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64 Capítulo 25
Voltamos para o quarto e eu fico embaixo das cobertas vendo algo inútil na Tv. Nathan fala no telefone com o Leo e acho que é sobre o pai dele.
Sinto calafrios frequentes e me encolho mais.
A cama mexe, olho por cima dos ombros e vejo Nathan deitar atrás de mim.
- Está com febre?- murmura ele.
-Hum... Não. – franzo o cenho.
- Está mais quente que o normal. – ele me abraça.
- O que houve?- mudo de assunto.
- O Leo achou o meu pai. – ele diz em lamento.
- Aonde?- encaro-o por cima dos ombros.
- Em Las Vegas. – ele diz baixo.
- Por que ele estaria lá?- franzo o cenho.
- É lá que tem a maioria dos meus clientes. – ele sorri torto.
- Você vai pra lá?- falo meio sentimental.
Ele suspira.
- Sou obrigado. – murmura.
Suspiro.
- Quando?
- Sexta.
Daqui dois dias exatamente.
Contraio os lábios.
- Vai voltar?- pergunto cautelosa.
- Claro. – ele sorri- Acha mesmo que vou te deixar sozinha?
- Nunca se sabe o que vem de você, Nathan.
Algo estranho passa pela cabeça. Talvez com a ida do Nathan eu possa me libertar, porque isso não é pra mim, eu não sou disso e eu já tinha que ter percebido isso. Porém eu não sei por que estou pensando, mas tenho que concordar comigo mesma, tenho que ir embora logo, antes que algo mais forte nos una de novo.
Fecho os olhos e acabo dormindo.
**
Hoje é sexta, estou na sala de aula. Nathan já deve estar no avião ou até mesmo em Las Vegas. Estou mais aliviada com isso, longe dele eu consigo pensar melhor.
- Vamos?- Vic me encara.
Franzo o cenho.
- Liberaram mais cedo. – ela pisca pra mim.
- Ah. – exclama recolhendo minhas coisas.
Acompanho Vic em silêncio, ela está me falando alguma coisa engraçada- pois não para de rir, mas eu não estou prestando atenção.
- Você me escutou?- ela fala mais alto.
Respiro exaltada.
- Claro. – sorrio amarelo- Pode continuar.
- O Nathan embarcou hoje?- ela me encara.
Aquiesço.
- Por isso está assim?- ela coloca a mão no meu ombro.
- É que eu estive pensando coisas estranhas. – murmuro.
- Que tipo de coisa?- ela me encara confusa.
- De fugir. – balbucio.
- Por que fugiria?- ela franze o cenho- Aconteceu alguma coisa?
- É por causa disso, fugir para não acontecer nada. Vic eu não sirvo para o mundo dele, não sirvo para matar pessoas, não sirvo para traficar ou ganhar dinheiro sujo. – respiro- Esse mundo não é meu.
Ela morde o lábio.
- Você está certa. – murmura ela- Mas fugir não é a melhor opção.
- É sim. – falo firme- E também tenho medo.
- Medo?- ela diz baixo.
- Sim, medo de gostar dele mais do que eu possa suportar, de me sufocar em palavras para não gerar uma briga e de algo que nos faça ficar mais juntos do que o sequestro.
- É melhor você acabar com o esse negocio do sequestro pra depois fugir. – ela opina.
Dou de ombros.
Tenho um almoço com a minha avó em um restaurante italiano hoje, estou disposta em colocar as cartas na mesa e jogar limpo e para isso, eu preciso dela.
Entro no meu carro e desperto o motor com um ronco forte, acelero e faça-o desfilar pelas ruas até o restaurante.
O local lembra muita coisa da Itália, desde quadros nas paredes ao cheiro da comida.
Minha vó está sentada em um canto. Respiro fundo e caminho até lá firme.
- Oi. – sento de frente pra ela.
- Oi querida, está melhor?- ela me encara.
- Sim.
- O que gostaria de me falar?- ela sorri.
