Buying A Love
22 Capitulo 21: Ciúmes
Notas iniciais
Capitulo 21: Ciúmes
Maki se trancou no quarto assim que chegara à casa de verão. Haviam saído para fazer compras já que o que Maki queria comer não tinha na casa. Estava irritada e não queria ver Nico tão cedo.
Por quê? Simplesmente porque a morena era uma voada cabeça oca e porque não dizer burra? Era mais que claro que aquele garoto que havia saído sabe se lá da onde estava dando em cima dela. A morena por sua vez pareceu nem perceber isso.
Claro que Maki não havia gostado. E expressou muito bem isso apenas para Nico ficar brava e dizer que estava se comportando como uma criança? Era isso mesmo? Para Nico seu ciúmes era algo infantil, o que resultou em uma pequena discussão na frente do todo mundo.
– Estupida Nico chan. – Maki retrucou irritada.
Qual era o problema de sentir ciúmes? Amava Nico e para Maki aquele sentimento era quase natural. Na verdade era estranho porque parecia uma bomba. Quando dava por si já estava irritada.
Aquilo era ilógico! Como podia existir um sentimento assim? Onde se quer a atenção da pessoa amada que está sendo dada a outra pessoa, isso gera uma briga e então o casal fica sem se falar? Era algo completamente sem pé nem cabeça.
Não era atoa que Nico havia dito que era infantil, mas como controlar algo tão forte? Parecia que seu ciúmes era tão forte quanto o amor que sentia. Entretanto Maki não gostava de se sentir assim, fazia parecer que via Nico como um mero objeto e não queria isso. Nico não era como seu piano que era dela e de ninguém mais. Também não era como os ursos de pelúcia que recusava a emprestar para suas amigas quando criança.
Amava Nico mais do que todas essas coisas, presava a mais velha, mas como agir então? Nico tinha vida, não era um objeto, ela tinha direitos e deveres, não era apenas de Maki. Tinha vontade própria, era claro que tinha noção disso, mas aquele sentimento de posse era tão grande.
Queria se chutar, e se chutaria se pudesse. Porque Nico não tinha dono algum. Era sua namorada, mas apenas isso. E o fato de serem namoradas não dava o direito de Maki privar suas ações ou amizades, mas ainda assim, ver a mais velha sendo gentil com um completo estranho, que ainda por cima estava flertando a não agradou.
Levou a mãos até as têmporas. Queria afastar aquele sentimento de ter estragado tudo. Nico agora provavelmente estava brava e com razão. Dera o maior escândalo no mercado. E depois daquilo voltaram para casa em silencio. O silencio não era um problema, o problema era o clima entre elas.
Não estava acostumada com aquele sentimento ainda. Não estava nem um pouco acostumada em ter alguém a quem amar. Era algo tão novo para a ruiva. Se sentia sem saída, pois já nem mesmo agia como sempre. Nem parecia ser mais a mesma pessoa de meses atrás.
Claro. Porque não iria discutir com Nico em um lugar publico se estivesse agindo como ela mesma. Não apenas por aquilo, mas era estranho pensar sempre em Nico, e depois nas outras coisas.
Além daquela vontade de que Nico fosse a primeira pessoa a quem contar suas descobertas novas do dia a dia. Ou que a mais velha percebesse toda e qualquer coisa que mudasse em seu visual. A vontade de receber elogios, e não importava os elogios dos outros. Apenas a opinião de Nico contava.
E aquela vontade de parecer perfeita aos olhos da mais velha? Era tudo tão estranho. Tão novo que fazia Maki se desesperar. Era desesperador sentir algo que não conseguia entender direito.
Se jogou para o lado com raiva. Ainda estava com ciúmes! Por mais que tivesse entendido o que Nico quis dizer, por mais que soubesse do amor da mais velha, aquele sentimento era inevitável. Conhecia Nico bem demais para saber que a morena era honesta demais para uma traição. Então por que continuava tão irritada?
