Buying A Love
11 Capitulo 10: A culpa é do beijo
Notas iniciais
Capitulo 10: A culpa é do beijo
Maki estava em um conflito interno, não podia estar se apaixonando por Nico, era a única coisa que não poderia acontecer, e estava acontecendo sem que pudesse evitar isso. Cada pensamento seu era direcionando a Nico, ainda que não tivesse nenhuma relação direta com a morena.
Quando tocava pensava no sorriso da mais velha, quando estudava se perguntava se Nico também estaria estudando, quando ia tomar banho se perguntava se o banheiro da casa da morena era tão espaçoso quando o seu. Se imaginava indo para o colégio ao lado da outra. comendo juntas, e uma porção de coisas mais.
Parecia que agora Nico havia se tornado o maior motivo para fazer as coisas que gostava. Só por pensar em Nico sentia que poderia se esforçar duas vezes mais em tudo que fizesse. Ela estava virando o motivo de fazer tudo.
Precisava parar esses pensamentos. E quanto antes melhor, não podia se apaixonar por Nico, não podia. Nico era apenas sua namorada de aluguel, não alguém por quem poderia se apaixonar e tudo ficaria bem, quando toda aquela história acabasse Nico iria para longe. Seriam como duas desconhecidas, talvez no máximo trocariam cumprimentos quando se encontrassem.
Sentou se e olhou para seu enorme urso de pelúcia. Como queria poder não se censurar por sentir algo por Nico. Como queria poder pensar que estava tudo bem, porque aquele sentimento em seu peito a deixava feliz. A deixava flutuando no ar, pisando em nuvens de algodão fofinhas, e seu mundo parecia muito mais vibrante e colorido.
Mais uma vez estava pensando besteiras! Não podia, era proibido. Maki se contorceu na cama tentando evitar pensar em Nico. Tinha que manter seu orgulho em alta pelo menos. Talvez se começasse a tentar não gostar da morena desse certo.
Quanto mais pensava em uma solução mais percebia que não conseguia parar de pensar em Nico, suspirou cansada, tinha que fazer algo a respeito e rápido, não ia aguentar ficar mais tempo naquela agonia, depois as pessoas tinha a coragem de dizer que se apaixonar é uma coisa boa. Aquilo era quase como uma tortura.
Mas o que poderia fazer a respeito? Tinha que se encontrar com Nico pelo menos nos finais de semanas, para despistar seu pai, mas se o fizesse estaria em apuros. Como iria conseguir se controlar? Ainda mais depois de ter experimentado aquele lábios pequenos e macios? Maki se contorceu na cama novamente agoniando. Não podia mais ver a morena.
Agora estava decidido o que iria fazer. Iria lutar contra esse sentimento, passaria a se encontrar menos com Nico e se puder ao ponto de não encontra-la mais. Não precisava mais se encontrar com ela todos os finais de semana.
Pegou seu celular que estava ao lado do travesseiro. Ali como papel de parede uma foto de Nico. Uma foto nova que havia tirado no primeiro encontro. Aquele sorriso caloroso e tão encantador. Aquele curvar de lábios derretia o coração da ruiva. Procurou o numero de Nico nos contatos.
– Alô – O coração de Maki deu um pulo ao ouvir a voz da morena. Isso já estava começando a virar rotina.
– Nico chan. – Maki disse rapidamente.
– Maki chan. O que foi? – Nico perguntou alegremente.
– Eu liguei para avisar que não poderemos nos ver nos próximos finais de semana. – Maki murmurou no celular. Estava se controlando o máximo para parecer imparcial.
– Tem certeza disso, Maki chan? – Nico perguntou do outro lado da linha.
– Sim, eu vou estar ocupada praticando piano, então não vou poder sair... Talvez só possamos nos encontrar daqui duas semanas. – Se justificou.
– Você não precisa se justificar para mim, você é quem manda. – A voz de Nico soava até um pouco sombria.
– Me desculpe... – Maki murmurou inconscientemente.
– Pelo que? – Nico perguntou um pouco rude. – Maki chan você... Eli! O que eu disse sobre não sair comprando coisas para os meus irmãos? – Nico gritou do outro lado da linha. Maki pode ouvir uma risada ao fundo, seu peito doeu.
– Eu tenho que desligar Nico chan... – Maki murmurou.
– O que? Maki... – E então Maki pressionou o botão de desligar. O que estava acontecendo consigo agora? Por que ficara irritada ao ouvir Nico interagir com outra garota. Céus... O que estava acontecendo afinal?
Seria esse sentimento aquilo que chamam de ciúmes? E se fosse significava que estava realmente gostando de Nico não é? Maki bateu a mãe em sua cabeça, havia prometido para ela mesma que não pensaria mais sobre estar apaixonada pela outra.
Maki respirou fundo para recuperar a compostura. Suas bochechas agora estavam vermelhas e sentia seu rosto quente. O que poderia fazer agora?
Soltou um longo e cansado suspiro, se as coisas pudessem ser mais fáceis... Se pudesse cair em amores por Nico sem aquele sentimento de estar se aproveitando dela. E a ultima coisa que queria era aquele sentimento de culpa.
