Notas iniciais
gente muito obrigado pelos comentarios, isso me incentiva a continuar escrevendo.

Nathan volta para a sala e fica encostado na parede, e ai eu noto uma grande lareira de mármore. Fuzilo-o com os olhos e ele sorri arrogante, como sempre.

- O doutor já está vindo. – ele diz baixo.

As meninas ficam conversando, logico que sei que é sobre mim e a cena que eu acabei de fazer.


O doutor não demorou muito para chegar, ele é baixo e meio barrigudo, calvo e bem pálido, usa o seu jaleco branco e carrega uma maleta. Mas é bem simpático.

- Senhores. Senhoras – ele cumprimenta todos a sua volta.

Nathan se aproxima de mim e do doutor.

- O que houve jovem?- ele encara a minha mão.

- Ela treina box e tem mania de socar a parede para calejar a mão e perder a sensibilidade, mas hoje ela socou de mal jeito, não foi?- Nathan mente perfeitamente e depois me encara mortalmente.

Engulo em seco e concordo com a cabeça.

- Posso ver?- ele pega gentilmente em meu braço.

Depois de muito examinar e perguntar onde dói, a intensidade e as baboseiras de sempre, descobri que eu apenas fiz uma torsão no punho quando caí em cima dela, nada muito grave. Agora só quero saber como ele sabe isso sem um raio-x...

-Vou engessar e ficará com a tala durante duas semanas, ok?- o doutor me encara- E depois eu volto para ver como ficou.

- Sim. – murmuro.

- Mas primeiro vou ter que por no lugar. – ele dá um sorriso.

Meu coração para e sei que vai doer, muito.

- Preciso da ajuda de vocês rapazes. – ele encara os meninos a minha volta.

Lucas sorri divertido com a situação, Leo parece não se importar em ajudar, não olho para o Nathan.

- O loiro segura os ombros dela, o moreno as pernas e Nathan quero que distraia. – o doutor passa as ordens.

Os meninos se posicionam como o doutor disse e consigo perceber como o Lucas e o Leo são fortes, muito fortes. Estou prensada no sofá, sem conseguir me mexer e encarando os olhos azuis de Nathan e por um momento me sinto bem.

- Vamos lá. – balbucia o doutor.

Trinco os olhos e deixo o meu corpo tenso, esperando ardentemente pela dor que vou receber, mordo o meu lábio inferior até ele começar a formigar.

- Respire fundo. – o doutor avisa.

- Não consigo. – murmuro enchendo o peito de ar.

O doutor pega em minha torcida- esticando e dobrando para trás, a dor consome o meu corpo aos poucos, grito e me debato.

- Pare de se mexer. – Nathan me adverte.

- Dá para você parar de mandar em mim porra? Já não basta o que eu estou tendo que passar por sua culpa, ainda quer que eu fique quieta?- falo entre os dentes, para segurar outro grito.

- Prontinho. – o doutor diz gentil.

Relaxo o meu corpo e encaro o Nathan, ele está impassível como sempre.

- Escandalosa. – cantarolei-a o Lucas.

Respiro fundo e observo o doutor enfaixar o meu punho e colocar a tala.

- Tente deixar essa mão imóvel e sem socar paredes. – o doutor avisa arrumando suas coisas.

Quero tanto falar pra ele o que está acontecendo comigo e acabar com essa merda de sequestro. Minha palpitação aumenta e então eu abro a boca.

Nathan afasta o doutor de mim, vão para perto da lareira e os meninos vão para outro lugar com as “meninas”, Nathan vai para o escritório e essa é minha chance, vou até o doutor.

-O senhor precisa me ajudar. – murmuro apenas pra ele.

- Em que mais posso lhe ajudar?- ele sussurra.

- Eles me sequestraram e vão me matar. – murmuro.

Ele arregala os olhos.

- Você tem certeza?- murmura ele, apenas para mim.

Eu tenho cara de louca por acaso?! Falando assim até parece que eu estou falando a pior das mentiras que existem.

- Sim, absoluta. — falo convicta.

Ele pega o celular, mas não vejo para quem está ligando. Estou dando cambalhotas e soltando bombas por dentro, finalmente vou embora.

Rolo os olhos pela sala vejo o Nathan, engulo seco. Ajeito-me ao lado do doutor, que leva o celular para a orelha. Mas não fala nada.

- É melhor eu falar com alguém fora daqui. – ele avisa baixo.

- Tudo bem. – murmuro.

