Bye - 6259
6 Gufra.
Notas iniciais
Kiaki e Okim eram gêmeos idênticos quando se tratava de aparência, ambos tinham cabelos negros e olhos claros, um podia facilmente se passar pelo outro. Mas eram completos opostos na personalidade, Kiaki era bem mais bagunceiro, tinha folhas presas no cabelo por rolar na grama, uma energia inesgotável. Já Okim era bastante quieto, não falava muito e gostava de fazer experimentos com tudo que via, os pais acreditavam que ele seria um grande cientista.
Os dois haviam se mudado há pouco tempo para uma antiga casa perto da floresta. Era uma casa bem velha e praticamente condenada devido aos anos exposta a chuva e sol, tinha vários cômodos e Kiaki jurava que tinha passagens secretas. Mal aviam chegado a nova cidade e os pais das outras crianças da escola já as tinham proibido de brincar com eles. Ok cedo ou tarde elas acabavam sendo proibidas por alguma travessura dos gêmeos, mas dessa vez eles nem tinham tido chance de conhecer novos amigos. Isso era chato.
Mas o que mais atraiu a atenção dos gêmeos foi à floresta escura que se erguia imponente depois da cerca rustica. As arvores tinham o tronco negro e galhos retorcidos de um modo que lembravam espirais, as folhas eram opacas quase cinza. Uma casa velha e uma floresta tão peculiar? Isso cheirava a aventura.
E se cheira aventura, atrai duas crianças sem nada pra fazer.
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Okim acordou com o som do despertador. Odiava ir à escola como qualquer um. A mente lutou contra o sono para fazê-lo se lembrar de que era um dia de sábado. Ele arrastou as cobertas para longe e tremeu ao encostar os pés no chão gelado do quarto. O quarto dos dois ficava no segundo andar, justo onde o telhado se encontrava, e tinha uma janela ótima que ficava em cima do teto da garagem, bem de frente para o quintal dos fundos. Em poucas palavras, rota de fuga. Kiaki conseguiu pular pela janela e chegar no quintal tão perfeitamente silencioso que Okim se impressionava, Kiaki parecia um espião como nos filmes às vezes.
Okim colocou as meias, as botas e o casaco, com o inverno chegando ficava cada vez mais frio, havia demorado meia hora apenas pra se arrumar. Ele pode ver o irmão pendurado no teto procurando passagens secretas, ele havia cismado com isso. Okim queria poder fazer isso. Flutuar como Kiaki parecia ser legal, mas não conseguia. Talvez por isso o irmão pudesse ser tão sorrateiro. Papai e mamãe não deixavam fazer isso na frente das outras crianças.
―Bom dia Kim ―Kiaki sorriu e desceu lentamente pelo ar até encostar os pés no chão, já perfeitamente vestido também. Okim bocejou.
―Por que tão cedo? ―Ele reclamou passando pela porta, mas Kiaki o puxou pelo braço.
―Mamãe e papai não podem saber. Eu já pequei tudo. ―Kiaki mostrou a mochila de aparência um pouco pesada. Devia ter cordas, varetas, uma barraca, comida, água e essas coisas de camping. O pai, Jack, sempre que possível levava os garotos para acampar, sabiam o bastante para não precisar de ajuda de algum adulto, então sobreviveriam o dia na floresta sem grandes problemas. ―Vamos sair pela janela.
Kiaki ajudou Okim a sair sem fazer barulho e a única coisa que denunciava a travessura eram as pegadas na neve.
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Eles pularam a cerva escura de madeira e entraram no território desconhecido. As arvores eram escuras como a tinta nanquim que a mãe usava para pintar, retorcidos, que quase desapareciam conforme a neve os cobria. Ela com certeza iria fazer um quadro da vista sentada na varanda e tomando chocolate quente com machimelos enquanto o pai dizia algo sobre como montar uma fogueira mesmo no meio da neve ou como amarrar uma corda do jeito certo pra tal situação, Okim prestaria atenção em cada palavra e Kiaki se preocuparia mais com um pássaro pousando num galho.
