Os olhos azuis estão morrendo na minha frente, aquele liquido vermelho em minhas mãos e em meu corpo, a sua voz em sussurro, as lagrimas ainda escorrem pelo meu corpo, homens de branco entram na casa e me afastam dele, eu grito o nome dele, mas ele não me responde mais, alguém me segura e me impede de ir atrás dele. Ele está sendo levado para longe de mim e então a pessoa me solta, caio do chão e não tenho mais forças para levantar.

Abro os olhos e estou no meu quarto, são duas horas da manhã e lagrimas escorrem pelo meu rosto, tenho esse sonho faz duas semanas seguidas, agora principalmente que eu sei a verdade, agora o adeus foi decretado, não verei mais os olhos azuis que eu não goste, eu amo, mas nada me impede de ver os olhos verdes assassinos novamente.

Engulo seco em lembrar que o tiro era para ser em mim e querendo ou não, Nathan me salvou. Agora eu só vejo vultos de uma historia que não respira, estou na completa solidão em um quarto vazio, tentando coletar os pedaços quebrados de mim mesma.

Olho para a janela e a aurora se forma no horizonte e começo a chorar de novo. Eu ainda consigo escuta-lo sonhando, consigo escutar a batida de meu coração quebrado e ver como seu sorriso o faz se curar novamente. Queria tanto ter simplesmente desistido de tentar saber quem ele era, por que eu deixei a melhor cair entre minhas mãos, eu devia ter me certificado da nossa distancia, pois era ela que nos unia.

E eu continuo esperando por ele, mesmo sabendo que ele nunca mais vai bater em minha porta ou mesmo aparecer do nada.

Irei me sentir melhor quando eu ver aqueles olhos verdes opacos e sem vida, por isso topei cooperar com os meninos, eles sabem onde o Fred está escondido e juntando sua fortuna, agora ele irá pagar pela fortuna que perdi.

Levanto de minha cama e vou tomar uma ducha rápida. Coloco qualquer roupa e vou procurar Percy para dar seu patê de atum e esperar por Alek.

ELE não tarde muito, são cinco horas da manhã agora e já me ligou três vezes avisando que já está chegando.

A campainha toca e eu só estico o braço e destravo a porta, vantagens de ter um apartamento.

- Nossa!- ele me encara- Você está horrível.

- É bom te ver também. – sorrio torto.

- Depressão é a pior doença do ser humano, sabia?

- Não enche Alek, o que eu tenho que fazer?- corto-o.

Ele anda muito sentimental comigo depois da morte do Nathan, vive se preocupando comigo como se eu fosse uma bebezinha.

Ele ri e me encara.

- Tem que ficar melhor.

Reviro os olhos.

- Onde estão os outros?- inclino a cabeça.

- Já estão executando o plano, só falta a sua parte. – ele me analisa- Tem certeza que matar uma pessoa?

- Absoluta. – levanto- Eu preciso.

Ele chega perto de mim, está sério. Recuo até encostar na parede e ele ficar na minha frente.

- O que você vai fazer não é por necessidade, você vai virar uma assassina e quero ter certeza que não é por vingança. – ele diz sério.

- Por que não pode ser por vingança?

- Vingança não vai fazer você melhorar ou trazer alivio pela morte do Nathan.

Morte. Já ouvi essa palavra antes e mais uma vez, essa palavra de cinco letras me faz sofrer até a alma.

- Eu quero fazer isso, ela precisa parar, Nathan me protegeu dela e agora é minha vez de garantir a minha própria segurança. – cerro o maxilar.

Alek me encara com seus olhos verdes sérios, e por controvérsia de minha mente, eles ficam azuis mortos. Abraço Alek e começo a chorar.

- Acho que estou ficando louca. – sussurro entre um soluço.

Ele afaga minhas costas como se me consolasse.

- Os loucos são as melhores pessoas. – ele beija o topo de minha cabeça.

- O Nathan vivia me pedindo ajuda quando vocês brigavam... – ele comenta baixo.

Respiro fundo. Acho que ele já sofreu tanto que ver alguém sofrer por causa dele devia ser difícil.

