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57 Capítulo 18
Notas iniciais
Estou sentada, mãos e pés amarrados com certa força. Abro um pouco mais os olhos, estou em um lugar pouco iluminado.
Tem pessoas me cercando, mas ainda não sei distinguir se são homens ou mulheres.
- Cassandra. – alguém fala comigo.
Olho em volta e vejo Muller.
- O que? O que eu estou fazendo aqui?- falo ainda confusa.
Ele ri.
- Achou que ia fugir de mim?- ele cruza os braços.
- Eu nunca vi você na minha vida.
Esse cara deve ter graves distúrbios mentais, não é possível.
- Mas eu vi você, vi você quando era uma bebê. Quase vi você crescer.
Arregalo os olhos.
- Quê?- indago.
- O seu pai sempre foi super protetor com você e eu nunca pude chegar perto. – ele diz cínico.
- Não entendo. – balanço a cabeça negativamente.
O que esse cara quer comigo? O que ele sabe sobre o meu pai e minha infância?
Olho em volta e vejo uma mulher de cabelos castanhos e olhos cinzas, ela está encolhida e parece ter chorado.
- Sabe essa mulher... – ele aponta para a mulher no canto- Essa mulher me traiu com o seu pai.
Fico estática. Como o meu pai pode ter feito isso com a minha mãe?
- Nós éramos sócios na empresa dele, eu o ajudei a fazer a empresa subir e ganhar fama, mas olhe como ele me retribuiu... Traindo-me com minha própria esposa. – ele diz ríspido.
Abaixo a cabeça e respiro fundo. Meu pai não pode ser esse homem que Muller está dizendo, ele não seria capaz de trair a minha mãe com outra mulher.
- Ela ficou gravida. – Muller continua- Eu fiquei parecendo um idiota de alegre por ter um filho, mas então veio à bomba, ela perdeu o bebê. Nunca fiquei tão triste na minha vida, parei um pouco com a máfia e fiquei apoiando-a a continuar. – ele diz em lamento- Esse foi o meu pior erro Cassandra.
O que a mulher que perdeu o bebê tem haver comigo?
- Olha desculpa, eu só quero saber por que estou aqui. – sorrio torto.
- Calma, os anos passaram e eu me remoendo pelo filho que não pude ter. Quando descobri a traição de minha mulher, eu tinha que me vingar e então causei a morte dos seus pais. – ele me encara.
Me mexo na cadeira.
Então não foi um acidente, estava encomendado. Eu fui tirada brutalmente dos meus pais por vingança?
Lagrimas se formam em meus olhos.
- Claro que não era para a sua mãe morrer junto, ela também era uma vitima, mas ela estava no lugar errado aquele dia. Então veio ela resolveu abrir a boca.
Encaro a mulher.
- Ela não tinha perdido o bebê coisa nenhuma, ela entregou o bebê ao seu pai, pois a Catharina não podia ter filho e ela não podia ficar com um filho de uma traição.
Arregalo os olhos.
Então eu não sou filha da minha mãe, eu sou filha dessa mulher com o meu pai?
- Você Cassandra, não passa de uma bastarda naquela família. – Muller me encara.
- Não é verdade. Eu era filha do meu pai.
- Sim. – ele concorda- Mas essa herança que você carrega é de minha autoria.
Ah não é mesmo.
- Essa herança é minha, eu ainda tenho o sangue do meu pai nas veias. – praguejo.
- Mas ele nunca te assumiu. – Muller rebate.
- Mentira, eu sempre fui tratada como filha dele, coisa que eu sou!
- Eu posso fazer isso com qualquer um, o seu papai querido não te assumiu no papel, então você não tem direito da herança.
- Logico que tenho!
- A herança é minha, por isso contratei o Nathan para acabar de uma vez como você, porém estou vendo que ele não fez o combinado.
- Por que me trouxe aqui então? Poderia ter me matado no armazém.
Ele ri alto.
- Eu só queria deixar sua mãe te ver pela ultima vez. – ele encara a mulher de relance.
Faço o mesmo.
Eu nunca irei considera-la como minha mãe, ela não é nada minha e nunca vai ser.
- O Nathan vai vir atrás de mim. – falo convencida.
- Deixo-o vir. – Muller sorri- Deixo-o invadir minha casa a sua procura, ele pode fazer o que quiser aqui, já será tarde demais para isso.
Meu coração acelera e eu sinto náuseas.
Estufo o peito e fico ereta na cadeira.
- Então anda, termine logo com isso.
Ele me encara com os olhos arregalados e depois sorri.
Eu não tenho mais medo de nada, depois de saber realmente da minha historia verdade. Tenho nojo de todos, principalmente do meu pai, isso é como uma ancora que sou obrigada a carregar a vida inteira.
Muller se aproxima de mim.
- Ainda preciso atormentar seu namorado. – ele afaga meu rosto.
Viro o rosto.
- Ele vai adorar saber que você ainda está viva. – ele se afasta de mim.
Continuo com o rosto virado e com a cabeça baixa. Tenho vontade de chorar, mas não consigo, o choro está preso em minha garganta assim como a vontade de sair correndo.
Essa noticia ainda pesa em minha mente, a traição que minha mãe foi vitima de lidar a vida inteira, o jeito que ela me amou sem ao menos saber que eu era fruto de uma traição, como ele amou o meu pai sem saber de nada e morreu inocente do assunto.
E como o meu próprio pai não foi capaz de me assumir? Mesmo eu sendo filha dele, ele não fez isso...
- Cassandra. – uma voz doce me chama.
Olho em volta e vejo a mulher se aproximar de mim.
- Fique longe de mim. – falo entre dentes.
- Eu sei que você me odeia, eu não ligo. – ela sorri torto- Quero que saiba que eu não fiz isso por mal, eu só não queria que você vivesse nesse mundo, vendo mortes e armas lhe cercando, nenhuma criança merece isso.
Respiro fundo e repentinamente lembro-me de Nathan e sua infância.
- Então eu lhe dei para o seu pai, eu sabia que sua vida com ele seria melhor que aqui comigo. – ela diz com lagrimas nos olhos- Mas eu nunca deixei de te ver, mesmo que seja de longe e fiz de tudo para que o Muller não descobrisse você, mas acho que foi inevitável.
As lagrimas escorrem pelo o meu rosto.
Não sei o que dizer, apenas prefiro escutar e ficar em silêncio, assim como a Naomi.
- Quando eu descobri sobre o sequestro e sobre a sua morte... Nunca senti tanto desespero na minha vida, então eu procurei o Nathan.
Meu coração para e eu começo a prestar mais atenção.
- Eu implorei para ele não te matar, eu cheguei até a pagar uma boa quantia em dinheiro para ele não lhe fizer nada de mal, e ele cumpriu o nosso combinado e falsificou sua morte, fiquei bem até que o Muller te descobriu de novo.
Então quer dizer que o Nathan teria coragem de me matar, ele ia me matar, se não fosse essa mulher falar com ele. Ele escondeu mais uma vez algo de mim e agora, machucou de verdade. Quer dizer que ele não teve coragem de me matar e sim ele recebeu uma oferta melhor para me manter viva.
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