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10 Capítulo 10
Ele entra primeiro que eu no escritório. Meus músculos se enrijecem e tento controlar minha respiração.
- Entra. – murmura ele.
Entro em passos largos, porém cautelosos. Olho em volta e parece tudo normal, a estante de livros, a escrivaninha com o laptop e alguns papeis, retratos de paisagem lindas, mas nada que invoque a personalidade dele.
- O que queria falar comigo?- viro e o encaro.
- Sabe que não precisa fazer isso. – ele diz, mas parecendo um ronrono.
- Não foi isso que você me disse antes do Alek chegar. – lembro-me de suas palavras: Agora não quero saber, você vai me ajudar.
Ele passa a mão no rosto e me encara.
- Eu só estava nervoso com você. – ele diz cauteloso.
- Agora já aceitei. – falo petulante- Algum problema?
- Sim, muitos problemas.
- Quais?- me aproximo do sofá de couro e sento, do modo mais gracioso que consigo.
Não perdemos o contato visual e realmente ele me intimidade com seus olhos azuis.
- O Fred não é como eu, nem como o Alek ou qualquer um daqui, ele é velho, já tem malicia em tudo e...
- Se você não tocou em mim durante tanto tempo, acha que um cara vai tocar ficando umas horas comigo?- inclino a cabeça e dou um sorriso irônico.
- Mas e se ele...
- Nathan. – levanto do sofá- Eu sou uma menina independente e madura o suficiente para cuidar de mim mesma, senão acha que você ainda teria distancia de mim?
Ele me encara, como se buscasse alguma insegurança em meu rosto ou em minha fala.
- Eu sei disso, mas custa acreditar. – ele encosta na parede.
- Está com ciúmes do Alek?- sorrio.
- Ciúmes? Eu não tenho ciúmes. – ele revira os olhos.
- Então a conversa já acabou?- cruzo os braços.
- Eu... Eu falei que não me importaria com você e nem iria te proteger, mas eu não fiz isso. – murmura ele.
- Que?
Como assim? Ele falou pra quem isso? Por que falou isso?
-Eu jurei para ele que eu não iria me importa com você, eu nunca me importo. Mas quando eu vi você, eu não tive coragem de fazer o prometido, eu não podia...
- Nathan do que você está falando?- fico de frente com ele.
Pra quem ele prometeu? Por que ele prometeu e não cumpriu?
- Vá embora. – ele diz baixo.
Não hesito, abro a porta e saio do escritório. Não quero causar briga, não com o estado mental que ele está agora. Ele deve ter muitas coisas guardadas e pior, são sobre mim.
Caminho até a sala e encontro os meninos lá, falavam de mulheres e de bares. Ignoro e sento na poltrona.
Agora o estado atormentado do Nathan está me atormentando, o jeito que ele falou, como evitou contato visual comigo ou mesmo pediu para que eu me afaste.
- O que? O Nathan te rejeitou?- alguém fala comigo.
Ergo o olhar e uma menina me encara ignorante, como é o nome dela mesmo... Fatima?
- Desculpa não entendi.
- O Nathan te deu um fora né? Afinal você é a única diferente daqui.
- Diferente?- arqueio uma sobrancelha.
- Sim, é a única mais nova e morena e acho que ele odeia morenas. – ela sorri cínica.
- Foda-se se ele odeia morenas. – sou grossa.
Ela arregala os olhos e depois ri. Olho para os lados de relance e vejo que todos estão em encarando.
- Você deve ser muito ruim mesmo. – ela diz cínica e como se tivesse orgulho do que estivesse fazendo.
- Ruim em que?- levanto da poltrona.
- Em tudo. Ele deve ter nojo de você, afinal, quem iria ficar com uma criança.
Tá, eu sou muito paciente quando eu quero, mas ela já está pedindo para apanhar muito. Como ela ousa em falar isso de mim? E o piro é que nem tenho caso com o Nathan e ela já está com ciúmes, imagine se eu tivesse de verdade.
- Ah, mas não fui eu que já dei pra mais de trinta homens. – digo petulante.
Ela cerra os dentes e me fuzila com o olhar e agora sei por que implico tanto com loiras.
Sem mais nem menos, ela dá um tapa ardido no meu rosto, quase me fazendo cair no chão. Cambaleei para o lado e sinto a ardência em meu rosto, ao mesmo tempo que sinto a raiva mortal cresceu em mim.
Quando retomo a consciência de meu estado, vou para cima dela, derrubando-a no chão.
- Você não fez isso!- falo entre dentes.
- Ui, a morena sabe bater. – ela me desafia.
Com a mão livre, dou tapas seguidos no rosto dela e tento manter a minha mão engessada longe do alcance dela, não quero fraturar de novo.
O vergão vermelho começa a aparecer em seu rosto de pele alva e mãos firmes agarram minha cintura e me afastam dela.
