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69 Capítulo 30
Notas iniciais
Cap em
Continuo sentada na beirada da cama, encarando o chão de madeira. A porta do banheiro abre, ergo o olhar para ela e vejo Nathan.
Ele está com a feição mais suave e mais limpa também. No entanto, há um grande corte em sua testa.
- Sua testa... Hum... – contorço os lábios.
- Eu sei. – ele coloca o indicar em cima do ferimento com cuidado e faz uma careta.
- Não vai me falar o que você fez?- murmuro.
- Não. Mas você pode fazer um curativo?
Respiro fundo.
Ele volta para o banheiro e volta com duas toalhas, uma molhada e outra seca, e um kit de primeiros socorros.
Estico a toalha seca em meu colo.
- Deitei. – murmuro.
Ele coloca a cabeça em meu colo e fecha os olhos, pego um pacote de gaze e começo a limpeza.
Evito fitar os olhos azuis, que se encontram fechados. Minhas mãos tremem e acabo apertando demais o machuca.
- Ai. – ele resmunga fazendo careta.
- Desculpa. – balbucio.
Termino o curativo e encaro seu rosto sereno.
- Pode levantar. – murmuro.
Ele respira calmamente, mas não obedece.
- Nathan. – falo um pouco mais alto.
Seus olhos azuis aparecem novamente e me fitam. Prendo a respiração.
- Eu fui um idiota, não?- murmura ele.
- Sim. – falo convicta- Mas esse é você.
Ele sorri torto e cabisbaixo.
- Consegui. – ele sorri.
- Conseguiu o que?- franzo o cenho.
- Acabar de uma vez com o meu pai.
A respiração me falta.
- Você matou ele?- falo sem fôlego.
- Não, mas irá ficar em coma durante um bom tempo. – ele diz triunfante.
Contraio os lábios. Ainda me pergunto como ele consegue ser assim com o próprio pai...
- Bom, parabéns para você. – falo baixo.
- Ei. – ele levanta e senta de frente comigo- Não gosto de te ver assim.
- Prefere um sorriso falso?- rebato irônica.
Ele dá de ombros.
- Olha pra mim Nathan. – encaro-o – Acha mesmo que na situação que eu estou, eu deveria estar feliz?
O silêncio paira no ambiente, nenhum de nós diz nada. No entanto, o que podemos dizer?
Ainda não acredito nas atitudes do Nathan, estou em choque pelo o jeito que ele agiu comigo no quarto, o jeito que me empurrou na parede e como gritou comigo. Talvez isso seja difícil de relevar.
- Está de quantos meses?- murmura ele.
- Não sei. – dou de ombros.
- Não acha melhor fazer o pré-natal?
- Desde quando se preocupa com isso? Foi você mesmo que falou que era para eu fazer um aborto.
Sua expressão entristece e ele encolhe os ombros.
- Você não vai me desculpar, né?
- Eu não devia, mas você é o pai do meu filho, querendo ou não, vou ter que te aturar à vida inteira.
Ele sorri.
- Você precisa de tratamento medico. – murmuro.
Ele ri.
- Estou falando sério. – emburro.
- É normal eu ficar assim depois de tudo o que eu vi. – ele diz simplesmente- Só que eu achava que você estava morta.
- Morta?-indago.
- Fui ao seu apartamento e uma menina estranha abriu a porta, te procurei em todo lugar e ninguém sabia de você, tive que ir atrás da Vic e foi assim que eu te achei.
Tudo bem. Não posso negar, eu fui errada tanto quanto ele. De fato não tenho o direito de crucifica-lo assim que seu também agi errado, agi como adolescentes que fogem de casa, claramente quando são achados pelos pais, os mesmo estão possessos como o Nathan.
Ele me encara com jeito de menino, um olhar meigo e tentador, um rosto perfeito, embora ele não seja assim por dentro.
- Eu não consigo ficar nervosa com você, por muito tempo. – murmuro.
Ele ri.
- Idem de você.
Sorrio.
- Mas ainda estou chateada com você.
Nathan passa a mão no cabelo e respira fundo.
- Está certa. – ele levanta- Quer descer?
Aquiesço.
Descemos em silêncio, sem ao menos olhar um para o outro. Fui direto para o sofá da sala e Nathan para o escritório.
- Você está bem?- Naomi aparece do nada. Ataque cardíaco...
- Sim. – respiro fundo.
- Não parece. – ela sorri torto.
- Eu estou gravida. – falo direto.
Pra que esconder? Logo todos irão ficar sabendo.
Ela arregala os olhos e fica parada por uns instantes.
- De quantos meses?
Dou de ombros.
- Eu acabei de descobrir, nem pré-natal eu fiz ainda.
- Vai continuar?- ela inclina a cabeça.
- Claro.
- Achei que você não gostaria de ficar gravida de um mafioso.
- Me fode.
Ela ri.
Pela primeira vez, e acho que vai ser da vida inteira, vi a Naomi rir.
Sorrio torto.
- Um bebê não é uma doença. – ela diz afinal.
- Menos mal.
- Talvez uma criança mude a perspectiva de vida do Nathan, vai ser bom.
- Eu não acho isso...
Ela me encara terna.
- Dê tempo ao tempo. – ela sorri e sai.
Entendo o recado. Porém, até quando terei que ficar dando tempo a ele?
Minhas mãos escorregam automaticamente para o meu ventre e descansam ali, paradas.
Fecho os olhos e respiro fundo.
Relaxo todos os músculos do meu corpo, faz tempo que eu não faço isso que realmente consigo relaxar e escutar as batidas do meu coração.
- Me solta!- alguém grita.
Levanto em um salto do sofá e vejo Alek entrar segurando a Vic.
- Fique quieta. — ele resmunga.
Assim que ela me vê, seus olhos brilham e ela sorri.
Alek a solta e ela vem correndo até mim.
- Ele te machucou?- ela diz preocupada.
- Não. – sorrio- E em você?
Ela dá de ombros.
- Só fui um pouco teimosa- diz por fim.
Eles fizeram alguma coisa...
- O que ela faz aqui?- encaro Alek.
- Veio passar uns dias. – ele diz ríspido- E é bom se comportar.
Está claro que eles também não estão bem com o relacionamento.
Vic resmunga algo que não entendo.
- Eu preciso falar uma coisa. – murmuro.
- Pode falar. – ela sorri.
- Estou gravida. – fecho os olhos.
Alek quebra alguma coisa na cozinha e engasga, será que falei tão alto assim?
Vic continua em silêncio, não tenho coragem de abrir os olhos.
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