Bye Bye, Donnie
2 Parte dois
Provavelmente eu devo ter passado um bom tempo ali, de novo, pois Patrick bateu na porta da cabine para me convidar para ir á festa de inauguração de Donnie.
- Olá capitã! Como vai? – Perguntou ele atrás da porta. Apertei o botão de piloto automático e abri a porta para ele.
- Oi Patrick, vou bem e você? – Disse eu sentindo meu rosto corar mais uma vez.
- Estou bem e esperando você para ir á festa... Você vem não vem? – Perguntou ele esperançoso.
- Ah, a festa. Eu tinha me esquecido dela! – Sorri. – Hmmm... Não sei não...
- Por quê?
- Patrick, eu não sei dançar! – Urgh! Que vergonha! Será que eu só passo vergonha na frente dele ou é impressão minha?
Ele riu.
- Que não seje por isso! Eu também não sei dançar se você quer saber! – Disse ele tentando me convencer.
-... Oh, eu não sei Patrick...
- Ah, mais eu sei! – De repente ele me pegou pelo braço e foi descendo as escadas.
- Patrick o que você está fazendo?! – Perguntei em meio a risos.
- Estou levando você para a festa! – Respondeu ele indo mais rápido. Não sei por que me senti adolescente de novo.
Ele estava me levando cada vez mais rápido e o salão estava se aproximando cada vez mais. Até que entramos.
O salão estava lotado de viajantes. Tinha várias faixas em roxo escrito “Bem vindo a bordo”, mesas todas enfeitadas com toalhas brancas de renda com arranjos de flores violetas, pessoas de todas as idades e etc
Patrick me levou para a pista de dança e começamos a dançar. Muito desajeitada mente, mas com ele eu não ligava. Não ligava se as pessoas a nossa volta estavam rindo, caçoando ou nos apontando. Eu não ligava mais para nada. Para a minha sorte – ou azar – era uma música rápida.
- Se você não souber o que fazer, só olhe para meus pés. – Disse ele no ritmo certo da música. Fazendo eu me sentir uma completa idiota.
- Você sabe dançar? – Perguntei confusa.
- Bom, agradeço se você chamar isso de dança... – Caçoou de si mesmo. Eu ri. Minha risada saiu um pouco mais empolgada do que o desejado...
Continuamos a dançar com eu seguindo os passos dele. No total conseguimos dançar umas cinco músicas dos mais variados gêneros.
- Viu? Você consegue dançar! – Disse ele me puxando para fora do salão. Estávamos indo para a varanda do navio.
- Ah, não tenho muita certeza disso... Eu fui horrível! – Não pude deixar de rir de mim mesma. Humph! Como se isso fosse difícil!
- Ah, foi nada! – Rebateu ele com as costas na grade de frente para mim.
Silêncio. Nos olhamos por alguns segundos.
- Hmmm... Então Patrick, você já sabia dançar e não me falou nada?! – Quebrei o silêncio irritante entre nós.
Ele riu.
-... Não, na verdade, fiz algumas aulas aí para aprender por hobbie, mas acabei desistindo... – Contou.
- Desistiu? Por quê?
-... Porque acabei descobrindo que essa não era muito minha vocação... – Disse ele parecendo meio distante.
Devíamos ter ficado horas e horas ali conversando, pois percebi que a lua já estava bem alta no céu.
-... Então você acha que o chão definitivamente AMA você... – Disse ele em meio a risos depois de eu ter contado um de meus episódios mais vergonhosos de intimidade com o chão.
- È... Ele ama... – Ri e corei.
- Desculpe se parece que estou rindo da sua cara, mas é que sei muito bem o que você quer dizer com isso! O chão também me ama...
Eu sorri.
- Temos muito em comum Patrick!
- È, temos mesmo! – Ele parou de rir e olhou em meus olhos. Fiz o mesmo. Senti um frio estranho em meu rosto. Acho que já estamos perto do Alasca, pensei.