- Me solta. – rosno- Eu vou acabar com essa vaca.
- Você viu Nathan, ela estava me agredindo- Fabiana se faz de vitima. E então percebo que quem me segura é Nathan.
- Mentira, ela me bateu primeiro. – cerro os dentes.
- É verdade, a loira começou. – Alek confirma minha afirmação.
Fabiana começa a chorar e alegar que eu peguei pesado e o pior é que as amigas dela a apoiam e se voltam contra mim.
- Você tem problema?- Nathan diz sério.
- Acha mesmo que eu bati nela sem motivo algum?- falo esboçando minha raiva.
- Não, mas você a espancou. – ele diz mais alto que eu.
- Nathan foi a Fafa que começou. – Lucas entra no meio.
- Não quero saber! Saiam todos da sala, agora. – ele pragueja e todos levantam e saem mais que depressa.
Estreito os olhos e ainda estou perplexa por ele estar defendendo aquela vaca.
- Como você pode ser assim?- falo perplexa- Agora pouco você falou que me protege e quer meu bem e agora não acredita em mim?
- Não vejo motivo para você espanca-la. – ele fala com os dentes cerrados.
- Ela me bateu primeiro, porra! Só falando assim você entende?- praguejo.
- Não levanto a voz. – ele estreita os olhos.
- Eu não levantei!- grito, irritada.
- Não quero você encosto um dedo nas minhas meninas. – ele pragueja.
Minhas meninas. Não sei como duas palavras podem me ferir tanto, é como se meu eco estivesse sido quebrado a pedradas e eu atropelada por um caminhão. Dói em ver ele defende-la e demonstrar algo por ela, é dolorido demais, me sinto pequena e medrosa diante dele.
- Então vá com as suas meninas para o inferno!- grito e sinto as lagrimas se formarem- E nunca mais fale que quer me proteger, nunca!- grito em meios as lagrimas.
- Se não sabe honrar o que fala ou promete, não fale!- continuo.
Ele fica mudo, suas pupilas dilatadas e seu boné meio torto, minha vontade é de fazer com ele o que eu fiz com a Fabiana, mas me controlo.
A dor que sinto é tão grande que não tenho animo para continuar com a briga. Lembrar do que ele falou pra mim no escritório, que me protege e que dá importância pra mim, e agora quando ele está defende-a e chamando-as de “minhas garotas” é de revirar o estômago de qualquer um.
Dou as costas e vou até a escada, onde Melissa me espera.
- Cassandra...
- Não fale comigo. –sou grossa e passo por ela.
Subo os degraus da forma mais rápida que consigo e vou direto para quarto. Bato a porta atrás de mim e me dirijo a cama, me jogando nela.
**
Já é sábado de manhã, estou de baixo dos cobertores, com a mínima vontade de sair da cama. Fiquei quinta a noite e sexta dentro desse quarto, abrindo a porta apenas para receber lanches que os meninos traziam pra mim, mas não tive a coragem de colocar o pé pra fora, principalmente por lembrar que posso trombar com o Nathan em qualquer lugar.
Ainda, não sei o porquê, estou sentida pela a briga que tivemos quinta, pelas palavras que usou, do jeito que me ameaçou, gostaria seriamente que o tiro que ele disparou no doutor fosse em mim.
Não tenho clima para falar com mais ninguém, principalmente depois do escândalo que fiz.
As lagrimas ainda caem pelo o meu rosto, acho que nunca chorei tanto na minha vida, igual choro agora e o que eu sinto é a pior coisa, é como se eu amasse alguém e não fosse correspondida.
O único que se saiu bem aqui foi o Percy, sempre paparicado por todos da casa.
- Oi bebê. – sorrio ao ver ele pular na cama, ao meu lado- Veio me ver?
Ele deita ao meu lado e eu afago-o, talvez esse seja o jeito dele me dar consolo.
- Cassandra?- alguém entra no quarto.
- Vá embora. – falo sem ao menos saber quem é.
- Você nem sabe quem é. – a pessoa se aproxima.
- Não quero falar com ninguém. – minha voz sai nostálgica.
Então os passos param e escuto um cochicho, mas não sei quem é.
- Eu falei que não quero falar com ninguém. – repito em voz alta.
E então as vozes param, escuto passos se afastam, mas sei que ainda tem alguém lá. Ergo a cabeça do coberto e vejo Nathan e pronto o meu dia não podia ser melhor.
Reviro os olhos e deito na cama de novo.
- O que aconteceu com a sua garota?- pergunto irônica – criou vergonha na cara?
Ele não responde, continua parado me encarando.
- O gato comeu sua língua Frost? – pergunto petulante.
Mais que saco, além do meu astral ótimo de hoje, terei que falar com as paredes?
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