Oh moça me desculpe!! Me desculpe MESMO. Não sei nem o que dizer! Lucy Brandon você vai ficar de castigo quando fomos para nosso quarto!!! – Esbravejou a mulher grávida para a criança.

- Não foi nada. Crianças são assim mesmo. Curiosas! – Sorri para parecer amigável. A mãe pegou a criança pelo braço. E olhou totalmente sem graça para mim.

- Sou Brooke Campbell. – Disse ela timidamente sugerindo um aperto de mão. Sorri.

- Sou April Conner.

O sinal de última chamada para todos entrarem no cruzeiro soou.

- Bom, acho melhor nós irmos. Lucy diga tchau para Sra. Conner. – Disse Brooke.

-... Hmmm... Srta. Por favor... – Sorri meio sem jeito. Odeio quando me chamam de “Sra”.

- Ok. Lucy diga tchau para Srta. Conner. – Disse ela sorridente e fazendo uma pequena pausa no “Srta.”.

-... Tchau Srta. Conner. – Falou envergonhada a pequena Lucy. Rimos.

- Tchau pequena Lucy!! Até mais Sra. Campbell! – Falei animada. Mal podia esperar para entrar na cabine e botar as mãos no timão.

- Tchau e boa viagem Srta. Conner! – Se despediu Brooke.

Voltei para minha amada cabine e desta vez fechei a porta. Vir-me-ei para o timão e fitei o lindo crepúsculo por alguns minutos.

Durante esse tempo notei o quanto estranho foi conversar com aquela menina, não que ela fosse estranha só que ela me lembrava alguém com aquele rostinho tão angelical e ingênuo, mas também tão madura... Ah claro! Ela me lembrava de minha irmã Elisa Conner, quando ainda criança, que faz tanto tempo que não a vejo. A última vez que a vi foi quando ela sofreu o acidente, não gosto nem de lembrar...

Seu Honda Civic preto que ela tanto amava ficou simplesmente destruído. Elisa estava viajando sozinha de volta de Washington indo para Trenton, onde moramos, estava quase chegando a nossa pequena cidade natal, quando um caminhão veio na contramão e bateu de frente com carro de Elisa. Parecia que eu estava voltando aquele cenário de cinco anos atrás...

Estava saindo do trabalho quando me ligaram contando a notícia. Fui correndo para o hospital com milhões de perguntas em minha cabeça que me deixavam não só louca, mas também angustiada: Minha irmã havia sofrido um acidente na estrada? Não pode ser! Logo ela que é tão cuidadosa no trânsito...

Quando entrei no hospital, corri para a recepcionista e perguntei, em meio a palavras atropeladas, onde minha irmã estava. Ela me deu o número do quarto e voei para lá.

Abri a porta lentamente e sem fazer barulho. Deparei-me com a cena de minha irmãzinha ali deitada em uma maca dormindo, tranqüilamente.

Foi quando o médico chegou e pediu para conversar comigo, lembro até de seu nome: Dr. Benzendrine. Ele chegou me pedindo desculpas, eu óbvio não sabia o que dizer e nem o porquê dos vários pedidos de desculpas. Ele notou minha cara de “ponto-de-interrogação” e soltou a bomba:

- Sinto muito Srta. Conner, acho que ainda não contaram a você o que aconteceu com Elisa, sente-se, por favor – Disse ele puxando duas cadeiras e com a expressão preocupada – Sua irmã sofreu um acidente de carro grave. – O médico engoliu seco – E a colisão entre o carro e o caminhão foi muito forte. As pernas de Elisa ficaram presas nas ferragens e por tanto da cintura para baixo... – A voz de Dr. Benzendrine já estava longe, eu já adivinhara o que viria a seguir... -... È com um pesar muito grande que direi que sua irmã não poderá mais andar.

Meus ouvidos só captaram as palavras que eu já esperava ouvir. Minha cabeça pesava, meu corpo formigava, eu definitivamente não sabia o que pensar.

Silêncio.

- O doutor tem certeza? – Minha voz estava tão distante que nem eu mesma conseguia ouvir.

- A senhorita está bem? Quer uma água? Um chá? – Perguntou insistentemente Dr. Benzendrine..

