By your side

1 Secrets and songs


Notas iniciais
Olá~ Bem, essa é minha primeira fanfic e confesso que estou um pouco nervosa em estar publicando aqui para todos. A ideia foi algo que senti uma imensa vontade de compartilhar com todas, por isso espero que goste :3 Essa fic me veio em mente quando descobri alguns fatos do jogo, na verdade mais por parte do Syo, simplesmente meu lado sádico não conseguiu deixar passar algumas coisas... Logo isso resultou no que está abaixo. Boa leitura :3

Segredos e músicas

Era tarde da noite e os ventos batiam contra a janela enquanto a chuva forte caía e os relâmpagos constantemente cruzavam os céus, iluminando toda a Academia Saotome. Já fazia cinco dias consecutivos que aquele tempo não deixava de cair, dando à academia um aspecto londrino. De longe se notavam as várias luzes acesas dos dormitórios e a razão era apenas uma: a entrega de uma composição. Não era como as outras atividades ou trabalhos pedidos pelos professores, mas sim uma dada pelo próprio Saotome, e o que a tornava mais desafiante era o fato do mesmo ter mencionado uma surpresa para a composição que o mais surpreendesse.

O evento estava tirando o sono de muitos, ainda mais com o prazo chegando ao limite. O clima entre os alunos estava tenso, a maioria queria aproveitar qualquer tempo fora de aula para dedicar-se a suas composições; olheiras e certo nível de mau humor eram algo frequentemente visto naqueles dias.

Syo estava debruçado sobre um de seus braços na mesa folheando diversos livros em busca de algo que lhe despertasse inspiração. Seus olhos desatentos devido ao cansaço percorriam aquelas inúmeras páginas com temas diversificados sem muito sucesso. Enquanto isso, Natsuki mantinha-se sentado na cama, apoiando suas costas contra a cabeceira, com o caderno no colo e uma pelúcia do Piyo ao seu lado.

Os estalos das gotas de chuva que batiam contra a janela rompiam não só o silêncio que se mantinha naquele cômodo, mas também qualquer frase bem elaborada que se formava nos pensamentos de Syo. Suas anotações estavam repletas de rasuras, sem contar as que estavam amassadas no chão. Estava tudo uma total desordem. Embora já tivesse o ritmo, não tinha a letra. Ele se virou por um instante observando o outro que estava na cama e que provavelmente estava fazendo outro desenho do Piyo-chan. Sim, Natsuki já havia terminado sua composição; Satsuki sem muitos problemas a compôs nos primeiros dias, não era algo de se surpreender. Natsuki anteriormente chegou a lhe oferecer ajuda, mas ele negou.

Syo fechou o livro que estava a ver, soltando um suspiro desanimado. Inclinou-se para trás e fitou o teto, começando a pensar que talvez a ansiedade, ou melhor, a pressão o estivesse bloqueando.

— Nenhuma ideia ainda Syo-chan? — Natsuki perguntou ao notar a forma em que o outro estava na cadeira.

— Nada. — murmurou dando uma pausa — Consegui escrever uns versos, mas... Parecem um tanto vazios, sem impacto. — e aquilo seria algo que certamente Saotome iria perceber, ele pensou.

Seus os olhos azuis voltaram-se à mesa. Syo começou a organizar todos aqueles livros, ainda observando a capa de cada um, em busca de qualquer coisa que pudesse lhe ser um gatilho para tudo que estava preso dentro de seus pensamentos.

Os ventos ficaram mais fortes e consequentemente os barulhos mais altos, fazendo um sorriso engraçado surgir em seu rosto. Foi inevitável não interpretar aquilo como se só porque ele estava prestes a achar algo, a chuva veio atrapalhá-lo. Logo depois de revirar os olhos, eles foram atraídos pelo rádio que se encontrava no alto da estante próxima de sua cama, entretanto ele perdeu sua atenção não muito depois. Se livros que são uma fonte de inspiração vasta não ajudaram, o que diria um rádio.

Syo permaneceu-se imóvel por um tempo, refletindo no pensamento que rodeava sua cabeça, o que logo o fez levantar da cadeira e seguir em direção ao aparelho de som. Não custa tentar, não é mesmo? Além que inspirações podem vir mesmo das coisas mais inesperadas. Depois de parar na frente do aparelho, ele ficou encarando-o. Somente após de alguns demorados segundos foi que ele ligou o aparelho.

Aquela quebra de silêncio fez com que Natsuki erguesse seus olhos em direção ao baixo som provindo do rádio.

— Syo-chan não acho que seja uma boa ideia ligá-lo agora. — ele fez uma pausa — O horário. — apontando em seguida para o relógio que marcava quase meia noite.

— Com esse barulho todo que a chuva está fazendo nem vão ouvir. — e com isso ele aumentou um pouco o volume enquanto procurava por algo entre as frequências, mesmo sabendo que correria o risco de algum aluno mal humorado bater na porta — De qualquer forma, ele não vai ficar ligado por muito tempo. — concluiu aquilo pelo passar de uma estação a outra.

