By your side
4 Bad choice
Notas iniciais
Péssima escolha
A luminosidade provinda da lua refletia na fina areia branca enquanto as estrelas presentes naquele vasto céu límpido pareciam ter sido cuidadosamente, mas não menos desorganizadas, espalhadas naquela imensidão. Era realmente uma vista formidável. O aroma da maresia inevitavelmente tomava os sentidos de qualquer um. Durante o dia, o calor não menos dava a desejar um bom mergulho para refrescar aquela sensação sufocante que invadia o corpo de fora para dentro. Salvo a noite cuja temperatura caía a um ponto relativamente fresco e agradável.
Uma semana em uma praia privativa da Academia. Aquele era o prêmio concedido por Saotome aos estudantes que conseguiram surpreendê-lo com suas composições, embora a princípio fora divulgado que era um prêmio individual, o mesmo mudou de ideia em cima da hora, alegando que não podia escolher apenas uma entre todas. Logo uma pequena quantidade razoável de alunos tiveram acesso à recompensa dada por ele.
Syo compôs sua música no mesmo dia em que acordara no hospital, pouco depois do embaraçoso momento com Natsuki. Uma vez que a entrega era no dia seguinte, não pensou duas vezes, além que estava se sentindo estranhamente inspirado a escrever algo. Logo se recordou do conselho dado pelo saxofonista e surpreendentemente suas palavras desenharam-se no papel com naturalidade somado ao fato de que eram versos que expressavam perfeitamente o que desejava. Queria ele saber antes que escrever sobre Natsuki seria uma ótima alternativa.
O vento soprou bagunçando aquelas finas mechas loiras. Syo estava debruçado no parapeito da sacada, fitando a reluzente paisagem que dali tinha para o mar, apreciando a vista que estava diante de si. Ele ponderava sobre alguns fatos. Desde a alta do hospital, vez ou outra encontrava a necessidade, para não se dizer certo desespero, de mover-se para a cama do mais velho durante a madrugada. O culpado de tudo era aquele sonho desconfortável que ainda o perseguia algumas noites, e só se acalmava quando estava próximo de Natsuki. Embora em alguns momentos vinha a se deparar com Satsuki que mesmo se demonstrando contra a situação e em alguns momentos viesse a murmurar negativas, sempre acabava cedendo ao pedido dele.
As únicas coisas que o pequeno precisava sentir era o toque da pele do outro e sua fragrância próxima de si, bastava aquilo para que ele se sentisse mais uma vez seguro. Absolutamente seguro. No entanto era algo totalmente embaraçoso, não pelo fato de estarem juntos numa cama, certo, isso também era um dos fatores, mas não o principal. Dormir ao lado de Natsuki, onde seu rosto ficava bem próximo ao dele era o ponto; ele podia analisar e apreciar cada detalhe daquela face que estava diante de si. Sua expressão tranquila e acolhedora – embora quando era a de Satsuki era singelamente séria, mas não menos sedutora – que tinha enquanto dormia, como cada mecha que ficava caída por seu rosto, seus longos cílios, a forma como aqueles finos lábios eram bem desenhados e entre outros detalhes que preferia não mencionar. Ele definitivamente se sentia o maior pervertido que estava se aproveitando de alguém que estava dormindo. Já para Natsuki, que não fazia ideia que de vez em quando era contemplado enquanto dormia nas noites que o mais novo vinha a sua cama, achava a coisa mais fofa do mundo ele dormir próximo ou abraçado a si.
Sua auto reflexão fora rompida com o encostar de uma garrafa de água gelada e úmida em sua bochecha que o fez pular, voltando sua visão de imediato para o lado.
— N-Natsuki! — levou a mão rapidamente ao rosto, deixando um delicado rosado iluminar suas maçãs, fazendo o outro soltar uma pequena risada.
— Desculpe, mas você parecia tão distraído que não pude evitar~ — ele riu, guiando os passos ao lado de Syo, apoiando-se no parapeito. — Estava pensando em algo importante? — perguntou, enquanto abria a garrafa que tinha em mãos.
— Huh? — hesitou por um momento, tentando não deixar que aqueles pensamentos transparecessem por seu rosto — Não. — voltou os olhos para o mar, retomando a postura anterior com um sorriso passivo, enquanto o mais alto sorvia um pouco do liquido que havia na garrafa — Apenas tomando um ar.
