By The Chance
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Melinda trocava o seu peso de perna enquanto esperava ser atendida. Fazia meia hora que ela chegara naquela sala e ainda era próxima da fila. Quando a atendente apareceu do outro lado do balcão ela soltou um pequeno suspiro de alívio.
—Posso ajudá-la? — Lara, segundo seu crachá, exibia um sorriso simpático.
—Vim buscar uma fantasia. Está no nome de Melinda May. — ela disse exasperada. — Pode trazer o mais rápido possível para mim? Meu bebê está no carro com o pai.
—Em um minuto, senhora. — ela sumiu novamente e pouco mais de trinta segundos ela voltou, carregando uma sacola. -Fantasia de uma criança de um ano?
Melinda confirmou com a cabeça e pagou a roupa. Ao chegar no estacionamento, se deparou com Skye no banco do passageiro com Coulson ao lado. A menina comia um pedaço de biscoito e deixava todos os farelos caírem no banco de couro. Melinda suspirou antes de abrir a porta.
—Skye, quem deixou você sair da cadeirinha? — ela perguntou seria para a menina, a tirando do banco e abrindo a porta de trás.
—Papa? — a menina respondeu, inocente.
—Poxa Skye, não entregue seu pai tão fácil assim! — Coulson disse fingindo estar bravo com a garotinha, enquanto May afivelava o cinto. Ela ficou confusa no começo, mas logo o pai sorriu e ela o acompanhou. -Fala com Mel que ela que demorou muito no shopping.
—Ping! — a menina respondeu.
—Não é possível! — Melinda, que estava limpando os farelos de biscoito do carro, quase bateu a cabeça no teto do carro quando escutou Skye falando. — Até shopping essa menina fala, menos meu nome! Ontem, ela viu Fitz por 5 minutos e assim que ele saiu ela falou "Itz" o resto da tarde. Não vai dormir mais na minha cama assim. — Quando May terminou de reclamar, Coulson já saia do estacionamento.
—Os avós de Skye chegam daqui há algumas horas, logo após o almoço. Vamos vê-los apenas na festa — Phil fez questão de lembra-la que os pais de Rosalind viriam para o aniversário.
—Eu sei! Meus irmãos também chegarão após o almoço.- ela não havia convidado nenhum dos dois, mas Elena e Bobbi tinham recebido o pequeno escudo de papel com a data e o horário. Toda vez que May pensava nisso, ela queria se bater por ser tão ingênua de achar que eles não descobririam e se convidariam ao evento.
—Tudo bem com os avós de Skye, eles são muito simpáticos. — Coulson interpretou erroneamente a expressão dela.
—Não são os avós de Skye que me preocupam! São meus irmãos. — ela respondeu, descendo do carro e batendo à porta do passageiro com força. — Eles sempre me irritam!
Melinda pegou Skye nos braços, andando para a entrada. Demorou alguns passos para Coulson a alcançá-la.
—Sem estresse hoje, Mel. — ele empurrou a porta, para deixá-las entrarem. Skye se inclinou para o chão e Melinda a libertou para andar pela sala. — Hoje é um dia de festa.
*
Coulson acabara de colocar a louça na lava-louças quando a campanha soou. Melinda, que estava com Skye sentada no seu colo tomando suco, levantou parar atender à porta, levando a menina consigo.
—Hey Maninha! — Lance Hunter está de pé na porta, com Mack alguns passos atrás. Ele sorria até que seus olhos caíram em Skye- E seu bebê.- o sorriso dele desapareceu.
—Fale oi para o tio Hunter, Skye! — A menina deitou o rostinho no ombro dela, se aninhando entre os cabelos negros dela.
—Você assustou a criança, Hunter. — Mack chegou mais perto e Skye ensaiou um sorriso correspondendo ao dele.
—Entrem. Não me façam passar vergonha. — ela sussurrou a última parte.
Coulson, distante alguns passos, se apresentou aos dois visitantes de forma bem sóbria. Depois, se desculpou por precisar se ausentar durante algum tempo, resolvendo detalhes finais para a festa.
