By your side

13 From now on


Notas iniciais
Olá, pessoal :3 Update dessa vez veio rapidinho hahaha! Eu tenho muito, muito medo dos reviews que podem vir, porque prevejo pedradas e ameaças de morte lol. Espero que as notas finais ajudem a apagar o fogo dhauisdhasiudsah Vou deixar vocês lerem agora =w= Boa leitura ❤

De agora em diante

Foi como se um balde de água extremamente gelada tivesse sido jogada sobre seu corpo. Aquela sensação de pânico se remexeu em seu âmago, fazendo com que suas palavras parecessem até que iam morrer antes mesmo de chegar a sua garganta. Satsuki estava diante de si, finalmente o olhando bem no fundo de seus olhos e Syo não estava perto de estar preparado psicologicamente para aquele tipo de situação.

Os olhos azuis em choque e igualmente surpresos continuavam a fitar Satsuki, esperando por uma explicação sobre o que houve.

— Natsuki tropeçou enquanto se arrumava. — respondeu após colocar a máscara de volta, e desviando levemente seu olhar para o horizonte do evento — No que ele tentou não cair, ele acabou pisando nos óculos.

Syo não sabia ainda dizer o quão ruim era a situação.

Ele sabia que Satsuki detestava bagunça, o evento era bem organizado, no entanto aquilo seria o que o mais velho normalmente definiria como uma, logo não entendia porque mesmo assim ele estava ali. Ficou bastante surpreso que, pela primeira vez em dias, Satsuki lhe respondeu algo.

— Mas... vocês estão bem? Se machucaram? — estava um pouco hesitante de perguntar, ainda com receio de ser ignorado.

Os olhos verdes por um instante retornaram a imagem do mais novo, porém, tão rápido voltaram para aquela silhueta, logo se dispersaram de novo por entre a multidão, como se naquele singelo momento ele o tivesse respondido silenciosamente.

A frustração cresceu em Syo ao notar que não receberia uma resposta, mas não sabia ele que esta ficaria ainda maior, pois sem avisos Satsuki deu passos em direção ao evento, deixando para trás. Ele chegou a erguer as mãos paralelas ao seu corpo em sinal de um “... é sério?”, mas o pequeno não teve muito tempo para expressar ou viver sua a indignação; Satsuki não estava indo direção aos dormitórios – muito pelo contrário –, ele estava mergulhando evento adentro. A indignação se transformou em confusão, trazendo muitas interrogações: por que ele estava indo para o evento? Para onde ele iria? O que ele faria? De repente ele estava mais com medo do que Satsuki poderia causar do que chateado pelo o que houve.

Sem perder mais um segundo que fosse, lá estava a figura cheia de adornos, junto do chapéu e sua vassoura costurando a multidão seguindo o vampiro que estava a apenas alguns passos a sua frente. O que não facilitava sua vida era que não havia uma única pessoa com óculos ao seu redor. Se bem que... de alguma forma... ele sentia que ter que reprimir Satsuki daquela forma também não era correto, ainda mais dada às circunstâncias e o que ele sentia por ele. Esquece os óculos, é hora de enfrentar isso de frente. É um sinal.

Ele se poupou do trabalho de ficar a gritar o nome do mais velho em vão, procurou apenas o segui-lo e ver aonde que ele iria parar. Eles cruzaram todo o pátio principal e chegaram ao extenso jardim em frente à escola, onde inúmeras tendas temáticas estavam montadas. Syo franziu o cenho extremamente confuso, olhando ao redor e então seguindo firmemente Satsuki que estava praticamente a sua frente. O que é isso? Por que ele quis vir pra cá...? Não havia nada além das tendas de gincanas e atrações por ali.

Satsuki parou repentinamente, fazendo com que Syo esbarrasse nele sem querer. Naquele momento, o mais novo acreditou que iria levar um xingo e logo pediu muitas desculpas, mas a atenção do vampiro não se desprendeu de uma certa direção e claro que aquilo não passou despercebido pelo baixinho. Quando ele se ergueu um pouco para o lado para ter visão, viu a direção que o outro tanto encarava: era uma barraca de halloween de tiro ao alvo.