O doutor se despede de Nathan e pega a quantia de dinheiro pelo seu serviço, Nathan o guia até a porta e a fecha, contando algo nos dedos.

De repente escuto um barulho alto, como se fosse algo estourando do lado de fora, olho para a janela de vidro e consigo ver o doutor cair na grama, vejo sangue escorrer de sua nuca até o seu jaleco branco, entro em choque.

Minha respiração desacelera e consigo escutar as batidas do meu coração, minhas pernas ficam bambas e começo a suar frio.

Não sei da onde veio o barulho, não escuto mais ninguém na sala, pareço estar sozinha, apenas eu e o corpo morto do lado de fora que por segundos parece estar ao meu lado.

Então é por isso que o Nathan é tão especial? Ele não dá valor a nada, ele tem que ser o centro das atenções. Ele matou um homem inocente e me sinto culpada por isso, ninguém faz nada a respeito, talvez por isso ele seja tão respeitado, pois ele tem sangue frio.

Quando volto à realidade, Nathan está falando com o Leo. Não vejo o Lucas nem as meninas, o corpo ainda está lá. Olho para a maleta de primeiro socorros que o doutor deve ter esquecido e sem hesitar pego-a com a mão boa. Aproximo-me de Nathan devagar que é avisado pelo Leo.

Assim que ele vira, acerto a maleta na cara dele, fazendo-o cambalear pra trás.

- Você é louca?- ele grita esfregando o local que foi atingido.

- Eu sou louca agora? Você matou aquele homem!- grito horrorizada.

- Fiz apenas o necessário. – ele levanta- E a culpa foi sua, você o matou.

- Não! Não é verdade, você atirou por que quis. – praguejo.

- Ninguém mandou você falar aquilo. – ele massageia o maxilar.

Como ele sabe que eu falei? As pessoas andam com escuta aqui?

- Ninguém te mandou me sequestrar!- grito.

- Você não sabe de nada. – ele rosna- E isso foi um aviso pra você, ande na linha se não esse será o seu futuro. Enterrada no meu jardim.

Meu coração para de vez.

Quantas pessoas ele já matou? Será que as enterrou aqui? Ele deve ter um cemitério particular no quintal.

- Leo você já sabe, o esquema de sempre. – ele diz encarando o moreno.

Leo sai andando até a porta e arrasta o corpo para os fundos, logo Melissa parece com uma pá e outras coisas, claramente irá ajudar o Leo.

- Nathan não vá embora!- rosno e vou até ele.

- O que você quer? Que eu desenhe o que aconteceu?

- Sim, por que talvez assim eu entenda quem é você. – encaro seus olhos azuis.

- Não quero que me entenda, quero que cale a boca e me obedeça.

- Eu nunca vou te obedecer se você continuar assim.

- Então vai ter o mesmo destino que o doutor.

- Por que não me matou com ele? Seria mais fácil, Melissa e Leo iam limpar tudo de uma vez.

- Você não sabe a vontade que eu tive.

- Por que não fez?

Ele contrai os lábios e lembro que o Lucas disse: Ele não tão covarde assim.

- Quero economizar bala, elas estão muito caras hoje em dia.

- Eu pensei que você tinha honra, que você tinha mérito por ser o chefe desse lugar. Mas agora vejo que você apenas aplica força bruta e eles obedecem por que tem medo. – murmuro.

- Sim e foi assim que eu cheguei aqui e não por piedade de poupar alguém. – ele é ríspido.

Ele sai andando até o seu escritório e eu fico paralisada no corredor. Assimilando o que ele acabou de dizer.

Agora eu perdi qualquer esperança de sair daqui, pelo menos viva. Terei que me submeter ao comportamento das meninas da casa, obedecer às ordens do tirano cruel se eu quiser sobreviver.

Está perdida Cassandra.

Sinto-me como ele, uma assassina. Acabei de matar um homem trabalhador e inocente, que tentou me ajudar da melhor forma possível, ele não tinha nada a haver com a história e morreu no meu lugar.

- Agora entende?- Nathan para enfrente à porta.

- Entender o quê?- murmuro.

-Umas das coisas que eu sou. – ele entra no escritório.

Será que isso foi uma indireta pelo ocorrido agora pouco. Ele está se rotulando como assassino?

Um frio passa pela minha espinha só de pensar nisso, só em pensar que ele me teve vulneral quando me sequestrou e não fez nada, pelo menos não fisicamente.


Notas finais
Tá legal?