— Você acabou de sair do banho, tome cuidado para não se resfriar. — comentou em um tom suave, fazendo o corar se tornar mais evidente no rosto do mais novo.
— Q-Quem se resfriaria num calor desses? — retrucou, encolhendo os ombros sem olhar para Natsuki. Xingava mentalmente aquela sensação de embaraço que se remexia dentro de si. Não conseguiu evitar quando ouviu as palavras num tom aveludado provindas do outro. Era... Fofo? Talvez. Apenas podia dizer que se sentia sem graça quanto algumas frases que o mais velho lhe dizia quando ele demonstrava preocupação.
— Você tem razão. — assentiu, tomando mais uma pequena dose de água — Ah! Syo-chan olhe isso! — ele deixou a garrafa no parapeito, tirando do bolso do short o celular e mostrando a imagem de um conjunto de verão rosa cheio de babados e adornos; seu design era realmente atraente — O que acha? — perguntou com os olhos brilhando como os de uma criança que suplicava por algo através do olhar.
— É... — estreitou os olhos, franzindo o cenho antes de responder, mirando desconfiadamente Natsuki e o aparelho — Isso... não tem nada a ver comigo, não é? — questionou implicando em seu tom que era bom a resposta ser negativa, vendo o outro soltar-lhe um riso.
— Claro que tem, senão não estaria lhe mostrando agora~ — inclinou a cabeça para o lado. — E então?
— “E então” o caramba! Eu não tenho que achar nada! Não é porque estamos num... — ele apertou os lábios, moderando o tom de voz, sentindo o corar se espalhar por seu rosto — r-r-relacionamento agora, que vou usar essas coisas assim! — apontou para o celular nas mãos de Natsuki, já preparado para debater qualquer que fosse a desculpa que lhe fosse ser jogada.
— Mas Syo-chan você disse que faria, lembra? — perguntou, fazendo uma interrogação incerta surgir no rosto do violinista — Iria vesti-los e me deixar tirar muitas fotos~ — gesticulou com a mão livre enquanto falava.
O pequeno de olhos azuis celeste contraiu-se, entreabrindo os lábios, estando prestes a revidar as palavras do outro, mas rapidamente os selou quando se lembrou do momento em que dissera aquilo. Piscou duas vezes, permanecendo estático; ele de fato havia dito algo do gênero anteriormente. Seu arrependimento batera mais cedo do que esperava e ele sabia que deveria ter desfeito aquelas palavras quando tinha tempo. Percebendo que não havia como reverter a situação e, muito menos fazer o mais velho mudar de ideia, ele encarou uma última vez aquela foto, baixando a cabeça logo em seguida, levando uma das mãos ao rosto para cobrir sua expressão constrangida.
— Eu sabia que não deveria ter dito aquilo... — lamentou num tom choroso, não fazendo muita questão de ocultar seu arrependimento.
Um pequeno riso escapou dos lábios de Natsuki. Não era culpa dele se aquele lado embaraçado de Syo era realmente bonitinho. Ousava pensar que ele ficava mais fofo quando o rubor invadia aquele pequeno rosto, sentindo-se levemente tentado a provocar mais daquela reação. Era uma explosão de fofura que se pudesse o abraçaria mais forte que pudesse e nunca mais o soltaria. Enquanto admirava o baixinho silenciosamente, seus olhos foram atraídos pela esbelta lua cheia que estava sobre ele. Um inevitável pensamento lhe cruzou a mente fazendo-o guardar o celular sem sequer tirar os olhos da forma esférica que refletia em sua íris, apoiando uma das mãos no parapeito. Uma tímida melancolia invadiu suas feições sem ter notado.
— Natsuki?
— Ah, desculpe. — respondeu sorrindo em meio a um olhar triste, não conseguindo se desfazer daquela sensação tão cedo — Eu... acabei me recordando de algo. — completou, fazendo com que Syo o encarasse incerto.
— Algo?
— Sim. — ele respondeu soltando um pequeno suspiro, voltando seus olhos ao mar e fitando o reflexo da lua sobre as águas antes de continuar a responder — Lembrei do dia em que... eu compus Satsuki. — suas palavras soaram mais abatidas do que pretendia, provavelmente porque aquela fora a última música que compôs quando ainda tocava violino, além que o ocorrido a envolvendo o fez desistir de tocá-lo. A revelação causou uma mistura de dúvidas e surpresa na expressão do pequeno, que claramente estava tentando entender o sentido daquelas palavras em sua mente.