— Tem certeza que não quer ajuda? — Natsuki perguntou preocupado. Ele sabia o quanto Syo estava se esforçando para conseguir compor a letra de sua música, e observar sua determinação apenas o fazia querer ajudá-lo mais.

É verdade que Natsuki normalmente ajudaria o mais novo independente da resposta dele, porém ele sabia seus limites, ainda mais porque se tratava do pequeno.

— Não é que eu não queira. Se eu aceitar sua ajuda, seria um tanto que injusto com os outros. Além que se for pra eu ganhar, que seja com meu próprio esforço. — ele respondeu, voltando a mexer nas frequências.

Bem no fundo Syo queria aceitar, poder sair daquele stress, da pressão, mas e se o prêmio tivesse algo com o Hyuuga? Definitivamente teria que vencer por ele mesmo. Apenas em último caso cederia àquela proposta.

Natsuki soltou uma leve risada.

— Syo-chan, você falando assim é tão fofo~

— Não me chame de fofo! É simplesmente a verdade, oras! — ele retrucou virando-se para Natsuki.

Naquele momento, o indicador de Syo mudou para uma frequência onde uma bela música tocada por um violino chamou sua atenção, seus olhos surpresos voltaram-se ao rádio. Era uma música fascinante e contagiante aos ouvidos. Ele apreciou-a por um tempo antes de soltar qualquer comentário.

A melodia possuía ritmos alternados, as notas eram tocadas em perfeitas melodias como se estivessem explorando tudo o que um violino era capaz; sem mencionar na habilidade do violinista. Nem mesmo o som da chuva interferira na sensação que aquela música proporcionava. Na verdade, o estímulo da mesma era tão grande que ocupava todos os sentidos, fazendo com que qualquer outro ruído perdesse o foco e sumisse por completo. Se ele tivesse que dizer, afirmaria que era como se o violino estivesse bem ali, ao seu lado, preenchendo sua mente e corpo com sensações intensas e familiares.

— Que composição... É tanta harmonia que até assusta, não é mesmo, Natsu—!

Antes que Syo pudesse completar sua frase, a mesma fora interrompida por um soco vindo por trás de si, acertando em cheio o rádio. Um frio correu-lhe pela espinha juntamente de um aperto no peito; aquilo havia realmente o pego de surpresa. Hesitantemente ele se virou para trás e se deu de cara com Satsuki. Se tinha algo que o assustava mais do que ter de impedir Natsuki de tirar os óculos, com certeza era quando ele os tirava sem ninguém perceber e ser surpreendido em seguida.

Um trovão estalou. Seus olhos esmeraldas estavam mais frios do que o normal, tanto a ponto que podia-se ver a raiva nitidamente transbordando deles. O chão estava com partes e estilhaços do aparelho que não feriram nenhum dos dois e mesmo com o barulho da chuva, era possível ouvir a respiração pesada de Satsuki.

— Sa-Satsuki! — ele iria falar algo a mais, porém o mais velho lhe segurou o rosto com uma de suas mãos, lhe tapando a boca enquanto o pressionava contra a estante.

Syo podia sentir a pressão daqueles dedos longos em seu maxilar. Seu coração batia forte como nunca, ele temia o que poderia acontecer dali em diante. A expressão do outro estava muito mais intimidadora, por um momento ele se perguntou se era impressão ou se era aquele ambiente chuvoso que estava dando aquela impressão.

Satsuki aproximou seu rosto ao dele o suficiente para que suas respirações mesclassem.

— Nunca mais ouse falar uma palavra sequer a respeito dessa música, entendeu? — o tom ameaçador e seu olhar estreito fizeram com que o Syo engolisse seco. Depois de uma longa encarada, Satsuki o soltou de forma brusca, bufando e dando-lhe as costas.

Ainda surpreso com o ocorrido o loiro de olhos azuis levou sua mão até o rosto. Os lugares onde ele fora pressionado ainda latejavam. Essas experiências com Satsuki sempre o deixavam nervoso, principalmente quando não fazia ideia de como lidar com aquela personalidade violenta e explosiva.

— ... Você podia pelo menos não ter destruído o rádio. — ele balbuciou casualmente, evitando olhar para a silhueta do mais velho. Aquilo, na verdade, era para ter ficado em seu pensamento, porém acabou escapando por seus lábios.

Satsuki tomou aquelas palavras como uma afronta por parte de Syo. Já não queria ouvir absolutamente mais nada que o pudesse lembrar-se do que o enfurecia e ainda ter que escutar murmúrios pelas costas fez com que seu sangue fervesse mais, logo cerrou com força os dentes e em um rápido movimento, agarrou brutamente com um dos braços a gola da camisa do pequeno, empurrando-o contra a estante. — Resolveu testar meus limites hoje, Chibi? — ele grunhiu, aproximando-se do menor enquanto erguia o tecido que segurava com firmeza.

