Notas iniciais
Quero agradecer as lindas; Gabriele Gomes, Kíssila, Liaah. Obrigado pelas recomendações, agradeço de coração mesmo!
Cap em

Continuo sentada na beirada da cama, encarando o chão de madeira. A porta do banheiro abre, ergo o olhar para ela e vejo Nathan.

Ele está com a feição mais suave e mais limpa também. No entanto, há um grande corte em sua testa.

- Sua testa... Hum... – contorço os lábios.

- Eu sei. – ele coloca o indicar em cima do ferimento com cuidado e faz uma careta.

- Não vai me falar o que você fez?- murmuro.

- Não. Mas você pode fazer um curativo?

Respiro fundo.

Ele volta para o banheiro e volta com duas toalhas, uma molhada e outra seca, e um kit de primeiros socorros.

Estico a toalha seca em meu colo.

- Deitei. – murmuro.

Ele coloca a cabeça em meu colo e fecha os olhos, pego um pacote de gaze e começo a limpeza.

Evito fitar os olhos azuis, que se encontram fechados. Minhas mãos tremem e acabo apertando demais o machuca.

- Ai. – ele resmunga fazendo careta.

- Desculpa. – balbucio.

Termino o curativo e encaro seu rosto sereno.

- Pode levantar. – murmuro.

Ele respira calmamente, mas não obedece.

- Nathan. – falo um pouco mais alto.

Seus olhos azuis aparecem novamente e me fitam. Prendo a respiração.

- Eu fui um idiota, não?- murmura ele.

- Sim. – falo convicta- Mas esse é você.

Ele sorri torto e cabisbaixo.

- Consegui. – ele sorri.

- Conseguiu o que?- franzo o cenho.

- Acabar de uma vez com o meu pai.

A respiração me falta.

- Você matou ele?- falo sem fôlego.

- Não, mas irá ficar em coma durante um bom tempo. – ele diz triunfante.

Contraio os lábios. Ainda me pergunto como ele consegue ser assim com o próprio pai...

- Bom, parabéns para você. – falo baixo.

- Ei. – ele levanta e senta de frente comigo- Não gosto de te ver assim.

- Prefere um sorriso falso?- rebato irônica.

Ele dá de ombros.

- Olha pra mim Nathan. – encaro-o – Acha mesmo que na situação que eu estou, eu deveria estar feliz?

O silêncio paira no ambiente, nenhum de nós diz nada. No entanto, o que podemos dizer?

Ainda não acredito nas atitudes do Nathan, estou em choque pelo o jeito que ele agiu comigo no quarto, o jeito que me empurrou na parede e como gritou comigo. Talvez isso seja difícil de relevar.

- Está de quantos meses?- murmura ele.

- Não sei. – dou de ombros.

- Não acha melhor fazer o pré-natal?

- Desde quando se preocupa com isso? Foi você mesmo que falou que era para eu fazer um aborto.

Sua expressão entristece e ele encolhe os ombros.

- Você não vai me desculpar, né?

- Eu não devia, mas você é o pai do meu filho, querendo ou não, vou ter que te aturar à vida inteira.

Ele sorri.

- Você precisa de tratamento medico. – murmuro.

Ele ri.

- Estou falando sério. – emburro.

- É normal eu ficar assim depois de tudo o que eu vi. – ele diz simplesmente- Só que eu achava que você estava morta.

- Morta?-indago.

- Fui ao seu apartamento e uma menina estranha abriu a porta, te procurei em todo lugar e ninguém sabia de você, tive que ir atrás da Vic e foi assim que eu te achei.

Tudo bem. Não posso negar, eu fui errada tanto quanto ele. De fato não tenho o direito de crucifica-lo assim que seu também agi errado, agi como adolescentes que fogem de casa, claramente quando são achados pelos pais, os mesmo estão possessos como o Nathan.

Ele me encara com jeito de menino, um olhar meigo e tentador, um rosto perfeito, embora ele não seja assim por dentro.

- Eu não consigo ficar nervosa com você, por muito tempo. – murmuro.

Ele ri.

- Idem de você.

Sorrio.

- Mas ainda estou chateada com você.

Nathan passa a mão no cabelo e respira fundo.

- Está certa. – ele levanta- Quer descer?

Aquiesço.

Descemos em silêncio, sem ao menos olhar um para o outro. Fui direto para o sofá da sala e Nathan para o escritório.

- Você está bem?- Naomi aparece do nada. Ataque cardíaco...

- Sim. – respiro fundo.

- Não parece. – ela sorri torto.

- Eu estou gravida. – falo direto.

Pra que esconder? Logo todos irão ficar sabendo.

Ela arregala os olhos e fica parada por uns instantes.

- De quantos meses?

Dou de ombros.

- Eu acabei de descobrir, nem pré-natal eu fiz ainda.

- Vai continuar?- ela inclina a cabeça.

- Claro.

- Achei que você não gostaria de ficar gravida de um mafioso.

- Me fode.

Ela ri.

Pela primeira vez, e acho que vai ser da vida inteira, vi a Naomi rir.

Sorrio torto.

- Um bebê não é uma doença. – ela diz afinal.

- Menos mal.

- Talvez uma criança mude a perspectiva de vida do Nathan, vai ser bom.

- Eu não acho isso...

Ela me encara terna.

- Dê tempo ao tempo. – ela sorri e sai.

Entendo o recado. Porém, até quando terei que ficar dando tempo a ele?

Minhas mãos escorregam automaticamente para o meu ventre e descansam ali, paradas.

Fecho os olhos e respiro fundo.

Relaxo todos os músculos do meu corpo, faz tempo que eu não faço isso que realmente consigo relaxar e escutar as batidas do meu coração.

- Me solta!- alguém grita.

Levanto em um salto do sofá e vejo Alek entrar segurando a Vic.

- Fique quieta. — ele resmunga.

Assim que ela me vê, seus olhos brilham e ela sorri.

Alek a solta e ela vem correndo até mim.

- Ele te machucou?- ela diz preocupada.

- Não. – sorrio- E em você?

Ela dá de ombros.

- Só fui um pouco teimosa- diz por fim.

Eles fizeram alguma coisa...

- O que ela faz aqui?- encaro Alek.

- Veio passar uns dias. – ele diz ríspido- E é bom se comportar.

Está claro que eles também não estão bem com o relacionamento.

Vic resmunga algo que não entendo.

- Eu preciso falar uma coisa. – murmuro.

- Pode falar. – ela sorri.

- Estou gravida. – fecho os olhos.

Alek quebra alguma coisa na cozinha e engasga, será que falei tão alto assim?

Vic continua em silêncio, não tenho coragem de abrir os olhos.