... Quê?

Sem muitas delongas lá estava Satsuki indo até ela e comprando fichas. Syo permaneceu no mesmo lugar, ainda processando a visão que estava vendo. Satsuki estava... curtindo o evento...? Era o Satsuki, certo? Sim, ele tinha certeza absoluta de que aquele era o Satsuki. Então o que estava acontecendo?? Aquilo definitivamente não era algo que ele faria. A confusão estava estampada em seu rosto.

— 10 fichas. — disse Satsuki para a atendente enquanto deslizava o dinheiro sobre o balcão e recebendo a munição para a arma do evento.

O pequeno foi até ao lado de Satsuki, ainda muito perplexo com tudo aquilo. Sem saber o que comentar, um silêncio estranho se formou entre eles. Satsuki deu o primeiro disparo que acertou um alvo fácil acima da caixa de correio no cenário e o mesmo tinha uma etiqueta de “1 ponto”. Após ponderar um pouco, ele acertou a coruja de 5 pontos no primeiro disparo. E assim foi mirando todas as pontuações mais altas e acertando todas de primeira. Não só Syo, mas a estudante representante pela brincadeira e todos que estavam na fila aguardando ficaram muito surpresos com a precisão dos disparos e dos alvos. Até mesmo o camundongo pequenino na janela do fundo foi acertado!

— Incrível, Satsuki... Você é muito bom nisso! — cada alvo de pontuação alta restante que ele olhava, BAM! Satsuki ia e acertava ele. Ele sabia que o outro era um gênio, mas aquilo era uma nova descoberta.

Depois do show de disparos, as palmas parabenizaram o jovem que surpreendeu a todos. A aluna sem graça foi perguntar o que ele iria querer como prêmio. Satsuki apenas sinalizou o que queria e sem demoras ela veio com os prêmios cada um em uma sacola bonitinha: uma pelúcia do Piyo-chan e outra do Gloomy Bear, ambas tinham cerca de 40 cm.

Syo vendo Satsuki ajeitar as pelúcias, não resistiu àquela interrogação em seu âmago.

— Você... Também gosta do Piyo-chan?

Se olhar matasse, definitivamente ele estaria morto. Seria possível morrer duas vezes? A fuzilada de olhar que ele levou foi praticamente mortal, foi um “não” gigantesco. Talvez aquele fosse um perfeito caso do que chamam de negação, tinha que admitir que a cena foi engraçada; e em partes fofa. Ele se limitou a comentar qualquer outra coisa, decidindo que então faria companhia para o seme tsundere.

Syo seguiu Satsuki para lá e para cá.

Seu evento meio que se resumiu a segui-lo. Era um pouco desconfortável aquela falta de dialogo entre eles, o mais velho se comunicava mais por olhares e Syo estava até que ficando bom em decifrá-los! Quando ele focava na música de fundo, observava aquelas costas solitárias, parecendo como se estivesse vendo um filme. Um Satsuki que ele não conhecia. Porém, era um pouco triste... Mesmo estando tão perto um do outro, era como se houvesse um abismo entre eles, um abismo tão profundo que sua voz não o alcançava. Era como estar rodeado de pessoas e se sentir sozinho. Aquilo lhe apertava o coração, sentia uma vontade de chorar se formar bem lá no fundo, mas ele seria forte, até porque de certo modo, parecia como um encontro. Apenas os dois. Certo, talvez um encontro meio ruim. Ou muito ruim. Mas depois de tudo, não tinha como ele simplesmente dar as costas a Satsuki. Ele não conseguiria. Àquela altura, Syo já havia desistido de se encontrar com o Starish.

A multidão vibrava quando fantasmas faziam suas aparições pelos céus: uns passavam fazendo alguma graça para os visitantes, outros numa tentativa de assustá-los. Os fotógrafos iam a loucura querendo capturar o momento. O violinista queria poder contemplar mais dos efeitos holográficos, mas Satsuki não parecia muito se importar com eles, então ele acabou não podendo ver muito ou o perderia de vista.

