Butterfly Fly Away
10 Capítulo 10 - Despedida
Notas iniciais
O Sol finalmente apareceu por entre as planícies verdes de Resembool. O céu estava nublado e as nuvens rosas e alaranjadas cobriam ligeiramente o horizonte, onde pássaros cantavam suavemente e o dia começava a clarear. O cheiro de orvalho era bem perceptível, já que caíra uma leva garoa durante a noite. O sol fazia as pequenas gotas de orvalho brilharem na relva verde-viva, dando um ar típico do interior ao lugar. Realmente lá podia não ter muita coisa como na cidade, mas lá se encontrava muita coisa que não havia na cidade.
Urey foi o primeiro a acordar, e olhou para a mulher e a filha, que dormiam tranquilamente. Ele sorriu, chegou a ficar com pena de acordar Sara. Mas era preciso, já que os militares chegariam a pouco tempo para ir buscá-los e com o agito da noite passada se esqueceram de preparar as malas. Ele sacudiu Sara suavemente, e ela deu um resmungo.
- Querida, acorde. Temos que arrumar as malas. Cuidado pra não acordar Winry. – Ele sussurrou para ela, e ela se virou e se espreguiçou, bocejando.
Sara se sentou na cama e olhou a filha dormir. Deu um sorriso, e beijou Winry no rosto. Se levantou sem pressa e pegou uma mala, atrás do guarda-roupa. Agradeceu a si mesma mentalmente por não ter desfeito a mala que fizera na viajem anterior, para a cidade central. Apenas Urey precisava de algumas roupas.
- Que roupas você vai levar? – Ela perguntou, em um bocejo.
- Huum... Acho que todas as que tiver aqui vão ser úteis, afinal, não sabemos quando essa bendita guerra vai terminar...
- Vamos deixar uma aqui, vamos estar bem cansados quando voltarmos. É bom deixar uma muda de roupa limpa, como sei que o senhor é preguiçoso, vai dormir com a roupa do corpo. Estando suja de terra ou não. – Ela riu.
- Eu que sou preguiçoso? – Ele riu. – Quem foi que te acordou pra arrumar as coisas?
- Bah, uma vez na vida você acordou cedo... Grande avanço. – Ela continuou provocando.
- Ora, sua... – Ele foi até ela e abraçou, sacudindo-a de um lado pro outro. Ela riu.
- Ok, vamos, seriedade – Ela riu. – Precisamos arrumar essas coisas antes que os militares cheguem.
- Ok – Ele riu e a soltou, e foi pegar umas roupas íntimas no guarda-roupa.
Eles arrumaram as malas sem muita pressa, mas cientes de que os militares chegariam em breve. Com o agito, Winry acabou acordando. Ela se virou pro lado e viu sua mãe e seu pai arrumando uma grande mala. Ela se espreguiçou bocejando, e sentou-se na cama, esfregando os olhos.
- Bom dia. – Ela disse, com um olhar cansado.
- Bom dia, querida. – Disse Sara, e Urey disse também.
- O que estão fazendo? – Ela perguntou, vendo muitas roupas pela cama e no chão.
- Ah, isso? Só estamos arrumando as malas. – Urey disse, dobrando algumas calças.
- Ah sim... Tinha me esquecido de que vocês iam hoje. – Ela disse, em um tom um pouco cabisbaixo. Sara e Urey se entreolharam, meio preocupados.
- Querida, porque você não vai na cozinha colocar comida pro Den? Ele deve estar morrendo de fome. – Sara disse, esperando que seu amiguinho peludo fosse animá-la.
Winry assentiu com a cabeça e foi até a cozinha, onde o cãozinho a recebeu carinhosamente, com pulos e um rabinho abanando. Sara sorriu. Ele ajudaria muito Winry, não poderia ter escolhido presente melhor. Voltou a arrumar a sua mala. Daqui a vinte minutos os militares chegariam.
Depois de tudo arrumado, Urey preparou as suas famosas panquecas de chocolate com cobertura de chantili e recheio de banana, o que fez Winry e Sara darem pulinhos de alegria. Aquelas panquecas, pra ela, eram as melhores do mundo. Comeram com gosto, e depois pediram mais. Ele colocou mais panquecas nos pratos delas, sorrindo. Adorava vê-las comendo com gosto sua comida. [N/A: Quem não gosta?]
Alguns minutos depois de terem terminado o café, ouviram-se algumas batidas na porta. Urey, que estava lavando a louça, se levantou pra ver quem era, e abriu a porta. Viu um homem razoavelmente alto, cabelos castanho-claros, ligeiramente grisalhos, usando uma farda azul do exército. O homem parecia ter uns trinta anos pra cima.