— Acho que... eu não entendi muito bem. — Syo comentou franzindo o cenho em resultado as diversas imagens bizarras e estranhas que se formaram em seus pensamentos. Não sabia ao certo como deveria interpretar aquelas palavras e logo não pôde evitar se sentir um pouco constrangido.
— Satsuki .foi uma música que eu compus há muito tempo e que me inspirei em um cenário parecido com este quando morava no exterior — explicou ele, referindo-se a lua e a areia branca ali presentes — ... É a mesma música que você estava tentando tocar outro dia. — acrescentou, demonstrando não estar muito a vontade sobre aquele assunto em sua voz.
Ouvir aquilo impressionou Syo. Ele não esperava que aquela música harmonica viesse a ter o mesmo nome da outra personalidade de Natsuki. “Será coincidência que ambos tenham o mesmo nome?” questionava-se mentalmente. Muitas teorias se formaram sobre a justificativa, no entanto mesmo querendo saber mais preferiu não adentrar mais no assunto visto que Natsuki não estava muito confortável com o tema da conversa, e ele sabia bem o porquê.
— Está pensando no Sacchan? — perguntou, fazendo com que Syo permanecesse estático após suas palavras; um riso contido escapou-lhe — Pelo visto sim. — sorriu, deixando o baixinho um pouco sem graça — A primeira vez em que eu ouvi o Sacchan dizer seu nome eu também fiquei surpreso, mas estranhamente eu senti como se conhecesse ele há muito tempo e que poderia confiar nele. — uma expressão mais suave transparecia por seu rosto enquanto falava do outro — O Sacchan é realmente muito gentil. — completou, fazendo com que Syo erguesse uma das sobrancelhas e o olhasse de maneira estranha.
“O Satsuki, gentil? Certamente não estamos falando da mesma pessoa...” foi a primeira frase que aflorou nos pensamentos do pequeno. Ou eram pessoas diferentes, ou o conceito de gentil que Natsuki tinha era bem distorcido, concluiu. Era difícil imaginar Satsuki sendo gentil com aquela personalidade que ele tinha e se era realmente verdade, muito provavelmente o único para quem ele mostrava aquele lado era Natsuki. Por um momento veio a se questionar se agora, devido às circunstancias atuais ele também viria ter a chance de conhecer esse lado do outro.
— Syo-chan...?
— Ah, não é nada! — sorriu acenando com as duas mãos. As novas informações ainda estavam saltitando em sua mente, porém sabia que aquele não era o melhor momento para refletir sobre elas. Ele respirou fundo, piscando aleatoriamente algumas vezes, deixando um ar de seriedade invadir seu rosto — Desculpa. — ele pediu, mirando o outro que demonstrava não entender muito o motivo dele se desculpar — Não queria ter que tocar muito no assunto. Eu sei que ele não é algo muito agradável e talvez possa acabar te trazendo... Más lembranças e, bem... você entendeu. — murmurou, desviou o olhar, roçando as pontas dos dedos por entre as próprias mechas. Natsuki ficou a encará-lo por poucos segundos, soltando uma pequena risada logo em seguida.
— Syo-chan você é muito gentil. — ele disse num tom aveludado e sorrindo calmamente, apoiando a mão sobre a cabeça do mais novo enquanto passeava seus dedos meticulosamente por aquelas as finas e sedosas mechas — É verdade que o assunto não me traz boas recordações, mas... Sinto que isso pode mudar se eu continuar ao seu lado. — suas mãos foram descendo pelos fios dourados até chegar ao delicado rosto do pequeno, onde passou carinhosamente o dorso de seus dedos por ele, consequentemente fazendo com que Syo corasse agressivamente.
— N-Não foi nada. — sibilou, jogando sua visão para o canto inferior oposto ao lado onde a mão de Natsuki estava a tocá-lo, sentindo seus músculos se contraírem com a vergonha. Ele sabia que o rubro lhe estava consumindo a expressão e que certamente a luz do luar estava fazendo um péssimo favor de reforçar aquilo aos olhos do mais velho.
