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14 Capítulo 14
Notas iniciais
Não sei que horas eu dormi, mas acordei quando não senti Nathan na cama.
Levanto meio sonolenta e noto que a luz do banheiro está acesa, passo a mão no rosto e pisco algumas vezes até conseguir abrir o olho.
- Nathan?- murmuro sonolenta.
- Se arrume, temos um voo. – ele sai do banheiro esfregando o cabelo molhado.
Ele veste uma calça jeans, caída no quadril que deixa o elástico de sua cueca aparecer, está com uma blusa vermelha e seu boné.
- Voo?- salto da cama.
- Baby. – ele me encara- Ontem à noite o Fred foi para a mansão e ficou nos esperando lá.
Estreito os olhos e tento raciocinar.
- Certamente se fossemos embora ontem seriamos metralhados. – continua ele.
- Mas e as meninas?- pergunto cautelosa.
- Quando descobriram o plano, eu liguei para a Sue e pedi para ela tirar as meninas de casa e levar para outro lugar, estão a salvo. – ele sorri.
Então lembro que deixei Percy em meu quarto.
- E o Percy?- choramingo.
- Tenho certeza que ela o levou. – ele se aproxima de mim.
- E não podemos voltar hoje? Afinal isso foi ontem. – dou um sorriso amarelo.
- Não Baby, recebi informações dos meninos que os seguranças do Fred estão cercando a casa, não tem nem como a gente entrar escondido. – ele lamenta baixo.
Respiro fundo.
- E para onde vamos?- ergo uma sobrancelha.
- Bem, tenho um cliente fiel, ele é dono de um cassino hotel e falou que podemos ficar lá como cortesia, só até as coisas aqui melhorarem.
- Me deixa ver se entendi.
Respiro fundo.
- Ontem quando pegaram a gente, você ligou para a Sue e pediu para ela tirar as meninas de lá, não voltamos pra casa por que você ficou com medo de ter uma emboscada e estava certo, só que agora eles estão nos esperando lá e não temos como voltar. – respiro- Para ficar em segurança, você quer ir para um hotel de um cliente seu. É isso?
- Muito bem. – ele sorri.
- Onde é o hotel dele?- estreito os olhos.
- Las Vegas – diz ele simplesmente.
Meu couro cabeludo começa a formigar.
- Não gosto de aviões. – encaro os meus dedos.
Ele ri.
- Relaxa e vai se trocar.
Levanto rápido da cama e corro para o banheiro.
Não gosto de usar nada de hotel, tipo shampoo, pasta de dente, mas no momento não tenho nada, então o que vier é lucro. Pego a escova de cima da pia e começo a escovar os dentes, não deixando de reparar nos movimentos de Nathan no quarto- ele está ao telefone e parece contente.
Não sei como estaria contente com um cara atrás de mim querendo me matar, mas o Nathan é o Nathan.
Termino de escovar os dentes e vou até o closet, pego uma calça jeans e uma blusa de seda rosa.
- Está pronta?- Nathan fala da porta.
- Sim. – grito de lá de dentro.
Saio do closet colocando o sapato. Nathan está me esperando na porta e ainda mexe no celular.
Caminhos até o elevador, o hotel tem movimento, talvez as pessoas estejam indo embora. No elevador encontramos um casal de idosos.
Será que um dia vou ter uma vida normal? Onde irei casar, ter filhos e envelhecer ao lado de alguém que amo e que me ama também?
- Vamos. – a voz de Nathan me tira dos meus pensamentos idiotas.
Sou arrastada para fora do elevador e caminho até o BMW m3 de ontem. Nathan o destrava e entra, entro ao seu lado.
- Alek onde você está?- ele diz no celular.
- Hum... O que ele falou? ... Já tá fechado então? ... Mas que merda, acho que vão demorar lá.
Não sei do que se trata o assunto, mas sei que estou muito nervosa para viajar de avião.
Ele liga o carro e desperta o motor com um ronco, dirige até a saída da garagem e já está na rua. E o melhor, estou sem venda então posso ver o ambiente que me cerca, mas não sei que cidade é.
Nathan dirige até um pequeno aeroporto, onde há um jatinho particular branco e vermelho o esperando. Ele estaciona o carro perto do avião e sai, abrindo a porta pra mim.
- Se eu vomitar, não me julgue. – resmungo.
- Dramática.
Caminhamos até a escada do jatinho, onde tem um moço vestindo, o que eu acho ser um uniforme de piloto e ele é aparentemente jovem.
- Derek. – Nathan o cumprimente.
- Senhor e senhora Frost. – ele sorri.
Senhora? Eu não sou namorada nem esposa do Nathan.
Devolvo o mesmo sorriso e entramos.
Os meninos estão sentados nos bancos de couro na cor creme e bebem algo.
Sorrio e sento em uma poltrona ao lado da do Nathan.
- Está dolorida?- Alek me encara.
- Não, era para estar?- arqueio uma sobrancelha.
Leo sorri, um tanto malicioso e então eu entendo o sentido da frase.
- Nossa, como vocês são idiotas. – resmungo.
Nathan senta ao meu lado e parece ignorar a pergunta de Alek, tento fazer o mesmo.
Lucas está mudo ao lado de Alek e parece um tanto nervoso.
- Lucas você está bem?- encaro-o.