Kiaki ria sentindo a aventura dentro de suas veias, ele estava realmente animado marcando o caminho com fitas vermelhas para que não se perdessem, as fitas se destacavam de maneira bonita do branco da neve. Okim se abraçava, se protegendo do frio no casaco marrom com estampas de alce, pinheiros e flocos de neve que havia ganhado do pai. Era um belo motivo de piada, enquanto Kiaki usava roupas comuns pra idade, Okim parecia preso ao passado com roupas que por pouco não eram vitorianas, pareciam mais roupas que o avô usaria.
Já haviam andado uns bons metros e a floresta começava a ficar mais densa quando viram a silhueta de pássaro negro enorme passar por dentre as arvores. O que chamou a atenção não foi o tamanho do animal e sim o fato dele parecer estar usando um chapéu de abas largas e segurando um guarda-chuva na ponta de uma das asas. Os pais já haviam contado historias de seres incríveis que viviam naquela floresta, monstros esquisitos, alguns bons outros maus. Aquele devia ser um daqueles seres. Os dois gêmeos se encaram.
―Quem era ele? ―Kiaki perguntou entusiasmo.
―Não sei, mas é melhor não o incomodá-lo. Ele parece estar apressado. ―Okim já sabia o quanto o irmão queria correr atrás dele e fazer mil e uma perguntas, mas não podia deixar, ele tinha que ser o irmão responsável.
Mesmo assim Kiaki segurou seu pulso e o puxou para dentro da floresta. Correram tropeçando em galhos e raízes. Rindo enquanto se empurravam. Chegaram até uma pequena clareira onde um pequeno riacho corria e finalmente pararam para descansar. Olharam impressionados as arvores de tão altas que quase não podiam ver a copa, nem haviam percebido quando elas começaram a ficar altas assim. Foi quando Okim notou algo.
Não havia mais uma trilha de fitas vermelhas atrás de si, Kiaki não as havia colocado por causa da distração da brincadeira. Todas as direções pareciam iguais. Haviam perdido até o rastro do homem pássaro.
―Estamos perdidos― Okim disse enquanto procurava por referências que indicassem o caminho de volta.
―Valeu Senhor Obvio, eu não teria percebido se não fosse você― Kiaki tentava lembrar-se do que fazer quando se perdiam. Só que nunca haviam se perdido! Sempre haviam seguido as trilhas certas e o pai sempre estava por perto. Talvez tentar escalar as árvores? Não os galhos são altos demais pra alcançar mesmo que Kiaki flutuasse. Sinal de fumaça? A fumaça não passaria da copa. Os gêmeos não conseguiam ter muitas ideias boas.
―Olha o que temos aqui― Uma voz veio de trás dos dois, quando se viraram viram um corvo do tamanho de um adulto, ficava nas duas patas como se fosse um humano e suas asas faziam vez de braços, ele tinha duas garras na ponta de cada asa que seriam suas mãos, e usava um belo chapéu de abas grande. Ele se apoiava num guarda-chuva. ―Não é muito comum vermos humanos aqui. ―Ele se aproximou dos gêmeos.
―Q-Quem é você?
―Não se assustem. A sorte de vocês que crianças não tem uma carne tão saborosa para mim. Já não posso garantir nada pelos outros.
―Que outros?― Okim perguntou tentando não olhar diretamente nos olhos daquele ser.
―Os outros monstros que vivem aqui, oras. Eles têm total direito de devorarem vocês se quiserem pequenos, ―O corvo olhou ameaçadoramente pros garotos que se encolhiam nos ombros― afinal vocês estão invadindo.
―A gente tá perdido. ― Kiaki explicou.
―Oh, estão com mais sorte ainda então. Eu justamente estava indo até o Galpão, lá Nero ira resolver o que fazer com vocês. Não podem simplesmente entrar na floresta e sair como se não fosse nada.
―N-não vamos com você.
―Certo. Vocês podem vir protegidos por mim pra onde meu rei cuidara de vocês ou podem deixar pra algum lobo selvagem resolva isso.
Os dois se encararam derrotados. Que opções tinham afinal?
―Meu nome é Dashiell Kerr Carpenter. Mas podem-me chamar de Corvo.