Talvez fosse por isso que agora Nico estivesse brava. A morena poderia agora estar pensando que Maki duvidava de sua veracidade e de seus sentimentos. Aquela conclusão fez o sangue de Maki gelar em suas veias. Não podia deixar Nico pensar em algo assim. Até porque não podia duvidar do amor de Nico.
Maki pulou da cama e correu até a porta. Sua mão tocou na maçanete e então um medo grudou em seu consciente. Nico era orgulhosa demais, e provavelmente ainda estava brava. E se acabassem brigando novamente? E se brigassem e arruinasse todo aquele relacionamento que estava só começando?
Amar era tão difícil... Mas deixar Nico pensar que duvidava do amor dela era cruel, porque em momento algum essa hipótese passou pela sua cabeça. Se perguntava se Nico tinha certeza que Maki a amava. Ninguém merecia a incerteza de ser ou não amado pela pessoa que ama.
Respirou fundo antes de abrir a porta. Tudo para dar de cara com Nico que já se preparava para bater. A morena se assustou em primeiro momento, mas logo virou o rosto.
– O jantar está pronto. – Informou antes de dar as costas. E como era terrível aquele sentimento que tomara o coração da mais nova. Nico não estava sorrindo. Não havia nenhum daqueles belos e iluminados sorriso que Maki tanto amava.
Maki apenas seguiu Nico. A morena não disse nada, apenas continuou andando. A ruiva sabia que Nico ainda estava chateada, e queria poder conversar e se desculpar logo. Não poderia deixar sua namorada sofrendo, ou melhor, não queria mais sofrer por algo tão pequeno.
– Nico chan. – Maki finalmente resolveu abrir a boca. Parou por um momento sem saber como dizer o que queria.
– O que foi? – Nico perguntou estranhando o silencio da mais nova.
– Olha... – Maki começou incerta. – Eu não quero que duvide que eu te amo, ou que duvide que eu saiba que você me ama. – Começou envergonhada. – Me desculpe se eu fiz parecer isso. – pediu fazendo Nico rir.
– O problema não é você achar que eu não te amo Maki chan. – Nico respondeu voltando a ficar seria. – O problema pé que situações como a de mais cedo vão acontecer sempre, e para os olhos dos outros nunca seremos vistas como um casal. – Nico explicou.
– Eu sei disso. Para todos você e eu somos apenas bons amigos. – Maki murmurou.
– Não dá para ficar brigando com todo mundo que vier falar comigo ou com você, eles não sabem, duas garotas juntas são amigas apenas, já um garoto e uma garota juntos parecem ser namorados mesmo que não sejam. – Explicou calmamente.
– Ainda está brava comigo? – Maki perguntou preocupada.
– Não estava brava com você Maki chan. – Respondeu esboçando um sorriso.
– Isso é um alívio. – Maki comentou colocando a mão no peito.
– Maki chan e Nico são namoradas, e namoradas quando se reconciliam depois de um mal entendido se beijam. – A morena murmurou fazendo Maki corar furiosamente. Suas bochechas ficando tão vermelhas quanto seu cabelo.
– S-só para ter certeza que você não está brava. – Maki murmurou se inclinando para beijar os lábios da mais velha.
Nico sorriu entre o beijo. Não tinha ficado brava, apenas ficara com medo pela ruiva. E se ele fizesse alguma coisa contra Maki? Nico não poderia lutar contra um garoto para defender sua amada. Era por isso que havia ficado tão irritada. Não queria ver a outra se machucar.
– Vamos ir comer antes que o jantar esfrie. Eu fiz a sua lasanha. Maki chan gosta bastante de comida italiana não é? – Nico observou.
– Não é que eu goste da comida italiana, eu gosto de tomate. – Nico então não pode deixar de rir. Era Maki no final das contas.
Desceram até a cozinha em silencio. Não era mais aquele silencio incomodo e sufocador, era um silencio bom. Os pratos já estavam servidos na mesa de jantar, os olhos de Maki brilharam e sentiu sua boca começar a salivar por conta da visão e do cheiro. Parecia estar muito delicioso.