Ele foi chegando mais perto e eu, não resisti e fiz o mesmo. Nunca me apaixonei assim, tão rapidamente, por ninguém antes. Quem dirá um viajante. Mas não sei por que, com ele era... diferente.
Estávamos a menos de cinco centímetros um do outro, eu podia sentir seu hálito, sua respiração ofegante de quem não sabia o que estava fazendo, porém estava fazendo-o por alguma razão, inconsciente talvez. Fechei os olhos e pude sentir sua boca na minha...
Porém isso não passara de mera ilusão, pois a empregada — da empresa que forneceu a viajem – veio correndo, gritando o meu nome.
- Stra. Conner! Stra. Conner! Stra. Conner! Ah, aí está você... Oh! Mil perdões Stra. Conner, mas nós PRECISAMOS que a senhorita compareça na sua cabine, agora. – Disse a pequena empregada sem fôlego.
Eu e Patrick levamos um susto. Tanto que quase batemos cabeça com cabeça. Sim, porque eu escorreguei.
- Ok, sem problemas. Oh, Patrick eu...
- Não!... Vá, é o seu trabalho... – Interrompeu-me. Sorri, dei em beijo rápido em sua bochecha, não consegui ver qual tinha sido sua reação. Saí correndo atrás da pequena-empregada-sem-fôlego.
Quando cheguei na cabine, vi meu chefe andando de um lado para o outro.
- Boa noite Capitão – Fiz a condolência.
- Boa noite Capitã Conner, bom, não tão boa noite assim... – Disse ele parecendo mais tenso a cada palavra. Ele parou com as duas mãos apoiadas no painel, de costas para mim, e ficou calado por alguns minutos.
- Capitão? O que houve? – Perguntei curiosa.
- Capitã Conner, temos um “presentinho” em nosso caminho. – Ironizou o Capitão. Ele apontou para o radar de última geração. Onde piscava um pequeno ponto vermelho freneticamente.
- Oh Céus! Um Iceberg!! – Fiquei totalmente chocada quando vi. – Capitão não há um jeito de... tirar ele do caminho? Ou coisa pare...
- Não. – Cortou-me o Capitão.
A primeira coisa que veio a minha cabeça foi os rostos inocentes de meus viajantes, que não tinham culpa de nada daquilo.
- Capitão, o senhor me desculpe, foi tudo minha culpa... Eu não deveria ter saído para ir à festa. Eu deveria ter ficado aqui e...
- Não foi sua culpa Capitã Conner, o iceberg começou a se formar no meio da viagem. Na verdade, ele era mais um fato do que uma coisa inesperada. – Falou friamente o Capitão.
-... Bom, agora só o que resta é... Avisar aos viajantes de que... de que temos um obstáculo pela frente...
-... E que vai ser impossível de tirá-lo da onde ele atualmente está. – Completou ele. Senti um arrepio percorrendo minha espinha. Patrick... Eu tinha que avisar ele.
Na hora senti uma vontade sobrenaturalmente grande de ir correndo e avisá-lo. Porém, além de ser falta de educação deixar alguém falando sozinho, também é meio que antiético, se envolver com viajantes durante uma viagem. Então resolvi ficar onde estava.
Silêncio.
- Capitão, devo avisar a todos? – Perguntou a empregada, que era amiga de infância do Capitão.
- Sim. – E lá se foi à empregada. Tinha se iniciado outro longo período de silêncio.
...
Tinha certeza que seria punida por isso, porém depois que se passaram vinte minutos em completo silêncio, não agüentei e saí da cabine correndo e fui ao encontro de Patrick. Sabia qual era o número de seu quarto.
- Patrick? Patrick onde está você?! – Gritei, fazendo eco no pequeno quarto do navio,
- Calma! Calma, estou aqui! – Disse ele entrando no quarto e me abraçando forte.
- Onde você estava?! – Perguntei com meu rosto enterrado em seu ombro.
-... No salão...
- Ah... – Arfei. Meus joelhos ficaram bambos e cambaleei para trás, porém ele me segurou. Eu não sabia o que dizer naquele momento e provavelmente nem ele.