Ou ao menos foi o que ele pensou. Satsuki repentinamente o puxou para mais perto de si, aquela mão o apertava pela cintura contra o corpo dele.

— Xis. — disse o mais Satsuki tranquilamente em seu tom sério, rapidamente erguendo o celular voltado para eles, relevando se tratar de uma selfie.

— Quê?! — a primeira reação de Syo foi olhar imediatamente e extremamente perplexo para o rosto do vampiro processando aquela mão e o “xis”. Somente então viu que se tratava de uma selfie com um fantasma passando por trás, e que por sinal sua expressão na foto ficou terrível.

— Perfeito. — concluiu o mais velho guardando o celular.

— Você viu a minha cara? Você fez de propósito, né? — ele bufou, mas Satsuki se limitou a responder e apenas seguiu seu caminho.

No final aquele bico se transformou em um sorriso meio torto quando relembrava dele dizendo “xis”. Talvez as coisas no final poderiam melhorar.

Assim que adentraram o prédio havia uma música ambiente instrumental temática e as luzes estavam cobertas com material próprio para mudar a cor da iluminação. Havia morcegos pendurados no teto, teias de aranha nas janelas, até mesmo tumbas com mãos saindo da terra. Por um momento Satsuki se arrependeu de ter entrado ali e o mais novo percebeu isso, provavelmente porque lá estava um pouco cheio.

Pouco tempo depois de começarem a andar, Satsuki novamente parou repentinamente e entrou em uma sala. O pouco tempo que Syo teve para olhar foi para notar que se tratava de uma sala de... fotografia...? Ok. Agora as coisas estavam ficando um pouco estranhas.

O mais incrível foi notar que a turma se empenhou bem com a composição do cenário para fotos. Havia móveis, inúmeros objetos, até mesmo um falso lustre. Na hora, ele se recordou das casas que serviam para sessão de fotos de cosplayers. No entanto, deixando toda mesmerização de lado, ele encarava as costas de Satsuki na fila. Sentia que qualquer coisa que ele falasse lhe renderia um vácuo e isso fazia com que ele não ficasse muito motivado a perguntar. A não ser que ele mudasse a estratégia. Quando eles eram os próximos da fila, ele tomou coragem:

— Eu seguro suas sacolas enquanto você estiver tirando as fotos. — encolheu um pouco os ombros e apertou um sorriso incerto nos lábios. Nesse momento a menina que estava atrás de Syo notou sua voz e ficou um pouco confusa, passando a prestar mais atenção nele e cutucando as amigas em seguida.

Satsuki olhou o mais novo por cima do ombro e então lhe franziu o cenho. Por conta da máscara, Syo não notou aquilo.

— Do que está falando? Você também vai tirar fotos. — e com aquelas palavras Satsuki voltou a olhar para frente.

Os olhos azuis se arregalaram surpresos com a revelação. Foi preciso que aquela sentença ecoasse algumas vezes em seus ouvidos para que ele processasse corretamente.

— Q-Quê? Pera. Eu também?? Por quê?

Agora que ele não estava entendo mais nada mesmo. Ele estava sendo claramente ignorado e mesmo assim Satsuki queria tirar fotos consigo... talvez ele estivesse tentando “fazer as pazes” do jeito dele? Ou ao menos era o que ele achava até o mais velho dizer algo que mudaria tudo.

— Natsuki iria querer.

Ah... Então tudo era sobre isso... Haha... Claro, onde é que eu tava com a cabeça... Natsuki... As pelúcias, acessórios, o pouco das respostas que estava recebendo, a selfie e mesmos as fotos, nunca tiveram a si próprio como motivação desde o começo, agora tudo sim fazia sentido... Aquilo foi como tapa e um dolorido. Seu olhar mareou por um segundo, mas ele foi capaz que repuxar todo aquele sentimento para dentro de novo.

