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9 Capítulo 9
Permaneço de olhos fechados. Imagino-me no passado, quando eu era uma criancinha feliz, correndo pelo jardim e meu pai vindo atrás de mim ou quando minha mãe me abraçava e dizia que me amava mais que o infinito. Seus olhos castanhos me fitando, quando sabiam que eu estava escondendo algo ou mesmo querendo revelar algo, os mesmo olhos castanhos que me deixaram sozinha no mundo.
Quando aquele tutor idiota veio cuidar de mim e aquele seu jeito de governar minha casa... Aquele jeito... Ele é muito parecido com o Nathan, os dois queriam me controlar e me colocar na linha, mas o problema é que quanto mais me ordenam, mas me obrigam a fazer as coisas, mais eu vou negar.
Esse é o meu maior problema em relação dos meus sentimentos, eu os sufoco dentro de mim e não quero que ninguém os descubra. Mas morar aqui com o Nathan será impossível esconder.
Sinto uma mão tocar meu rosto. Abro os olhos e levanto rápido, bato minha testa em algo e deito de novo.
- Você quebrou meu nariz. – Nathan arfa.
Arregalo os olhos e levanto de novo.
- Desculpa. – me aproximo dele- Está sangrando?
- Sim. – ele me encara com a mão tampando o nariz.
- Vou buscar papel. – levanto e vou até a cozinha.
Vasculho o local em procura de papel toalha, mas eu odeio isso, lembro-me de quando eu ia na casa de meus amigos e não sabia onde pegar nada.
- Onde tem papel toalha?- grito.
- Perto do micro-ondas, na segunda gaveta.
Vou até o micro-ondas que tem a porta de espelho, abro a segunda gaveta e acho o maldito papel toalha.
- Agora deite. – fico de pé ao lado de dele.
- Não. – ele me encara.
- Deite agora!- falo entre dentes.
Ele deita a cabeça no encosto do sofá e eu coloco o papel no local onde estava a sua mão e aperto seu nariz bem na parte onde divide os olhos.
- Ai. – ele reclama.
- Fica quieto.
- Seu pulso melhorou?- ele fala com a voz meio nasal.
Encaro meu gesso e então me lembro do machucado.
- Não, seu nariz está melhor?- sorrio.
- Um pouco. – ele sorri. Nossa, seus dentes são muito brancos.
- Ah! Pare com isso Cassandra. – murmuro pra mim mesma.
- Que?- ele me encara com seus olhos azuis analisadores.
- Nada. – dou um sorriso amarelo.
- Estava dormindo?- ele me encara curioso.
- Não, pensando. – confesso, mais parecendo um murmuro.
- No que?- ele sorri.
- Desde quando se interessa no que eu penso?
- Desde que veio morar comigo.
- Eu não vim morar com você, você me sequestrou. – rebato.
Ele ri e começa a sair mais sangue.
- Para com isso. – repreendo-o.
Ele fecha a cara e parece serio agora.
- Nathan eu consegui!- alguém entra gritando.
Ergo o olhar para porta da sala e vejo um menino estático, de cabelos acobreados e olhos mel, alto e forte, tem a pele branca, como a do Nathan e carrega um revolver.
- Oi Alek. – Nathan diz sem importância.
- Não me falou que estava com a sua namorada. – ele sorri pra mim.
Sorrio de volta, ele é o mais lindo de todos daqui.
- Cassandra!- Nathan me repreende.
Quando volto à atenção pra ele, percebo que estou quase em seu colo. Coro e me afasto.
- Desculpa, me distrai. – murmuro.
- Percebi. – ele resmunga.
Faço uma careta e sento ao lado dele. Ele continua com o papel no nariz e Alek se aproxima de mim.
- Você é a famosa Cassandra?- ele sorri.
Arqueio uma sobrancelha. Famosa Cassandra?
- Sim, sou a Cassandra, não a famosa.
- Não me falou que ela era tão bonita. – Alek dirige a palavra para Nathan.
O mesmo estreita os olhos e joga uma almofada em Alek.
- Quer tomar alguma coisa?- Alek me encara.
-Ah... Hum... Eu não quero. Obrigada. – olho de relance para Nathan- Não, quero sim.
Nathan arregala os olhos e salta do sofá.
- Não. – ele aponta pra mim.
