Corro para o meu quarto, sem explicar nada pra ninguém. Meu coração está vindo à boca, a adrenalina corre em minhas veias, acho que brinquei com fogo agora.

Entro no box de roupa e tudo, a água gelada relaxa os meus nervos e consigo por os pensamentos no lugar.

- Você está ficando louca!- Nathan entra em casa gritando.

Fico tensa e desligo o chuveiro. Respiro fundo.

- Eu estou louca?- praguejo- Eu fui sequestrada, levei tiro, vive no meio de pessoas que eu nem conhecia e não sabia o que iam fazer comigo.

- Por que quis!- ele grita.

- Eu quis?- falo perplexa- Eu pedi o meu próprio sequestro Nathan?

Ele fica mudo.

- Não, acho que você é o louco daqui.

Ele abre a boca, mas não continua.

- O que você fez Nathan, o que você fez. – lamento- Isso não tem perdão.

- Eu não tive a intenção...

- Claro que teve!- grito- Se não tivesse, você não teria me escondido tudo isso, não teria escondido a historia pela qual eu ainda estou viva.

Ele arregala os olhos.

- Você falou com ela?- murmura ele.

- Não só falei, ela me salvou daquele lugar, porque se dependesse de você eu estaria morta. – praguejo.

- Eu ia atrás de você. – balbucia ele.

- Ia nada! Você não se importa comigo, agora eu sei que a Melissa teve razão para fazer tudo o que fez, teve razão de trair você, você não merece um pingo de amor que eu tenho por você, você não merece nada!

Estou tão nervosa, pareço um vulcão a ponto de explodir e levar o Nathan junto. Como ele pode ser tão cínico, que mesmo com a mascara no chão ele não perder a pose de Sr. Correto, Bonzão e Rico.

- Não fale assim. – ele diz sério.

- Você quer que eu fale como?- minha voz sai aguda e minha garganta doí.

Coloco a mão no pescoço e o encaro.

- Sim, eu sabia de tudo isso. Não falei porque não foi necessário, nunca pensei que o Muller iria aparecer depois de tanto tempo.

- Não seria necessário?­- falo abismada- Como não seria necessário eu saber que minha mãe é na verdade mulher de um mafioso, que o meu pai traiu a mãe que me criou, que eles morrerem por pura vingança e não acidente e que minha herança está sendo disputada pelo sócio dele, como isso não é necessário?

Ele dá de ombros.

Tento manter a calma, se matar nessa altura do campeonato não é boa coisa, principalmente no estado que eu estou. Mas o Nathan poderia ser mais razoável.

- Me desculpa. – murmura ele.

- Não seja cínico!- grito- Não venha pedir e fingir que nada aconteceu Nathan, essa foi a pior coisa que você podia ter escondido!

- Cassandra eu errei, eu sei. Mas não me crucifique por isso, todo mundo erra. – ele diz impassível.

- Sim, as pessoas erram. Mas você já passou do limite de erros, começando com o meu sequestro.

- O quê?- ele arregala os olhos- Eu fiz muito, eu não te matei.

- Porque recebeu dinheiro para me manter viva!- grito e minha voz falha- Porque a quantia para me manter viva era maior do que para me matar!

Ele engole seco.

- Agora eu acho melhor você calar a boca, porque você não tem razão. – aviso.

- Eu já cansei disso. – murmura ele- Já cansei de ficarmos brigando e começarmos do zero de novo.

- Então pare de fazer merda. – rebato.

Ele respira fundo.

- Acho melhor você dar apoio a sua amiga e esquecer a briga. – balbucia ele.

- Hein?- encaro-o confusa.

- Pergunte da gravidez. – ele sai do banheiro.

Caminho atrás dele, e procuro pela Vic na sala.

- Cassie, está melhor?- ela caminha até mim.

Aquiesço e noto que minha avó não está.

- Cadê a minha avó?- olho em volta.

- Ela resolveu falar com você outra hora. — Naomi diz sorrindo.

Coro. Que show que eu fiz para a minha avó.

Caminho com Vic até o quarto e sentamos na cama.

- Pode começar a falar. – sorrio.

Ela sorri torto, meio triste e feliz ao mesmo tempo.

- Eu perdi o bebê Cassie. – ela diz baixo.

- Você fez aborto?- arregalo os olhos.

- Não. – ela diz sorrindo- Eu perdi de forma instantânea, fiz um aborto natural.

- Natural?­- franzo o cenho.

- O meu útero abortou o feto. – ela explica.

- Ah. – exclamo meio que aliviada- Está tudo bem?

- Sim, me sinto melhor assim sabe. Não tive barriga e ele nem era considero feto, quase um mês de gravidez. Minha medica diz que isso é quase frequente em gravidez de 20 a 22 semanas ou até menos, meu caso.

- E o Alek?- murmuro.

- Ele ficou mais abalado que eu. – ela ri, mas parece triste- Mas sabe, eu já havia me acostumado com a ideia de ter o bebê, é uma coisa tão normal, por mais que eu tivesse morrendo, eu gostava dele.

Sinto vontade de chorar ao lembrar que minha mãe me criou, sem eu ao menos ter nascido dela.

- Vão continuar com o namoro?- balbucio.

- Claro. – ela sorri- Não era a gravidez que nos mantinha juntos.

Ainda bem...

Sorrio e abraço-a.

- Estou precisando de colo. – murmuro chorona.

- Ah minha bebê. – ela passa a mão no meu cabelo- Brigou com seu love?

- Fica quieta Vic. – resmungo.

Ela ri.

- Eu gostaria de ser forte igual você. – murmura ela- Mesmo se matando com o Nathan, vocês conseguem ficar juntos e lutar juntos, tipo um pelo outro.

- Não chega a esse ponto. – murmuro.

- É que você tem uma visão diferente da nossa, todos acham que vocês combinam, só pelo fato de não ser casal conto de fadas. – ela ri.

- Conto de fadas?- encaro-a.

- Tipo, que nunca briga, que nunca acham diferencias e que é tudo pelo amor e nada mais. — e–a diz melosa- Vocês são tipo um casal fora da lei ocupando o mesmo espaço.

Rio.

- Gostei.

- Sabe, você não devia fazer isso com ele. O que vocês têm um pelo outro, acontece uma ou duas vezes na vida de tiver sorte. – ela me encara sorrindo- E você teve essa sorte, então dê mais chances pra ele.

- Falando assim, até parece que você o conhece. – resmungo.

- Eu não preciso conhecer para saber o que ele sente por você Cassie, ele sente algo verdadeiro, mesmo que ele não demonstre, ele sente.

Gostaria tanto de poder acreditar, mas não posso negar as palavras da Vic, ela é a pessoa mais sincera que conheço.

- Vou pensar. – murmuro.

Ela levanta e eu deito a cabeça no travesseiro, minha roupa ainda está molhada e eu ainda estou confusa.

A porta não é fechada durante um tempo, ergo o olhar e vejo o Nathan.

- Não foi embora?- murmuro.

- Eu não vou embora. – ele diz firme.

Sorrio.

- Que bom que você não me leva tão a sério.

Ele ri.

- Que bom mesmo. — ele ri- Mas agora é sério, me desculpa.

Aquiesço.

Eu já relevei tanta coisa vinda dele...