Nico por sua vez apenas sorriu com a reação da mais nova. Era bom saber que sua comida agradava o paladar refinado da outra. Para que tinha suas refeições feitas por chefes de cozinha todos os dias, Nico no começou temeu pela hipótese de não agradar.
Maki se sentou rapidamente, Nico apenas riu se sentando também. Era bom ver Maki animada novamente. O ocorrido de mais cedo era apenas um dos muitos problemas que teriam que enfrentar se quisessem ficar juntas.
– Eu vou sentir falta da sua comida. – Maki murmurou levando uma garfada a boca. Nico apenas riu, tinham pelo menos mais três dias naquela casa Maki já falava em sentir falta.
– Seus chefes devem cozinhar muito melhor que eu. – Nico apontou.
– Eles podem ter estudado e se formado, mas nenhum deles pode cozinhar melhor que você. Sua comida é tão gostosa. – Maki respondeu ainda comendo. – Além disso, eu sinto uma porção de coisas quando eu como. – Nico então deu um sorriso singelo. Talvez fosse aquilo que eles falavam sobre cozinhar com amor.
– Já ouviu falar em colocar amor na comida Maki chan? – Nico perguntou começando a comer.
– Já. – A ruiva respondeu sem entender. – Por quê? – Perguntou.
– Porque quando Nico cozinha ela dedica todo seu amor nisso. Maki chan é quem vai comer, por isso eu caprichei ainda mais. – Explicou sem olhar para a ruiva. E mesmo sem olhar sabia que Maki agora estava corada.
– Você realmente gosta de dizer essas coisas constrangedoras não é mesmo? – Maki murmurou sem jeito. Nico negou com a cabeça com um pequeno sorriso nos lábios.
– Quando você cozinha para alguém que ama é algo muito especial. Não estou dizendo isso para te fazer ficar envergonhada, e sim porque é a verdade. Dizem o maior segredo da culinária é o amor. – Piscou com um dos olhos.
– Nico chan às vezes fala umas coisas tão estranhas. – Maki não havia entendido em tudo, mas não iria reclamar, a comida de Nico era deliciosa e isso ninguém poderia negar.
Logo ambas estavam terminando de comer. Nico se levantou para retirar os pratos. Não ia abusar pedindo para Maki ajudar nos afazeres domésticos como lavar a louça suja. Iria fazer isso porque certamente Maki nem soubesse como lavar pratos.
– Eu vou arrumar tudo na cozinha, pode ir descansar se quiser. – Nico disse com um leve sorriso. Maki decidiu não contrariar a outra.
– Vou subir para o quarto arrumar as minhas coisas então. – Maki disse antes de sair da cozinha. Nico apenas seguiu a ruiva com o olhar, um sorriso satisfeito em seus lábios.
Nico estava feliz e, tudo. Mesmo que aquela preocupação de mais cedo ainda estivesse em seu coração. Era fato que jamais poderia proteger Maki de um garoto, assim como não poderia impedir as pessoas de verem as como meras amigas. Fechou a mão com força, era odioso o fato de terem que temer a sociedade e seus comentários.
Começou então a lavar a louça suja. Ainda estava irritada por conta da sociedade, mas nada poderia fazer a respeito. Tinha que se contentar com a aceitação de seus amigos e de suas famílias. Era um grande feito alias. Tinha lido na internet vários relatos de pessoas que foram expulsas de casa por serem homossexuais, e se perguntava se o orgulho podia ser maior e mais forte que o amor.
Suspirou. Por mais que pensasse nessas coisas jamais teria uma resposta. Entretanto, não conseguia parar de achar a sociedade hipócrita. As pessoas não deveriam ditar uma forma de amar ou quem os outros deveriam amar. Afinal amar era errado? Até onde sabia amar era a coisa mais certa do mundo. Até os mais religiosos dizem que devemos amar o próximo. Claro que não deveria fazer esse tipo de relação, mas ainda assim. Amar alguém do mesmo sexo não poderia ser algo errado, porque amar não era errado.