Por onde eu começo? Pelo sequestro ou pela parte que eu não sou neta dela?
- Minha mãe gostava de mim como filha?- as palavras escapam de minha boca.
- Ela te amava Cassandra, oras, você era filha dela. – ela diz sem entender.
Aquela dor aparece e eu sinto vontade de chorar.
- Não vó, eu não sou filha dela. – murmuro baixo.
Minha vó arregala os olhos e fica tensa.
- Meu a traiu e eu sou só o fruto dessa traição. – falo segurando as lagrimas.
Ela respira.
- Quem te contou isso?- ela sussurra.
Franzo o cenho.
Minha avó sabia disso?
- Você sabia?- falo exaltada.
- Sua mãe também sabia. – ela diz baixo.
Arregalo os olhos.
- Ela sabia da traição, da gravidez e de você.
- Por que ela continuo com o meu pai?- balbucio.
- Porque mesmo a traindo, ele voltou pra ela e ela relevou, então veio você. Ela não podia ter filhos, então você foi o melhor presente, ela deixou de lado a questão pessoal da traição e apenas focou naquela bebê que estava em seus braços. O seu pai continuo com o casamento normalmente e eles viveram felizes até o acidente.
Respiro fundo.
- Mas vó, o acidente foi proporcional. – murmuro.
Minha vó para, até acho que ela teve uma parada respiratória.
- O sócio do meu pai descobriu a traição e se vingou, o que causou o acidente. – murmuro.
- Minha filha morreu por vingança?- ela diz baixo como se não acreditasse.
- Sim. – murmuro e sinto as lagrimas escorrerem- Eu sinto muito.
Me sinto como o Nathan, a culpa da morte dela recai sobre os meus ombros agora e não tenho mais postura e caio em lagrimas.
- Não chore querida. – ela afaga a minha mão- Já aconteceu, o que podemos fazer?
Respiro fundo e engulo as lagrimas.
Agora é hora de abrir o jogo.
Quando eu vou falar, o garçom entrega os nossos pratos.
Encaro o prato de macarronada, mas não tenho apetite. Minha da apenas uma revira na comida, apenas para dizer que comeu.
- Vó, eu fui sequestrada. – falo tudo de uma vez, escuto-a soltar o garfo.
- Como assim?- ela diz exaltada.
- Calma. Isso já faz meses. – tento tranquiliza-la.
- E você não me contou?- indaga.
- Eles estavam na minha cola, não dava. – tento arranjar uma desculpa razoável- Mas agora estou livre. – sorrio.
- O que eles queriam?- ela diz baixo- Eles fizeram algo com você.
- Não, estou bem, literalmente. – falo firme- Era por causa da minha herança, o sócio do meu pai está atrás de mim e pediu o meu sequestro.
Ela fica tensa.
- Eu não dei a herança e consegui fugir. – resumo a historia.
- Mas...
- Vó. – corto-a – Você precisa me ajudar.
- Pode falar.
- Me ajude a fugir. – murmuro- Fugir para bem longe daqui, eu preciso pensar em tudo o que me aconteceu e ficar o mais longe possível dele.
Por que eu estou fazendo? Boa pergunta, eu realmente não sei, mas eu necessito disso como alguém que vai ao shopping sem intenção nenhuma e compra uma bolsa por pura necessidade de tê-la é assim que eu me sinto, tenho que me certificar de ter distancia e só assim que terei segurança pra mim, e não do jeito que eu estou fazendo, virando uma como eles.
- Tranque sua matricula na faculdade e venha comigo para a fazenda. – ela diz me tirando do devaneio.
- Ótima ideia vó, irei fazer isso. – falo concordando.
- Então faça e assim que conseguir, iremos o mais rápido possível embora e você vai me contar direito essa historia. – ela diz séria.
Primeiro eu tenho que contar essa historia pra mim mesma então estarei pronta para contar isso a ela.
- Tudo bem. – murmuro.
Espero que isso aconteça antes do Nathan voltar.
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