— Eu realmente tenho muita sorte de ter te conhecido, Syo-chan~ — um largo sorriso de contentamento se abriu em seu rosto, apalpando gentilmente aquela maçã quente e fortemente corada, atraindo mais uma vez aqueles olhos azuis para si que ficaram a fita-lo. Fora um instante e aquele sorriso logo se desmanchara. Seus olhos esverdeados se arregalaram surpresos e confusos. Os olhos do pequeno umedeceram-se tão rápido que sequer foi preciso piscar para que elas traçassem caminhos por seu rosto. — S-Syo-chan? — ele retirou a mão do mais novo por reflexo, deixando seus olhos preocupados percorrer o rosto do outro.
— Ah — cerrou os olhos, baixando o rosto imediatamente, numa tentativa de esconder a expressão chorosa que tinha. Rapidamente levou as mãos às pálpebras, tentando se livrar com urgência das lágrimas que insistentemente escorriam por ele. Estava tão surpreso quanto o outro. Aquelas últimas palavras ditas por Natsuki ainda ecoavam dentro de si e parecia que quanto mais fundo elas repercutiam, maior era a quantidade daquele fluido que seus olhos liberavam. Amaldiçoava-se por não conseguir parar e principalmente pelo motivo. — D-Desculpe... — murmurou, enquanto passava o dorso da mão repetidamente nos olhos a ponto de deixá-los um pouco avermelhados.
— O que houve...? — hesitantemente inclinou-se em direção ao outro, confuso com o que estava ocorrendo ali. Syo levemente lhe sacudiu a cabeça negativamente ainda cabisbaixa.
— Não é nada demais, — ele respirou fundo — eu apenas me lembrei de algo... desnecessário. — disse conseguindo acalmar-se um pouco. Por sua reação e pelas palavras que usara, um palpite cruzou a mente de Natsuki.
— O sonho? — perguntou vendo o mais novo acenar-lhe com um “sim” depois de um momento. Ele piscou algumas vezes. Algo que ele notara desde que Syo despertara no hospital era que ele vinha evitando tocar em qualquer detalhe do sonho que tivera, isso somado a mudança de comportamento perante algumas situações. A princípio ele não questionou o assunto pensando que não era algo que estaria influenciando a situação, mas agora via que era diferente — Você poderia me conta-lo?
— Eh? — permaneceu imóvel com o pedido do outro, erguendo seu rosto úmido lentamente a ele, demonstrando estar indeciso sobre.
— Por favor?
— Ahn... — seus olhos passearam por um momento antes de voltarem à alta figura que estava a sua frente — É um monte de besteiras. — ele respondeu um tanto fanho, desviando o olhar.
— Syo-chan. — ele ergueu ambas as mãos até o rosto do outro, segurando-o cuidadosamente, porém com certa firmeza, fazendo que o mesmo voltasse o foco à ele — É o “um monte” de besteiras que te fez chorar. — rebateu aquelas palavras com um tom amargurado.
— B-Bem... — encolheu os ombros, estando inseguro de como começar — Nele... a cirurgia não deu muito certo... — ele pausou, seu olhar oscilava entre os profundos olhos esmeraldas do mais velho e qualquer direção que pudesse desviar — Eu precisei de um transplante e, quem havia me cedido o coração... foi você... — sua voz estremeceu na última palavra, como se quase não fosse sair. Ele apertou os lábios, numa falha tentativa de conter e evitar o choro que ainda estava presente.
— Syo-chan... — ele rolou o polegar pelas bochechas do mais novo, limpando as gotas que desciam vagarosamente por elas.
— No começo... eu achava que poderia me esforçar por nós dois, que... aquela sensação de perda iria passar e que tudo ficaria bem. — ele engoliu seco — Era o que eu achava... Dia após dia aquela sensação parecia aumentar ao invés de diminuir. Passar o intervalo sem ver sua presença ali. Aquele quarto sempre vazio. O silêncio de todas as noites. Ouvir algo sobre o Piyo-chan. Ver a sua cama sempre do mesmo jeito... — sua voz parecia querer falhar a cada palavra dita, como se estivesse lhe dando a própria sentença de morte. Cada momento descrito, ele conseguia ver as imagens lhe surgindo na mente — Com o tempo, todos voltaram a sorrir, mas... eu não conseguia... — com muito esforço ele ergueu a visão para Natsuki, com os olhos extremamente umedecidos e repletos de tristeza — Porque você não estava lá...! — ele cerrou os olhos, deixando um choro amargurado escapar.