Syo respirou bem fundo. O erro foi dele mesmo por pensar que em algum momento talvez Satsuki estivesse sendo amigável. Era verdade, Natsuki estava muito ansioso por aquele evento, o que Satsuki estava fazendo era apenas ter consideração por ele, e talvez no final, a única pessoa que ele tinha consideração mesmo no mundo era somente Natsuki.

“Próximo!”

Aquela parecia uma missão quase impossível. Havia muita coisa se remexendo em seu âmago para uma foto, mas ele tinha de se recompor afinal aquela seria uma foto para Natsuki, era apenas uma então ele não podia estraga-la. Iria focar no Satsuki como Natsuki, no fotógrafo como Adachi e... bem, as pessoas de fundo estavam quase esquecidas graças a todo aquele sentimento que o puxava para baixo. As sacolas e a máscara do vampiro ficaram num cantinho a espera deles.

Satsuki deu as costas para Syo e se virou um pouco em direção à câmera. Syo logo entendeu o que ele queria fazer e o acompanhou, ficando de costas igualmente e segurando a vassoura com a mão que ficava mais perto do fotógrafo, apoiando a outra mão na cintura e sorrindo travessamente para a lente. Aquele foi um sorriso difícil, mas se ele não era capaz de mascarar aquilo, como poderia se considerar alguém bom o suficiente para um dia estar lado a lado com Ryuuga-sensei? Assim que ouviu o clique da lente profissional e o sinal de “ok” do fotógrafo, ele suspirou. Estava feito.

Ou foi o que acreditou.

Quando estava prestes a virar em direção a Satsuki para então pegarem suas coisas, repentinamente ele viu aqueles braços surgirem pela lateral de sua visão e então se encontrou envolto em um abraço por trás. Antes que pudesse protestar qualquer coisa, uma daquelas mãos veio ao seu rosto e o inclinou para lado, enquanto a outra tirou o pouco de mechas que havia no pescoço e retornou a abraçar a cintura dele. Satsuki entreabriu os lábios revelando as presas e posando para o homem diante deles. O mais novo sentiu um arrepio lhe percorrer o corpo ao sentir uma respiração bem naquela região sensível.

A expressão de surpresa de Syo ficou perfeita e o fotógrafo não perdeu tempo em dar o clique, somente então que o vampiro se afastou.

Syo apoiou a mão sobre o pescoço. Então vamos fazer esse jogo, huh? Bem, era por Natsuki, não é mesmo? Ele ergueu a vassoura em direção a Satsuki, como se estivesse lhe repreendendo por aquela atitude. O vampiro sorriu desafiante. Novamente o fotógrafo se pôs a clicar. O que ninguém contava era que aquele sorriso tinha um motivo: sem nenhum aviso de antemão, Satsuki veio a segurar a vassoura e então puxou o mais novo em sua direção.

O impulso foi tão forte que aquela pequena bruxa praticamente veio voando ao peito dele. Quando Syo ergueu seu rosto a única coisa que viu foi o rosto de Satsuki extremamente perto do seu, com aquela mão sob seu queixo.

“Oh.” Foi o que o fotógrafo fez, seguido de um “ohhh” mais prolongado e animado das meninas que estavam mais perto na fila e que notaram que a “bruxinha” se tratava na verdade de um “bruxinho”.

O burburinho em seu coração estava tão alto que nada conseguia pensar, apenas sentir. E a única reação que conseguiu ter foi de corar no momento, mas a câmera do fotógrafo também foi capaz de capturar o olhar da jovem bruxa que transmitiam as feridas que residiam em seu coração.

Enquanto Satsuki pegava as sacolas, Syo foi pegar o cartão com o fotógrafo, e segundo o mesmo as fotos deveriam estar disponíveis no site em até uma semana. O mais novo agradeceu e então novamente estavam ambos caminhando pelos corredores, porém dessa vez, ele estava alguns passos mais distantes de Satsuki.

