Businesses Will Part
44 Capítulo 5
Notas iniciais
Ele atende o celular e vai para a sacada e eu fico parada no meio da sala, ainda sofrendo de dor de cabeça.
Alguém bate na porta repetitivas vezes, fazendo o maior barulho, minha cabeça lateja a cada batida.
- Já vai!- grito.
Abro a porta e dou de cara com uma Vic muito sorridente e animada.
- Oi. – ela sorri.
- Mais baixo. – murmuro pondo a mão na cabeça.
- Ih, a ressaca parou e ficou. – ela entra e observa o meu apartamento.
- Algum problema?- fecho a porta.
- Tem mais alguém aqui?- ela me encara.
Fico em silêncio procurando pela voz de Nathan que é quase inaudível.
- Sim, o Nathan. – falo simplesmente.
Ela agarra o meu braço e me arrasta para o quarto, trancando a porta atrás de si.
- O que houve?- franzo o cenho.
- Sabe aquele gatinho que vai te pegar na faculdade?- ela sorri animada.
- O Alek?- encaro-o inclinando a cabeça.
Não espero me surpreender, tudo que vem da Vic já uma surpresa.
- Eu fiquei com ele ontem!- ela diz animada.
Opa! Isso surpreende.
- Com o Alek?!- falo em espanto.
- Sim, algum problema?- ela cruza os braços.
- Não, nenhum. – contraio os lábios.
Sim! Tem vários problemas, e o maior deles é que ele não passa de um galinha mafioso.
- Eu deixei meu celular com ela. – ela senta ao meu lado.
- Ele vai ligar?- pergunto não muito crente que isso vai acontecer.
- Sim, ele quer sair comigo. – ela tira o celular do bolso.
Nós Duas encaramos o aparelho como duas crianças encarando um brinquedo novo e então ela guarda de novo.
- E você?- ela fala esperançosa.
- Eu o que?- franzo cenho.
- Hum... – ela olha o quarto- Dormiu com ele?
- Claro que não!- falo em espanto- Eu ainda sou virgem se é isso que você quer saber.
Ela arregala os olhos e vai pra trás.
Nossa, até parece que eu sou um bicho de sete cabeças, eu só sou virgem.
- Algum problema? – cruzo os braços.
- Bem, sim. – ela me encara- Quer ser uma mulher de quarenta anos virgem?
- Ah. – reviro os olhos- Não é pra tanto Vic.
- É sim meu amor, hoje meninas de treze anos estão tendo filhos. – ela sorri.
- Pronto, eu não sou uma vadia que durmo com todos que eu fico e também não sou irresponsável de ficar gravida.
- Você toma anticoncepcional?
Ah, agora ela está dando uma de minha mãe?
- Tomo. – resmungo.
- Ele é doente?
É, ele é muito doente.
- Não.
- Então por que ainda é virgem?
- Por que eu quero ser!- grito.
Ela me encara, analisando o meu estado.
- Se quer chamar a atenção, não vai conseguir com esse pijama. – ela ri.
Bufo e cruzo os braços.
- Vai, eu vou te ajudar. – ela vai até o meu armário.
Fico estática encarando-a pegar roupas e revirar o meu armário, ela dizia algo, mas eu não prestei atenção.
- Tome. – ela me entrega uma muda de roupa.
Vou para o banheiro e me troco rápido, a roupa é simples: uma regata branca que deixa os meus seios maiores e um shorts jeans curto.
- Satisfeita?- saio do banheiro emburrada.
- Sim. – ela sorri mordendo o lábio- Duvido que ele não goste.
Reviro os olhos e abro a porta do quarto.
- Mas então, pretende sair com o Alek?- volto ao assunto anterior.
- Se ele me ligar. – ela diz cabisbaixa.
- Cassandra. – Nathan me chama da cozinha.
Caminho em passos rápidos até lá e encaro-o, ele está procurando alguma coisa.
- Onde tem prato?- ele para e me encara.
Caminho lentamente até o armário perto da geladeira e retiro um prato de lá.
- Pronto bebê. – sorrio.
Ele revira os olhos e coloca um ovo frito no prato.
- Sabe cozinhar?- ergo uma sobrancelha.
- Poucas coisas. – ele ri.
- Eu já vou indo. – Vic passa cantarolando.
- Tchau Vic, me dê noticias. – grito antes dela sair.
- Claro, tchau casalzinho.
- Não liga pra ela. – gesticulo com os lábios sem emitir som.
Nathan ri e coloco o prato na mesa.
- Não vai comer?- sento na cadeira e observo-o.
- Esse é pra você. – ele diz sem me encarar.
- Não estou com fome. – falo baixo.
- Você não comeu ontem. – ele diz sério.
Faço uma careta e puxo o prato pra mim.
Enquanto como, observo o Nathan e lembro-me do que a Vic me disse, será mesmo que vou ser uma mulher de quarenta anos virgem? E ainda solteira? E será que meus companheiros serão gatos?
Não! Eu não quero isso, eu quero ser uma menina normal, que namorou, que ficou, que vivei a vida e se casou depois, teve e filhos e pronto. Mas eu não consigo imaginar isso com o Nathan, ele parece bloquear qualquer pensamento meu desse tipo.
- Cassandra?- Nathan murmura.
- Eu sou virgem. – falo antes mesmo de pensar nas palavras.
Nathan engasga, meu coração acelera e eu quero enfiar minha cabeça no chão.
