Notas iniciais
desculpe se ficou pequeno.

Duas semanas após Nathan, sequestro, tiro, mansão, isolada, prostitutas, Las Vegas, Fred, atiradores, armas, negócios e brigas.

Retomei minha vida social, liguei para todos os meus amigos e avisei que estou de volta, mesmo não querendo isso. Voltei a ler as calorosas cartas de minha avó.

Estou parecendo um zumbi, sentada na minha poltrona, encarando a sacada na esperança dele aparecer lá de novo, só que já fazem três dias que faço isso e ele não aparece. Minha mente não parece estar no momento de agora, ela vaga ao passado e me faz reviver todo de novo, mas de um ângulo diferente, como se eu fosse à narradora da historia.

O telefone toca, me obrigando a levantar da poltrona.

- Alô?- minha voz sai amarga.

- Cassie?- é uma voz familiar.

- É ela.

- Oi linda, é a Victoria.

Respiro fundo.

- Oi Vic, como vai?- tento me animar.

Vic é minha melhor amiga, tem meus segredos mais íntimos guardados, pena que esse que eu tenho eu não posso revelar.

- Estou ótima, por que sumiu?- ela vai começar, até conseguir arrancar algo de mim.

- Foi viajar. – murmuro.

- Para aonde?- ela diz animada.

- Las Vegas. – mordo o lábio.

- Não. – ela diz pasma- Sério?

- Sim. – rio.

- Ok, estou indo ai para a gente conversar e você me conta da viagem.

- Tudo bem.

Ela desliga e eu continuo na linha, não sei o motivo.

Respiro fundo e vou até a geladeira.

VICTÓRIA NÃO demora muito para chegar, e logo que entra, já ilumina a casa com o seu entusiasmo de menina. Ela tem o cabelo negro comprido preso em um rabo de cavalo, seus olhos castanhos brilham e está sempre falando de alguma.

- E como foi a viagem?- ela me encara.

- Normal. – tento não dar continuidade para o assunto.

- Comprou alguma coisa?- ela sorri.

- Umas roupas, mas a minha mala foi deportada para outro país. – minto e muito bem por sinal.

- E odeio aeroporto por causa disso. – ela resmunga.

Rio.

A visita dela vai me fazer bem, pode me tirar dessa depressão chamada Nathan e me levar de volta ao mundo.

- Quem te deu esse colar?- ela arregala os olhos ao vê-lo no meu pescoço.

Seguro o pingente com força. O que eu falo?

- Minha avó. – dou um sorriso amarelo.

- Hum...

Ficamos em silêncio e creio que ela não acreditou muito.

- Cassie, quer ir a uma festa?- seus olhos brilham.

- Eu acho melhor não. – murmuro.

- Qual é? Minha mãe que organizou, vai ser o maior show!- ela se anima rápido.

- Festa do que?- ergo uma sobrancelha.

- De gala e as pessoas vão de mascara. – ela sorri.

Contraio os lábios, não estou com vontade de ir.

- Não estou com clima para festas. – murmuro.

- Ah, por favor, só vão ter gatos lá e você pode arranjar um. – ela sorri lasciva.

Seria uma boa.

- e outra, todos vão ser ricos e de boas famílias. – continua ela.

- Quando é?

- Hoje a noite. – ela sorri.

- O quê?- quase caio pra trás.

- Ah, sem cerimonia Cassie, você não precisa de reboque para se arrumar para uma festa. Você é linda, é só dar um retoque na maquiagem.

Rio.

- Tudo bem. – me faço por vencida.

- Então está marcado, vem te pegar as oito. – ela levanta.

- Estarei pronta. – sorrio.

- É bom mesmo, agora eu tenho que ir gatinha. – ela me lança um beijo e sai.

Encaro Percy que está sentada perto de mim.

- Tenho uma festa. – tento me convencer.

**

Estou pronto. Me encaro uma ultima vez no espelho, estou usando um vestido da jovani, ele é curto, preto, sem mangas. Tem cintura império, com pedrarias bordadas e rendo sobre tela, é semi transparente no decote. Deixei meu cabelo solto, deixando-o bem comportado. Passei uma maquiagem leve e estou usando um scarpin preto Bottero.

Desço para a portaria e não preciso esperar muito, pois Victoria aparece sorento prata.

Entro no carro e encaro-o, ela está com um vestido curto, rosa e está impecável.

- Está linda. – ela me encara.

- Você também. – dou um sorriso tímida.

- Tome. – ela me entrega uma mascara.

A mascara é veneziana, modelada e é forrada com tecido. Tem alguns detalhes em cristais e uma pluma na lateral, a mesma é mesclada com branca.

- Obrigada. – murmuro.

ESTAMOS NA porta do buffet, o manobrista vem até o carro e nos ajuda a descer. Me equilíbrio no scarpin e encaro a luminosa entrada do buffet.

- Hora de colocar as mascaras. – Vic sorri e coloca a sua, é igual a minha só que rosa.

- Como sabia que meu vestido era preto? – encaro-o.

- Não sabia, trouxa uma variedade, quando vi que seu vestido era preto. Peguei uma mascara preta. – ela sorri.

Caminhamos pelo tapete vermelho até a grande porta de vidro. Quando entramos não posso deixar de notar a música alta, as mesas são redondas, com toalhas vermelhas e pretas, com lindos arranjos de flores. Tem uma pista de dança, um open bar, um self service. O teto está decorado com balões em forma de estrelas e o ambiente é iluminado de acordo com o ambiente. Na pista as luzes lembram uma balada e perto do restaurante é uma iluminação bem clara.

Também noto que tem bastante jovens aqui, entre a minha idade e 24 anos e realmente Vic tinha razão, tem muito meninos lindos aqui.

- Quer tomar alguma coisa?- Vic me encara.

- Sim. – sorrio.

Ela pega de uma bandeja duas taças de champanhes e me entrega uma.

- Aos gatos!- ela ergue a taça.

- Aos gatos!- rio e brindamos.

Tomo um gole e observo mais uma vez o ambiente, quando noto um lindo rapaz, tem cabelo negro revolto, usa um smoking preto e sua mascara revela apenas sua boca e maxilar, no entanto consigo ver seus olhos.

Os olhos azuis... Meu deus os olhos azuis!

Engasgo.