Por muitas vezes Syo pensou em voltar para o dormitório, tomar um banho e chorar tudo ali e talvez até teria voltado, se não fosse as palavras de Kotomi ecoando em sua mente que acreditava que iriam se acertar nesse evento. No entanto, depois de tudo que havia ocorrido e daquela sensação pesada dentro de si, achava que era meio impossível das coisas se resolverem para melhor; ainda mais àquela altura do campeonato.

Satsuki notou a mudança de ares ao redor do pequeno, após ponderar um pouco, ele foi o guiando até um dos cafés temáticos. Naquela sala especificamente havia frappés, bolos, doces e salgados disponíveis para seus clientes, todos em formato ou decoração especial em comemoração ao evento.

— Chibi, não vai pegar algo? — perguntou Satsuki ao notar que somente ele estava na fila para pegar algo, tudo o que recebeu foi uma negativa com o balançar daquela cabeça com um chapéu — Não temos nada no dormitório ou no refeitório. — alertou numa segunda tentativa.

— Eu sei.

Satsuki suspirou e fez seu pedido para a atendente quando chegou sua vez.

Após aquela compra, o mais alto começou a fazer o caminho de volta até chegarem fora do prédio. Incrivelmente o ambiente parecia ainda mais cheio do que antes, não se sabia dizer se talvez porque grupos da escola começaram a se apresentar no palco principal ou se talvez pelo horário mais pessoas começaram a chegar.

De passo a passo, ambos estavam se distanciando da multidão e agora trilhavam um caminho vazio por entre a floresta, Syo reconheceu o trajeto e sabia se continuassem a andar por ali, depois de um certo tempo chegariam aos dormitórios. A música do evento foi ficando cada vez mais distante, porém ainda claramente audível.

Muitas coisas passavam na cabeça do mais novo, mas de tudo, parecia que nada mais lhe afetava por dentro, tanto que estava apático, distante. A única coisa que conseguiu concluir era que aquela poderia ser uma oportunidade para perguntar o que queria saber, já que de alguma forma se sentia anestesiado a tudo que pudesse vir. A verdade era que depois daquela noite, ele só queria que as coisas acabassem.

— Agora que o evento acabou... você vai voltar a me ignorar como antes? — foi a frase que emergiu em meio à tensão daquele silêncio entre ambos conforme eles caminhavam, mas nenhuma resposta foi dita. Eu devia imaginar...

Satsuki tinha total consciência do que estava fazendo, sabia que aquela atitude teria consequências desde o começo, mas nem por isso ele se sentiu compelido a retrucar algo como faria normalmente.

— Por que está fazendo isso, Satsuki?

O mais novo precisou juntar muita, mas muita coragem para conseguir perguntar aquilo. De alguma forma, ele se convenceu que se não perguntasse naquele momento, talvez ele nunca teria a chance novamente ou até mesmo coragem. Porém a única coisa que permaneceu entre eles foi aquele dolorido vácuo. Foi então que os sons dos saltos cessaram.

— ... Eu te enojo tanto ao ponto de nem uma resposta receber...?

A palavra que chegou aos ouvidos do vampiro foi tão incômoda que ele não conseguiu ignorar.

— Mas que droga você está falando, Chibi? — de alguma forma, o mais velho imaginava que aquelas palavras reticentes tinham sido ditas por uma expressão mais séria, foi quando ele se virou.

Não havia seriedade no rosto diante de si. Na verdade, ele não conseguia ver bem a expressão do mais novo, Syo estava com a cabeça levemente inclinada para baixo e o chapéu bloqueava qualquer visão que normalmente ele teria. Mas o vendo agora, ele sabia dizer, ou melhor, imaginar a expressão que ele tinha no rosto.