Nico então terminou de arrumar a cozinha. Encostou se no balcão apenas para soltar um suspiro cansado. A sociedade ainda parecia tão cínica. Era engraçado como só via isso agora. Antigamente quando via casos de homofobia não sentia nada, mas agora parecia ser a coisa mais errada do mundo, se é que não era. Era quase como tirar a vida de um inocente. Podia até mesmo comparar com as guerras.
– Nico chan? Você está com essa cara seria de novo. – Maki disse com o cenho franzido. Estava preocupada com sua namorada. Claro porque Nico dificilmente ficava seria daquela forma sem ser relacionado com sua família.
– Eu estava pensando na sociedade. – Nico respondeu ainda seria. – Eu estava me perguntando por que é tão difícil as pessoas aceitarem que algumas pessoas podem amar o mesmo sexo com a mesma intensidade que a maioria ama os do sexo diferente. – Sabia que se escondesse seus pensamentos apenas iria preocupar Maki desnecessariamente.
– Isso a incomoda? – Maki perguntou preocupada.
– E muito. – Nico respondeu automaticamente. – Não quero que as pessoas apontem seus dedos para você e digam coisas desagradáveis. – Era isso que preocupava Nico. Não ligava de ser alvo de comentários, mas se importava com Maki.
– Nico chan está preocupada comigo? – Maki perguntou com um pequeno sorriso nos lábios. – Eu fico feliz que se preocupe, mas não acho necessário, eu não sou mais criança. – Se aproximou da morena.
– Eu sei que Maki chan não é mais criança, mas ainda assim me preocupo. – Nico respondeu. – Não quero que te machuquem. – Explicou ganhando um selinho.
– Deixando isso de lado... – Maki murmurou com as bochechas coradas. – Eu quero te pedir uma coisa Nico chan... – A ruiva tentava evitar o olhar de Nico.
– O que? – Nico não estava entendo o porquê da vergonha da mais nova.
– Eu sei que... – Maki enrolou se nas palavras. – Eu... Eu sei que sou a mais nova, mas eu não pude me segurar quando vi isso outro dia. – Maki então ergueu a mão mostrando duas alianças. – Já que nossas familiais estão cientes e aceitam, eu acho que é hora para isso, assim pareceremos mais como namoradas. – Murmurou sem jeito.
Nico apenas sorriu ternamente antes e envolver a cintura de Maki com seus braços. Finalmente os olhos violetas se encontraram com os vermelhos. Mesmo nunca tendo acreditado que os olhos eram a janela da alma, a ruiva pode ver nos olho de Nico o quanto a outra estava feliz e o quanto ela a amava. Não pode evitar e sorriu ao constatar isso.
– Eu fico feliz. – Nico murmurou ficando na ponta dos pés para beijar a ruiva. Seus lábios se encaixando com perfeição.
O beijo não durou muito. Logo elas estavam se separando para voltarem a sorrir. Nico então pegou uma das alianças e em seguida a mão da namorada, e sem cerimonia alguma colocou o anel no dedo anelar. Maki seguiu o exemplo e fez o mesmo com a mais velha. Agora sim elas pareciam mais como um casal.
– Mesmo que não pensem que você é minha namorada, esse anel deve fazer os outros pensarem que você tem alguém. – Maki murmurou fazendo Nico rir. A mais nova ainda estava preocupada com o acontecimento de mais cedo.
– Isso vale para você também. – Respondeu fazendo Maki olhar assustada.
Definitivamente, Maki era inocente demais, ou então distraída para não ver os olhares que lançavam sobre ela. Nico apenas se aconchegou mais contra sua namorada. O calor da outra era aconchegante e convidativo. E por um instante as ideias de Nozomi voltaram a sua mente. Será mesmo que não precisavam?
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