Sem pensar duas vezes, Natsuki o puxou, abraçando-o firmemente, aninhando-o da forma mais segura que podia com seu corpo. Ele sentia aquele pequeno corpo tremer continuamente em seus braços, agarrando-lhe o tecido da veste com força, sentindo sua camisa molhar e um aperto no peito vendo o outro. Ele entendia como Syo poderia estar se sentindo, ou ao menos poderia imaginar. O que o surpreendia era que todo esse tempo aquele pequeno homem estava carregando todo aquele peso sozinho.
— ... Dormir na sua cama... m-me fazia sentir de alguma forma mais próximo de você. Às vezes, esse sonho ainda me persegue... acordar e ver que estou sozinho naquele quarto. O único jeito que consigo voltar a dormir de novo...
— ... É vindo no meio da noite para a minha cama. — ele completou, vendo o outro assentir.
Um breve silencio remanesceu no ambiente enquanto Syo estava tentando se acalmar, o que conseguiu com sucesso. Ele fungou o nariz, se afastando vagarosamente do outro, mas ainda se mantinha próximo a ele.
— E então, vieram com a brilhante ideia de me trazer um novo companheiro de quarto pra te substituir e... — ele soltou um pequeno riso sarcástico — aquilo me irritou muito. Eu discuti com o Otoya e sai correndo do quarto até parar próximo ao lago... Foi quando eu percebi tudo, tudo o que sentia e o quanto me lamentei por só perceber naquele momento... Lá eu resolvi descansar, e então acordei no hospital e... me deparei com você. — ele olhou tímido para Natsuki, fazendo um discreto bico ao recordar do que ocorrera ali.
— Ah, isso explica porque você achava que eu era um espírito. — disse conclusivo.
— Sim... — ele levou uma das mãos ao rosto, passando por ele, removendo por completo qualquer umidade que estava nele — A minha vida toda, a minha doença sempre exigiu algo dos outros... Fosse tempo, cuidado ou preocupação, pensar que no último momento ela tinha pego sua vida... — ele sacudiu a cabeça, não se permitindo continuar — Por isso quando você disse aquelas palavras, por alguma razão eu associei com esse sonho idiota... — revirou os olhos, vendo que o outro mantinha seus olhos atentos sobre ele — Eu falei que era um monte de besteiras! Foi tanta besteira que me deu sede! — ele pôs o indicador e o polegar sobre as próprias pálpebras, esfregando-as com certa força. Sentia que tinha falado coisa desnecessária até demais ali.
Assim que ouvira aquele comentário, Natsuki voltou seus olhos à garrafa de água que estava próxima de si, fitando-a por um momento. Agilmente ele a pegou e abriu-a discretamente enquanto o outro continuava a passar os dedos por seus olhos. Ele veio a sorver uma pequena quantidade daquele refrescante liquido, mantendo-o dentro de sua boca. Com elegância ele levou os longos dedos abaixo do queixo de Syo, erguendo aquele rosto que fora pego de surpresa com seu toque, e sem demora ele se aproximou do mais novo, não querendo que a temperatura do interior de sua boca rompesse o frescor da água. Assim ele selou os lábios com os do outro que estavam entreabertos, fazendo que água que residia em sua boca fluísse para a do baixinho. Embora uma gota ou outra acabara escapando em meio a transição.
Não era preciso comentar o quanto aquilo deixara Syo perplexo, seus olhos azuis arregalaram-se, mirando fortemente o mais velho que igualmente o observava. A sensação do liquido minimamente gelado adentrar em sua boca foi lhe inicialmente estranho, mas aquele detalhe era o de menos. Sua mente estava tomada demais pelo ato em si. Era verdade que havia lhe batido uma sede, mas nunca, nunca imaginaria que Natsuki viria lhe dar água na boca e ainda mais daquela forma.
Aquele contato não durou mais de quinze segundos. Natsuki se afastou de Syo, observando sua expressão.
— N-N-NATSUKI! — ele recuou um passo, levando uma das mãos à boca, sentindo seu rosto inteiro arder — P-Por que você isso?! E se alguém nos visse?! — ele questionou contendo sua voz, ainda sem graça. Não era que ele estava irritado com o que há pouco ocorrera, na verdade, estava envergonhado demais para proferir qualquer comentário sobre, porém a regra onde proibia o romance também era válida mesmo fora da escola e se fossem flagrados, aquilo realmente seria um problema. Natsuki apenas lhe sorriu de volta, com a mesma expressão serena de sempre.