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―Não se preocupem ―Corvo disse ao ver as duas crianças se encolhendo atrás dele ― Sou um dos monstros de maior confiança do rei, ninguém lhes atacara se ficarem comigo.
Okim olhava para Kiaki como se dissesse ''Eu te avisei'', e o outro devolvia o olhar sem graça. Eles se abraçavam para se proteger do frio, as folhas das arvores eram densas o suficiente para que fosse impossível ver o céu, mas se podia perceber que o tempo escurecia. Os gêmeos olham um grupo de aves brancas que voaram sobre suas cabeças, o grupo de aves voava sem encostar-se aos galhos. Piavam numa melodia harmoniosa chamando a chuva.
Corvo olhava as noivinhas brancas com alegria, tomado pela nostalgia de voar. Há quanto tempo não abria suas asas e saia voando um pouco? Não seria ruim pedir umas férias de seus deveres e ir além das montanhas, o lago que fica lá deveria estar esplendido nesta época do ano. Ele saiu de seus devaneios ao ouvir rosnados da clareira. Como se um urso estivesse competindo com outro. Corvo escondeu os garotos de baixo das asas antes de continuar e os acalmou. Seguiu em frente cauteloso, eram comuns monstros de casta baixa, monstros selvagens em outras palavras, brigar uns com os outros ou com os de casta alta.
Normalmente Corvo passaria reto e os ignoraria, se a coisa piorasse acalmaria a coisa e reportaria a Nero e ele decidiria o que fazer. Basicamente esse era seu trabalho, tirar o máximo de trabalho das costas do rei. Tento certeza que ninguém veria as crianças escondidas e que estavam quietas continuou seguindo. A visão que teve foi inédita.
Um grande urso se sacudia para se livrar de algo em suas costas, ele tinha uma pelagem branca que escurecia até ficarem preta nas patas, grandes garras se fincavam na terra para manter o equilíbrio. O rosto era uma mistura macabra de um rosto humano com um rosto de cachorro, que exibia dentes grotescamente grandes ao rosnar e rugir. A parte mais peculiar da cena era o ser que se agarrava as costas do monstro, era miúdo, mas mordia com força o pescoço do monstro maior arrancando sangue e mais sangue que se espalhava pela pelagem branca. Tinha aparência humana, e penas nos cabelos.
O urso caiu no chão enquanto Nero descia de suas costas, abaixou sua cabeça estranha para ficar mais baixo que o rei a sua frente, demonstrando total servidão a ele. Nero estufou o peito, era a autoridade. O urso saiu numa espécie de choramingo, o garoto virou o rosto para Corvo, que prendia a respiração. Corvo nunca havia visto sua vida inteira Nero atacar alguém, era sempre pacifico... Nero torceu o nariz e cuspiu o sangue.
―Dralao ―Ele disse com a voz infantil que contrastava com cena que acabou de ocorrer. Nero indicou com a cabeça para que Corvo o seguisse. O rei tinha o melhor faro de toda floresta, não era difícil perceber o cheiro estranho que vinha das crianças mesmo estando cobertas pelas asas do pássaro negro. Mas algo naquele cheiro o incomodava muito mais que o odor humano... Parecia um cheiro familiar.
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Nero cuspiu o sangue no chão, aquilo tinha um gosto horrível. Enfiou a cabeça na agua da tina para tirar aquele gosto da boca. Ele balançou a cabeça para tirar o excesso de agua do cabelo e encarou os dois meninos. Já bastava ter que achar um abrigo pros monstros que perderam suas tocas durante a tempestade, achar quem pudesse cuidar dos recém-nascidos e lidar com selvagens, ainda tinha que cuidar de dois filhotes humanos? Ele precisava de umas férias.
Os dois filhotes tremiam, estavam com frio. Estavam dentro do quarto de Nero, que ficava na parte de cima do galpão. Era um lugar pequeno, mas reservado, ninguém incomodava Nero ali se não fosse uma questão de vida ou morte, então não encontrariam os dois pirralhos ali. Nero pegou outro cobertor de pele e jogou em cima deles, estavam dormindo tão pesado.
