By The Chance
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Coulson sacudia a pequena garota levemente, dando passos pela casa. Já se passava da uma da manhã e a menina não dormira, apenas chorava, o que deixava o pai à beira da loucura.
Quando ele a buscou horas antes na casa do Simmons, Jemma já relatou que Skye estava mais quietinha, que tinha passado o dia apenas no colo, não querendo nada mais do que dormir.
Como Melinda não tinha o acompanhado para a casa depois do expediente e ele não teria mais nada a fazer do trabalho, ele decidiu levar Skye para casa e ficar apenas cuidando dela, crendo que o estado da menina era algo mais ao turbilhão emocional que a pequena enfrentava.
Porém, quando a noite caiu, ela começou a ficar mais quente ao toque e a chorar desesperadamente. Sem saber como lidar com a situação, ele decidiu ligar para a única pessoa que estaria disponível para ajudá-lo.
O telefone de Melinda tocou e ela resmungou associando o barulho a necessidade de levantar e ir ao trabalho. Porém, quando percebeu que o céu do lado de fora ainda estava escuro e que o som era de chamadas e não do despertador, ficou imediatamente alerta, respondendo ao celular que se lia "Phil" no visor.
—Coulson? — ela respondeu, raciocino um pouco lento pelo recente despertar. -Aconteceu alguma coisa?
—Desculpe te perturbar a essa hora. É Skye. — ele respondeu um pouco aflito. Melinda se obrigou a sair da cama o mais rápido que conseguiu. — Ela não para de chorar há algumas horas. Sinto ela um pouco quente também. E eu não sei o que fazer.
—Estou indo. — ela disse, buscando uma calça jeans no guarda-roupa e a vestindo enquanto caminhava até o banheiro.
Em cinco minutos Melinda subia a rua deserta, o esperado em um bairro residencial pela madrugada.
A porta estava entreaberta quando chegou e ela terminou de abri-la, revelando Phil, ainda com a roupas do trabalho, cantando uma cantiga de ninar e Skye, devorando uma enorme mamadeira. Ele acenou, demonstrando que percebeu a entrada da chinesa.
—A mamadeira a acalmou um pouco. — ele disse, quase sussurrando. — Mas ainda acho que ela está muito quente.
Melinda se aproximou, pousando a mão no rostinho da menina. A temperatura da pele de Skye estava há alguns graus da mão dela.
—Tem termômetro aqui? — a mulher perguntou, pensando em algumas coisas que sua mãe fazia quando ela estava doente na infância.
—Tem. Mas não faço ideia onde está. Quem cuidava dessas coisas era a Ross. — ele disse, e ao som do nome da mãe, a criança voltou a chorar. — Assim como os demais medicamentos.
Melinda abriu os braços, pedindo que Coulson passasse Skye para ela.
—O pediatra dela? — ela perguntou, trazendo a criança junto ao corpo.
—Viajando. Liguei para ele antes de ligar para você. — ele respondeu, enquanto procurava nas gavetas da cozinha o kit de primeiros socorros.
—Então vamos para o hospital. — Melinda não via outra solução.
Subiu com Skye para o segundo andar, dando um rápido banho morno nela e em seguida a vestindo para sair. Quando voltou a sala, Coulson já estava pronto para sair e com a chave do carro em mãos. Depois de prender Skye na cadeirinha e Melinda sentar ao lado dela, assumiu o volante, dirigindo rápido pelas ruas vazias de New York.
No hospital, Coulson deu algumas voltas em torno do prédio antes de encontrar alguma vaga para estacionar o carro .Havia uma pediatra de plantão, para a sorte do casal. Após preencher os papéis do seguro de saúde, Melinda e Phil foram encaminhados para a sala de espera da Dra. Carter. Skye era a única criança na sala e seu choro já passava a ser pequenos resmungos enquanto ela brincava com as pontas do cabelo de Melinda.
—Skye Coulson — uma mulher com sotaque britânico apareceu na sala de espera. — Meu nome é Peggy Carter e eu sou a pediatra de plantão. Podem me acompanhar até o consultório?