Assim que Coulson saiu de vista, Melinda pôs Skye no chão e se sentou entre seus dois irmãos mais velhos.
—Que história é essa de você se mudar para morar com seu chefe e ter uma filha? — Hunter foi o primeiro a falar.
—Nada da sua conta. Nem era para vocês estarem aqui. — Melinda disse, sua voz alguns tons acima pela irritação.-Skye não é minha filha. Estou apenas cuidando dela por algum tempo, ajudando.
Nesse momento, a menina começou a escalar as pernas da mulher, curiosa com os novos habitantes do seu sofá. Quando May a colocou sentada no colo, a menina deitou-se no peito dela.
—Eu acho melhor você avisar a pequena que você não é sua mãe.- Mack completou, deixando Skye brincar com as mãos dele.
Melinda deu ombros e logo eles passaram a um novo assunto. Horas se passaram e no final, Skye já se divertia com os tios na sala enquanto Melinda passava café na cozinha.
—Você sempre odiou café, como pode fazer tão bem? — Hunter indagou.
—Coulson toma todas as manhãs. — no momento que ela falou em seu nome, ele apareceu na cozinha. — Tudo certo para a festa? — Melinda já emendou antes que ele respirasse.
—Tudo pronto! Natasha fez um trabalho ótimo organizando tudo. Eu vou subir, tomar um banho. — Phil se aproximou alguns passos e Melinda o olhou duro. Qualquer demonstração de carinho entre os dois, mesmo que inocente, não seria bem interpretado pelos irmãos. Coulson desviou para a garrafa de café.
Melinda disponibilizou o banheiro social do térreo e levou Skye para cima, para fantasia-lá.
O vestidinho com as cores da bandeira americana, um pouco rodado e inspirado nas dançarinas que acompanham o herói coube perfeitamente na criança. Acompanhado com o escudo de borracha, Skye estava pronta para se juntar aos vingadores.
Quando a aniversariante estava pronta, Melinda lhe deu uma grande mamadeira para ter tempo de se arrumar. Ela escolheu um vestido preto, justo, de uma alça só. Arrematou com brincos de diamante -única coisa que tinha da mãe — e saltos pretos.
Prontas, as duas desceram as escadas de mãos dadas. Todos os homens que estavam na casa as aguardavam na sala, já prontos. Era possível sentir a tensão no ar. Melinda preferiu ignorar e seguir Skye pelo corredor.
—Vamos!!! — ela gritou do corredor.
*
A decoração da festa não podia ser mais perfeita. Todas as mesas tinham o tampo com um escudo do Capitão América, o bolo também tinha o formato do objeto também. Haviam várias estrelas nas cores azuis e vermelhas, garçonetes usavam uma fantasia parecida com Skye. Brinquedos estavam no canto Sul do salão.
Os olhos de Coulson brilhavam, e assim que Melinda pôs a garotinha no chão, ela foi explorar os festinha e receber os cumprimentos de todos.
—Natasha sabe bem como organizar uma festa. — Melinda comentou, dando um aceno para a amiga do outro lado do salão.
—Devia ter a chamado para organizar meu casamento. — ele respondeu, aéreo.
Em alguns minutos, Coulson e Melinda se dispersaram na festa, um para falar com os convidados e a outra correndo atrás de Skye. Grande parte dos funcionários da SHIELD estava lá, assim como alguns amigos de Coulson e May.
Quando Thor chegou, a chinesa estava com a menina no colo, garantindo que ela terminasse toda sua mamadeira com água.
—Então, ela que é a pequena Skye? — a voz vinha de cima e Melinda corou imediatamente. A neném parou de sugar para observar o homem tão alto.
—Skye, diga oi para o Thor. — May afastou o bico para longe da boca dela e a menina sussurrou um pequeno "oi" antes de voltar a sugar.
—Ela é tão linda! Ouvi falarem muito de você! — Thor brincava com as mãos dela. — Me desculpe o atraso, Mel, acabei ficando preso em alguns compromissos com a casa branca.