— Não precisa fingir mais... — seu tom era apático, mas ao mesmo tempo, parecia que a qualquer momento iria falhar, sumir. Ele apenas conseguia encarar o chão, cerrando os punhos enquanto procurar controlar internamente as rédeas de suas emoções. Era hora de dar o golpe de misericórdia de uma vez — Você mudou depois que aquilo aconteceu. Então é meio óbvio, sabe...? — ele deu de ombros — E é normal. Natsuki pode gostar e você não. Vocês são diferentes, afinal. — ele maneou a cabeça de acordo com o que constava

Satsuki chegou a entreabrir os lábios, mas antes que pudesse virar a mesa a respeito daquilo, algo o fez mudar de ideia e desistir de pronunciar. Syo ergueu sua visão para o outro, mas não ousou lhe olhar nos olhos, assim que chegou a altura do peito, ele jogou sua visão para um ponto aleatório da floresta. Sentia que se seus olhos se encontrassem, ele perderia toda aquela coragem. Se Satsuki não tinha coragem de dar um ponto naquela história, então ele mesmo daria.

— Talvez nada do que eu tente vai ser o bastante para reverter o que houve naquela noite e vai só acabar te irritando e... me machucando.

Apesar de sua compostura conformada – porém triste – daquele momento, cada palavra que deixava sua garganta parecia ser uma facada em seu próprio corpo. Dê onde estava vindo toda aquela força? Nem ele sabia, talvez fosse apenas suas habilidades de atuação e que ela ficasse por ali até ele conseguir terminar de falar. Ele respirou bem fundo e repentinamente aquela imagem abatida ganhou alguma vida.

— Por isso eu me decidi! De agora em diante eu não vou mais encher você. — um pequeno sorriso acompanhado de um olhar triste surgiu em seu rosto, e bem quando ele foi encarar Satsuki frente a frente, pouco antes de cruzarem olhares, Syo fechou seus olhos e seu cenho se ergueu para cima — Eu vou desistir e tentar te esquecer.

Ah... Ele podia sentir. O choro que estava acumulado estava emergindo, tão rápido quanto um copo sendo preenchido por água. Assim que seus olhos se abriram, ele fitou o chão e pôde ver as lágrimas começando a embaçar sua visão. Aquele era o sinal vermelho de que deveria sair dali. Syo tentou disfarçar e rapidamente deu as costas para Satsuki, se prontificando a deixa-lo voltar sozinho e dando os primeiros passos em direção de volta ao evento. Era melhor assim... Satsuki iria achar que ele estaria voltando para a festa e o ignoraria. Ele não fazia como faria no dia seguinte, mas naquele momento, ele decidiu viver um dia de cada vez.

Os sons das sacolas que ouviu o fez concluir que Satsuki também seguiu seu rumo. Embora fosse o que ele esperava que o mais velho fizesse, doía... porque bem no fundo o que ele realmente queria era que...

Um impulso repentino que veio nas costas do menor foi tão grande que fez com que seu chapéu caísse no chão e o susto fez com que ele soltasse a vassoura. Havia calor, pressão e aquele cheiro que Syo reconhecia. Quando percebeu, Satsuki lhe abraçava fortemente por trás. Apesar da firmeza daquele contato, ele sentia que havia cuidado. Por que? Por que ele...? Sentir-se envolto por aqueles braços, sendo segurado com tanto firmeza automaticamente fez com que as lágrimas fluíssem sem que ele tivesse controle algum.

Notas finais
Mds como eu fiquei com dó do Syo nesse capítulo ;__; eu sei que vocês querem ir com as pedras e tochas pra cima do Sacchan, mas peço muita calma, tudo vai se esclarecer! çwç" Me pergunto se alguém notou o que ele fez hdiasudhaisduh vou deixar só essa pergunta no ar: se o Satsuki sabia que o Natsuki estava ansioso para esse evento e se importa tanto assim com o fato durante a festa, por que então ele não caçou um óculos para si próprio? :3c (com isso ele também poderia ter evitado a bagunça do evento) Espero que tenham gostado ;w; Estou tentando fazer um capítulo por semana, a previsão é de concluir esse projeto em meados de fevereiro ;w; eu descobri que nesse meio tempo que estava em hiatus eu comecei a escrever outra fanfic de NaSaSyo, um AU chapeuzinho vermelho xD talvez eu poste ela quando eu concluir a Bys ❤ Obrigada por ler!