Abro os olhos com cuidado e vejo a expressão de espanto de Vic.

– Estou certa que o Nathan não esteja muito feliz com isso. – conclui ela.

Concordo meio hesitante.

– Por que está aqui?

Ela hesita em dizer.

– Eu não sei, ele que me trouxe pra cá. – ela aponta para o Alek.

Encaro-o e ele dá de ombros. Com certeza não é por ele que vou descobrir nada, recorremos ao príncipe misterioso.

Caminho até o escritório o mais rápido que posso e abro a porta, muito forte, fazendo a mesma bater com força na parede. Nathan ergue o olhar pra mim.

Engulo seco.

Ele larga a caneta e me encara terno.

– Pode me explicar o que está acontecendo aqui?- me aproximo.

– Sente-se. – ele aponta a cadeira em frente sua mesa.

Aproximo-me cautelosa da cadeira couro e sento.

– O que quer saber?- ele apoia os braços na mesa.

– O que você fez para chegar na fazenda daquele jeito?

– Eu acabei com a febre Ícaro. – ele sorri.

Encaro-o confusa.

– Acabei com a máfia do meu pai. – ele esclarece- Coloquei ponto final nessa perseguição idiota que eu sofria, dei um fim no meu pai.

O jeito frio com que ele se dirige a queda do pai me faz ter arrepios.

– Isso custou à vida de algumas pessoas. – continua ele- Custou o sofrimento de inocentes e de culpados, custou uma carnificina.

Engulo seco.

– E nem mesmo eu aguento isso. – ele contrai os lábios- Nem mesmo eu aguento ver tantas pessoas morrerem por um velho decrepito como ele, mas eu precisei ver com os meus próprios olhos a queda dele, precisei sentir na pele o sofrimento das pessoas, apenas para ter certeza que o meu pai tinha caído e nunca mais levantará com a mesma força.

Mordo o lábio inferior.

– Mas o que te fez chegar daquele jeito na fazenda da minha avó?

– Primeiro que eu te procurei muito antes no seu apartamento e outra menina abriu a porta, depois ninguém sabia de você na faculdade, a Vic estava evitando o Alek e eu não tinha nem sequer uma pista para te encontrar. – ele me encara- Depois o Muller está atrás de você e logico que pensei no pior.

O Muller ainda está atrás de mim?

– Isso não é motivo para chegar do jeito que você chegou. – rebato.

Ele dá de ombros.

– Ás vezes eu sou muito preocupado e me altero fácil, se bem que eu estava com muita raiva de você.

Abaixo a cabeça e aperto minhas mãos.

– Principalmente depois que eu descobri que tinha um tal de Enzo lá. – ele me encara.

Estremeço.

– Eu não tinha nada com ele. – murmuro.

– Eu sei. – ele sorri- Por isso não me importei com isso.

Concordo.

– Agora você entende?- ele inclina a cabeça e me encara.

Respiro fundo.

– Sabe, eu nunca vou entender você. – sorrio torto- Mas uma explicação nunca é demais.

– E desculpa se falei de aborto, mas eu realmente não queria ser pai. – murmura ele.

Sinto um aperto no peito.

– Não é nada com você. – ele de prontifica- Mas sim comigo, eu não tive um bom exemplo em casa e não tenho nem na minha vida, de fato essa criança não vai ser feliz aqui.

– Eu sei disso. – murmuro.

Levanto com dificuldade. Realmente ele fala a verdade e ela machuca, machuca mais que levar uma surra verbal do Nathan.

Tenho vontade de chorar, mas mantenho-me firme. Me aproximo da porta, até que sinto uma mão segurar o meu braço e me parar.

Continuo de costas pra ele.

– O que foi?

Ele me vira e me faz encarar seus olhos azuis.

– A sorte desse bebê é que eu gosto muito da mãe dele. – ele sorri.

Sorrio desconcertada.

Ele inclina a cabeça pra frente, deixando-nos muito perto um do outro. Hesito em meu aproximar, mas sinto impulso de beija-lo e matar a saudade, mesmo que reprimida em mim, existe. Embora eu não faça nada, continue parada, encarando os olhos azuis que percebo que amo e nunca deixarei de amar.

Seguro em sua camiseta, esfregando o polegar no tecido macio, sinto o cheiro dele, aquele cheiro que já estou acostumada a sentir. O cheiro delicioso do meu príncipe desencantado.

Nathan aproxima mais o corpo do meu e toca gentilmente em meus lábios trêmulos, suas mãos passam pelo meu corpo, parando em minha cintura e a outra sobe até minha nuca.

O beijo fica mais envolvente á medida que vou me rendendo, seguro sua camisa com força, puxando-o para mais perto de mim. Exploro sua boca como se fosse o nosso primeiro beijo, minha língua é persuadida pela dele, nossos corpos parecem querer se fundir um ao outro, o meu fôlego está indo, embora eu tente controlar a respiração para não cessar o beijo.

Nos afastamos ofegantes.

Sorrio corada e tento retomar o meu fôlego.

– Eu vou matar você, Alek!- alguém grita sala, presumo ser a Vic.

Saio do escritório às pressas, pois é bem provável acontecer isso.

Alek está branco encarando a Vic, mesma está tão nervosa, que se pudesse, matava o Alek com um só olhar.

Rolo os olhos pela sala e vejo Mariana sorrir triunfante sobre o casal, Lucas está do mesmo jeito que a Vic.

O que acontece aqui?

– O que está acontecendo aqui?- Nathan intervi.

– Pergunta pra esse desgraçado!- Vic rosna.

Encaro o Alek e depois a Mariana.

– Vic o que aconteceu?- franzo o cenho.

Ela me encara e vejo lagrimas se formarem em seus olhos.

– Ele me traiu Cassie. – ela diz baixo- Ele me traiu com ela. – ela aponta para Mari.

Meu queixo caiu e bateu no chão. Não sei nem o que dizer pra ela.

Nathan massageia a testa e respira fundo.

– Eu... – Alek começa se explicar.

– Cala a boca!- Vic grita, calando-o – Não quero escutar a sua voz.

Lucas não diz nada, apenas saí da sala batendo a porta. Mariana continua com o sorriso triunfante sobre a Vic, como se gostasse da situação.

Vic a encara de relance e de repente avança sobre ela. As duas caem no chão e começam a se agredir como duas adolescentes.

– Nathan faz alguma coisa!- empurro-o.

Ele continua parado encarando as duas se matarem no chão como se não as conhecesse.

– Eu faço. – resmungo.

Aproximo-me das duas, pegando a Mariana pelo cabelo e segurando a Vic.

– Você para!- grito autoritária, Vic obedece e senta no sofá- E você vai embora. – solto o cabelo de Mariana.

Ela se ajeita e sai tranquila pela porta da frente.

Alek observa tudo de longe, ele que devia ter apanhado.

– Você é o próximo. – Vic levanta e vai até ele.

Alek arregala os olhos e saí correndo escada a cima, Vic faz o mesmo.

Hesito em ir atrás deles.

– Não. – Nathan me encara- Deixa eles se resolverem sozinhos.

– Por que ela veio pra cá?- murmuro.

– A policia está atrás de nós na cidade, era arriscado deixa-la com a sua avó, pois servira como testemunha para o boletim de ocorrência assim como é arriscado ir pra cidade.

– Mas a minha avó vai fazer um do mesmo jeito.

– Eu sei, mas uma é diferente das duas na alegação. – ele sorri.

Contraio o lábio.