Maki olhou para seu celular, tinha que ir fazer seu dever de casa, ou suas notas cairiam, o que seria uma catostrofe. Mas por que sua mente insistia tanto assim em pensar em Nico? Era tão irritante.
~*~
– Ela disse que não vamos nos encontrar mais. – Nico murmurou.
– A Maki chan? – Honoka perguntou sem entender. Nico tinha expressão medonha no rosto, ela estava visivelmente irritada, e não fazia a menor menção de esconder isso.
– Ela simplesmente disse que tinha que praticar, e então quando eu fui repreender a Eli por comparar coisas para os meus irmãos ela simplesmente disse algo e desligou o telefone na minha cara. – Nico respondeu em um tom grosseiro.
– Você fez algo para ela ficar brava? – Umi perguntou preocupada.
– O que? Por que tem que ser Nico a culpada? Nico não fez nada! – Nico exclamou indignada.
– Bem Nicocchi tem o costume de ser grossa de vez em quando. – Nozomi explicou. – Mas não aconteceu nada entre você duas mesmo? – A cartomante perguntou para ter certeza. Inesperadamente o rosto de Nico começou a ficar rubro.
– Não aconteceu nada entre a Maki chan e a Nico – A morena exclamou, e por algum motivo aquilo não pareceu não convencer as demais.
– Nico chan, o que aconteceu entre vocês? – Kotori perguntou cautelosa.
– Nada. Não aconteceu nada. — Nico respondeu grosseiramente.
– Mas ela não pode ter ficado assim do nada não é? – Umi insistiu. – Se Nico senpai não quer falar não podemos obrigar, mas talvez possamos ajudar. – Ofereceu.
– Não aconteceu nada. – Nico insistiu em ocultar sobre o encontro com o pai de Maki e o jantar. – Talvez esse seja o rumo que as coisas têm que tomar a partir de agora. – E então a morena voltou a comer seu almoço.
– E como fica o dinheiro? Sua mãe ainda não está trabalhando. — Eli lembrou.
– O contrato ainda está de pé. E por precaução eu ajuntei o máximo de dinheiro que pude para quitar a divida do apartamento, ela já não existe. – Explicou dando de ombros.
– Nicocchi... – Nozomi murmurou preocupada.
– Tenho certeza que a Nico chan e a Maki chan logo vão se entender. – Honoka era sempre positiva, o que fazia dela uma ótima companhia.
– É como a Honoka chan diz. – Nozomi deu um leve sorriso. Eli reparou então, a cartomante estaria preocupada com algo.
– E como anda a situação na sua casa? – Kotori perguntou mudando o foco da conversa.
– Minha tia está lá cuidando da minha mãe e dos meus irmãos, por isso não precisei mais pedir para você ajudarem tanto. – Nico explicou dando de ombros.
– Sua mãe logo vai voltar a ser a mesma de sempre, você vai ver. – Eli disse colocando a mão no ombro da morena.
– Eu sei disso. Minha mãe é incrível. – Nico respondeu com as bochechas infladas.
– Não apenas a sua mãe. – Umi murmurou sorrindo. Nico olhou sem entender para a outra. Honoka e Kotori apenas se entre olharam entendendo perfeitamente o que Umi queria dizer e sorriram.
– Isso mesmo. – Honoka concordou. – Honaka também acha isso. – Afirmou novamente.
– Céus, eu realmente não entendo vocês três às vezes. – Nico disse deixando seus ombros caírem. – Mas mesmo assim Nico acha que tem muita sorte de ter amigos tão bons quanto vocês. – Sua bochechas coraram pela súbita sinceridade.
– Nós também gostamos muito de você Nicocchi. – Nozomi sorriu ternamente para a morena.
– Vamos terminar de comer antes que nosso intervalo acabe. – A loira lembrou. As três mais novas apenas assentiram voltando a comer. Nico e Nozomi se entre olharam e sorriram.
Era realmente bom estar cercada por pessoas assim, verdadeiras amigas. Nico respirou fundo sorrindo levemente. Era a recompensa para tudo que estava vivendo no fim das contas. Pelo menos uma coisa boa a vida tinha que dar.
~*~
– É por isso que estão aqui? – Maki perguntou visivelmente incomodada com a presença de Nozomi e Eli na sua sala de visitas. – Não aconteceu nada. – Respondeu. – Além disso, mesmo que tivesse acontecido algo, não tem nada a ver com vocês. – A ruiva estava enrolando uma mecha de cabelo em seu dedo indicador.
– Nicocchi é nossa amiga, por isso... – Nozomi foi interrompida pela ruiva.
– Por isso se acham no direito de se intrometer? Eu tenho um acordo com a Nico chan, e vocês não entram nele. – A ruiva foi dura.
– Não me importo com tal acordo, Nico está preocupada. Não cause mais problemas do que ela já tem. — Eli disse seria.