Levanto a mão na defensiva e sorrio.
- Relaxa. – gesticulo com os lábios.
- Ela vai participar do... – Alek começa a falar.
- Não. – Nathan o corta.
Umedeço os meus lábios e continuo prestando atenção neles.
- Ela seria de bom uso. – Alek me encara.
Franzo o cenho, buscando dois sentidos em sua frase.
- Cala a boca. – Nathan parece irritado- Ela não vai participar.
- No que?- me aproximo deles.
- No assassinato do mafioso. – Alek me encara.
- Ah claro. – lembro-me da discussão de hoje cedo- O que eu teria que fazer?
- Bem... – Alek senta de no balcão e me encara.
Olho de relance para o Nathan, ele está encostado na parede, ele tem um olhar predatório, como se eu fosse a sua presa.
- Tem um mafioso chamado Fred Barletta, ele é um ótimo mafioso e tem uma das maiores redes de vendas nacionais, mas... – ele encara o Nathan.
- Mas... ?- encaro os dois.
- Mas o problema é que ele está nos prejudicando nas vendas, ele tem dado denuncias de nós para os federais, por isso nos mudamos para cá, então ele dominou a área, já quase matou o Lucas e está acabando com a nossa reputação nas vendas. – Nathan continua.
- Então vocês querem matar ele para retomar as vendas e serem reconhecidos de novo? – tento arrumar as informações em minha mente.
- Isso garota esperta. – Alek me lança mais uns de seus deslumbres sorrisos.
- Bem-vinda ou quase, ao mundo mafioso. – Nathan é curto e grosso.
Encaro minhas mãos, desconfortável com a situação, será que fiz algo errado?
- O que querem que eu faça?- ergo a cabeça e encontro o olhar espantoso do Nathan sobre mim.
- Queremos que você seja a garota que seduz. – Alek que me encara.
Tipo em filmes?!
- Que?- começo a tossir, ruborizada.
- Tipo, queremos que você leve o cara para o quarto. – ele é direto.
- Não é assim. – Nathan interviu- Queremos que você converse com ele, como vamos estar em um hotel, leve-o para o quarto e enrole lá dentro, leve uma troca roupa, só para que ninguém te reconheça depois. O Lucas vai entrar e dar um jeito de deixa-lo inconsciente, depois vão retirar o corpo do quarto e levar para o meu carro na garagem. Ai já é assunto meu e do Leo. – Nathan diz calmo.
- Mas existe câmera de segurança, sabia?- o plano não é complicado, pelo menos eu acho que não.
- Pra isso eu existo gatinha. – Alek desce do balcão- Enquanto você vai estar jogando seu charme em cima do cara, eu vou entrar na equipe de segurança e desativar todas as câmeras de seguranças por onde você e o Lucas vão passar, contando com as dos elevados, dos halls e das portas de entrada e saída. – ele dá uma piscadela pra mim.
- Então eu tenho que levar o cara para o quarto, o Lucas vai apagar ele, nós dois temos que levar o corpo para o carro, você cuida das câmeras e depois é com o Leo e o Nathan?- tento raciocinar diante do “plano” deles.
- Sim. – os dois falam em uni som.
- Não vou ver o corpo dele frio, nem sangue?- encaro os dois.
- Claro que não gata. – Alek me encara- Você só precisa leva-lo ao quarto.
Aquiesço. Sei que não é uma boa ideia, sei que pode dar tudo errado, mas na pratica deve ser mais logico e afinal, se eu não consigo vencê-los; junte-se a eles.
Nathan sorri abertamente pra mim, sinto meu rosto esquentar e abaixo o olhar para meu gesso.
- Espera, como vou chamar a atenção dele com isso?- ergo o braço engessado.
- Ih, isso é o de menos gata, o que importa é isso. – ele vem até mim e faz-me dar um volta- É o seu corpo que vai chamar a atenção dele e não um dedo quebrado.
Pulso.
Mordo o lábio e sinto o meu rosto queimar novamente. Olho de relance para o Nathan que parece fuzilar Alek com o olhar. Estremeço.
- Hum... Querem comer alguma coisa?- tento mudar de assunto.
- Não, eu quero conversar com você. – Nathan diz grosso.
Engulo em seco e fico tensa.
- No escritório. – ele dá as costas.
Minha palpitação aumenta e eu o sigo.
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