-... Não obrigada... Acho que vou ficar bem... E que Elisa sempre foi aquele tipo de menina que sempre em seu tempo livre gostava de fazer esportes, correr, fazia caminhadas todos os dias. Dr. Benzendrine ela já sabe? – Perguntei, ainda, meio atordoada com a notícia.

-... Não, na verdade estávamos esperando um parente chegar para contar a ela. – Coloquei cabeça entre os meus joelhos.

Dei uma pequena olhada nela; ela estava dormindo. Ainda não sabia de nada... Ela ainda não sabia que sua vida iria tomar um rumo totalmente diferente. Minha irmã ainda estava sob efeito dos remédios. Oh Gosh, ela iria ficar tão triste... Eu a conheço bem o bastante para ficar em dúvida se ela conseguiria superar isso...

Olhei pela janela na tentativa de afastar esse pensamento, que insistia em rondar meu cérebro, fitei a janela e vi meu melhor amigo: O Mar.

O sol estava brilhando inocentemente como se nada tivesse acontecido. Os raios refletiam no mar, o que fazia automaticamente meus olhos protestarem de dor. Porém eu me recusava a desviar meus olhos. Lá eu sabia que estava segura, eu sabia que ele me abraçaria e me confortaria em qualquer hora que eu precisasse...

Meus pensamentos foram interrompidos, de novo, por uma batida na porta da cabine.

- Ei, moça, Srta. Conner você é a capitã certo?

- Sim, o que o senhor deseja? – Eu aqui de novo tentando ser educada.

- Olha a maioria das pessoas que está dentro deste navio quer sair da cidade para descansar e desestressar, todos estão esperando a boa vontade da senhorita para tirar esse navio do lugar.

- Desculpe senhor, tivemos um pequeno atraso, mas já estamos de saída. Desculpe por perguntar mais qual é o seu nome senhor? – Tive a impressão de que o conhecia de algum lugar...

- É Jason Foster.

- Jason Foster o jornalista da CNN? – Perguntei incrédula.

- Sim, Jason Foster o jornalista da CNN, e ainda esperando para sair desse porto tumultuado de uma vez. – Cuspiu Jason em palavras. Nossa que grosseiro!!, pensei sozinha.

- Ok senhor. Como já havia dito, já estamos de saída! Peço para que, por favor, volte para seu quarto, pois o cruzeiro já vai dar partida – Devolvi. Ele saiu da cabine com uma expressão meio ofendida.

Esta seria a primeira vez que iria pilotar Donnie depois de quase dois anos! Eu estava tão animada!... Meu velho amigo voltaria a tocar o mar.

Dei a partida, e assim que escutei o barulhinho do motor, meu rosto abriu-se em um sorriso involuntário. Me preparei: olhei para frente, ajeitei meu uniforme, estralei os dedos e os coloquei no timão. Agora sim Donnie, bem-vindo a bordo.

...

Meus olhos já estavam quase se fechando sem meu comando. Olhei para meu relógio de pulso, ele marcava 2:16 da manhã. Nossa sempre quando piloto Donnie, perco completamente a noção do tempo. Bom, acho que já está na hora de fazer uma pequena pausa..., pensei já apertando o botão de piloto automático.

Quando saí da cabine, tranquei a porta para ter certeza de que ninguém mais entraria ali sem a minha permissão. Instantaneamente pude sentir a brisa gelada da madrugada em meu rosto. Olhei para o céu e ali enxerguei a lua. Seus raios me contavam em meio a códigos indecifráveis a mentes ocupadas, que na próxima noite o Mar tinha um pequeno presente para mim...

Desci as escadas e reparei na área externa do cruzeiro. Tinha um deck de madeira clara, uma pisciana aparentemente serena, mesas e cadeiras refinadas e por fim um bar pequeno, porém cheio de bebidas em seu interior.

Enquanto estava atravessando essa área, notei um homem de costas. Ele era alto, loiro e tinha um certo porte atlético. Parecia que ele estava incomodado com algo. Deixei minha curiosidade falar mais alto e logo me aproximei dele e perguntei:

- Boa noite senhor, posso ajudá-lo em algo? – O homem se virou, pude ver seu rosto melhor. Ele tinha olhos verdes claros, lindos.

- Boa noite. – Disse o homem distante, com os olhos sem expressão fixos no mar.

Silêncio.