A mãe daqueles filhotes devia estar tão preocupada. Ele viu uma pequena bolinha branca e brilhante atravessar a parede e pousar no seu cabelo. Um lugar estranho pra um bebê pousar, geralmente eles preferiam cavernas ou grama. Se bem que inda não era exatamente um bebê... Essas bolinhas estavam mais pra ovos ou algo assim, Nero preferia chama-los de Dente de Leão, já que flutuavam durante algum tempo antes de ''chocarem'' e nascerem. Tinha que encontrar um ninho melhor praquele dente de leão do que seu próprio cabelo.
Uma das crianças se mexeu na cama e abriu os olhos. Eram bem claros, mas não no mesmo tom azulado de Nero, eram de um prateado realmente claro. Kiaki levantou e se sentou na cama improvisada, olhou em volta confuso, não se lembrava de ter ido parar ali. Okim dormia tranquilamente, era sempre o que dormia mais. Ele olhou em volta do cômodo e quase deu um pulo ao ver o menino parado no canto. Kiaki ficou na frente do irmão para protegê-lo.
Nero tombou a cabeça, aquele humano era engraçado.
―Q-Quem é você? ― O filhote de humano estava assustado, era até fofo vê-lo assim. Agora só tinha que esperar o outro acordar e faze-los dar o fora. Essa magia de sono de Dashiell podia ser um pouco mais curta. Kiaki não ouviu uma palavra do menino, era o mesmo que tinha atacado o urso! Legal, estava preso num lugar cheio de monstros junto com alguém que podia mata-lo! ―O que você quer?
Nero não respondeu, porque todo mundo tem que falar tanto? Mesmo se quisesse responder não podia. Uma vez teve que expulsar um monstro que só causava desordem da floresta, o monstro desgraçado retribuiu estraçalhando com uma bela mordida o pescoço de Nero, ele sobreviveu, mas não conseguia mais falar normalmente, doía muito. Até comer tinha ficado mais difícil. Tocando nesse assunto, estava faminto.
Ele ignorou o humaninho e foi até a mesa de madeira no canto. Carne de veado. Tinha uma aparência magnifica. Nero se sentou e começou a comer, o filhote tinha calado a boca pelo menos. Não demorou muito para que Corvo entrasse no quarto, o rei mal se importou comida primeiro o resto depois.
―Oi garoto como vai? ― Corvo perguntou a se aproximar de uma criancinha assustada.
―Corvo! ―Kiaki pulou de alegria ao ver o monstro pássaro, estava preocupado que tivessem feito algo a ele― Corvo, quem é ele?― Ele apontou para o menino que comia calmamente na mesa, espera a carne estava crua? O estomago de Kiaki embrulhou.
―Este é nosso rei, Nero. ―Corvo respondeu com respeito na voz. Aquele garoto era o rei?
―Ele não é como eu esperava... ―O pássaro riu ― O que é aquilo na cabeça dele?
Nero parrou de comer e encarou o menino humano, apontou para o dente de leão que descansava na cabeça. Kiaki assentiu com a cabeça, ele não entendeu quando Nero arregalou os olhos e o puxou. Saíram do quarto as presas, Nero parecia assustado com algo e puxava Kiaki pelo braço, mesmo com os protestos do garoto. Ao terminar de descer as escadas passaram pelos monstros que estavam no galpão, eles desviaram de Nero fazendo uma saudação respeitosa, e aqueles que tinham olhos os arregalaram. Uma criança humana!
Enquanto isso, Okim acordava confuso, tão quanto Corvo.
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―Você pode me dizer onde estamos indo? ― O pulso de Kiaki doía com o aperto ― Você não precisa me segurar assim.
Kiaki estava preocupado. Não sabia se podia confiar naquele garoto estranho, e tinha deixado o irmão sozinho num galpão cheio de monstros. Se algo acontecesse a ele, Kiaki não poderia se perdoar, não podia nem imaginar algo ruim acontecendo a seu irmão.