— Não precisa se preocupar, não tem ninguém por perto. — ele deu alguns passos em direção ao outro, que recuava em meio ao nervosismo e vergonha da experiência anterior, embora o limite da sacada o impediu de ir mais longe. Natsuki veio a apoiar sua testa contra a de Syo, levando uma das mãos à lateral do rosto do mesmo, fazendo aquele corado subir alguns tons acima — Sabe Syo-chan, se você for olhar, foi esse monte de besteiras que nos uniu... — ele admirava aquele rosto rosado do outro através de suas lentes — Sei que pode ser triste e doloroso, mas eu estou aqui. Então vai ficar tudo bem~ — ele deu um pequeno e suave beijo na testa do loiro, se afastando logo em seguida. — Eu vou ir tomar banho, — anunciou, se preocupando com o horário — mas não vou demorar muito. — aumentou o sorriso para o pequeno que lhe acenou com uma expressão sem graça. Logo ele adentrou no interior do aposento, sumindo da visão de Syo.
Assim que Natsuki lhe saíra de foco foi inevitável conter o levar dos dedos sobre própria testa, apoiando-os contra aonde o outro dera um pequeno beijo. A sensação ainda permanecia lá. Ele se autocriticava por ficar envergonhado, mas ao mesmo tempo feliz com situações tão pequenas. Seus olhos voltaram-se a porta, guiando seus passos até mesma.
O quarto onde ficaram hospedados era um pouco similar com o do dormitório, porém mais espaçoso, além que este possuía uma cozinha e o quarto em si ficava em um aposento a parte, sendo uma suíte. Todos os cômodos eram bem claros com um design clássico, marcado por linhas elegantes e ricas, juntamente com os delicados detalhes feitos a gesso nas paredes. Predominava-se o tom creme, somado à sutil decoração cuja mobília acarretava discretos ornamentos em relevo, sendo em sua maioria cores quentes, basicamente derivados de madeira, que era bem destacada em tal ambiente. Longas e delgadas cortinas de seda nas janelas e sacada, apenas deixando o local mais vistoso. Aquilo era luxuosamente simples, um tanto exagerado para um hotel de praia, mas era algo de se esperar de Saotome. Exagero.
Syo atravessou a sala seguindo para o quarto. Assim que entrou no aposento, pôde ouvir o som do chuveiro provindo do banheiro. Ele se manteve ali parado por um instante, encarando sua cama e a do outro que se estava ao lado oposto, retomando o foco para a porta onde o Natsuki estava a tomar banho e voltou seus olhos para a cama do mais velho. Um pouco inseguro ele rumou para aquela cama, sentando-se nela e seguidamente deitando-se. Ele ergueu as sobrancelhas, voltando singelamente seu rosto contra lençol, surpreendendo-se que mesmo estando ali apenas há quatro dias, conseguia sentir levemente o cheiro de Natsuki que provinha do colchão.
Syo virou seu corpo em direção à parede observando uma pelúcia do Piyo-chan que o companheiro trouxera. Levou sua mão até ele, traçando caminhos aleatórios com seu indicador pelo rosto do bichinho, até que em algum momento ele veio a passar sobre o bico do pássaro e parou, mantendo-o ali. Demonstrou-se pensativo. Voltou a repassar o dedo por aquele relevo alaranjado e, então, puxou não muito depois a pequena forma macia para próximo de si e o manteve entre os braços, segurando-a contra seu peito. Depois de uma encarada naquela lisa parede, ele levou seu indicador aos próprios lábios, esfregando-os lenta e cuidadosamente, pensando no último contato que tivera com Natsuki.
Aquela fora a segunda vez que haviam se beijado, embora talvez aquilo não contasse exatamente como um beijo. Tinha de admitir que aquele fora um ato meio ousado que não esperava de Natsuki, e só de pensar um doce rosado acabou por iluminar suas maçãs; mesmo ficando embaraçado ele realmente gostara daquilo. Syo se encolheu naquela confortável cama, apertando o Piyo-chan com mais força. Ele ainda podia se recordar claramente da textura e a maciez dos lábios do outro, sobretudo como seu toque e movimentos eram tão envolventes e cuidadosos, tanto que... O pequeno repentinamente se encontrou estático. Todos seus devaneios se romperam. Ele alargou seus olhos e respirou profundamente, umedecendo os lábios e descendo sua mão hesitantemente pelo ventre abaixo, engolindo seco.
Ele estava duro.
