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58 Capítulo 19
Notas iniciais
Ps: Se o cap ficou chato é culpa da minha dor de cabeça!
Já cansei de chorar, já cansei de gritas, já cansei de tentar me soltar. Agora estou vulnerável e qualquer coisa que o Muller quiser fazer comigo.
A casa tem muito movimento, consigo escutar os passos das pessoas andando de um lado para o outro. Mexo-me na cadeira e quase caio de costas.
Eu preciso sair daqui...
Escuto passos na escada de madeira do porão, mexo-me mais forte e a cadeira range, não tenho mais voz para falar nada e minha garganta doí.
- Calma. – é aquela mulher- Eu vim aqui te ajudar.
Paro e encaro-a. Ela não é feia, é até muito bonita para namorar o Muller.
- Está com por dinheiro?- minha voz sai tão baixa que nem sei se ela conseguiu escutar.
Ela para um pouco, analisando minha pergunta e logo depois sorri.
- Não, todos devem pensar nisso, né?- ela se aproxima.
Aquiesço.
- Bem, no começo eu ficava aqui com ele por medo. – ela continua- Mas com o tempo eu fui me apaixonando, por aqueles olhos, aquele sorriso, aquele jeito só dele. Foi algo instantâneo, entende?
Nossa, entendo muito.
- Aos poucos eu fui aceitando a máfia na vida, fui aceitando aquele jeito dele de mandar nas coisas, de mandar em mim. – ela sorri meiga.
- Ah, eu conheço muito bem esse jeito. – murmuro.
Ela sorri abertamente.
- Eu fiquei sabendo do seu relacionamento com o Nathan, mas é verdade?
- O que te falaram?- arregalo os olhos.
- Apenas que vocês estavam, supostamente, ficando. – ela morde o lábio inferior.
Sorrio ruborizada.
- Talvez seja isso mesmo... – minha voz sai como um sussurro sofrido. Agora nem sei mais sobre nossa relação, ele escondeu algo tão profundo de mim, que talvez não tenha perdão.
A mulher balança a cabeça e se aproxima de mim, desamarra minhas mãos e meus pés.
- Preste atenção, eu vou te tirar daqui, mas me prometa que vai embora. – ela me encara séria.
Concordo rapidamente.
- Venha. – ela pega em minha mão e começa a me guiar para o fundo do porão.
- Como eu sei que isso não é uma armadilha?- forço um pouco a voz.
- Se fosse, você já estaria morta. – ela diz séria.
Estremeço e aumento os passos para acompanha-la. Paramos em frente a uma pequena janela, a mulher abre-a até o final.
- Tome. – me entrega a chave de um carro- É só seguir pelo jardim que vai achar uma picape vermelha.
Aquiesço.
- Ah, leve isso com você. – ela me entrega um revolver- Espero que não precise usar, mas ao ver das duvidas... – ela dá de ombros.
- Obrigada. – murmuro e me apoio do parapeito da janela.
Faço impulsos com os braços, meio doloridos e consigo sentir a grama raspar em meu corpo.
Levanto e observo o jardim escuro. Respiro fundo e saio correndo, sem olhar para trás ou me despedir da mulher. Porém agradeço muito por a ajuda dela, sem ela ali, eu com certeza estaria morta.
Corro o mais rápido que posso e sinto o incomodo na perna, lembro-me do tiro. Olho para a minha perna de relance e vejo um curativo, não duvido que foi a mulher que fez. Já alcanço as arvores altas e a escuridão da mata, sigo em frente até conseguir avistar a caminhonete vermelha a frente.
Destravo o carro e entro em um salto, coloco o revolver no banco ao lado, desperto o motor com um ronco e engato a ré. Seguindo por uma pequena trilha de terra e esburacada dali.
Encontro à estrada e me misturo com os carros dali. Estou mais aliviada por estar viva e por ela ter me ajudado, mas estou nos nervos em acabar com aquele imbecil do Frost.
Ao seguir as placas para São Paulo, percebo que estou perto de Campos do Jordão. Ah, a viagem vai ser bem longa...
**
Assim que estou perto do meu prédio, respiro fundo e tento conter qualquer emoção constante. O porteiro abre o portão, apenas depois de se certificar se eu era mesmo a Cassandra. Estaciono atrás do meu optima e entro no elevador.
Lembro-me de todo que me aconteceu ontem e na madrugada de hoje, lembro-me do que eu descobri e o que foi omitido pelo Nathan. A raiva toma conta de mim e se eu tivesse como uma arma agora, daria merda. Ah, espera, a arma está no carro.
Toco a campainha e torço para ter alguém em casa. Como ninguém abre, procuro pela chave no meu esconderijo secreto; dentro do vaso de flor.
Destranco a porta e entro, encontro pessoas espantada ao me verem. Minha vó, Vic, Nathan, Alek, Leo, Naomi, Lucas e Mariana.
- Estão dando uma festa?- ergo a sobrancelha.
- Ah filha!- minha vó caminha até mim- Graças a deus você está viva.
Sorrio torto.
- Eu vou tomar um banho e depois a gente conversa. – afago o rosto dela.
Encaro o pessoal na sala e passo reto, sem dizer uma única palavra ou dar um sorriso.
Nathan se aproxima de mim e a agonia toma conta de mim novamente. Tenho vontade de gritar tudo o que eu descobri na frente de todos e ainda espancar ele.
- Não sabe como eu estava preocupado. – murmura ele.
- Cala a boca. – sou curta e grossa.
Ele arregala os olhos.
- Você está bem?
- Não se faça se cínico!- grito e todos olham pra gente.
- É melhor a gente conversar no quarto, não acha?- ele opina.
- Eu não quero falar com você!- rosno- Sou capaz de cometer um homicídio de fizer isso.
Ele ergue as mãos na defensiva.
- Cassie é melhor você ir esfriar a cabeça. – Vic se aproxima de mim.
Aquiesço.
- Não. – Nathan segura o meu braço- Agora que me explique.
Cerro os dentes. Toda historia que Muller me contou passa por minha mente novamente, tudo o que ele falo o Nathan sabia e mesmo depois de começarmos a ser mais íntimos, ele não disse nada. Ele escondeu algo pessoal de mim, algo do meu passado.
Fecho o punho com força e dou um soco da cara dele. Meus dedos estralam.
- Explicado. – murmuro e esfrego minha mão.
O pessoal da sala me encara como se eu fosse a criminosa da historia.
E ai me dou conta... Puta que pariu! Eu dei um soco na cara dele.
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