– Se era apenas isso que vocês tinham para dizer, por favor saiam. – Maki se levantou do sofá. – Eu tenho muitas coisas para fazer ainda. – A ruiva ditou dura. Deu as costas para as duas amigas de Nico e se afastou.
– Espera! – Nozomi foi quem abriu a boca. – Por que você está fazendo algo assim? Por acaso não pensa no que a Nicocchi pode sentir? – A cartomante perguntou.
– Pensar na Nico chan? – Maki perguntou olhando por cima do ombro. – É o que mais tenho feito ultimamente, e começo a achar que foi um erro ter feito um acordo tão desesperado assim. – Com isso a ruiva saiu da sala deixando as duas ali.
– Um erro? Temos que dizer para a Nico. – Eli disse irritada.
– Não... Nicocchi não pode ficar sabendo disso. – Nozomi murmurou seria. – Ela não pode ficar sabendo de algo que a deixaria tão para baixo. – Concluiu sua sentença.
– Mas Nozomi! – Eli estava preocupada.
– Elicchi não percebeu? Ela disse que o que mais tem feito é pensar na Nicocchi, isso pode também significar uma coisa muito boa no fim das contas. – A cartomante sorriu aliviada.
– Significar o que? Ela disse que foi um erro ter contratado a Nico. – Eli estava confusa.
– Talvez ela tenha dito isso porque está se apaixonando pela Nicocchi. Se lembra? Rin chan disse que Maki chan não queria se envolver romanticamente com ninguém, talvez ela esteja criando sentimentos fortes pela Nicocchi mesmo não querendo. – Explicou seu ponto de vista para a loira.
– Agora que você mencionou... – Eli murmurou seria. – Mas e a Nico? – Perguntou agora preocupada pelos sentimentos de Maki.
– Nicocchi é a Nicocchi. – Nozomi respondeu. – Ela vai saber lidar com essa distancia que a Maki chan colocou. – A cartomante estava certa disso.
– E o que vamos fazer? – Eli perguntou preocupada.
– Apenas assistir e ver no que essa história vai dar. – Nozomi respondeu com um leve sorriso. – Eu só espero que elas não terminem se machucando. — Murmurou.
– Você está sendo um pouco negativa agora, Nozomi. – Eli achou graça na seriedade da cartomante.
– Apenas tenho medo que a Nicocchi sofra mais do que já tem sofrido nos últimos dois anos. – Declarou com um leve sorriso. – Agora vamos, não temos mais o que fazer aqui. – Concluiu se dirigindo a saída da casa de Maki.
~*~
As vibrações do aparelho celular chamaram a atenção de Nico. Era uma mensagem de Maki, uma em que a ruiva se desculpava pela forma que vinha agindo, que tinha coisas para resolver. Nico apenas sorriu levemente com a mensagem, Maki não precisava dar satisfações para ela, mas mesmo assim o fazia.
Nico então parou tudo o que estava fazendo, seu sorriso abandonou seus lábios, não podia pensar na ruiva com tanto carinho. Não era bom, uma vez que um dia iriam se separar. Tinha que manter isso em sua mente. O único motivo de estarem juntas agora era porque Nico precisava de dinheiro e Maki de tempo.
Se encostou em sua cadeira e jogou a cabeça para trás. Quando foi que começou a se sentir assim? Conhecera Maki há menos de dois meses, não sabia praticamente nada a respeito da mais nova, apenas nome, sobrenome e seus pais, além dessas coisas não sabia nada sobre outra.
Bateu com a ponta da lapiseira algumas vezes rabiscando sua folha com pontilhados que seriam inapagáveis, coçou a nuca com força tentando organizar seus pensamentos. Estava começando a se importar demais com Maki e aquilo não era um bom sinal.
Tudo por causa daquele beijo. Aquele maldito beijo que deu em Maki na frente de todo mundo. Aquele beijo estava a fazendo pensar mais e mais na ruiva quando não deveria o fazer quando Maki deveria ser a sua ultima preocupação. Não queria ser desonesta com a outra.
Nico respirou fundo, estava irritada. Estava se focando novamente nas lembranças agradáveis dos lábios de Maki contra os seus. Aqueles lábios macios e quentes. Bateu com a testa em sua escrivaninha. Tinha que esquecer.
Mas queria realmente esquecer? Será que não poderiam começar um relacionamento honesto e sem mentir para os outros? Era uma pena que não podia voltar ao tempo... Mas se pudesse estaria financeiramente em apuros.
– As coisas vão acontecer da forma que tiverem que acontecer... – Nico murmurou tentando passar um pouco de confiança. – Não amor que não seja esquecível. – Concluiu tentando focar se em sua tarefa de casa.
Mas e se existisse um amor que não pudesse ser esquecido? O que iria fazer?
– Calma... Apenas esqueça por enquanto disso. Guarde esses sentimentos no fundo do seu peito Nico. – Disse para si mesma ainda batendo a lapiseira em seu caderno. – Uma hora isso vai passar... Tem que passar. – Concluiu seria.
Oh! Estava entrando em apuros... E era tudo culpa daquele beijo
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