—Não tem problema, a festa acabou de começar!
Os dois entraram em assuntos diversos. Phil observava de longe Melinda e Thor, e acabou reclamando.
—Eu não sei o que as mulheres gostam tanto dele...
—Porque ele é um sonho! — Natasha , que Coulson não percebeu que estava ao seu lado. — Ciúmes, chefinho?
—Não é ciúmes, é curiosidade. — ele saiu de perto dela, resmungando.
Phil caminhou alguns passos até está perto o suficiente para que Skye percebesse sua presença. Ele cumprimentou rapidamente Thor antes de virar para Melinda.
—Sinto muito interromper o assunto, mas os avós de Skye querem te conhecer. -Phil disse, bem distante e o estômago de Melinda doeu.
Ela o acompanhou até o meio do ambiente, onde estava um casal mais velho estava conversando com alguns amigos de Phil.
—Senhor e Senhora Price, essa é Melinda. — ele apontou para a mulher ao seu lado.
May estendeu timidamente a mão que não apoiava Skye no colo. A menina estava com a cabeça deitada no colo dela.
—Prazer em conhecer quem está ajudando tanto Coulson e Skye. — Senhora Price sorriu.
—O prazer é todo meu! — Melinda, se sentindo aliviada pela gentileza logo de cara da mulher. Skye se inclinou para o colo do avô enquanto uma conversa entre as duas mulheres se tornava fluida.
Minutos depois, Natasha se materializou ao lado delas, anunciando que era hora do parabéns. Coulson pegou a menina dos braços de Melinda sem dizer uma palavra.
Como o esperado, a menina se divertiu batendo palmas e soprando a vela na hora certa e se lambuzou com um pedaço grande de bolo, deixando uma trilha de glacê em seu rosto.
Depois do parabéns, os convidados foram se despedindo, agradecendo pela festa legal. No final, acabaram ficando apenas Melinda, Phil, os irmãos de Melinda e as meninas. Skye dormia no colo do pai enquanto todos jogavam conversa fora, em volta de uma das mesas. Coulson pouco respondia o que Melinda comentava.
Perto da meia noite, entraram no carro e permaneceram em silêncio até chegarem em casa. Melinda colocou Skye no cercadinho da sala antes de enfrentar Coulson.
—Phil, o que está acontecendo? — ela perguntou ríspida e ele se assustou com a indagação dela.
—Não tem nada acontecendo, Melinda! — ele respondeu, tirando o casaco e pendurando na entrada.
—Então por que você está está estranho desde do momento que Thor chegou na festa? Você está com ciúmes por acaso? — ela perguntou nervosa e de imediato se arrependeu das palavras que saiam da sua boca.
Coulson se aproximou dela devagar e por reflexo, ela se afastou até que encostar no balcão da cozinha. Eles ficaram com menos de um palmo entre os dois. O rosto de Melinda queimava e seu coração batia e tropeçava na expectativa.
—E se eu estiver? — ele perguntou e as palavras dele aumentaram a tensão que era quase palpável no espaço entre os dois.
Eles se olharam e como se fosse dois imãs, se aproximavam a cada segundo que passava. Quando seus lábios se tocaram, não foi nem um pouco romântico ou fofo, como Melinda sempre idealizou. Foi sexy, voraz, de forma que superou todas as expectativas da mulher. Coulson a ergueu, a sentando no balcão da cozinha, sem abandonar seus lábios.
Porém um choro de criança obrigou que os dois se separassem, ofegantes. Coulson foi atender a menina, enquanto Melinda tentava se recompor, descendo da bancada.
A menina chorava a plenos pulmões. Phil a pegou nos braços, porém a menina ficou mais inquieta até que Melinda se aproximou.
Skye se inclinou para a mulher e no meio dos soluços balbuciou:
—Mama! — Melinda a pegou rapidamente no colo, sua expressão espelhando o choque do rosto de Coulson.
—Skye, é Mel. — a chinesa repetiu, mas a menina apenas se aconchegou no pescoço dela e fechou os olhos.
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