- Bom dia, sou o General Hakuro – Ele se apresentou formalmente. – Vim aqui para levar a Sra. Sara Rockbell e seu marido, eles estão?
- Eu mesmo. Pois não, só um minuto – Disse Urey, com um sorriso hospitaleiro. – Querida, eles chegaram!
- Ah, claro. Poderiam esperar só terminarmos de tomar o café da manhã? – Ela perguntou, com um sorriso.
- Er... Claro – Respondeu o General, olhando em volta da casa humilde. Realmente era um pessoal do interior.
- Quer entrar, Senhor Hakuro? – Perguntou Urey, novamente com um sorriso hospitaleiro. – Pode tomar uma xícara de café, se quiser.
- Hmm, porque não, não é mesmo? – Ele sorriu.
Urey olhou para o lado de fora e viu que ainda tinham mais dois soldados, esperando para escoltá-lo, e também o motorista.
- E vocês? Querem entrar? Minha esposa fez um café novinho.
Eles olharam para o general, pedindo consentimento, e este sorriu e assentiu com a cabeça. Todos aceitaram. A casa ficou bem agitada. Winry estava brincando com Den, e se divertiu bastante com as visitas. As vezes se escondia atrás de um oficial, enquanto Den a procurava, e eles riam um bocado. Era realmente muito fofo.
- Vocês tem uma linda filha – Disse o general, tomando um gole de café em seguida. – Parece ser muito saudável e feliz.
- Obrigado – Disse Urey, e olhou para Sara, que sorriu.
Depois de tomar café, todos foram até o carro, inclusive Winry e Den. Urey pediu ao general para passar na casa de sua mãe, Pinako, para se despedir e deixar Winry e Den lá. O general deixou, desde que o cachorro fosse no colo, para não \"sujar o estofamento\". Urey iria receber uns bons gritos de sua mãe (com razão) por não ter avisado sobre a guerra. Mas não era hora para se pensar nisso...
Winry ficou um pouco feliz, porque iria passar um tempo com sua avó. Ela não sabia exatamente quanto tempo ficaria sem os pais, mas imaginou que não fossem demorar mais que alguns meses. Estava um pouco triste, mas não queria demonstrar para não preocupá-los. Assim que chegaram, Winry saiu do carro, seguida por Urey e Sara, e correu até a porta e bateu. Ouviu-se passos lentos indo em direção à porta, e logo ela se abriu, e Pinako apareceu. Ao ver Urey, Sara e Winry juntos, ela sorriu.
- Uau, a quem devo essa visita repentina? – Ela disse e riu, abraçando Winry que foi até ela.
- Mamãe, preciso falar com a senhora. – Urey falou, um tanto sério, e ela se surpreendeu. Eles subiram as escadas até o quarto de Pinako, para conversar mais reservadamente.
Passaram-se poucos minutos e já se ouviam os gritos de raiva e indignação de Pinako, e as tímidas tentativas de Urey de se explicar. Ela gritava bastante para uma senhora de idade. Dava para se ouvir até do carro onde os militares estavam, e eles todos olhavam o andar de cima onde estavam os dois com olhos arregalados e gotas na cabeça. Quando os gritos cessaram, Pinako desceu e Urey logo atrás, esfregando a nuca e gemendo baixinho, e foi até o lado de Sara. Ela deu um suspiro.
- Vocês vão mesmo, não é? – Ela perguntou a Sara.
- Sim, infelizmente. – Ela disse, timidamente.
Pinako suspirou e chamou os dois. Como ela era baixinha, foi necessário que eles se ajoelhassem. Quando se ajoelharam, ela foi e abraçou os dois com força. Isso surpreendeu eles, que retribuíram o abraço.
- Por favor, tomem cuidado. – Ela pediu chorosa, com lágrimas embaçando sua visão. – Eu amo vocês dois demais, tenham muito cuidado.
- Teremos, sogrinha querida. – Sara sorriu e abraçou Pinako mais forte. – Vamos voltar.
Winry não entendeu porque Pinako estava tão triste. Afinal, os seus pais voltariam, não é mesmo? Ela estava ciente disso, não sabia porque sua avó estava tão triste assim. Ela foi até eles e abraçou. Agora era um abraço quádruplo. Depois Urey e Sara se levantaram e viraram as costas, caminhando em direção ao carro. Winry olhou pela janela e a última imagem que viu foram as costas de seus pais, indo em direção ao carro. Mal sabia ela que essa seria a última vez que veria eles...
Notas finais
beijos, mereço algumas reviews? -^^-
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