Ele se aproxima de mim, recuo.

- Você vai fazer um aborto. – ele me encara.

Meu coração para e minhas pernas amolecem. Quem é esse Nathan?

- Não!- minha força volta- Eu não vou fazer!- bato de frente com ele.

Ele arregala os olhos e logo depois fica com um olhar frio.

- Ninguém diz não pra mim, Cassandra. – ele diz ríspido.

- Eu falo. – praguejo- Não! Não! Não!

Ele segura o meu braço e me bate contra a parede com força. Arfo.

- Eu falei que você vai fazer. – ele pragueja.

Estou com medo. Não sei o que aconteceu com ele, mas ele não é o mesmo, ele está agressivo, raivoso, agressivo.

Fecho minha mão e acerto um soco na cara dele.

- Primeiro, você não fale assim comigo. – dou um tapa na cara dele- Segundo, você não tem o direito de tocar em mim assim. – dou outro tapa na cara dele- Terceiro, você não deve desmerecer o seu filho.

Nathan cerra o maxilar e respiro fundo, certamente eu brinquei com fogo.

- Eu não quero um filho. – resmunga ele.

Seguro as lagrimas. Eu esperava qualquer reação dele, menos o mandato de aborto.

- Agora é tarde para falar isso. – rebato.

Caminho até a porta.

- Abra a porta. – mando-o.

- Não. – ele cruza os braços.

- Nathan, abra a porta. – tento manter a paciência.

- Não. – ele diz devagar e petulante.

Ah Frost, eu mato você.

Estou quase certa que o Nathan sofre de distúrbios bipolares ou eu realmente nem conheço ele.

- Cassandra. – ele diz mais calmo- Olhe para o meu estado.

Contraio os lábios.

- Estou sem condições de discutir, então faça por menos.

- Faça por menos?- falo indignada- Foi você que chegou louco, gritando e me agredindo.

Ele contrai os lábios.

- Então faça você por menos. – falo sério- Eu sou a gravida aqui, eu que deveria estar dando uma louca e não você.

Ele ri sarcástico.

- Quando você matar o tanto de pessoas que eu matei hoje, você fala em ser louca.

Passo a mão no cabelo. Que pai o meu filho vai ter...

- Eu quero ver a minha vó. – mudo de assunto para não ficar mais em choque do que já estou.

- A velha vai ficar bem. – ele diz sem dar importância.

Cerro o maxilar.

- Dobre a língua para falar da minha vó. – rosno.

- Ficou dolorida por uma velha que não é nada sua?- ele sorri petulante.

Ele não sabe com quem está falando!

Avanço nele mais uma vez, porém ele segura os meus braços com forças, me deixando sem defesa.

- Me bate. – ele diz provocante.

Mecho minhas mãos, sem sucesso.

- Nathan, me solta. – digo frágil.

- Posso pensar no seu caso. – ele diz perto do meu ouvido.

Mexo minha perna para ajudar a me soltar, então ele interfere me prendendo contra a parede.

- Nathan. – tento não gaguejar de medo.

- Você fica tão linda assim. – murmura ele.

Estufo o peito e prendo a respiração. Obrigo-me a não demonstrar medo.

- Você se drogou?- contraio os lábios.

- Eu não uso droga. – ele rebate.

Menos mal...

- Você lembra quando fomos para Las Vegas?- ele me encara terno.

- Lembro. – murmuro. Naquela época eu poderia sentir algo por você.

- Lembra quando eu falei que se fizesse algo errado, sofreria as consequências?- ele sussurra perto do meu ouvido.

Estremeço.

- Lembro. – falo baixo.

- Está na hora das suas consequências por fugir de mim. – ele morde o lóbulo de minha orelha.

Sinto um arrepio passar por minha espinha.

- Não. – tento dizer firme.

- Agora não é hora de dar sua opinião. – ele passa os dentes em meu maxilar.

Respiro fundo e pesado.

Meu corpo está tênue, soou frio e não tenho forças para me soltar. O Nathan deve estar com algum problema sério.

- Não vou fazer nada com você nesse estado. – falo firme.

- Isso se chama saudade.

Seja forte Cassandra.

Ele afrouxa um pouco a mão que prende as minhas.

- Não, você está fora de si Nathan. – empurro-o.

Ele me encara confuso.

- Acha que eu sou aquelas vagabundas da sua casa?- cruzo os braços- Você não me machuca assim e depois tem o que quer, não mesmo.

Ele contrai os lábios.

- Agora abra a porta. – ordeno.

Ele levanta e caminha até a porta, destrancando-a.

Volto para sala o mais rápido que posso.

- Lucas, abaixa a arma. – encaro-o.

Ele faz o que eu mando e minha vó me encara confusa.

Sorrio torto.

Alguém agarra o meu braço e me arrasta pra fora, olho para o lado e vejo o Nathan. Puxo o meu braço e ele aperta mais.

- Nossa conversa ainda não acabou. – ele diz sério.

Reviro os olhos.

Ele me coloca dentro do carro, vejo minha avó vir correndo. Tento abrir a porta, porém a mesma está trancada, minha avó é contida pelo Leo e Nathan entra no carro.

- Me deixe sair. – resmungo.

- Como eu disse, nossa conversa ainda não acabou. – ele me encara e logo depois liga o carro.

Tento abrir a porta, mas ela continua trancada. Dou um soco no vidro para não descontar no Nathan.

- Toma. – ele me entrega uma venda.

Reviro os olhos e coloco-a.

Com certeza ele é bipolar.

**

O caminho foi longo? Não sei dizer, acho dormi.

Nathan retirou a venda quando já estávamos dentro da mansão. Sinto arrepios por lembrar o que já passei aqui dentro.

Saio do carro rápido e caminho até a porta, abro-a e rolo os olhos pelo lugar. Está a mesma coisa.

- Quanto tempo. – alguém fala comigo.

Procuro pelo dono da voz e vejo Naomi, sorrio.

- Sim. – concordo.

Nathan passa por mim e me arrasta para dentro da casa, subimos a escada e ele continua me segurando. Entramos em um quarto desconhecido por mim.

Tem paredes claras e apenas uma azul, moveis de madeira escura, uma cama de casal no meio do quarto e algumas fotos.

As fotos são de uma mulher de cabelo liso negro e grande, pele alva e um lindo sorriso.

- Minha mãe. – Nathan diz breve.

Mordo o lábio e sento na beirada da cama. Nathan entra no banheiro e escuto o chuveiro ligar.

O Nathan tem surtos bipolares, eu percebi isso pelo estado que entrou na fazenda, pelo estado de quando falou que sentia saudade e pelo estado que está agora.

Abraço o meu ventre. Ah meu bebê, o que será de nós com o seu pai?

Notas finais
Está legal?