Businesses Will Part
66 Capítulo 27
Notas iniciais
Enzo levanta.
- Ás vezes é melhor você pensar bem antes de fazer alguma. – ele me encara.
Passo a mão no cabelo.
Eu estou fazendo isso para o meu bem, não estou?
- Vou me lembrar disso. – murmuro.
Ele sai andando e eu continuo sentada na varanda da casa, observando o calmo lago. Ficar longe do Nathan tem lados positivos e negativos, consegui pensar melhor em minhas atitudes, pensar melhor que a máfia não é pra mim, oque, perto dele eu não consegui perceber e até participei de missões! Eu poderia ter morrido.
Abraço meus próprios joelhos e respiro fundo. Acho que preciso de um terapeuta.
Vou pra dentro da casa de novo e fico parada em frente a um espelho que tem perto da mesa de jantar. Estou gorda?
- O que foi? – minha vó aparece do nada.
- Vó, eu estou gorda?- passo a mão na minha barriga é aperto.
Ela dá de ombros.
Minha barriga não está mole como seria se fosse gordura, está meio dura, estranha.
Talvez seja porque eu andei fazendo muita coisa e comendo pouco...
Janto e vou direto para o meu quarto, deito na cama e encaro o teto. Gostaria muito de saber como está o Nathan, se ele conseguiu o que queria com o pai, se voltou a fazer seu trabalho de sempre e se voltou para Brasil. Ele deve ter se esquecido de mim, eu já podia imaginar, deve estar na mansão com aquelas... Aquelas mulheres oferecidas.
Respiro fundo.
Ou ele pode estar atrás de mim, me procurando por todos os cantos da cidade, mas não é lá que ele vai encontrar e espero que não me encontre aqui.
Coloco minhas mãos em cima da minha barriga e volto a perceber como a mesma está diferente, está dura. E isso me lembra a barriga de uma mulher gravida. Ah caralho! Não pode ser!
Levanto com um salto e saio do quarto. Vou até a cozinha, pego a chave do carro da minha avó e corro para fora, passando por minha avó sem dar nenhuma satisfação.
Dirijo o mais rápido que consigo, fazendo-me pular quando passo por algum buraco na estrada de terra.
Eu não posso estar gravida, porque estou pensando nisso? É impossível, ele só não usou camisinha uma vez, só uma vez!
Isso não está acontecendo, eu bem que podia acordar desse pesadelo horrível e voltar para a minha vida normal, não?
Chego na cidade e procura pela primeira farmácia. Mas está meio difícil.
Assim que vejo uma ainda aberta, entro correndo e ando pelos corredores de produtores como uma problemática neurótica. Encontro o teste de gravidez, pego o mais caro para ter certeza, embora teste de farmácia não seja muito confiável.
Pago e saio, entro no carro e encaro a pequena caixa que carrega o meu destino. Eu quero a minha mãe...
Minhas mãos tremem e meu coração está pulsando na cabeça, pareço estar cometendo o pior crime do mundo.
Ligo o carro de novo e volto para a casa, o mais devagar possível. Não consigo raciocinar nada, minha cabeça da voltas, lembro-me daqueles olhos azuis, do sofrimento da Vic, da máfia, da vida dele. O que eu vou fazer?
Chego a casa e entro no maior silêncio. Corro para o meu quarto e tranco a porta, volto a encarar a caixa.
Depois de ler as instruções descobri que o resultado demora entre 3 a 10 minutos, se aparecer dois ricos é positivo e um só é negativo.
Tenho minhas descrenças nesses testes de farmácia, prefiro o de sangue, mas no momento só tenho esse. Vou ao banheiro.
Não sei se deu certo, eu devia ter pegado um copo, mas já era. Deixei aquele negocio em cima da pia e sai, deitei na minha cama e coloco a mão no rosto.
Tenho vontade de chorar, de gritar e até de me matar. Eu não posso estar gravida, principalmente se o pai da criança for o Nathan, onde essa criança vai crescer? No meio de tiros e mortes?
E se eu estiver gravida, o que vai acontecer? Minha vó irá me expulsar de casa, terei vergonha de sair na rua, o que irão pensar de mim? Ah, uma estudante de medicina gravida de um bandido. Estou me sentindo uma vagabunda.
Lagrimas involuntárias escorrem pelos cantos dos meus olhos e o soluço forte da origem ao meu pranto.
Agora terei que ser forte e enfrentar tudo isso de frente...
Levanto e caminho desconsolada até a porta do banheiro. Vejo aquele objeto branco em cima da pia e meu estomago da voltas, acho que vou desmaiar, minhas pernas fraquejam, minhas mãos tremem e não consigo respirar.
Pego-o e de repente tudo para.
Eu congelo, meu corpo para, meus pensamentos desaparecem enquanto eu encaro aqueles dois riscos azuis.
Caio lentamente de joelhos no chão frio, as lagrimas começam a escorrer pelo meu rosto, tenho vontade de gritar, mas não consigo fazer nada.
Solto o pequeno objeto e apoio minhas mãos na pia, abaixo a cabeça e começo a chorar. Isso não pode estar acontecendo comigo, não pode ser verdade. Não posso estar gravida justo do garoto dos olhos azuis, não, eu não posso!
Começo a soluçar, o choro me deixa mais desesperada. Abraço minha barriga e me encolho.
Eu devo estar em um pesadelo, eu tenho que acordar. Por favor, acorde!
Sinto odeio de mim mesma, ódio de ter caído na lábia dele, ódio de ter gostado, ódio de estar gravida, ódio da minha vida.
O que vai ser de mim agora?
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