- Não gosto de voar. – ele sorri.
- Alek, como está à situação na mansão?- Nathan muda o rumo da conversa.
- Então, eles literalmente cercaram a casa, pedi reforços para aqueles militares seus amigos, mas acho que vai demorar um tempo. – ele contrai os lábios.
- É, a coisa tá preta pro nosso lado, só falta o Fred colocar a gente como procurados e ainda oferecer recompensa. – Leo zoa.
- Acho que um tempo longe vai melhorar as coisas. – comenta Lucas.
- Onde estão as meninas?- Alek encara Leo.
- Na casa da Sue, eu acho...
O avião dá um tranco e eu instantaneamente agarro a mão do Nathan. Ele me encara de relance e dá um sorriso torto, acariciando os nós dos meus dedos.
**
O voo foi tranquilo, não tive enjoo como esperava. Os meninos conversaram de varias coisas ao mesmo tempo, mas sempre voltado ao assunto de Fred e da mansão, talvez isso pareça ser mais grave do que parece.
Pelo o que eu entendi, se eles invadirem a mansão, podem levar toda a mercadoria das vendas do Nathan, trazendo um prejuízo enorme para eles.
Logo que saímos do avião, tem um land rover evoque preto nos esperando. Nathan entra no banco ao lado do motorista e eu no do passageiro, não sei como os meninos vão se arrumar ali.
- Ô desgraça. – Leo reclama quando é esmagado na janela.
- Ah, quer o que?- Lucas resmunga.
- Mando o Alek sentar no seu colo. – Leo resmunga de volta.
- Não!- Lucas e Alek dizem em uni som.
- Vocês são irmãos, não tem problema. – Leo fala com os dentes cerrados.
Nossa, o Alek é irmão do Lucas. Eu nunca diria isso, por isso nunca duvidei disso, eles são tão diferentes em fisionomia e comportamento que é impossível afirmar isso sem o exame de DNA.
Passamos por uma das principais avenidas de Las Vegas, é todo de outro mundo. As luzes dos painéis estão apagadas e das outras atrações, mas deve ser um show de noite.
Continuamos até o final dessa avenida, onde paramos de frente para um hotel chamado Excalibur, seu letreiro é vermelho e parece ser iluminado de noite.
As portas são de vidro, mostrando a larga aera de espera e a recepção.
Nathan sai do carro e abre a minha porta, caminho ao seu lado e somos seguidos pelos meninos. Entramos no hotel.
Por dentro ele é todo de mármore e arenito branco, com detalhes vistosos de gesso, também a lustres imensos de cristais que parecem cair do teto, as janelas dão uma claridade natural para o ambiente e também há muitas flores e plantas aqui. Tem uma Tv tela plana e alguns sofás creme na sala de espera e uma fonte.
Um senhor vem até nós, tem cabelos grisalhos, é alto e tem olhos azuis nítidos, usa uma camisa social e uma calça jeans, não tem como não notar seu relógio de ouro em seu pulso, o que mais chama a atenção nele.
- Nathan, que prazer em vê-lo novamente. – ele cumprimenta Nathan com seu inglês, que no começo é desconhecido por mim.
Faz alguns meses que não pratico o meu inglês.
- O prazer é meu John. – Nathan diz em seu inglês perfeito, apertando a mão do senhor.
- Quem é essa linda jovem?- John me encara.
- Essa é minha namorada. – Nathan sorri.
Começo a tossir do nada, talvez pelo nervoso. Ele falou mesmo isso?
- Prazer. – falo assim que paro de tossir e agradeço mentalmente por ainda me lembrar do inglês.
- Bom Nathan, tenho alguns amigos meus aqui que se interessam pelos seus serviços, o que acha?- John murmura.
Nathan me encara nervoso e depois volta a encarar John.
- Podemos falar disso depois?- murmura Nathan.
- Claro, vá conhecer o hotel. – ele entrega uma chave para Nathan.
Nathan sorri e pega a chave sem hesitar.
O senhor vai falar com os meninos e Nathan me arrasta para o elevador.
- Eu quero conhecer o local. – resmungo.
- Primeiro vamos estabelecer regras básicas. – ele diz dominante como sempre.
Reviro os olhos e sigo-o até o elevador.
Entramos no elevador e ele aperta uns números, que não consigo ver qual é.
- Quais são as regras?- encaro-o.
- Não quero você andando sozinha por ai, sempre acompanhada por mim ou por um dos meninos, ok?
- Sim. – pisco.
- Não quero que de pistas para ninguém da situação que se encontra, ok?
- Sim.
- Não quero que saia do hotel, ok?
- Sim.
- Quero que me obedeça, ok?
- Não – sorrio- Posso obedecer as suas regras, mas nunca você.
Ele fecha os olhos e parece criar paciência.
- Tudo bem, mas se quebrar as regras terá consequência.
Hum... Consequência.
- Que tipo?- pergunto curiosa.
- A que eu achar necessária. – sua voz sua rouca.
- Fechado. – sorrio.
Ele volta para o painel e aperta mais alguns botões, a porta abre e ainda estamos no térreo. Como ele fez isso?
Saio do elevador e tento manter o clima normal entre nós. Nathan volta a falar com aquele senhor e eu me pego pensando nas consequências que ele falou...
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