Butterfly Fly Away

9 Capítulo 9 - Última noite em família


Notas iniciais
Espero que gostem, e desculpem pela demora :s

- Você sabe que não podemos mais adiar isso! – Urey se levantou e bateu na mesa.

- Mas... – Sara tentou contestar, mas foi cortada por um olhar irritado de Urey seguindo em sua direção. – Eu... Eu só...

Sua voz estava trêmula e chorosa, quando ela não aguentou e deixou caírem algumas lágrimas. Urey suspirou e se sentou ao lado dela, a abraçando. Aquele era um momento difícil, não era hora para brigas.

- Me desculpe, eu perdi a cabeça por um momento – Urey abraçou a mulher com mais força. – Eu ando muito tenso nesses últimos dias, me perdoe.

- Não seja tão duro consigo mesmo, eu também ficaria no seu lugar. – Sua voz estava fraca e ligeiramente chorosa, mas não soluçava. Tai um momento difícil para ambos.

- Chame-a. Vamos acabar logo com isso. Não aguento mais mantê-la no escuro. – Urey falou sério, e soltou Sara por um momento. – Quanto mais demorarmos, mais difícil vai ser para nós e para ela.

- Sim – Sara disse, se levantando e indo até a porta. – Winry, meu amor, venha aqui.

Assim que Sara chamou Winry veio, com Den correndo atrás dela, sorrindo, e esse sorriso puro e inocente, de uma criança que mal sabia o que estava prestes a escutar, cortou-lhe o coração. Sara sorriu e se agachou para abraçar a filha.

- Vem, querida, papai e eu queremos conversar uma coisa muito importante com você.

Ela foi até o quarto e fechou a porta, deixando Den do lado de fora. O cachorrinho virou a cabeça, confuso.

- Ela já vai voltar pra brincar com você, só um minuto. – Sara disse ao cachorro, sorrindo. Ele abanou o rabo.

Assim que entraram, Sara colocou Winry no colo e Urey começou a explicar a situação.

- Querida, eu e mamãe vamos ter que voltar para a cidade central, pra cuidar de umas pessoas que estão muito machucadas, que estão numa guerra. Não tem muitos médicos por lá, por isso fomos convocados pra cuidar das pessoas. Vamos salvar vidas.

- O que é uma guerra, papai? – Perguntou a menina, confusa.

- É como uma briga muito feia. – Urey explicou.

- Que nem a guerra de travesseiro que eu, Ed e Al fizemos quando eles vieram dormir aqui? – A pequena sorriu.

- Não exatamente – O pai explicou. – Imagine que nessa guerra para a qual estamos indo, os travesseiros fossem de metal. Machucariam, não é?

- Sim. Aí não iria ter graça se alguém saísse machucado. – Winry disse, franzindo a testa.

- Guerras não tem graça. Nela, muitas pessoas se machucam muito. E nenhuma delas sabe como parar. Ficam batendo umas nas outras com esses travesseiros de metal até que a pessoa esteja tão machucada que durma e não acorde mais.

- Você quer dizer que elas morrem, papai? Igual ao Dorival? – Perguntou a garotinha, e o pai engoliu em seco.

- É. Necessariamente. E é para que as pessoas machucadas pelos travesseiros de metal não morram que vamos até lá. Vamos cuidar de todos e sarar os machucados. Lembra que você colocou comida demais no aquário do Dorival, e por isso ele acabou morrendo? Quando se dá travesseiros de metal demais à uma pessoa que está em uma guerra, ela faz quase a mesma coisa que o Dorival: Luta, luta, sem parar mais, deixa-se consumir pela maldade.

- O Dorival não era mal. Ele sempre foi um peixinho bonzinho.

- Eu sei, é só um exemplo. Não se preocupe, nós vamos voltar em alguns... Meses. Não sabemos um tempo definido. Precisamos que você seja forte enquanto estivermos fora. Você vai ficar na casa de vovó por um tempo, e Den vai ficar com você. Lembre que ele sempre será seu amigo, se você se sentir sozinha. Vamos escrever toda semana. Sempre. Conte com isso.

- Humm – A pequenina pensou um pouco. – Vocês vão voltar logo, não vão?

Urey e Sara engoliram em seco. Não poderiam mentir para ela. Urey suspirou e falou, seriamente:

- Querida, como eu te disse, vamos ficar fora alguns meses. Não vou mentir, talvez nós demoremos a chegar. Mas nós vamos chegar. Eu prometo.