“Isso não pode estar acontecendo...” foi a primeira coisa que lhe disparou em mente, estando incrédulo com a própria situação. Ele permanecera imóvel, pensando no que supostamente deveria fazer com o imprevisto abaixo. Natsuki já estava no banho há pelo menos uns oito minutos e ele havia dito que não iria demorar, fazendo daquilo um infortúnio e acima de tudo aumentando o nervosismo dentro de si. Cada segundo que se passava aquele short vinha a se tornar mais apertado e desconfortável, além que o roçar do tecido sobre seu membro era uma tortura; e pelo que sentia só iria baixar de uma forma. Seus olhos viraram-se para a porta com medo, rezando para que ela ficasse fechada pelos mais longos minutos possíveis.
Ele veio a se mover deixando o bicho de pelúcia de lado, virando seus joelhos para cima. Mesmo estando um pouco nervoso, ele guiou lentamente sua mão direita até abaixo da cintura, adentrando-a pelo short, soltando um longo suspiro antes de começar a tocar a extremidade de seu membro com as pontas dedos. Inicialmente começou tocando a extensão de sua ereção lentamente, pressionando-a juntamente com movimentos de subida e descida que não demoraram muito para assumirem um ritmo mais acelerado. Levou seus dedos até a glande, onde passou a roça-la com seu polegar e não muito depois usou o indicador para auxiliar no estímulo das extremidades da mesma, não contendo de morder o lábio inferior, aprisionando um gemido de prazer. Sua respiração começara a ficar cada vez mais descompassada conforme sua mão acariciava seu membro, somado a vermelhidão que se alastrava por seu rosto, ficando tão forte quanto o desejo que sentia. A sutil fragrância de Natsuki presente na cama era como um forte estimulante que atacava seus sentidos, aguçando sua imaginação. Um afrodisíaco? Era estranho. Aquela era a primeira vez que vinha a se masturbar pensando num homem e ainda assim se sentia precisamente excitado, até porque sua imaginação focava na imagem onde eram as largas mãos do mais velho que o estava a tocá-lo daquela forma. Engolindo seco, ele não pôde conter um baixo gemido, denunciando a satisfação que estava a sentir, fazendo-o rapidamente levar a mão desocupada à boca, esperando que ela pudesse abafar qualquer som estranho inesperado que pudesse vir a sair, mantendo o pouco do foco que tinha nos sons do chuveiro.
— Mnhn... Mmn....! Na-Natsuki.... — seus olhos tremularam, pesando com o prazer que estava sentindo, ele continuava a trabalhar naquele comprimento pulsante de forma mais prolongada, porém sempre voltando à glande, visto que ali lhe proporcionava sensações mais intensas. A imagem de Natsuki lhe sussurrando coisas pervertidas em seu ouvido com aquela voz profunda e amena provocando-o com aqueles lábios, apenas o enrijecia mais ainda enquanto se masturbava. Ele podia sentir o calor elevar-se cada vez mais dentro si, fazendo sua respiração ficar mais densa, contraindo-se involuntariamente, gemendo contidamente pelo nome do outro que ainda se localizava no aposento ao lado. Uma queimação subiu por sua nuca, fazendo-o contorcer-se em meio ao prazer, consequentemente aumentando a velocidade de seus movimentos, dificultando a respiração e o levando ao desespero para ejacular. Sua mão que anteriormente estava a abafar seus sons desceu por seu pescoço, segurando o tecido da camisa com força, ele pendulava a cabeça com os olhos cerrados, afagando-se com maior vigor, sentido que estava perdendo controle de si próprio.
O som da tampa do cesto de roupa foi um estalo que rompera seu transe erótico e atraíra seus olhos apavorados para a porta num instante. Natsuki havia saído do chuveiro e ele sequer havia notado. Ele definitivamente precisava sair dali, visto que não teria tempo para acabar o que começara e limpar-se. Syo se sentou, ajeitando o short rapidamente com certo cuidado, se levantando da cama em agonia devido à ereção latente que clamava por mais estímulos físicos, porém o abrir a porta do banheiro fez com que ele se voltasse a ela novamente, segurando o Piyo-chan que estava sobre a coberta e puxando a mesma para cima de si, virando-se rapidamente para a parede.
Ele não fazia ideia de como iria reverter à própria situação e a única coisa que se mantinha em sua mente era seu arrependimento por ter seguido adiante com aquela ideia.
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