Notas iniciais
Gente eu quero agradecer Daenerys Targaryen por recomendar a fic, estou muito feliz com isso e essa cap vai em sua homenagem. E também quero avisar que esse é o ultimo cap da fic, mas não precisam se preocupar, a fic terá segunda temporada.

Já está entardecendo, estou deitada na cama do quarto que o Alek concedeu a mim, encarando o teto de madeira e imaginando Nathan deitado ao meu lado, sussurrando, rindo, murmurando e me encarando com seus lindos e perfeitos olhos azuis.

- Cassandra?- Lucas entra no quarto.

- Fale. – murmuro ainda encarando o teto.

- Está tudo bem?- ele pergunta com cautela.

Balanço a cabeça negativamente e sinto uma lagrima escorrer no canto de meu direito.

- Não chore!- ele diz preocupado- O Nathan está bem.

- Bem? Ele morreu Lucas!- levanto na cama.

- A morte não significa uma coisa ruim. – murmura ele.

- Não para quem morreu, mas e pra quem fica?- franzo o cenho.

Ele desvia o olhar.

- Só queria te ver um pouco melhor. – murmura ele.

Respiro fundo. O Lucas nunca fez nada pra mim e eu estou descontando tudo o que eu seguro nele.

- Desculpa, estou meio sentimental. – dou um sorriso torto.

- Eu deixei o seu vestido no armário, é melhor você ir se arrumando. – ele vai até a porta.

- Tudo bem. – passo a mão no cabelo e respiro fundo- Eu desço em 15 minutos.

Ele sorri torto e sai do quarto.

Vou ao armário, pego o vestido e junto dele tem um conjunto de brincos. Me troco e vou até o espelho do quarto.

O vestido é lindo, é longo, de um ombro, com decote coração. Busto plissado transpassado, saia plissada, bordados de pedrarias na alça e na cintura lateral. O brinco é de ouro com um pingente de diamante solitário. Embora o vestido seja lindo, eu estou acabada, estou pálida, meus olhos castanhos estão apagados e sofridos, minha boca está fina e sem cor, estou magra. Me escondo atrás de uma boa base em pó e lentes cinzas, arrumo meu cabelo, coloco o anel que o Nathan me deu e o colar.

**

A festa é realmente incrível, esses caras não devem ter onde gastar o dinheiro que tem, então investem em casas, carros, festas e coisas sem proposito algum.

Já achei a vadia ruiva, ela já está no terceiro copo de batida. Me aproximo devagar, como quem não quer nada.

- Oi. – sorrio e sento ao seu lado.

- Nova?­- ela me analisa.

- Sim. – mordo o lábio, ela me reconheceu?

Ela acena para um garçom que deixa um copo de bebida, que suponho que é pra mim.

- Onde mora?- ela me encara.

- Em uns lotes mais pra cima. – mexo em meu copo.

- Mudou agora?- ela ergue uma sobrancelha.

Meu deus, mesmo bêbada ela tem o que perguntar.

- Sim, uns amigos meus falaram da festa e eu resolvi vir. – sorrio torto.

- Ele costuma dar festas assim sempre, só que está comemorando algo e deixou qualquer um entrar.

Sei muito bem o que ele está comemorando. Tomo um gole da minha bebida para continua no controle.

- Hum... Aquele não é seu marido?- aponto discreta para Fred, que está sentado com umas mulheres e com o Lucas.

- Sim, mas as vadia são mais interessantes. – ela dá um longo gole em sua bebida.

Ah, agora sentiu na pele...

- Homens. – suspiro.

Ela encara a minha mão por um longo tempo e depois encara a minha cara. Engulo seco e sorrio.

- É noiva?- ela inclina a cabeça.

Respiro fundo.

- Meu noivo morreu faz algumas semanas. – murmuro.

Ela arregala os olhos.

- Desculpa, é que ainda usa o anel...

- Relaxa.

Como eu vou levar essa menina pra fora? Mesmo bêbada ela sabe o que se passa em volta e com certeza não vou conseguir leva-la a força.

Algo me chama a atenção, um maço de cigarros em lado dela.

- Fuma?- pergunto cautelosa.

- De vez em quando e você?

- Igualmente. – contraio os lábios.

- Quer?- ela me oferece um.

Pego hesitante e encaro o local.

- Vai fumar na frente dos seus convidados?- falo como se isso fosse importante.

- Algum problema?

- Mulheres da alta sociedade sempre tem mostrar bom exemplo.

Ela respira fundo.

- Vamos lá pra fora então. – ela levanta.

Sorrio igual o gato da Alice e a acompanho até lá fora, percebo que Lucas faz o mesmo com o Fred.

O fundo da casa está escuro, tem uma piscina com luzes roxas e uma fonte, é todo gramado. Não tenho sinal do Alek e começo a entrar em pânico.

Enrolo a Melissa com o cigarro e papo furado sobre homens, até que Alek aparece do nada. Eu quase tenho um ataque cardíaco do susto que levei, imagine a Melissa...

- Quieta!- ele amarra as mãos dela.

Ela se debate e resmunga algo. Alek a coloca ao lado do Fred e eu procuro por Leo.

- Sabe por que eu estou aqui. – Alek encara o Fred.

- Quero que você se dane, eu já bati o meu objetivo. – ele sorri.

O sangue sobe em minha cabeça e eu tenho vontade de voar em cima daquele imbecil.