- Vá se arrumar. – Alek sussurra.

Enxugo as lagrimas e caminho até meu quarto, pego a mala que eu arrumei na noite passada, volto para a sala e pego Percy. Vou até o hall e fico ao lado do Alek em frente a porta do elevador.

- Vamos pra onde?- murmuro.

- Para Campos do Jordão. – ele me encara.

- Odeio frio. – resmungo.

Ele ri.

- Fred tem uma casa em um condomínio de lá. – ele diz calmo.

- E vamos ficar aonde?- encaro-o.

- Em uma casa que eu comprei. – ele ri.

Nossa, como é bom ter dinheiro, todo se resolve como magica.

- Tudo bem... – murmuro.

**

A viagem durou duas horas, já entramos no condomínio e não vi uma casa sem ser de luxo.

Seguimos por placas indicando lotes e mais lotes, até parar em frente a uma casa toda de madeira e com grandes janelas de vidro.

Saio do carro antes do Alek e entro na casa, ela é rustica, tem uma lareira de mármore escuro, uma sofá em U marrom claro, um tapete felpudo com vários tons de bege, um hack de madeira com uma Tv de led em cima, logo seguida da sala, vem a sala de jantar com uma grande mesa de vidro. Depois tem uma porta que dá na cozinha, que é inteira de moveis planejados.

- Bela casa. – murmuro.

- Bonita mesmo. – alguém fala atrás de mim.

Gelo e viro.

- Quer me matar?- encaro Lucas.

Ele ri.

- Pensei que tinha me visto na varando. – ele se explica.

- Pois é, não vi.

Ele me encara analisador como sempre.

- Você não está bem. – murmura ele.

- Alguma novidade?- pergunto irônica.

Ele sorri consolador.

- Não pintou o cabelo de novo?- ele muda de assunto.

Pego uma mecha do meu cabelo e encaro a cor acobreada e lembro que Nathan me elogio quando virei a Isabela.

- Não, ele traz lembranças boas. – murmuro.

- Como quiser. – me entrega uma caixinha.

- O que é isso?- pego a caixinha felpuda.

- O Nathan ia te dar depois da festa de noivado, mas isso não aconteceu. – ele contrai os lábios.

- Quem mandou ele ficar agarrando aquela loira. – resmungo.

Lucas ri e concorda.

Abro a caixinha e vejo um lindo anel de ouro com um chamativo diamante.

Tenho vontade de chorar de novo, mas seguro as lagrimas e fico firme encarando o anel.

- É muito bonito. – concordo.

- Pessoal, aqui na sala. – Alex nos chama.

Nos reunimos na sala, Leo, Lucas, Eu e o Alek. Alek está de pé nos encarando.

- O plano é o seguinte: A Cassandra você vai se enturmar com as pessoas até chegar na Melissa, leve-a para os fundos da casa onde o Lucas vai estar esperando com o Fred. O Leo vai ficar em um ponto estratégico com o rifle e eu vou cuidar dá segurança.

- Minha parte é só levar a Melissa para os fundos da casa?- inclino a cabeça.

- Sim, vai ser lá que vamos acabar com eles logo de uma vez. – Alek diz sério.

Encaro Leo de relance. Poxa... Ele vai matar a ex.

- Vão estar todos armados. – Alek avisa.

- Como eu levo Fred pra fora?- Lucas pergunta com cautela.

- Invente. – Alek o encara.

- O que o Leo vai fazer?- arqueio uma sobrancelha.

- Matar os dois, um tiro de longa distancia é mais difícil para a policia investigar. Leo diz baixo.

- Hum...

- Eu não explico tão bem igual o Nathan, mas na pratica vai dar certo. – Alek sorri.

Sorrio meio melancólica.

Matar uma pessoa, a que ponto eu seguei por amar alguém? Amar um mafioso estranho e problemático, agora eu serei uma mafiosa, irei matar alguém, por motivos que eu ainda não defini.

Tento me concentrar no que o Alek explicou, todos parecem entender perfeitamente, mas eu não consigo achar logica em nada e mal consigo me concentrar no que eu mesmo penso.

Efeitos Nathan sobre mim...