But You Say Don't Matter
1 O inicil em Nova York
Notas iniciais
Quando se é jovem e brasileiro a gente tem uma forte vontade de crescer, de ser reconhecido. E quando se tem uma banda o medo do anonimato é constante. Eu, Nells, Natasha e Natasha temos uma banda. A Freak Up.
Cada uma tem seu estilo, o meu e o da Nells é o mais parecido, mas não igual. Ela é mais moleca, na dela veste o que der na telha. Eu prefiro uma coisa mais Rock, preta, com detalhes coloridos, blusas de bandas. Jess gosta de um Rock chique, que lhe permite estar sempre elegante mais com seu toque Rock. Natasha é a mais diferente, ela tem um estilo muito independente, se veste feito boneca japonesa, tipo... Lolita. Somos todas do Sul, moramos em Santa Catarina e estamos prontas para voar pros Estados Unidos pra correr atrás dos nossos sonhos.
- May você já pegou a mala preta que estava no carro? – Nells estava parada em frente do aeroporto.
- Já – respondi indo em sua direção. A única pessoa de maior idade que iria conosco era o pai de Jess, o única que acreditava na gente.
Entramos no avião em direção à Nova York, onde Paul, pai de Jess tinha um apartamento. Jess era de todas, a mais rica, sem contar o fato da tripla nacionalidade. Brasileira, Americana e Francesa, mas eu e Nells também tínhamos outras nacionalidades, Nells era Alemã, americana e canadense, eu sou americana e inglesa, se bem que Nells também, a gente compartilha um tio de primeiro grau britânico, mas eu nunca soube qual era a relação pra gente ter o mesmo tio. O caminho seria longo, Nells estava sentada na janela, do seu lado Jess e ao lado de Jess um loiro. Do outro lado eu sentava na janela ao lado de Natasha e do lado dela uma ruiva com cara de jovem. Bem jovem.
- May olha isso aqui – Nat me mostrava no notebook o novo single dos Jonas. Eu não era muito fã, apesar de achar eles muito bonitos mas isso não era motivo pra ser fã.
- Legal – sorri fraco. Não era tão lega assim, mas eu queria dormi, então qualquer coisa servia. Meu celular vibrou, peguei-o na bolsa “Nells” li a mensagem.
“Olha esse carinha do lado da Jess que gato”, virei meus olhos por cima de Nat pra poder enxergar. O garoto dormia feito um anjo tadinho, com os cabelos meio rebeldes. Sorri e respondi sua mensagem “Chama ela pra ir pro banheiro haha” apertei o botão e ouvi o pequeno sinal do celular dela. Ela riu e poucos minutos depois meu celular vibrou de novo “Vou mostrar pra ele as acomodações dos meus braços haha, que gato meu” ri sozinha.
- O que você tanto ri May? – Nat.
- Nada não – mexi a boca. Olhei pra Nells e ela havia trocado de lugar com Jess, ri levantando os ombros. Ela me olhou com um olhar meio pervertido e fingiu dormi. Piscou o olho pra mim e deitoua cabeça no ombro do garoto. Este por sua vez nem se moveu. Ela pegou o celular e senti o meu vibrar “Já que ele não acorda vou aproveitar a isca e dormi de verdade” sorri. Quando olhei pra ela os dois já estavam dormindo um com o rosto colado no outro.
Coloquei o fone e dormi. Senti o tranco do avião aterrissando. Em fim; Nova York.
Passávamos pelo saguão quando Paul nos chamou para entrar no taxi, eram quatro meninas e um homem, não me pergunte como iríamos mas fomos. Estava tudo bem apertadinho mas deu pra pegar o celular “Falou com o loirinho?” ouvi seu celular apitar e um tempo depois o meu vibrou “Ele me passou o numero dele, e eu pedi desculpas por ter dormido no ombro dele. Ele disse que seria ótimo se a gente se conhecesse (6)” ri sozinha, Nat tentada ler o que eu escrevia.
- Tira o olho Lolita – ri. “Qual o nome dele?” mandei, ela olhou pra janela. Já estava escuro lá fora. Recebi a mensagem um bom tempo depois “Doug, eu acho. Não lembro direito” ri, que maluca, afim do cara e não grava o nome dele. Paramos de nos mandar mensagens quando chegamos na fachada do prédio. Ele era grande e muito bonito, tinha uma bela vista. O bom de Paul é que como ele acreditava na gente, ele investia muito nisso. Todos os nossos instrumentos foi ele quem deu. Jess tem duas guitarras. Nells já tinha uma autografada pelo baixista do Foo Fighters no show que eles fizeram no Brasil, e a outra uma verde linda que Paul lhe deu. E a bateria, os cabos, microfones. Tudo pai Paul quem deu. Como passávamos mais tempo com eles do que com nossos pais nos acostumamos a chamá-lo de pai, ou tio.
