Bebi mais alguns copos de bebida, sempre sendo controlada pelo Nathan.

- Cassandra chega!- ele me repreende e toma o copo da minha mão.

- Me deixa em paz. – resmungo.

- Você está bêbada. – ele resmunga de volta.

- Bêbada mais feliz. – sorrio pra ele.

Ele revira os olhos e pega em meu braço, me levando entre a multidão até a porta da saída.

Acho que eu exagerei mesmo, minha cabeça está dando volta e a náusea reage em meu estomago.

- Acho que vou vomitar. – murmuro.

Nathan resmunga algo que eu não compreendo, coloco minha mão livre na barriga e olho para o chão, que parece ficar cada vez mais perto de mim.

**

Acordo com uma claridade forte e chata, obrigando-me a abrir os olhos e encarar o meu quarto, estou sozinha na cama e com roupa intimas, mas me lembro de estar com o Nathan ontem ou foi só um sonho estranho?

Levanta da cama e tropeço em minhas próprias roupas jogadas no chão, depois tropeço em Percy no corredor, até chegar à cozinha meio desorientada.

E lá estava ele, fazendo alguma coisa que eu não sei, mas gosto de olhar pra ele.

- Bom dia. –murmura ele.

- Só se for pra você. – resmungo.

- Quem manda beber demais. – ele diz igual um pai.

Reviro os olhos e deito minha cabeça na mesa, estou com uma dor no corpo horrível, com se eu tivesse participado de uma seção se masoquismo e minha cabeça parece que vai explodir.

- Aspirina. – Nathan coloca dois comprimidos sobre a mesa com um copo de água.

Pego os dois comprimidos e engulo com um só gole de água e depois engasgo.

- Vou tomar banho. – murmuro levantando da cadeira.

- Ok. – ele toma um gole de água.

Volto pro quarto e entro direto no banheiro, tomo uma ducha rápida e depois coloco um pijama confortável. Vou pra a sala e deito no sofá.

Fecho os olhos devagar e tento esquecer a dor latejante de minha cabeça.

Quando volto abrir, olhos azuis estão me encarando, levo um leve susto e depois sorrio.

- Quer me matar do coração?- murmuro.

Ele sorri.

- Desculpa. – ele me observa dos pés a cabeça- Vai ficar de pijama?

- Sim, não quero sair de casa hoje. – murmuro pondo a mão na cabeça- Ai.

- Se lembra de algo de ontem?- ele inclina a cabeça.

- Bem... – me esforço- Lembro-me de quando entramos até o momento que eu tomo o segundo copo de bebida.

Ele suprimi um sorriso.

- Saiba que você fez muitas coisas.

- Eu sei disso. – lamento- Não posso beber.

- Eu sei disso, mas você nunca me escuta.

Respiro fundo.

Ele tem razão, tenho que escuta-lo mais vezes.

- Você passou tão mal que desmaiou. – ele comenta sorrindo.

Arregalo os olhos.

- Sério?­- indago.

Ele concorda.

- Sim, eu te trouxe pra casa e te coloquei na cama. – ele sorri meigo.

- Ah. – exclamo, então foi ele que tirou minha roupa. FOI ELE!

Sinto o meu rosto esquentar e escondo meu rosto em uma almofada.

- Cassandra?- ele balbucia.

- Você retirou minhas roupas?- murmuro contra a almofada.

- Não é a primeira vez que faço isso.

Ah, ele fez isso no dia da festa da Vic, aquele dia eu estava mais bêbada.

Contraio os lábios e retiro a almofada da minha cara.

- Deve ser normal pra você, né?- pergunto cautelosa.

- Por quê?- ele franze o cenho.

- Você já ficou com muitas meninas, então eu não passo de uma criança pra você. – minha voz sai em lamento.

- Não é verdade, eu só não te vejo como eu via elas. – ele sorri torto.

- Como você via elas?- ergo uma sobrancelha.

Ele dá de ombros.

Coloco minha mão no rosto, que pergunta de virgem eu fiz pra ele. Eu sou muito idiota.

- Você já falou com os meninos sobre o seu pai?-balbucio.

Ele nega brevemente.

- E não vai falar?

- Depois, eu preciso pensar direito. – ele passa a mão no cabelo- É complicado.

Concordo. Deve ser mais que complicado você saber que tem matar ou ser morto, principalmente quando o seu pai é o alvo e o mandante.

- Você não acha que foi o seu pai que mandou a Melissa atirar em você, acha?- balbucio cautelosa.

- Agora eu não acho mais nada. – ele volta a me encarar.

Olho para outro lugar, ele está realmente transtornado e cada vez menos quero conhecer o pai dele.

- Sabe ao menos onde o seu pai está?

- Não, eu não sei nada sobre ele, nem sei o nome dele!- ele diz perplexo.

Puta merda. Isso é mais difícil do que parece.

- Sabe o que vai fazer?- pergunto cautelosa.

Ele abre a boca, mas logo em seguida fecha-a sem argumentar nada.

- Está pensando em fugir?- indago.

Ele fica parado, com os braços estendidos ao corpo e os olhos opacos e misteriosos. Sinto um calafrio percorrer meu corpo.

- Você não pode me deixar de novo!- levanto do sofá.

Ele engole seco.

- Olhe, isso vai ser necessário, meu pai não pode achar você. – ele tenta se explicar.

- Nem você. – retruco.

- Eu vou fazer o que eu achar certo. – ele me corta antes mesmo de eu pensar algo em argumentação.

Engulo as palavras com dificuldades, mas fico em silêncio.