Estávamos ouvindo, em um som produzido por um alto falante, os nomes de todos os viajantes. Quando ouvi o de Patrick.
-... Eu acho que é melhor eu ir. – Olhei para ele com um olhar de súplica. – Eu preciso saber o que eles querem...
- Eu vou junto! – Argumentei. Ele me olhou com uma expressão surpresa, porém concordou.
Fomos para o lado externo, onde ficava a piscina, e avistei o Capitão com uma lista na mão. Assim que me avistou, largou a lista para outro tripulante e veio ao nosso encontro.
- Hey você – apontou o Capitão para Patrick – Qual a sua profissão?
-... Sou... Empresário... – O Capitão ficou pensativo e depois cochichou “não serve”.
- Patrick Stump... Você vai para o salão e aguarde lá.
- Ok Capitão. – Fiquei completamente confusa. Não sabia se perguntava para o Capitão o que significava aquele “não serve” ou a atitude de Patrick.
Porém antes que eu fizesse algo, o capitão me puxou pelo braço, me levando para a direção contrária a de Patrick.
- Resolvemos montar uma espécie de “equipe”. Com médicos, biólogos e outras profissões do gênero, para desviar do iceberg com a máxima rapidez possível.
“Verificamos várias vezes e chegamos à conclusão de que seria mais apropriado montar essa “equipe” e tentar. Caso o contrário, pegamos um bote e fugimos daqui deste navio remando.” Concluiu o Capitão. Fiquei atônita. Porém, não podia negar, era um bom plano.
O Capitão foi se afastando e eu fui para a cabine. Entrei na cabine e fechei a porta. Naquele momento tinha que me desligar do mundo “exterior” e me focar em tirar aquele monte de gelo do nosso caminho. Correto, meu e do Donnie.
...
Alguns minutos depois, o Capitão estava de volta com a “equipe”. O biólogo e um médico.
- Boa noite Capitã, me chamo Newton Morgan, sou biólogo da universidade de Oxford. È um prazer conhecer a senhorita. – Apresentou-se Newton, um homem alto, moreno e de aparência inteligente.
- Bom revê-la Capitã Conner! – Disse amigavelmente Dr. Benzedrine. Apenas sorri. Ainda tinha lembranças da última vez em que o encontrei.
- Bom, senhores vocês já sabem o que fazer! Vamos tentar tirar aquilo da nossa frente! – Anunciou o Capitão.
Ficamos horas e horas conversando sobre o assunto. E chegamos a uma conclusão: Não tinha jeito, teríamos que sair de Donnie remando.
O iceberg era extraordinariamente grande e maciço. E estávamos há menos de duas horas dele. Mesmo que desviássemos o navio, não daria certo, pois, o enorme bloco de gelo era em um formato estranho, era em formato de arco. E para piorar, cada vez mais que nos aproximávamos do Alasca, mais a parte mecânica congelava. Um dano irreversível. Isso estava indo rápido demais...
- Capitão, desculpe a pergunta fora do assunto, mas para onde irão os passageiros? – Perguntou Newton.
- Eles irão ficar trancados no salão. – Respondeu friamente. Eu não acreditei.
- O QUÊ?! Trancados no salão?! Eles irão ficar trancados no salão enquanto Donnie afunda?! È isso?! – Perdi totalmente minha sanidade.
O Capitão me encarava com uma expressão surpresa pela minha reação inesperada. Eu também não tinha acreditado no que eu havia feito.
- Sim. Por quê? A Stra. tem outro plano? – Agora sua expressão era de raiva.
- Não Capitão, só acho que isto é injusto. – Cuspi em palavras. Fui em direção da porta e saí.
O vento estava cada vez mais gelado, eu estava cada vez mais sem esperanças de que eu pudesse sair viva daquela situação e pior, eu estava cada vez mais me entregando a Patrick, uma paixão repentina demais para ser tão forte.
Entrei no salão pelos fundos e avistei Patrick em um canto do salão, ali, sozinho e bebendo sua Vodka. Corri até ele e me joguei em seus braços.
