Businesses Will Part
3 Capítulo 3
Ele entra em uma sala e tranca a porta atrás de si. Parece mais um escritório.
- Você é surda?- ele pragueja.
Viro rapidamente, encarando-o e tento decifrar o que ele está pensando.
- Por quê?- me faço de desentendida.
- Não sabe como me deixou nervoso quando saiu correndo. – ele diz com os dentes cerrados.
- Ah, desculpa se eu quero apenas fugir daqui!- agora é minha vez de praguejar.
- Cassandra, você é tão... – ele franze o cenho- É melhor você ficar mais na sua.
Inspiro forte.
- Não! Não vou abaixar a cabeça, não pra você!- explodo.
Ele arregala os olhos azuis, mas logo depois fecha a cara.
- Não quero machucar você. – avisa, sua irritação é palpável.
- Não precisa!- rebato- Olhe para minhas mãos, já é culpa sua!
Ele cerra os dentes e me encara. Minha palpitação volta ao máximo, minha respiração fica ruidosa.
- Quando me falaram de você, não imaginei que fosse tão teimosa.
- Quem falou de mim?
- Não interessa, estou puto com você. É melhor isso não se repetir.
- Desculpa, não prometo nada. – cerros os dentes.
Ele se aproxima de mim e estende a mão.
Engulo seco, mas obriguei-me não recuar.
Ele passa seus dedos calejados pelo o meu rosto e eu recuso o toque, virando o rosto. Sua mão vai até o meu cabelo, entrelaçando os dedos e puxando gentilmente para baixo, me fazendo tombar a cabeça pra trás e encara-lo mais intensamente.
- Não fui ao seu apartamento atoa. – murmura ele.
- Foi por que quis.
Ele sorri petulante.
- É só um aviso Baby, é melhor andar na linha.
Mordo o lábio inferior fortemente, segurando qualquer objeção que tenho. Não duvido muito que ele bateria em mim se eu continuasse a critica-lo.
- Estou com fome. – tento mudar de assunto.
- Vou pedir para a Melissa preparar algo para você comer. – ele solta o meu cabelo e se afasta.
Respiro fundo, ótimo, distância.
- Mais um deslize... – ele deixa a frase no ar e me faz ter arrepios.
- Eu sei. – corto-o.
- Pode ficar com o seu gato. – ele se finge de gentil.
- Achou que ele iria ficar com você?- pergunto irônica.
- Poderia virar comida para os meus cães.
- Idiota!- rosno e ele me encara sério. Ops.
Ele destranca a porta e me dá passagem, saio em passos largos e as meninas ainda estão lá.
- Estão encarando o que?- falo grossa.
Elas me encaram com desdém e riem de algo, logo em seguida saem andando.
- Cassandra. – alguém chama meu nome docemente.
Olho para trás por cima dos ombros e vejo o menino que me barrou na porta.
- Sim?- forço um sorriso.
- Tem certeza que você socou a porta?- ele se aproxima de mim.
- Sim. – ele está insinuando o que?
- O Nathan não tocou em você?- ele me encara preocupado.
- Tocou, mas não do modo agressivo. – franzo o cenho.
- Ótimo. – ele sorri- Sou Lucas.
- Cassandra. – estendo a mão pra ele.
- Não precisa ser formal. — ele ri.
- Ótimo, por que eu não pretendia ser.
Andamos um pouco até a sala, onde sentamos no sofá.
As garotas estavam na cozinha, bebendo algo alcoólico e rindo como se a vida fosse carnaval.
- Quem são elas?- murmuro para Lucas.
Ele olha de relance pra elas e depois me encara de novo, com um sorriso no rosto.
- São as prostitutas da casa.
Arregalo os olhos, mas me contenho.
- O Nathan também as sequestrou?- balbucio.
- Sim, mas elas já tinham o cafetão delas, o Nathan só fez um favor.
Reviro os olhos, até parece que o Nathan é bom.
- Elas vão ficar aqui?- murmuro.
- Geralmente o Nathan vende-as para bares e casas de prostituição no exterior. – Lucas sussurra.
- Pelo dinheiro?
- Sim, isso dá dinheiro. – ele concorda.
