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17 Capítulo 17
Notas iniciais
Não consegui dormir desde que o Nathan entrou no quarto, ele pelo contrario está no sono mais profundo do mundo.
Estou apoiada no cotovelo encarando-o dormir, ele fica tão sereno, vulnerável e amável assim, nem parece o menino enigmático e frio que é quando está acordado.
Meu estomago ronca e dói. Levanto da cama e vou até o frigobar que tem perto da cômoda. Observo a pequena geladeira, mas só tem bebidas, mas para minha sorte, há alguns salgadinhos em cima da cômoda. Não sei se são cortesia ou vão cobrar depois, mas estou com muita fome para pensar nisso
Pego um e sento na poltrona, ligo a Tv e começo assistir um seriado, sei lá o nome, mas parecer ser legal.
O Nathan tem que abrir logo o jogo comigo, ficar nesse mistério só vai estressar nós dois, e se ele acha que vou desistir e sucumbir aos seus desejos, ah! Ele está bem enganado. Ele tem que se tocar que quanto mais ele esconde, mais em vou atrás. Posso destruir Las Vegas, mas vou arrancar nem que for uma palavra sobre a vida dele.
- Não. – ele geme na cama.
Ergo o olhar por cima da poltrona e observo, ele está falando comigo?
Ele se mexe na cama, parece atormentado com alguma coisa.
- Não!- ele grita.
Pulo da poltrona com o susto e percebo que ele ainda está dormindo. Puta merda, os pesadelos.
Como eu fui esquecer disso?
- Mãe!- ele grita em pânico.
Corro até a cama e ajoelho ao seu lado, seguro seus ombros e chacoalho.
- Nathan!- chamo seu nome me voz alta.
- Nathan!- balanço-o com mais força.
Ele abre os olhos azuis, estão cheios de lagrimas.
- Calma, você está bem e eu estou aqui. – falo em um tom sereno.
- Mas você não estava. – murmura ele.
Sinto um aperto no peito.
- Eu esqueci, desculpa. – murmuro.
Ele afaga meu rosto, como se custasse acreditar que está na realidade. Algumas lagrimas escapam de seus olhos e eu sinto pena dele.
- Com o que você sonhou?- murmuro, inclinando a cabeça para receber seu toque.
- Eu não pude defendê-la, eu apenas assisti e gritava, mas ninguém me escutava. – balbucia ele.
- Assistia o que?
Ele inspira pesadamente e fica mudo.
- Se não quiser falar, não tem problema. – murmuro.
Ele dá um sorriso torto e sei que ele não vai dizer mais nada.
- Quer comer salgadinhos?- mudo de assunto.
- Não estou com fome.
- Tudo bem. – levanto da cama e desligo a Tv.
- Quer conversar sobre alguma?- continuo.
Ele balança a cabeça negativamente e continua me encara.
Respiro fundo e me jogo na poltrona.
- Quer fazer o que?- digo meio tediosa.
- Nada. – murmura ele.
Vou dar um tempo, ele teve um pesadelo horrível que até o fez chorar, então vou parar de ser chata e respeita-lo.
Ah Nathan, se você me contasse as coisas seria muito mais fácil a nossa convivência.
DEPOIS DE muito tempo em silêncio, volto para a cama, ele está deitado de costas para mim, então não sei se está acordado ou não. Deito ao seu lado e encaro seus ombros largos.
Afago suas costas por cima da camiseta e sinto seus músculos tensos, ele vira e seus olhos azuis queimam os meus.
Tomo um leve susto.
- Você estava falando serio?- murmura ele.
- Quando?- por que geralmente eu não tenho falado muito serio.
- Quando falou que não ia mais me beijar.
Minha respiração falha.
- Você concordou. –murmuro.
- Por que você também concordou. – ele sorri.
Ficamos em silêncio.
- Pode me dar alguma informação do seu passado?- murmuro.
Ele respira fundo.
- Eu cresci em um internato, desde meus seis anos de idade, via meus pais apenas uma vez por ano e lá era um local horrível.
Merda. Talvez eu não quisesse saber disso.
- Era de freiras e elas nos forçavam a trabalhar e nos castigavam fisicamente e eu era o que mais recebia castigos, afinal eu sou um menino e o que mais fazia era aprontar.
Engulo seco.
Ele realmente é mais forte do que parece, nunca desejaria que meu filho crescesse em um lugar onde ele recebia surra e eu poderia visita-lo apenas uma vez por ano.
- E o pior, é que eu amava os meus pais e eles me ignoravam como se eu não fosse do mesmo sangue que eles, e eu, mesmo sendo uma criança, percebi que eu não recebia o mesmo amor que eu tinha por eles. – sua voz é baixa e triste.
Uma parte de mim está arrependida por ter perguntado, mas a outra está feliz, finalmente descobri algo de Nathan. Ele tem um passado ruim, não receber amor e horrível, imagina quando isso vem de seus pais.
- Está satisfeita?- murmura ele.
Aquiesço.
Agora estou imaginando um menino de cabelos negros e olhos azuis em um internato abandonado. Isso é atormentador.
- Durma. – ele ordena.
**
Tenho um sonho estranho com aquele garotinho e sofro de um vontade louca de acolhe-lo e lhe dar amor.
- Cassandra. – alguém sussurra o meu nome.
Abro os olhos e encaro os olhos azuis.
- O café da manhã está sendo servido. – ele sorri.
Aquiesço e me espreguiço debaixo das cobertas.
- Desculpa por ontem. – murmuro.
Ele arqueia uma sobrancelha.
- Por te fazer lembrar do seu passado. – dou um sorriso torto.
— Eu me lembro dele toda hora. – ele sussurra, triste.
- Vou me arrumar. – tento mudar o rumo da conversa.
Sinto o meu coração se apertar novamente, ele deve sofrer por lembrar disso, por lembrar da infância que teve, talvez essa seja a explicação logica dele ser frio e mafioso, ou não?
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