Notas iniciais
gostaram da capa nova ou preferem a antiga?

Os olhos azuis estão me encarando, minha respiração está acelerado, meu corpo suado e minha respiração ruidosa. Ele sussurra algo que eu não entendo, mas mesmo assim gosto.

- Cassandra. – ele me encara.

Não consigo dizer nada.

- Cassandra. – ele volta a dizer um pouco mais alto.

- Cassandra!- alguém grita e bate em algo com força.

Volto para a realidade e vou pra trás, caindo da cadeira.

Minha palpitação está acelerada e mal consigo respirar, aquilo foi um pensamento?

- Pensamentos pervertidos?- Vic me encara sorrindo maliciosa.

Sinto meu rosto queimar e meu pescoço engrossar, tenho vontade de enfiar minha cabeça embaixo da terra e não sair mais.

- Claro que não. – quase gaguejo- Por que a pergunta?

- Só pelo jeito que você respirava. – ela pisca pra mim.

Levanto meio sem jeito e encaro o refeitório, algumas pessoas ainda me encaram, outras riem e outras simplesmente ignoram.

- Não faça mais isso. – resmungo arrumando minha cadeira.

- Então para de sonhar acordada. – ela ri.

Reviro os olhos.

- Só estou com muito sono. – abaixo a cabeça na mesa.

- Hum... O que você fez ontem para te deixar assim? – ela diz curiosa e se aproxima mais de mim.

Levanto a cabeça e assim que a encaro, rio nervosa.

- Talvez eu tenha feito coisa de gente grande. – sorrio amarelo.

- Você não é mais virgem?- ela arregala os olhos.

Ops, esqueci de falar pra ela.

- Faz tempo. – balbucio.

- E você não me fala?!- ela diz exaltada e bate na mesa.

- Hey!- seguro a mão dela- Eu esqueci, você viu como é minha vida com ele.

Ela revira os olhos.

- Desse jeito, vocês vão casar.

- Não. – resmungo.

- Você não quer casar com ele?- ela me encara.

Ah, lá vem a Vic com suas perguntas nada discretas.

- Da onde o papo ficou tão intimo?- encaro-o.

- A partir do momento em que você tem fetiches por ele. – ela sorri triunfante.

Me encolho na cadeira.

- Não é nem que eu não quero, não daria certo. – murmuro.

- Por que não?- ela inclina a cabeça.

- Olha o mundo dele e olha o meu. – contraio o lábio.

- A única coisa que interrompe vocês é o orgulho. – ela diz logica- Senão fosse isso, estariam no céu.

Agradeço por ter meu orgulho.

- Vamos falar de outra coisa?- corto-a – Me passa a matéria que eu perdi.

Ela me entrega o caderno e eu começo a copiar e depois ela me explica por cima do que se trata.

**

Estou na porta da faculdade, revirando minha mochila a procura da chave do meu apartamento.

- Tchau thuthuca, minha mãe está lá em casa. – Vic me encara.

- Tchau. – sorrio.

Ela manda um beijo e sai andando. Abaixo novamente e volto a mexer na minha mala. Realmente eu tenho que me organizar mais, minha mochila é tipo minha reserva de bagunça, tem de todo aqui.

Ô inferno, onde eu coloquei essa maldita chave!

Sinto mãos quentes em meu ombro, viro bem devagar e com cautela. Ergo a cabeça e vejo os olhos azuis e nesse exato momento, lembro do refeitório e do tal “pensamento” que tive. Coro.

- Oi. – ele sorri.

- Oi. – desvio o olhar.

- O que está procurando?- ele ajoelha ao meu lado.

- A chave do meu apartamento. – mexo rápido em minha bolsa, tem coisas aqui que ele não precisa saber que existe.

- Quer ir a um restaurante?- ele me encara.

Passos a mão no cabelo.

- Não é por nada. Mas estou cansada, quero a minha cama.

Ele sorri.

MINHA cama nesse momento é o melhor lugar do mundo. O Percy está deitado no meu pé, Nathan está cochilando ao meu lado e eu apenas admirando a paisagem.

De repente as palavras da Vic me assombram; Você não quer casar com ele?

Onde ela está com a cabeça em pensa em casamento? Não somos, relativamente, um casal para essas coisas. Ele é mafioso, nunca me admitiria casando com um mafioso.

Fecho os olhos.

Ah... Quem eu quero enganar? Deve estar na cara que eu gosto dele. De fato não para casar, sou muito nova para isso e ele também, prefiro ficar como está.

Abro os olhos de novo e Nathan está me encarando sério e meio magoado.

Será que eu fiz algo errado?

Noto uma lagrima escorrendo no canto do seu olho e ele inspira fundo.

- Eu matei minha mãe Cassandra. – murmura ele bem baixo.

Solto o ar pesadamente e arregalo olhos.

Que merda é essa Frost?!

- Nathan- me afasto dele-, do que você está falando?

Ele levanta e senta na beirada da cama.

- Não aguento mais esconder isso, é como se eu estivesse me sufocando. – murmura ele.

- Nathan... – não consigo raciocinar.

- Eu tinha uns 13 anos ou 14 anos. – ele diz baixo, quase inaudível.

Engulo seco.

- Ela e o meu pai estavam brigando de novo, eu não sei o motivo. Eu estava parado no corredor, observando a briga deles. Não consegui defende-la, na ultima vez que fiz isso, ele quebrou o meu braço. – ele passa a mão no cabelo.

Meu coração está acelerado e eu tenho uma vontade louca de chorar, porém não sei o motivo.

- E então ela gritou alguma coisa terrível pra ele. – ele diz em sussurro- Eu o vi sacar a arma, corri em direção deles e tentei tira-la dela, naquele momento... Naquele momento eu gostaria de pode parar no tempo, mas isso não aconteceu e houve o disparo. – ele diz baixo, que acho que está chorando.

Sinto um aperto no peito e uma lagrima involuntária escorre pelo canto de meu olho. Me aproximo dele.

- Você não teve culpa. – murmuro.

- Eu tive sim. – ele me encara com os olhos mareados- As brigas deles sempre eram motivas a meu respeito.

- Nathan você era só uma criança. – afago as costas dele em consolo- Você nunca imaginaria essa atitude do seu pai.

- Eu não era uma criança!- esbraveja ele- Eu sabia o que era certo e errado, mas mesmo assim fiquei em silêncio, não chamei socorro e não a ajudei.

Será por isso que ele é tão fechado em relação a mãe dele. Por isso diz que nem isso pode preservar, que nem pra isso ele serviu. Ele se culpa de algo que não cometeu, como se tivesse remorso de não ter dado ajuda, mesmo que não tivesse condição para tal ato.

- Pense bem antes de se culpar Nathan-murmuro-, disso você não teve culpa.

Ele não diz nada e consigo notar as lagrimas em seus olhos.

Será que é com isso que ele tem pesadelos a noite?

Nathan deita o corpo e me leva junto me abraçando.

- Eu sempre tenho pesadelos com isso. – murmura ele- Mas perto de você eu me sinto mais seguro. – ele me aperta junto ao corpo.

Não tenho palavras, apenas uma vontade de chorar junto com ele.

- A culpa é minha de ter te colocado no meio da máfia. Eu só tenho medo de ser igual o meu pai, de fazer o que ele faz. – murmura ele- Entende?

Ah, meu menininho. Nathan tem um sério problema de achar que será igual o pai em tudo, tirando a máfia. Esse é o nosso problema, o medo incontrolável dele de ser igual o pai.

- Você não vai ser igual ele. – afago seus cabelos negros.

- Como você sabe?- ele me encara com os azuis claros como a água.

Dou de ombros.