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41 Capítulo 2- segunda temporada
Notas iniciais
Estou sentada na poltrona, com Percy em meu colo, encarando o menino de olhos azuis a minha frente e parece séria.
- Por que me encara assim?- ele inclina a cabeça.
- Estou com vontade de te matar de novo. – confesso.
Ele ri.
- Nossa, não é para tanta Cassandra. – ele me encara.
- Você não sabe o que eu sofri, então cala a boca. – sou ríspida.
- Tudo bem, discutimos isso depois. – ele concorda.
- Agora pode falar o que você tinha de tão importante. – me ajeito na poltrona.
- Bem, quando eu levei o tiro, fui para o hospital e passei por todo o tratamento que eu precisava. Achei melhor falar que eu havia morrido, por que se isso não tivesse acontecido, Fred viria atrás de mim e a Melissa também, e se dessa vez o tiro fosse a você e se machucasse sério? Isso me atormentou demais, então achei melhor me passar como morto, expliquei o que era para ser feito ao Alek e era para você ficar longe disso, mas não, você quis participar.
E mais uma vez, ele tenta me proteger e acaba me machucando.
- Você ainda não aprendeu que quanto mais me protege mais me machuca?- inclino a cabeça e o encaro, do mesmo jeito que ele faz comigo.
- Eu preferi de machucar desse jeito a do jeito que eu fui machucado.
É ele tem razão, é melhor chorar por ele do que levar um tiro e quase morrer.
- Já imaginou como eu ficaria se você tivesse levado o tiro?- ele me encara sério.
- Não e nem quero. – contraio os lábios.
Ele passa a mão no cabelo e respiro fundo.
- O fato é, eu fiquei afastado de tudo mundo, refletindo sobre a minha própria vida, coisa que é muito normal eu fazer. Mas tem algo que vem me perturbando...
- O que?- franzo o cenho.
- O meu pai, ele está voltando e ele está atrás de mim, de novo.
Arregalo os olhos e fico estática, não preciso saber muito sobre o pai do Nathan para saber que eles não se gostam muito.
- Mas qual o problema dele voltar?- balbucio.
- O problema é que ele era sócio do Fred e depois da morte do mesmo, ele entrou em falência e antes dele sumir da minha vida, fizemos um juramento que nenhum interferiria nos negócios do outro, senão seria morte certa e agora...
Puta merda, o pai seria mesmo capaz de matar o próprio filho.
- Seu pai mataria você?- indago.
- Talvez, mas ele sabe de você e ele não aprova nada o nosso “casamento”, como ele não é nada burro, ele sabe muito bem que você vale mais do que os bens matérias que eu tenho. – ele engole seco- Então talvez ele busque vingança por você.
Congelo em cima da poltrona. Agora eu sou o alvo?
- Espera, deixe-me raciocinar com você. Seu pai é um mafioso falido por sua causa, vocês nunca se falaram antes e ele é capaz de te matar para voltar aos seus dias gloria, só que agora ele fará o que prometeu fazer e você está fugindo dele.
- É quase isso. – ele sorri.
- Ele é tão poderoso assim?
- Ele é um mafioso antigo, os antigos sãos os mais ferrados, por que eles já conhecem tudo e raramente são eliminados da máfia. – ele comenta baixo.
- O seu pai consegue te tirar do poder, mas você não consegue tirar ele, é isso?
- Sim, é isso. – ele encara o chão.
Passo a mão no cabelo. Nunca vi o Nathan com tanto medo.
- O que vai fazer?- murmuro.
- Me preparar para a guerra. – ele volta a me encarar- Por que vai ter.
Já ouvi falar de guerras entre mafiosos, mas nunca achei que existisse de verdade.
- Creio que o seu pai tenho um exercito. – falo irônica.
Ele concorda.
- Mas eu tenho o Leo. – ele ri- E também tenho clientes fieis.
Afago as costas do Percy e encaro o Nathan, ele está realmente em pânico, o pai nunca foi um figura muito positiva pra ele.
- Eu posso ajudar. – murmuro.
- Não preciso da sua ajuda. – murmura ele.
- Eu matei a Melissa. – falo triunfante.
- Você fez o que?- ele indaga.
- Matei que quase te matou. – sorrio torto.
- Eu mandei você ficar longe disso!- ele pragueja.
- Você estava morto, eu não obedeci mais nenhuma de suas paranoias. – rebato calma.
- Quando você criar jeito e me escutar?- ele é ríspido.
- Quando você enxergar o meu lado da historia!- praguejo e levanto da poltrona.
Ele respira fundo e me abraça.
- Desculpa. – ele me aperta contra o seu corpo- Eu estou com medo.
Sinto um dor no peito e uma vontade de chorar estranha.
Me afasto dele e segura sua cabeça entre minhas mãos.
- Ei, eu estou aqui. Por mais que me obrigue a ficar quieta, eu não vou ficar, por que eu sei o que é bom e ruim pra nós mesmo. – falo encarando seus olhos azuis.
- Mas o meu pai... – balbucia ele.
- Eu não tenho medo de velhos. – sorrio torto.
Ele ri e inclina a cabeça pra frente, tocando os meus lábios suavemente, inclino pra frente e deixo o beijo mais profundo.
Era disso que eu preciso, eu preciso dele e de mais nada. Ele é o meu remédio, ele é minha cura, ele é minha raiva e meu amor.
O beijo fica mais urgente, mais necessitado. Eu exploro sua boca como se fosse a primeira vez que nos beijamos, sua língua persuadi minha boca e domina o beijo, como sempre.
Nos afastamos ofegantes. Encaro os olhos azuis novamente.
- Você continua com a mesma cor de cabelo. – ele sorri ofegante.
- Ah, eu não tingi de novo, essa cor ficou legal. – sorrio tímida.
Por mais que ele de seus sorrisos perfeitos e contagiantes, seus olhos não mentem. Ele está realmente com medo e em pânico, não quero nem pensar em ver pai e filho frente a frente.
Então, encarando esse mesmo olhos azuis, me lembro de suas palavras: Eu também amo.
Respiro fundo. Pena que foram apenas palavras.
- O que foi?- ele me analisa.
- Nada. – balanço a cabeça afastando os pensamentos- Só lembrei de quando eu pensava que você estava morto, foi horrível.
- Não vou te deixar tão cedo. – ele ri petulante.
- Espero que não.
Ficamos em silêncio.
- Preciso avisar os meninos sobre isso. – ele comenta para ele mesmo.
- Pode avisar amanhã?- faço uma cara meiga.
Ele franze o cenho.
- Quero matar a saudade. – sorrio tímida.
Ele se dá por vencido.
- Tudo bem. – ele sorri torto.
Mordo o lábio inferior e sinto a felicidade me dominar de novo.
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