Peggy vestia um vestido vermelho até os joelhos por baixo de um jaleco cheio de bichinhos e possuía o cabelo encaracolado na altura dos ombros. Melinda a seguiu pelos corredores da enfermaria infantil. O consultório que a mulher indicou possuía uma placa com seu nome na porta e o interior era decorado por princesas e super-heróis colados na parede e alguns brinquedos pelo chão. Dra Carter indicou à mesa de exame, onde May deitou Skye e a despiu se afastando alguns passos para a médica a examina-la.
—Olá Skye. — a morena disse com uma voz doce para o bebê. — O que te trouxe aqui hoje?
—Ela está com febre. E chorando muito. — Melinda respondeu.
—Há quanto tempo? — Dra Carter se dirigiu a ela, terminando o exame na pele da garota e passando a examinar boca e olhos. Melinda olhou para Coulson esperando a resposta.
—Desde o anoitecer. — ele respondeu atento.
Após medir a temperatura da criança, Peggy se fez mais alguns testes antes de se dirigir aos adultos:
—Pelo exame físico que realizei ela está com a garganta infeccionada. — ela disse, vestindo novamente a garota e lhe entregando uma espátula colorida para brincar. — Vou passar alguns antibióticos e um exame de cultura para termos certeza. No momento vou aplicar um antitérmico e esperar o efeito.
A médica pingou algumas gotinhas na boca de Skye que fez caretas para engolir. Quando Dra Carter saiu de perto, a bebê esticou os braços para Melinda, pedindo colo. Porém, a chinesa não respondeu ao pedido, já que a médica não havia liberado ainda.
—A mamãe já pode pegar Skye no colo. — a médica disse, enquanto terminava suas anotações. Melinda, que já estava indo segurar a menina paralisou por alguns segundos, surpresa pelo que ouviu.
—Eu não sou a mãe dela. — May respondeu, porém pegou a menina no colo que se aninhou em seus braços e fechou os olhinhos. Peggy Carter demonstrou expressão confusa por alguns segundos. — Eu trabalho na empresa com Coulson. Somos co-diretores. Ele é o pai.
—Ah. Tudo bem. Desculpe pela minha falha. — a médica saiu do consultório, voltando minutos depois com alguns papéis que entregou para Phil, já que Melinda estava com as mãos ocupadas.- Aqui estão o nome dos medicamentos necessários. Skye não pode ficar no frio, consumir coisas geladas e sob hipótese nenhuma ficar engatinhando no chão sem alguma proteção. O tratamento dura uma semana e não pode ser interrompido, mesmo que os sintomas melhorem. Caso queiram mais alguma informação, meu telefone está na receita. Vocês podem ir agora.
Depois de se despedirem da simpática médica, Phil foi buscar o carro enquanto Melinda esperava na porta do hospital, refletindo sobre o deslize da médica. Quando ele estacionou, ela se sentou no banco de trás e ficou com dó de passá-la para a cadeirinha, ficando com Skye no colo durante toda viagem de volta.
Em casa, Melinda trocou a roupa da menina por um pijama, antes de deita-la no berço. Do lado de fora do quarto, Phil a esperava, encostado na parede.
—Obrigada Mel. — ele disse, em voz baixa, para evitar acordar a criança.
—Nada demais Phil. — ela fez um gesto com a mão para afirmar que não havia problema. — Eu disse que se precisasse de qualquer coisa podia me chamar, não é?
Ele sorriu ao escutar sua resposta. Ambos deitaram no chão da sala, exaustos da pequena maratona da noite. Vários minutos de silêncio se passaram, May quase dormia quando Coulson voltou a falar.
—Eu acho que você deveria morar aqui, com a gente. Na verdade, gostaria muito que você se mudasse. — ele aguardou ansioso a resposta da mulher.
Indecisa sobre responder a pergunta ou fingir que estava dormindo, Melinda ponderou por alguns minutos. Quando percebeu que não seria capaz de dar a resposta imediatamente, disse:
—Podemos resolver isso amanhã? Agora estou cansada demais para pensar em outra coisa a não ser dormir.
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