- Esquece o que eu falei. – falo rápido.
- Relaxa. – ele diz ainda engasgado.
Engulo seco. Argh! Eu tenho que pensar nas coisas antes de falar.
- Por que não me falou isso antes?- ele me encara.
- Por que não ia acontecer nada entre a gente.
Ele concorda.
- Mas e a piscina?- ele diz triunfante.
- Eu não estava raciocinando, então não conta. – contraio os lábios.
- Tudo bem. – ele diz sem esboçar nenhum sentimento, levanta e coloca o prato na pia.
Faço o mesmo que ele e ficamos paradas na cozinha, em silêncio. Meu rosto está queimando e eu estou morrendo por dentro.
- O Alek está nos esperando. – ele sai da cozinha.
- Tudo bem. – caminho atrás dele- Onde?
- Na mansão, vou te apresentar a única mulher que trabalha pra mim.
- E as sua prostitutas?- pergunta cautelosa.
- Na máfia. – ele sorri.
Nossa, eu preciso conhecê-la, ela deve ser super foda para trabalhar na máfia.
**
Estamos na mansão e como de costume, Nathan me vendou para eu não descobrir o caminho. Essa casa me trás sentimentos estranhos e nostalgia, um dia eu estive aqui e não foi nada legal.
Estou sentada na sala, encarando a lareira. Nathan foi ao escritório e creio que as meninas estão no andar de cima- só pelo barulho que fazendo, Leo está na cozinha fazendo alguma coisa e não vejo Lucas.
Nathan está agindo diferente comigo agora, depois que soube que eu era virgem, está tomando distancia de mim e não me encara do mesmo jeito.
- Nathan. – escuto a voz do Alek.
Viro no sofá e encaro-o, ele sorri pra mim. Ah, por que minha amiga foi gostar de você?
Nathan sai do escritório e volta para a sala, fico em pé ao lado dele. Alek volta para fora e quando entra novamente, está acompanhando de uma menina.
Ela é japonesa, tem o cabelo preto bem escuro repicado, tem uma cara angelical, mas algo nela me dá medo. É um pouco menor que eu, acho que centímetros de diferença, usava uma roupa de tecido diferente e não parece estar armada.
- Naomi. – Nathan a cumprimenta.
Encaro-o confusa, ela sabe falar nossa língua?
Sorrio para ela, mas ela não sorri de volta, simplesmente acena de cabeça.
Seu olhar é frio e eu sinto calafrios percorrem meu corpo.
- É Naomí ou Naomi?- murmuro para o Nathan.
- As duas pronuncias estão certas. – ela responde primeiro. Sua voz é normal, um pouco mais fria que a do Leo.
- Cassandra, ela é a nossa assassina profissional. – Nathan se aproxima dela.
Fico estática encarando a menina a minha frente, se eu a visse na rua, não diria que ela seria capaz de matar alguém.
- Usa arma também?- encaro-a com medo.
- Não gosto de armas. – ela diz calma.
Olho para Nathan confusa.
- Uso facas ou qualquer coisa do gênero. – ela parece perceber meu estado confuso.
Agora eu sei por que ela trabalha aqui.
Sem eu não me engano, Nathan a chamou por causa do pai dele.
- Naomi, precisamos conversar. – Nathan faz um gesto com a mão.
Ela caminha confiante até o escritório e percebo que até Nathan tem um pouco de medo dela.
- Ela é foda. – Alek senta no sofá.
Concordo sem mesmo saber como ela é.
- Eu tenho medo dela. – murmuro.
Ele ri.
- Todos aqui têm medo dela.
- O Leo não parece ter. – balbucio encarando-o de relance na cozinha.
- O Leo é assim mesmo. – Alek sorri torto.
Encaro seus olhos verdes e lembro da Vic.
- Precisamos conversar. – encaro-o séria.
- É comigo?- ele inclina a cabeça.
- Não, com a minha avó. – sou ríspida.
Ele ri e levanta, caminhamos até o corredor e entramos na primeira porta que eu vejo, que é o banheiro.
- Olha aqui. – encaro Alek bem séria.
Ele encosta na parede.
- Se você fizer a Vic sofrer, eu acabo com você. – ameaço-o.
Ele engole seco.
- Como sabe?
- Ela me contou. – estreito os olhos- E é bom você ligar pra ela.
Ele balança a cabeça positivamente.
Encaro-o por um tempo, não tenho mais nada a falar, mas se ele vacilar com ela vai se arrepender. Saio do banheiro e vou até a cozinha pegar um copo de água.
Viro para ir até a mesa e dou de cara com a Naomi. Levo um susto e vou pra trás.
- Naomi. – ofego- Que susto.
- O elemento surpresa é a melhor tática para se matar. – murmura ela.
Concordo com o coração na mão e sento-me à mesa.
- Trabalha a quanto tempo aqui?- tomo um pouco de água.
- Desde meus 15 anos.
Meu deus, ela é uma assassina de nascença. E também deve conhecer muito bem o Nathan.
- O que diz sobre sua experiência?- encaro-a com mais coragem.
- Homens são iguais aranhas, os mais perigosos são os pequenos. – ela diz calma.
Isso é uma indireta? Pois eu não entendi.
- Como assim?- balbucio com medo da reação dela.
- Quando virar mafiosa irá entender essa metáfora. – ela sai andando calmamente até a sala.
Aperto o copo em minha mão, como assim? Quando eu virar mafiosa?
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