Businesses Will Part
65 Capítulo 26
Coragem. Foi isso que me faltou na hora de falar; Eu não quero mais estudar. Foi ai que me deu vontade de desistir, mas não. Eu falei e pronto, tranquei minha matricula e a validade é até daqui uns dois anos.
Fiz minhas malas e estou partindo para o campo, ainda não sei o motivo. Ando meio estranha esses dias, mas os enjoos pararam.
– Vamos?- minha vó abre o porta-malas.
Concordo e coloco a mala lá dentro.
– Pronta. – falo confiante.
Entro no carro e respiro fundo. Lá vou eu...
Talvez eu esteja cometendo o pior erro da minha vida ou talvez não, talvez isso seja a coisa certa a fazer. Afinal ficar com ele eu tenho o risco de morrer.
ODEIO ficar no carro durante muito tempo, minha bunda fica doendo e meus joelhos travam em uma única posição e depois doem quando fico de pé novamente. Mas já me acostumei a isso, andei muito de carro com o Nathan. Ah Nathan.
Saio do carro e respiro fundo. O ar puro parece não pesar em meus pulmões e o cheiro de grama molhada invade o meu olfato.
– Vou chamar o caseiro. – minha vó saí andando até a pequena casa perto do lago.
Observo o celeiro e lembro-me de minha infância ali. Caminho até lá, observando tudo e me lembrando de tudo.
Entro e ele não mudou nada, continua com feno, selas, arrepios, uma charrete velha e alguns cavalos. Procuro por Troia.
Vejo um lindo corcel negro na ultima sela, caminho até ele. O mesmo está agitado e batendo na porta, hesito em me aproximar. Esse é o meu Troia.
– Hum... Desculpa, mas ele não é acostumado com estranhos. – alguém fala perto de mim.
Viro e vejo um garoto, deve ter a minha idade, cabelos castanhos, olhos da mesma cor, é alto e forte, tem a pele clara, realmente muito bonito.
– Eu sou a dona dele. – sorrio triunfante.
Ele arregala os olhos e abre a boca em O.
– Nunca pense que uma menina montasse um cavalo como ele. – ele diz baixo.
– Que preconceito. – sorrio.
– Não, não é isso. – ele diz rápido- É que ele é muito rebelde.
Concordo.
– Você é... ?- franzo o cenho.
– Enzo, filho do caseiro e imagino que você seja a Cassandra, neta da dona.
– Sim, como sabe?
– Sua vó fala muito de você. – ele sorri.
– Ah. – não duvido muito disso.
– Quer que eu o sele?- opina o rapaz.
– Não. Só vim ver como ele estava. – sorrio.
– Tudo bem, qualquer coisa é só falar.
Concordo e saio andando.
Entro na casa, ela é grande e térrea, ótima para a minha vó, também é rustica, com moveis antigos e de madeira. Meu quarto é o ultimo do corredor. Continua com aquele ar infantil.
Paredes rosas, brinquedos, ursinhos, bonecas. Uma cama de casal com edredom branco, armários de madeira branca, um espelho no canto da parede e algumas fotos.
Comecei a arrumar minhas roupas no armário, até que minha vó entra no meu quarto.
– Pode me explicar agora?- ela senta na beirada da cama.
Respiro fundo e tomo fôlego.
– Bem, pra começar, eu fui sequestrada por causa da minha herança, como é norma sequestrarem pessoas ricas pelo dinheiro. Mas eu descobri que quem pediu meu sequestro foi o sócio do meu pai e que era para pegarem minha herança e me matarem logo em seguida. – contrai os lábios- Mas isso não aconteceu porque minha mãe verdadeira é casada com esse tal sócio e ofereceu uma quantia maior para eu continuar viva e então aqui estou eu. – sorrio amarelo.
Minha vó não diz nada, apenas me encara ainda processando a informação.
– Graças a deus que ela apareceu. – minha avó finalmente fala.
Respiro aliviada.
– Agora entende?- murmuro.
– Sim e garanto que esse cara não vai mais voltar. – ela aperta a minha mão- Você precisa descansar.
Passo a mão no cabelo.
– Posso andar no Troia?- pergunto baixo.
– Claro, se ele ainda permitir ser montado. – ela ri.
Sorrio e levanto.
Volto para o celeiro e Enzo ainda está lá.
– Hum... Pode selar o Troia pra mim?- murmuro.
Ele vira e me encara.
– Claro.
Espero durante uns 10 minutos ou até menos e Troia já está prontinho para a montaria.
– Sabe montar?- Enzo me encara.
– Não. – falo meio ruborizada.
Ainda sei andar a cavalo?
– Bom, eu ajudo. – ele sorri.
Caminho até o Troia e seguro na rédea e na sela. Enzo junta as mãos e faz pezinho, dando impulso, logo consigo montar no Troia.
– Sabe como guia-lo?- Enzo me encara.
Ele é meu cavalo, logico que eu sei!
– Sim. – sorrio.
Toco Troia para fora do celeiro e vou em direção a trilha, antes de entrar na mesma, começo em um galope leve, me acostumando com o Troia novamente. Faz anos que eu não o monto, mas parece que só faz algumas horas.
Em cima dele, sinto a liberta que geralmente me privo, sinto-me como um pássaro voando livre, fora da gaiola e longe do medo. Me sinto longe de mim mesma.
E isso é bom, muito bom.
**
Chego em casa na hora do almoço, coloco Troia de novo no celeiro e sigo para a casa.
Minha vó está na sala mexendo em algo que a distrai e um cheiro ótimo vem da cozinha.
– Aonde andou?
Meu coração dispara.
– Na trilha. – sorrio.
– Ele pode ser montado?- ela sorri.
– Claro. – rio- Ele é normal.
– Se você diz...
O almoço não demora muito assim como eu não demoro muito para me acostumar com o ambiente.
**
Os dias passam rápido no campo, porém cada dia você faz algo diferente.
Coloquei o meu apartamento para locação e evito de ir em lugares com muitas pessoas, prefiro ficar na fazenda, andar no Troia e conversar com o Enzo no final da tarde.
Não tive noticias do Nathan, o que no meu estado é bom. Ficar longe dele me faz repensar nas coisas. Eu nunca poderia me envolver com a máfia igual eu me envolvi, eu poderia ter sido presa, morta, trafica, roubada e muitas outras coisas, graças a minha mãe eu estou bem.
– Por que resolveu vir pra cá?- Enzo me desperta.
– Eu precisa respirar um pouco. – murmuro.
– Sua vida é tão complicada assim?
Rio.
– Não, mas os últimos acontecimentos vem bagunçando minha mente e fica meio difícil ficar assim.
– Acontecimentos com o namorado?- ele me encara.
Sorrio e respiro fundo logo em seguida.
– Talvez.
Se ele fosse apenas o meu namorado.
Fale com o autor