Entramos no apê, ele era grande. Me lembrava o apartamento da Serena do seriado Gossip Girl, mas não tão luxuoso como o dela. Só lembrava.
- Paul, quantos quartos tem aqui? – perguntei jogando as malas no chão.
- São três pequena. E um deles é só meu. – olhei meio indignada, mas seria melhor assim, teríamos mais privacidade.
- Quem vai dormi com quem? – Jess.
- Eu não durmo com você. Você ronca – falei. Era horrível dormi com essa menina. Credo.
- Eu durmo – Nells – mas se você roncar eu juro que te taco um balaço na cara – Jess fez cara de assustada e correu pra ver os quartos.
- Acho melhor irmos logo Nat, temos que arrumar os instrumentos e nossas camas. Tudo – sorri pra Nat e fomos para o quarto deixando Paul sozinho na sala.
O quarto não era pequeno e nem grande. Tinha um beliche de cada lado, na verdade era só cama em cima e embaixo tinha uma espécie de escritório, com mesinha. Era pequeno mas gostoso. O quarto era pintado de suas cores, vermelho e rosa médio.
- Nem vem que o rosa é meu – Nat jogou a mala dela em cima da cama.
- Obrigado. Rosa não é comigo – sorri jogando minha mala em cima da outra cama. Meu notebook estava na outra mala na sala junto com os outros. O guarda roupa era embutido junto com o beliche. A janela ficava no meio das duas beliches e uma comprida ao lado das camas em cima em um formato retangular.
- O que você acha que vamos fazer amanhã? – perguntou Nat.
- Não faço a menor idéia. – falei tirando a roupa precisava tirar toda aquela bagunça pendurada em mim. Coloquei um pijama de caveirinhas e sai do quarto
A sala ainda estava vazia, mas só de moveis. Por que o que tinha de mala na sala não tava no gibi.
- May – Nells estava de pijama também. Era o encarte do CD da banda Paramore, Riot. Varias palavras misturadas e super bagunçadas. – Você viu meu Notebook? – perguntou com a mão no cabelo.
- To pegando eles dentro da mala, espero que não tenham feito nada com eles – abri uma mala vermelha, puxei um notebook verde musgo com adesivo da Hurley.– To – entreguei pra ela.
- Valeu – ela pegou e foi em direção ao quarto.
- Nells – ela parou e e me olhou – leva o da Jess também – entreguei umnotebook lilás pra ela. Tio Paul iria à falência no quesito internet.
- Me da isso logo – ela pegou e entrou no quarto. Peguei o meu e o de Nat e voltei pro quarto.
- Ah May, valeu – ela pegou o dela e colocou na mesinha.
- Ainda não temos internet, acho que só chega amanhã então nem adianta chorar – ela me olhou com cara de criança pedindo pirulito. Viciada.
- Vou no quarto das meninas já volto – sai e entrei no quarto do lado.
- Ih May sai fora – Jess fechava a porta na minha cara. Empurrei a porta com força e ela caiu na cama.
- Oi gente – sorri.
- É isso ae May, não da espaço pra essa menina não – Nells ria. Sentei ao seu lado na cama. O quarto delas não era igual ao nosso, era maior e era uma cama de cada lado com uma mesinha branca comprida separando as duas. Mas o quarto também era separado pelas cores na parede e no lençol. O de Nells era verde e o de Jess era azul claro.
- E ae falou de novo com o loirinho lá? – perguntei.
- Que loiro? – Jess.
- Fica na tua pirralha –Nells sorriu e tacou um travesseiro nela. Jess sofria sempre com isso, era a mais nova de todas.
- Cara como vocês são chatas – Jess arrumava as roupas no armário.
- Ah não falei com ele não, na verdade eu ainda não sei o que fazer sabe... – ela mexia no notebook.
- como assim? Ele te deu o telefone dele, liga pra ele – falei.
- Se é lerda ou o que? Não vou ligar pra ele hoje. Conheci ele hoje, semana que vem eu ligo – ri e olhei o quarto.
- O quarto de vocês é mais legal – falei com inveja.
- Ih sai pra lá, você não precisa dormi com ela – Nells indicou Jess. Elas se gostavam mas Nells nunca gostava de ninguém. É difícil explicar. Tem que gostar dela pra gostar dela. Entendeu? Espero que sim.
- Bom vou voltar pro meu quarto, to morrendo de sono – levantei da cama e bati na cabeça de Jess. – dorme bem pirralha.- Tchau May, boa noite – ela sorriu e continuou a arrumar suas roupas.
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