Alek dá um soco na cara dele.

- Ainda pode se surpreender com o mundo, Fred. – Alek diz entre dentes.

Fred ri alto.

- Pra que tanto sentimento, o Nathan está morto. – Melissa se intromete.

Mordo o lábio inferior com força.

- Eu vi o tirano cair e sangrar até a morte, isso é inegável. – ela sorri triunfante.

Pego a arma que está no bolso do Alek e bato com o cano na cara dela.

Ela cerra o maxilar e me encara.

- Não lembra de mim?­

- Não pode ser você. – ela diz espantada.

Sorrio triunfante.

- Você está errada Cassandra, eu salvei a sua vida. Quem deve morrer aqui são eles. – ela aponta com o queixo para o Alek e o Lucas.

- Eles sabem tudo sobre você e por que o Nathan te sequestrou, eles mentiram para mim também. – continua ela.

- Como você sabe?- cerro os dentes.

- Entrei no escritório do Nathan e descobri coisas horríveis sobre ele mesmo, eu te livrei do demônio investido de anjo Cassandra, agora é assim que me agradece?

Encaro o Alek de relance, ele está pálido.

Ela está falando a verdade...

- Reveja o seu passado com mais cuidado querida, ele é o motivo de você estar aqui. – ela acrescenta- Nathan nunca te amou, era só para ele se aproximar melhor de você e conseguir o objetivo que lhe foi imposto e você a trouxa apaixonada acreditou. – ela sorri.

Ajo por impulso a atiro três vezes contra ela.

- Você que caiu diante de mim. – murmuro e entrego a arma para o Alek.

Por que eu preciso rever meu passado com os outros olhos? Não preciso fazer nada, não tem que justifique o que o Nathan tinha para mim ou sentia. E nada mais importa, ele está morto, não adianta eu criar duvidas em minha mente se ninguém vai esclarecê-las.

Respiro fundo e caminho até a rua, o bom de condomínio da casa é que nenhuma casa tem portão, então com alguns passos rápidos, estou na rua do condomínio, subo alguns lotes até a casa.

Entro o subo direto para o meu quarto. Me tranco e deito na cama, lagrimas escorrem pelo meu rosto novamente. Consigo ver os olhos azuis brilhando com o seu jeito único, consigo vê-lo perfeitamente na minha frente, sorrindo.

Eu me tornei o Nathan, estou perturbada comigo mesmo.

Pego o vaso de flor do criado mudo e jogo na minha ilusão do Nathan, o vaso quebra em mil pedaços, assim como eu me sinto agora. Eu matei uma pessoa por pura vingança.

Quero a minha vó, quero a minha casa, quero a minha mãe e meu pai, eu quero a minha vida de volta.

Escuto os meninos no andar debaixo, parecem comemorar algo. Saio da cama e vou até o pé da escada, consigo ver o Lucas rir de algo e Leo está quieto bebendo algo espumante, mas não vejo o Alek.

- Sim. – escuto a voz dele vir de um quarto no final do corredor.

Caminho em passos de gato.

- Sim... Quando?... Não, ninguém viu, ainda... Claro que não, somos profissionais. – ele ri, está no telefone- Escuta, é melhor conversarmos uma outra hora.

Tem um silêncio no local.

- Tá falando sério?- ele parece espantado- O que você vai fazer agora? Vem pra cá o mais rápido que puder.

Ele desliga o celular e joga na cama, parece perturbado.

- Posso entrar?­- balbucio.

Ele para por um instante e depois vira.

- Você está bem?- ele me encara.

- Estou indo. – sorrio torto.

- Olha, o que a Melissa falou não tem nada haver...

- Não precisa se explicar- corto-o – O Nathan não está aqui para esclarecer nada, então é melhor deixar o assunto morrer junto com ele.

Ele engole seco.

- Amanhã voltamos para São Paulo. – ele muda de assunto.

- É bom saber disso, minhas aulas começam em duas semanas. – respiro fundo.

Pelo menos teria algo para me distrair e me fazer esquecer do Nathan.

Ele concorda e fica em silêncio.

- Quem era no telefone?- encaro-o.

- Um cliente do Nathan que ficou sabendo da morte dele. – ele diz calmo.

- Quem vai assumir o poder agora?- ergo uma sobrancelha.

- Vamos dividir as tarefas, ninguém toma o lugar do Nathan por enquanto.

**

Já estou no meu apartamento, arrumando minhas coisas da mala e respirando fundo, estou de volta a minha vida normal, sou a Cassandra de novo.

Percy foi ao pet shop tomar um banho, Campos do Jordão não fez bem a ele, e também não fez a mim.

Alek prometeu manter contato comigo e falou que vamos nos rever outra vez, é bom saber que nem tudo mundo me deu um adeus. Estou um pouco melhor e não mais tão sentimental, já arrumei minhas coisas para a faculdade e já dei uma olhada na matéria, nada que eu não saiba algumas coisas.

Viver com o Nathan tem seus lados positivos, ele me mostrou um modo de ver a vida diferente, que eu nunca enxergaria se não fosse viver com ele durante um tempo. Ele me mostrou que por mais horrível que ele fosse, ele tinha o seu lado bom e sofrido, e que eu não posso, jamais, julgar uma pessoa pela sua aparência ou modo de vida, mas eu também não posso sair tendo piedade dos assaltantes por ai, não sou uma santa para fazer isso.