Nero finalmente soltou seu braço e parou, a expressão dele era seria, mas um tanto triste. Kiaki se perguntou se ele iria lhe dar uma bronca ou algo assim por entrar na floresta sem permissão. Só ele iria levar? Ok... Era justo, ele quem havia convencido Okim a vir. Havia parado na frente de um lago cristalino. Onde pequenos animais esguios de patas longas tomavam agua tranquilamente. As arvores se remexiam com a brisa fresca que atravessava o lugar. Aquela bolinha não estava mais na cabeça dele, devia ter ficado no quarto.
―E hiahia ana ia kia kite ia koe― Nero encarou Kiaki e quase riu da cara dele, teve realmente que se segurar para não gargalhar. O garoto humano parecia surpreso por Nero saber falar aquela língua, na verdade ele preferia falar em maora do que em português, a garganta não doía tanto por algum motivo. Kiaki ficou com inveja, só o papai sabia falar tão bem assim.
―Quem quer me ver?― Kiaki ficou até com vergonha de tentar falar, o maora dele era horrível comparado ao de Nero. Nero apontou ao lago, de onde uma mulher surgia da agua. Ela tinha a pele e o cabelo brilhantes, como se fosse feita de luz, mas solida. As mãos dEla eram negras como se Ela as tivesse sujado em tinta, e Kiaki jurou ter visto galáxias se moverem dentro da mão dEla, como se fossem portais. Ela tinha um rosto delicado que combinava com o vestido branco, que parecia ser fundido a pele... E Ela flutuava!
―Nero!― Ela disse sorrindo, com uma voz suave― Ah quanto tempo, meu pequeno!― Ela afagou os cabelos do menino como se fossem velhos amigos. ― Qual o problema?
―Ka taea e ia te kite― Nero disse apenas para irritar o humaninho, o que se provou bem engraçado. A mulher olhou para o humano e depois para Nero. O que Kiaki conseguia ver?
―Tem certeza?― O pequeno rei apenas confirmou e deixou os dois sozinhos. Seria uma conversa bem chata e Nero não queria ouvir.
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O outro humaninho comia tranquilamente no chão, estava visivelmente preocupado com o irmão... Mas estava dando mais atenção as frutas que Linda havia trazido pra ele. Linda era uma aranha gigante extremamente simpática. Nero praticamente devia a vida a ela, se não fosse as roupas que ela fazia teria morrido no primeiro inverno. Nero e os poucos que precisavam de roupas eram suas cobaias para as novas peças que ela inventava, o pequeno rei preferia a mais simples.
Já era meio dia quando o outro humano voltou. Ele parecia meio abalado e nem estava mais com medo dos monstros. O rei e Kiaki se olharam por algum tempo, o pequeno humano estendeu sua mão ao rei, que a apertou. Um acordo silencioso de que não contariam o que Ela havia dito, aquilo deveria ser segredo para todos além deles. E seguiram até onde estavam Okim e Dashiell, comendo frutas que tinham uma gosma rosada dentro, tinha gosto de caramelo. Os dois se abraçaram.
―Kiaki! Seu idiota! ― O menor dos gêmeos começou a bater no irmão.
―Ah! O que eu fiz? ― Kiaki ria enquanto levantava as mãos em prova de inocência.
Nero achou... Fofo? O fazia lembrar-se dos bens tempos... E isso o fazia ficar triste. Apenas puxou as penas da assa de Corvo chamando sua atenção. Decidiram que Nero levaria as crianças pra fora da floresta, se Corvo as levasse só causaria confusão, já Nero podia se passar por humano fácil, então não teria tanto problema.
O rei os guiou pelas arvores esquias, até se tronarem negras e retorcidas. Essas árvores mortas traziam lembranças ruins a Nero, ele tentava não olhá-las. Foi um alivio ao chegaram na cerca que devia sua amada floresta daquele reino podre. Embora dali só fosse possível ver uma casa simples de madeira e não a confusão estranha de prédios. Nero viu um homem até elegante sentado com um semblante triste na escadinha da varanda. Quando os gêmeos o viram não pesaram duas vezes antes de correr desesperados até ele e ter aquela coisa toda de pai e filhos.
Nero achou conhecer ele, mas tinha certeza que nunca o viu. Simplesmente ignorou isso e voltou para as arvores, sem esperar por agradecimentos ou qualquer baboseira do tipo.
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