- Então vocês vivem disso? Sequestram prostitutas e depois vendem?
Ele gargalha, me seguro para não rir com ele.
- Quase isso docinho.
- Só tem você e o Nathan aqui?
- Não, tem o Leo, o Alek e a Sue.
- A Sue é o que?
- Tipo a governanta da casa.
Concordo com a cabeça e então encaro os meus dedos, lembrando que ainda estou usando minha camisola. Coro.
- Depois peça pra ela algumas roupas. – Lucas parece notar minha vergonha.
- Tudo bem. – ergo o olhar para ele de novo e meu estomago ronca.
- Está com fome?- seus olhos parecem rir.
- Sim.
Caminhamos lentamente até a cozinha, Lucas comenta algo com as meninas. Eu sento nos bancos que tem em frente à bancada e observo o ambiente, elas estão bebendo cerveja e comendo azeitona com outra coisa.
- Ei novata. – uma me chama.
Encaro-a, ela é ruiva, tem olhos verdes e um corpo com belas curvas.
- Sou Melissa. – ela sorri.
- Cassandra. – murmuro.
- Está gostando do local?- ela se aproxima de mim.
- Não. – contraio os lábios.
- Oras, por que não?- ela sorri
- Porque eu quero saber o motivo pelo qual estou aqui. – murmuro dolorida.
- Todas nós queremos. – ela aperta a minha mão- Foi o Nathan que fez isso?- ela afaga os nós dos meus dedos.
- Não, eu soquei a porta.
Por que todos desconfiam que o Nathan me bateu?
- Ele já bateu em alguém?- balbucio, com medo da resposta.
Ela engole seca e fica tensa.
- Bem, não sei. – sua voz é uma tensão detida – Tenho que ir me arrumar, depois conversamos.
Concordo com a cabeça e ela sai andando.
Lucas volta com um sanduiche natural e um copo de suco de laranja, tudo é bem-vindo.
Estou comendo o meu lanche, enquanto o Lucas come bolachas e mexe no celular, distraído.
- O Nathan já bateu em alguém daqui?- murmuro.
Lucas me encara franzindo o cenho.
- Uma vez. – ele contrai os lábios.
- Foi em uma mulher?- balbucio.
- Não, ele não é tão covarde assim.
Menos mal.
Termino o meu lanche e fico rodando no banco, enquanto o Lucas se distrai com algo no celular.
- Namorada?- falo enquanto rodo no banco.
- Não. – ele diz sem desgrudar os olhos da tela do celular.
- Hum... – continuo rodando até a porta da sala abrir.
Um menino de cabelo castanho claro entra segurando um rifle de assalto, têm olhos castanhos escuros e a pele bronzeada, ele está rindo de algo.
A respiração me falta, eu pensaria que aqui tivesse de tudo, menos armas de fogo.
- Como foi?- Lucas encara o menino.
- Tudo bem, conseguimos vender a carga. – ele vem até nos.
Será que venderam mais uma menina?
Fico em silêncio observando-o, ele é bonito, assim como o Nathan e o Lucas.
- Você é a... ?- ele me encara.
- Cassandra. – falo rápido.
Ele encara o Lucas convicto de algo e diz sem hesitar:
- Rolos do Nathan.
Lucas concorda.
- Certo, vou falar com ele. – o menino caminha até o escritório.
- Esse é quem?- questiono-o.
- Esse é o Leo.
- O que você faz no grupo?- murmuro.
- Faço o que a chefia manda. – ele sorri.
Estou certa que ele fala do Nathan.
Mas quão será o poder desse menino aqui? O que será que o torna tão especial?
Ainda tenho medo dessa casa, mas mais das pessoas que ficam nela. Eles têm armas, eles matam pessoas, eles vendem pessoas. Minhas mãos suam frio e minha respiração fica ruidosa, não sei por que estou com medo agora. Mas estou com muito medo.
- Eu posso ir para o meu quarto?- murmuro.
- Sim. – Lucas levanta- Vamos lá.
Lucas me levou para o meu quarto, me trancando lá de novo. Vou até o armário e noto que Sue deixou umas roupas lá.
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