-... Oh, desculpe. Meu nome é Ryan Lakeford. – Se desculpou Ryan e sugerindo um aperto de mão. Apenas sorri simpaticamente e falei:

- Meu nome é April Conner. Eu sou a capitã deste cruzeiro. – Sorri.

- Parabéns, pois é um cruzeiro muito bonito! – Disse Ryan sorrindo.

- Obrigada. – Respondi em tom gentil.

...

Depois que conversei com Ryan, voltei para minha cabine e pilotei até o dia amanhecer. Faltava pouco para chegarmos ao Alasca.

Como fiquei cansada e meu estômago não parava de roncar, resolvi sair e ir a cozinha. Eu conhecia todos os meus amigos que trabalhavam no Donnie. Desde faxineiras á os donos de empresas que vendiam as passagens para viajar.

Rondei o cruzeiro para conhecer melhor os seus viajantes e acabei indo para o salão. Avistei um casal de idosos sentados em volta de uma mesa, enfeitada com uma toalha branca, o mesmo biólogo que eu tinha avistado no começo da viagem e um homem muito atraente aos meus olhos sensíveis e coração apressado.

Ele era baixinho, loiro de olhos azuis claros e expressão misteriosa. Não pude deixar de fitá-lo por uns bons minutos. Puxei uma cadeira, que ficava perto da saída, e fiquei lá. O homem estava sentado em um banco do bar – um bar que ficava dentro do salão – tomando seu copo de Vodka, sozinho. Ele parecia tão solitário.

Depois de uns vinte minutos de pura ansiedade de meu ser, resolvi ir até ele. Eu queria falar com ele, queria saber um pouco mais sobre aquele cara que despertou em mim um sentimento que eu já não sentia há algum tempo.

Levantei da cadeira com essa intenção; porém quando o fiz, sem querer tropecei no pé da mesa e caí, levando a toalha da mesa junto. Todos dali olharam, inclusive o homem misterioso. Ai meu Deus!! Que vergonha!, esbravejei comigo mesma mentalmente.

Levantei, desta vez, do chão sentindo o meu rosto queimar. Não tive nem coragem de olhar para o rosto do homem. Porém ele veio até mim antes que eu pudesse correr ou fazer algo do gênero.

- Você está bem? – Perguntou ele.

- Hmmm... Sim, obrigada por perguntar. – Respondi com vontade de desaparecer dali.

- Como é o seu nome? – Falou ele calmamente.

- April. April Conner.

- Nome bonito... O meu é Patrick Stump. – Disse ele sugerindo um aperto de mão.

- Obrigada, o seu também é. – Disse eu apertando a mão dele.

Silêncio.

- Hmmm... Você tem certeza de que está bem? — Perguntou ele curioso e me olhando com um olhar de preocupação. Provavelmente porque me viu puxando uma cadeira para sentar, sendo que, minha mão escorregou da cadeira e quase caí de novo.

- Uhum. – Respondi. Eu estava parecendo uma menina apaixonada da sétima série conversando com ele. Patrick apenas sorriu. Além de sua aparência ser extraordinariamente linda, ele também tinha um sorriso maravilhoso.

- Bom April, vejo que você é a capitã deste navio certo?

- Hã... Como você sabe? – Perguntei.

-... O seu... Uniforme... – Disse ele tentando conter o riso. Urgh!! Meu Deus como eu posso ser TÃO burra?! Como?!

-... Ah... È verdade!! Me desculpe, eu estou...

- Não tem problema... – Disse ele me cortando. Sorri e corei. – Bom April, além de capitã deste belo navio, o que mais você faz?

- Bom, na verdade eu só comando o Donnie mesmo... – Notei a expressão confusa dele e logo expliquei – Donnie, é o nome do navio. Eu comando ele há três anos e adoro pilotar. Comecei a navegar em alto mar com ele. Então esse pequeno navio aqui significa muito para mim.

- Interessante! Bom, já eu nunca pilotei nenhum tipo de embarcação ou coisa do gênero. – Ele riu. – Eu trabalho com... Com... Em uma empresa. – Ele hesitou ao falar.

- Em uma empresa, interessante também! – Disse eu já me recuperando da minha crise de garota de sétima série.

Conversamos durante um bom tempo e sobre tudo. Depois disso, eu voltei a cabine para navegar.