Não prometa o que não tem certeza que pode cumprir, seu idiota.” Urey falava consigo mesmo, em sua mente. “Só vai causar mais dor a ela se o pior acontecer.

- Tudo bem. – Winry disse, finalmente. Urey e Sara se entreolharam espantados. Como ela aceitou assim tão facilmente?

- Vo-você não se importa? – Perguntou Sara, ainda perplexa. Winry balançou a cabeça negativamente.

- Claro que eu me importo, mamãe. – Winry falou, com o olhar baixo. – Mas papai falou que aquelas pessoas estavam precisando de ajuda, e que estavam morrendo... Seria muito egoísmo meu querer que vocês ficassem aqui se outras pessoas precisam de vocês. Eu espero vocês chegarem...

Sua voz saía baixa e rouca. Estas palavras doíam ao sair de sua garganta. Era muitas informações de uma vez para uma garotinha de seis anos. Sara se ajoelhou e abraçou a filha, com força.

- Estou orgulhosa de você, meu bem. – Ela disse. – Não imagina o quanto está sendo difícil pra mim e pra papai sequer imaginar ficarmos longe de você.

Elas duas agora se abraçavam. Urey se ajoelhou e abraçou as duas, e agora a família inteira estava reunida naquele abraço. Uma família pequena, porém completa. Depois de um bom tempo, eles se soltaram e sorriram.

- Vamos dormir, meus amores, amanhã teremos um dia cheio pela frente. – Urey disse, pegando a filha no colo e levando-a para o quarto dela.

- Ei! Você não vai colocar a Winry pra dormir sozinho! Me dá ela que quem vai colocar sou eu! – Disse Sara, fingindo indignação.

- Não! Quem vai colocar sou eu! – Urey disse, dando língua. – E você não vai me impedir.

- Ah é? – Sara sorriu. – Vamos ver!

Ela segurou Winry pelo braço e Urey puxava-a pelo tronco, ambos tomando cuidado para não machucá-la. Ela ria, não podendo escapar. Eles ficaram nessa brincadeira até que Urey segurou Winry do lado do corpo, como se fosse uma bola de futebol americano, e correu para o quarto dela. Sara correu atrás, rindo, e quando Urey entrou, se jogou na cama com Winry sobre ele, rindo.

- Há! Eu consegui! – Ele disse vitorioso, com Winry levantada sobre seu tronco. Sara riu.

- Ah é mesmo? – Ela disse, e se jogou em cima dele.

Os três começaram a rir intensamente, com gargalhadas altas e contagiantes. Sara em cima de Urey, Winry em cima de Sara. Todos de barriga pra cima, rindo. Urey notou que o pé descalço de Sara estava bem a sua frente.

- Que pezinho bonito! De quem é? – Ele perguntou, e começou a passar os dedos levemente pela sola. Sara riu mais um pouco e encolheu os dedos, levantando a perna e deixando fora do alcance de Urey. – Ahh, então é seu. E essa barriga aqui de quem é? – Ele disse, agora passando os dedos pela barriga de Winry, que riu também e correu pra onde estava a sua mãe. – Ahh, é sua.

Winry e Sara se entreolharam e a mesma ideia lhes veio à cabeça. Sorriram uma pra outra.

- De quem é esse sovaco aqui? – Sara perguntou, e as duas brincaram com as axilas de Urey. Ele riu alto e fechou os braços. – Ahh, é seu.

Novamente os três riram, mas por um breve período de tempo. Depois pararam e sorriram um para o outro.

- Quer saber? Você vem dormir com a gente! – Disse Sara, sorrindo. Urey concordou com a cabeça. Winry abriu um grande sorriso.

Eles foram se deitar, e antes de dormir ficaram brincando um pouco ainda. Depois fizeram uma breve guerra de travesseiros, lutaram na cama e brincaram juntos. Tinham que aproveitar ao máximo, afinal não sabiam quando iriam estar os três juntos novamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado Lamento dizer que esse vai ser o último momento em família deles .-.
beijos, acho que mereço algumas reviews, não é? Dorival é o peixinho que eu criei pra Winry XD bonitinho o nome né? Ela teve algum bichinho antes do Den, pelo menos um peixinho XD Espero que tenham gostado da atualização que fiz na capa o//