- Woah Capitã!! Assim você me mata de susto!
Eu ri.
- Ah Patrick, por favor, me diga: Por que você está aqui?
-... Hmmm... Porque disseram para nós que eles iriam conseguir mais botes...- Respondeu ele com incerteza.
- Oh não! Patrick eles vão... – Nisso o Capitão entrou no salão e veio em minha direção.
- Capitã, precisamos conversar!! – Tentei olhar para Patrick e contar a ele, porém já era tarde demais.
O Capitão já havia me pego pelo braço e estava indo em direção a porta de saída do salão. Espero que Patrick seja esperto o bastante para perceber que o Capitão esqueceu de trancar a porta dos fundos.
Meus olhos não alcançavam mais sua silhueta e, muito menos, seu rosto perfeito. A sua imagem iria ficar gravada em minha memória como um rosto de expressão confusa e olhos ansiosos, porém cheios de esperança e ternura, em meio a vozes altas e batidas de coração frenéticas.
Em minha mente estava ecoando um só nome e em voz, extremamente alta. Eu estava cega pela preocupação com Patrick; tão cega que nem percebi que já estávamos subindo as escadas para irmos para dentro da cabine. Também estava dormente pois, não senti meu braço protestar de dor contra o aperto forte do Capitão. A única coisa que me despertou daquela cegueira e dormência súbita, causada por preocupações insistentes, foi a brisa congelante que soprava direto em meu rosto.
- Ai Capitão, você está me machucando! – Reclamei, recuperando totalmente todos o sentidos.
- Calada! – respondeu ele friamente me assustando.
Ele abriu a porta da cabine e entramos. Lá estavam: Dr. Bezendrine, Newton e a empregada. Eles estavam tensos.
- O que houve? – Perguntei já pela segunda vez no dia.
- Enquanto você estava tentando melhorar a situação, contando tudo para seu mais-novo-par-romântico, estávamos aqui. Trabalhando. De olho nos radares. De olho em qualquer outra nova notícia...
-... Porém, a única coisa boa é que temos um bote. – Cortou Dr. Bezendrine. -... Um bote.
Meu sorriso de dissolveu. Silêncio.
- Eu vou arrumar o bote. – Falei, chamando a atenção de todos. Provavelmente não esperavam que eu falasse isso, porém, eu tinha um plano...
- Ok. – Assentiu o Capitão.
Desci as escadas correndo com o vento gelado na nuca. Meus olhos varreram a área externa do navio à procura de Patrick. O plano era arriscado, mas teria que dar certo.
A água da piscina estava congelada. Comecei a procurá-lo em todos os lugares e em menos de quinze minutos o achei. Ele estava atrás do balcão do bar da área externa, agachado.
- Ah! Você está aí! – Abracei-o forte e sorri.
- Percebi que esqueceram de trancar a porta dos fundos, e fugi sem ninguém perceber. – Ele sorriu. Patrick ainda não sabia da nada.
- Patrick... – Minha voz falou.
- O que foi? April, você está bem? – Perguntou confuso.
- Patrick, o Donnie irá colidir com um enorme iceberg daqui a menos de meia hora... talvez até menos e não temos botes suficiente para todos. O Capitão queria trancar todos os passageiros no salão e... Simplesmente deixar o Donnie afundar com vocês lá dentro! – Eu já estava de joelhos e de frente para ele. Deixei minha cabeça tombar para o lado colidindo com uma garrafa de Vodka. Ele estava tentando processar a informação.
Silêncio.
- Woah! Nunca pensei que o Capitão pudesse ser tão...
- Cruel! Eu sei. – O cortei. – E o pior é que só tem um bote. Apenas um.
- April, preciso contar uma coisa à você. – Ele estava sério. Assenti confusa.
-... A verdade é que não mereço ser salvo. Não mereço nem você e seu amor. – Sua cabeça encontrou seus joelhos.
- O quê?! Patrick, do que você está falando?!
