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25 Capítulo 25
Notas iniciais
Consigo escutar os latidos dos cães, olhos verdes me encaram possessos e a arma está apontada para mim, respiro fundo mantendo a calma e escuto o disparo. Estou afundando na água gelada, o ar escapa em bolhas e eu começo a me sufocar, o cloro reage contra o meus olhos, fazendo os mesmo arderem. Em pânico respiro e tento voltar para a superfície, mas acabo engolindo água.
Abro os olhos e estou em casa, no meu quarto... NO MEU APARTAMENTO!
Levanto da cama em um salto e caio de joelhos no chão, pois a dor na minha cintura me impede de andar. Fico de pé com dificuldade e caminho até o corredor. Estou realmente em meu apartamento.
- Nathan!- grito.
Meu grito faz eco e ninguém responde.
Isso não pode estar acontecendo, ele não pode ter ido embora, não pode ter me deixado. O pânico é maior que a minha dor.
Caminho até a sala e sento no sofá. Eu ainda devo estar sonhando, não é possível, ele não iria me deixar sem motivos concretos.
O apartamento está do jeito que eu deixei, ele não mexeu em nada, se é que foi ele que me trouxe pra cá.
Encaro o chão de madeira e flashes repentinos passam por ela, desde quando eu fui levada para a casa dele, até quando eu caio na piscina e as dúvidas vêm. Quem me tirou da piscina? Quem fez o curativo em mim? Quem me trouxe pra cá? O Nathan está bem? E o Alek? Eles pegaram a Melissa?
Minha autoestima cai, eu nunca vou saber isso, talvez eu nunca mais o veja. Nunca vou saber o verdadeiro motivo do meu sequestro e se realmente Nathan sentiu algo por mim ou foi apenas o sentimento do momento.
As lagrimas brotam em meus olhos. Não esperaria chorar por ele, mas me sinto vazia agora, me sinto sozinha. A dor em meu peito volta, me torturando mais e fazendo-me lembrar daqueles olhos azuis enigmáticos, do cheiro dele, dos seus toques, dos seus beijos e jeito autoritário de ser, das nossas brigas estupidas.
As lagrimas escorrem pelo meu rosto, levando as lembranças embora, me fazendo esquecê-las de uma vez. Fecho os olhos e me concentro em algo mais sério, tipo a minha avó. Mas é quase impossível.
Olho para a porta, imaginando ela abrindo e ele aparecendo. Sei que isso não vai acontecer, talvez nunca aconteça. E invisível no chão de madeira, encontro um pingo de sangue que faz um caminho até a porta do meu quarto. E sangue é meu ou de quem me trouxe?
Levanto do sofá com um pouco mais de facilidade e caminho até os pingos, me certificando que realmente é sangue misturado com água.
Engulo em seco em pensar que esse sangue pode ser do Nathan e o medo dele estar pior que eu volta novamente.
Passo a mão no cabelo e olho em volta, nunca me senti tão vazia por dentro igual está sentindo agora.
Algo brilhante em cima do balcão chama minha atenção, caminho até ele e acho um envelope branco com o meu nome em uma letra cursiva e perfeita.
Abro e envelope e tem uma mensagem...
Cassandra,
Realmente não sei como começar a escrever, posso começar quando eu estive em seu apartamento pela primeira vez e te vi sair do quarto sonolenta e resmungando algo, fiquei tão encantado com você que demorei um pouco para pegar no tranco. Depois quando você acordou no quarto e me encarou, não sabe como me senti ao encarar seus olhos castanhos, era como se eu tivesse despertado de um pesadelo.
E então não começamos bem, brigávamos desde que nos víamos e até por pensamento, mas, por mais que foi aconselhado, não tive coragem de encostar em você, parecia uma boneca, feita com a maior perfeição possível e apenas para a observação dos demais. E foi o que eu fiz, fiquei te observando e depois admirando, e quando vi, eu sentia algo mais por você, mas isso não podia acontecer. Tentei me afastar, mas foi impossível, você é como a droga mais forte do mundo e eu apenas um viciado que não conseguia passar um minuto sem você, eu me sentia um fumante que sempre tem que ter em vista seu cigarro e lá estava você.
Fiquei mais encantado por você quando eu contei sobre uma parte escura da minha vida que ainda me prende e você não me julgou apenas me escutou e me consolou, mesmo que não me entenda em parte.
Você pode não ter notado, mas você foi minha terapia e minha luz, também pode não ter percebido, mas eu adoro a sua risada e seus olhos, admiro sua determinação e coragem, e detesto seu orgulho.
A folha acaba, viro-a e encontro sua continuação.
Eu gosto de todo em você. Não sei como fazer um resumo do que eu realmente estou sentindo agora, é uma coisa nova. Sinto-me vazio e sozinho, como se só existisse eu no mundo inteiro, nunca imaginei uma despedida para “nós” e agora estou aqui, escrevendo, pois não tive coragem de dizer pessoalmente.
Se estiver lendo isso e sentir raiva de mim, não sinta. Estou fazendo isso apenas para a sua segurança, não faz ideia do desespero que eu senti quando te encontrei na piscina e desejo não sentir mais isso, por isso resolvi te dar a sua vida de volta, pois sei que foi isso que você sempre quis afinal que gostaria de ficar ao meu lado?
Quero que me esqueça e não me procure mais, tudo que aconteceu entre a gente vire apenas uma historia para você contar para os seus netos ou filhos, por que eu sei que você merece coisa melhor do que uma arma e mafiosos. Só não me julgue por tomar essa decisão, pense que é para a sua segurança e nada mais, não mexi em sua herança e em nada de seu apartamento.
Peço desculpa pela sujeira que fiz, é que sai às pressas e esqueci de limpar, mas não se preocupe, apenas tive cortes superficiais, nada de muito grave.
Como não gosto de despedidas. Quero lhe dizer um “até logo”.
Nathan.
As lagrimas voltam em meus olhos, não sei por que eu choro, mas é um alivio chorar. Leio a carta mais uma vez me conformando com o adeus dele.
Perto da carta tem uma caixinha de veludo preta, sem hesitar muito. Abro-a e fico sem reação.
É um colar de ouro com um coração com pingente, a armação do coração também é ouro e a pedra no centro é negra.
Sinto um aperto no peito e aperto o colar na mão, como consolo. Pelo menos tenho algo mais concreto que apenas lembranças.
E agora eu me pergunto. Acabou?
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