Acordo em minha cama. Não sei como eu fui parar ali. Porém, lembro-me muito bem do que aconteceu ontem. Começo a chorar de novo.

Cubro-me por inteira, não quero sair da cama, vou inventar qualquer coisa para a minha avó acreditar que estou debilitada. Não consigo pensar em nada que possa me tirar dessa, a não ser um aborto.

Mas isso é errado ou talvez não, essa coisa que está em minha barriga não é um feto ainda, eu espero que não.

A porta abre.

– Querida?- escuto a voz da minha avó.

– Sim. – murmuro, fazendo voz de doente.

– Saiu tarde ontem, o que houve?- ela senta na beirada da cama.

– Eu estava passando mal, fui comprar um comprimido.

– Creio que não vai querer ir comigo na cidade?- murmura ela.

– Desculpa vó, mas não estou bem.

– Tudo bem. – ela afaga meu pé coberto pelo edredom- Volto mais tarde.

– Tá bom.

Ela sai do quarto e eu volto a chorar. Talvez essa seja a única maneira de me acalmar no momento.

Abraço o meu travesseiro e afundo minha cabeça naquele pedaço de algodão.

Um filho. É isso mesmo, um filho do Nathan Frost, é isso que eu estou carregando, uma criança filha de um assassino, de um mafioso, de um cara cheio de problemas.

Levanto da cama e vou tomar uma ducha. Demoro um tempo lá dentro, preciso resfriar minha cabeça. Coloco uma roupa discreta e pulo a janela, corro para o celeiro e procuro pelo Troia.

Ele está na baia, um pouco mais calmo. Qualquer pessoa normal não entraria na baia com ele, mas eu já convivi com pessoas muito piores, atualmente não tenho mais medo de nada.

Abro a baia e entro meio de lado. Ele me encara cauteloso, todavia não faz nenhuma objeção.

Aproximo-me sem fazer movimentos bruscos, meus olhos estão banhados de lagrimas. Ele abaixa a cabeça, encostando-a em mim carinhosamente como consolo, abraço seu pescoço.

– Ô meu bebê. – murmuro- O que eu faço agora?

Ele respira fundo. Uma respiração forte e quente.

Abraço-o mais forte, senão sou capaz de chorar mais. Abraça-lo me faz bem, é confortante até demais, sentir algo quente me envolver e me dar consolo na hora que em penso que a melhor saída é a morte.

Nathan precisa saber que ele vai ter um filho, mas como encontra-lo agora? Ele vai querer me ver? Vai querer olhar na minha cara depois de tudo isso? Ou é melhor eu ficar em anônimo?

Afago o pescoço do Troia e respiro fundo.

Agora sim minha vida está de cabeça pra baixo. Porém pensando em um lado positivo, gravidez não é doença.


MINHA AVÓ chegou e parece que comprou algumas coisas, não entrei em casa ainda. Fui direto para o lago, estou sentada em uma grande pedra perto da beira do rio. A água está calma e silenciosa. Ao contrario de mim, estou a ponto da combustão.

Escuto minha avó gritar, e não parece aqueles gritos de susto normal.

Saio da pedra e encaro a casa, tem uns carros estranhos em frente ela. Corro colina à cima e vou para a porta dos fundos, o ar mal entra em meus pulmões e saí, causando dor na altura de minhas costelas.

Chego a frente à porta e abro bem devagar, sem causar ruído algum. A porta da direto na cozinha, consigo escutar vozes na sala, são masculinas e a da minha vó se sobressaí, ela parece estar chorando. Meu coração vem na boca e eu caminho até a sala.

Meus pés param automaticamente e eu encaro as pessoas na sala.

Minha avó chorando no sofá com uma arma apontada pra cabeça, a Vic está sentada na poltrona ao lado de minha avó, branca.

Rolo os olhos pela sala inteira e acho o Alek, ele está armado e muito sujo, Leo se encontra no mesmo estado e Lucas está apontando a arma para a minha avó. Até que encontro Nathan. Ele está muito sujo, mas é de sangue, seu rosto encontra-se com respingos de sangue, sua blusa com manchas imensas vermelhas e suas mãos lavadas em sangue.

A respiração me falta e não sei o que fazer.

Ele está diferente, seus olhos azuis ardem de raiva mortal e ele larga a arma, caminhando lentamente até mim.

Recuo ao mesmo tempo em que ele se aproxima, ele estica o braço e segura o meu, fazendo-me parar.

– Me solta. – murmuro.

– Por que está fugindo de mim?- ele diz ríspido.

Engulo seco.

– Hein?- ele aperta o meu braço com mais força.

– Por que está sujo de sangue?- murmuro com medo e mudo de assunto.

Ele vira para o Leo.

– Não deixe ninguém levanta e se alguém aparecer, mate. – ele diz sério.

Meu coração para. Eu nunca vi o Nathan assim...

Ele me arrasta para o quarto e tranca a porta.

– Quem você acha que é para ficar fugindo de mim?- ele diz nervoso.

– Eu... – minha garganta está seca.

– Sabe o quanto eu te procurei?- ele me corta- O quanto eu estou nervoso agora?

– Eu sei que você está nervoso. – murmuro.

– Por que fugiu de mim?- ele retoma a pergunta.

Repenso nos últimos acontecimentos.

– Porque essa não vida a minha vida. – murmuro- Não sai para matar.

– Eu não te obriguei a matar. – ele rebate.

– Mas eu vi, eu vi pessoas morrendo. – retruco.

– Só que não me culpe por isso, foi você que fez isso. – ele diz ríspido.

– E você queria que eu fizesse o que? Levasse o um tiro?

Ele passa a mão no cabelo, sujando o mesmo com a cor vermelha.

Sinto um aperto no peito e medo, medo de contar a verdade. Ele não está em um estado muito bom...

– O que você fez?- murmuro com medo.

– Eu matei pessoas. – ele diz simplesmente.

– Matar pessoas é tão normal pra você?- falo incrédula.

– Não está na cara?- ele diz ríspido.

Dou de ombros.

Acho que agora eu sei por que os meninos tem medo dele e dizem que é o mais frio de todos, e pior, ele é o pai do meu filho.

– Eu tenho que falar uma coisa. – falo quase chorando.

Ele fica em silêncio.

Ergo o olhar para ele e tomo fôlego.

– Nathan, eu estou gravida. – falo de uma vez e abaixo a cabeça.

Escuto um barulho no quarto.

– Como assim gravida?- ele diz incrédulo.

– Gravida, gestante, carregando um ser humano na barriga, gerar uma vida, gravida!

Ele soca a parede e resmunga alguma coisa. Contraio os lábios e sinto meu estomago revirar.

– Você não podia estar gravida. – ele diz ríspido.

– Acha que eu gostei disso?- retruco.

– Eu também não gostei. – ele diz sério.

Fico sem chão.