- April, eu menti. Não sou empresário. Sou um assaltante de bancos, poderosíssimos dos USA. Estava indo para o Alasca para roubar outro. Porém no meio da viagem conheci você, e não tive coragem de contar à você o que realmente sou. April, me desculpe. Vou entender se você me der um tapa na cara agora. – Ele fitava o céu cinzento – que no momento estava chovendo – com um olhar de respulsa por si mesmo. A chuva do nada começou a engrossar e pude ouvir a fúria do mar em meus ouvidos.
Sem pensar, segurei seu rosto entre as minhas duas – frias — mãos e o beijei.
Seus lábios estavam frios e se moviam no mesmo ritmo do que os meus; rápidos. Como se o mundo fosse acabar em questão de segundos, mas não nos importaríamos, pois ainda tínhamos um ao outro. Ele me segurava forte, como se eu fosse escapar por entre seus dedos.
Ouvimos a porta da cabine se abrir e a ponta do iceberg atingir a proa do navio, ao mesmo tempo. Nos separamos de imediato. Na pressa, contei meu plano à ele e comecei a pôr-lo em prática.
Rolei para o lado de fora do pequeno bar, fingindo ter caído, e vi o Capitão, Dr. Bezendrine, Newton e a empregada vindo em minha direção.
- Hey Capitã, você está bem? – Perguntou-me o Capitão.
- Estou sim, Capitão. O bote está do outro lado, acho melhor irmos depressa pois, o iceberg já atingiu a proa! – Ele assentiu e corremos todos para o bote. Todos entraram nele, menos eu.
O bote estava suspenso no ar por duas cordas de aço, comandadas por um botão. O qual apertei cinco segundos depois de responder a pergunta do confuso Capitão: “Capitã, você não vem?”. Sorri e fiz *“Lick Lick Salute”. O pequeno – e cheio – bote amarelo descendo lentamente até a água.
Senti Patrick agarrar meus quadris e cochichar em meu ouvido: “Não olhe para a esquerda!”. Não resisti e olhei.
O iceberg já tinha atingido metade de Donnie. Também, não pude conter a lágrima teimosa que escorreu por meu rosto. Afinal, aquele era o meu navio. Meu amigo. E agora, ele estava sendo destruído por um bloco de água congelada. O pior: eu não podia fazer nada.
Patrick puxou minha mão e subimos a escada para entrarmos na cabine.
Assim que entramos, tranquei a porta. Sabia que isto não iria adiantar nada, porém me deixava mais segura. Ele me fitava com uma expressão confusa.
-... Por quê? – Perguntava ele.
- Se, se apaixonar por um assaltante de bancos – ele te enganar e depois contar a verdade – e não ligar para todos os crimes que ele cometeu, for um pecado... Bom, já vou morrer mesmo... – Dei de ombros. Eu não olhava em seus olhos, olhava através da janela, nos olhos do mar. Sentindo os tremores causados pelo iceberg. Ouvi ele rir.
- Obrigado. – Disse ele.
A água começou a entrar pela cabine. Me virei para encará-lo.
- Não temos tempo. – Minha voz falhou. Fitamos a água entrar até nossos joelhos.
-... Isso tudo aconteceu tão rápido... – A voz dele também falhou. – Eu não estava planejando me apaixonar e morrer nesta viagem.
- Nada em minha vida saiu como planejado.
- Parece que nem na minha. – Ele sorriu e envolveu seus braços em volta de minha cintura. A água já chegava a nossos estômagos.
- Estou pronta para morrer com você. – Falei olhando fundo em seus olhos, não me importando com a temperatura negativa da água.
— Eu também. – Respondeu ele me beijando.
Seus lábios estavam frios e a pressão que os mesmos exerciam sobre os meus era intensa.
Lágrimas escorreram de meu rosto. Nós iríamos morrer. Donnie iria morrer.
A água já estava sobre nossas cabeças, porém, ainda estávamos abraçados um ao outro, com os lábios colados. Depois de algumas horas, eu havia encontrado o subconsciente. Agora, nós estávamos do outro lado.
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