Um breve silêncio residiu no ambiente.

— Você... Não me machucaria. — Syo retrucou inseguro das próprias palavras — Natsuki não faria isso... — sua voz estava trêmula, sem falar no seu corpo. Embora Satsuki já tivesse se irritado ou perdido a cabeça outras vezes, ele nunca havia encostado um dedo nele, mas mesmo sabendo disso, não podia negar a sensação de um imenso nervosismo preenchendo seu corpo.

— Não fique cheio de si. — após retrucar ele ergueu o braço que estava livre, fechando o punho preparando-se para lançar mais um soco — Acha que só porque você é importante para ele eu vou lhe poupar? — e com isso ele avançou com o braço à diante ao mesmo tempo um forte trovão ecoou aos céus.

O punho de Satsuki acertou o fundo da estante, no entanto Syo pôde sentir um leve raspão daquele golpe em sua orelha esquerda. O mais velho baixou o rosto fazendo com que poucas de suas mechas loiras cobrissem sua visão — Não importa quem seja... Qualquer um que venha a se intrometer, eu não vou hesitar. Nem mesmo você, entendeu?! Isso é entre eu, ele e aquela mulher! — ele alertou enfurecido; seu tom e sua expressão foram o suficiente para fazer com que Syo não pronunciasse mais nenhuma palavra naquela noite.

Satsuki dirigiu-se até cama, onde deitou com o rosto voltado à parede. Syo apenas limpou a bagunça que estava no chão enquanto vagava por sua mente, vez ou outra levando a mão à orelha. A sensação do raspão ainda residia ali. O silêncio do quarto e aquela atmosfera fazia com que o ocorrido fosse a única coisa que ocupasse sua mente. Quem era a pessoa que Satsuki mencionara e que tipo de relação ela teria com aquilo tudo?

Pouco tempo depois, ele deitou-se na cama, puxando a coberta até a altura do peito e fitando o teto. Aquelas dúvidas ainda rondavam seus pensamentos de forma persistente, fazendo-o levar seus olhos às costas de Satsuki que estava do outro lado do quarto. Não era como se fosse uma surpresa Natsuki ter segredos que ele desconhecesse, porém, o fato de Satsuki ter mencionado que por esse segredo ele o machucaria, deixou-o intrigado, preocupado. O que dificultava tudo era que o único que poderia responder aquelas perguntas era Natsuki, mas a partir do momento que ele as fizesse, Satsuki saberia. E é claro que ele preferiria não arriscar nada depois das palavras que há pouco ouvira.

Seus olhos voltaram-se ao teto, onde vez ou outra refletia os clarões vindos da janela, iluminando o cômodo inteiro. Quando fechou os olhos, podia ouvir sutilmente aquela música dançando em sua cabeça. As notas, o ritmo, absolutamente tudo. Até mesmo sentiu que ela o fazia recordar de momentos nostálgicos que se formavam em suas pálpebras. Era uma sensação que o agradava.

Quando percebeu, ele mexia seus dedos, tentando reproduzir silenciosamente aquelas notas, não podendo negar que sentia uma vontade curiosa de tentar tocá-la, entretanto seu devaneio foi rompido com o franzir do cenho quando sentiu uma breve, embora contínua, falta de ar. Podia sentir, mesmo que leve, uma pontada em seu peito.

Provavelmente aquilo se dava ao stress excessivo que há pouco havia passado, logo não estava surpreso. Syo tentou se recompor, respirando mais fundo e recuperando o fôlego. Ele piscou repetidamente enquanto seus olhos pareciam desorientados no que se focar, soltando um suspiro aliviado. Rapidamente seus olhos receosos voltaram-se à Satsuki, querendo certificar-se que o mesmo não acordou ou tivesse notado nada.

Ao ver que aparentemente não o havia despertado, ele sentiu um alívio. Apesar do fato que não dava para saber se Satsuki estava acordado ou não por estar de costas, ele preferiu acreditar que estava. Assim então Syo fechou seus olhos e decidiu não pensar em mais nada, tentando se render ao cansaço.

O ocorrido com Satsuki e aquela falta de ar foram o suficiente para convencê-lo de que tinha que descansar, e se ele tinha tempo para ficar pensando nos pitis de Satsuki, tinha tempo para pensar numa letra decente para sua composição, auto criticou-se. Foi o que o convenceu de dormir e deixar aquela história toda de lado, puxando a coberta para mais próximo de seu rosto.

Notas finais
E é isso o.o~ Às vezes acho que ficou razoável, outras vezes que nem deveria estar postando aqui, mas já foi -q É incrível como essa ideia às 5 e alguma coisa da manhã enquanto eu escovava os dentes LOL Reviews? owò