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50 Capítulo 11
Notas iniciais
- Olha aqui. – dou um tapa no peito dele- Eu sei que agora não é hora de falar disso, mas temos que nos resolver. – me afasto dele.
- Resolver o que?- ele inclina a cabeça por lado.
- Bem, é que já tá ficando chato esse negócio de vai e volta, então temos que resolver. É ficar ou largar. – falo firme.
Já estou cansada de voltar e sair, de acabar e começar tudo de novo. É agora ou nunca Frost.
Ele fica parado, me encarando. Analisando os fatos jogados me cima dele, analisando a minha pessoa. Cruzo os braços e espero paciente até demais.
- Já pensou?- apreço-o.
Ele sorri.
- Eu também não aguento mais isso, então escolho ficar. – ele diz baixo.
Meu coração bate descontroladamente e me segura para não pular de alegria.
- Ok, então ficamos. – falo concordando.
Ele ri.
- Gosto desse seu jeito de resolver as coisas. – ele afaga meu rosto.
- Ah, agora você gosta. – resmungo.
Ele revira os olhos.
- Você tem que ver meu lado também Cassandra... Meu próprio pai está querendo me matar, tenho que garantir a proteção dos meus clientes e dos meus amigos, além da casa e da Sue. E também tem você, o que eu mais protejo nesse mundo, ver você apanhar daquele jeito só para poder ficar ao meu lado... – ele parece buscar as palavras- Isso dói, dói muito.
Não sei por que, mas sinto remorso. Como se eu que tivesse sido errada.
Suspiro.
- Você também tem que ver o meu lado. – murmuro- Acha que é fácil ser sequestrada, não saber o motivo, não saber o que querem com você, participar de uma tentativa de assassinato, quase morrer, matar pessoas, ver alguém quase morrer, ser perseguida e gostar do seu sequestrador. – tomo folego- Isso também não é fácil.
Ele mordo o lábio apreensivo e concorda comigo.
- Se formos ver Nathan, não passamos de crianças mimadas que não se suportam. – sorrio- Pois só precisamos aprender a se respeitar e conviver junto.
- Então namore comigo.
Tenho fraqueza e quase caio no chão, meu coração dispara descontrolado, minha respiração falta e minha voz não sai.
- O que disse? – ofego.
- Quer namorar comigo?- ele diz mais devagar.
Meu coração parece parar e eu fico sem reação.
Mil coisas estão passando em minha mente, minha boca fica seca e eu não consigo falar nada.
Respiro fundo.
- Se quiser, não precisa responder agora. – murmura ele.
Acena rápido com a cabeça, ainda atordoada com a pergunta que ele fez agora pouco.
- Cassandra?
Viro e vejo minha vó me encarando meiga.
- Oi vó. – falo quase gaguejando.
- Estou atrapalhando?- ela nos encara.
- Claro que não. – sorrio amarelo- Tenho que ir. – encaro o Nathan.
Ele sorri torto e concorda.
- Depois nos falamos. – murmura ele.
- Não. – minha vó interrompe- Eu posso pedir para o meu motorista vir me pegar.
- Não precisa vó. – caminho até ela- Eu te levo.
Ela pega na minha mão e encaro o Nathan por cima dos meus ombros.
- Ele precisa mais de você do que eu. – ela diz compreensiva.
Olho de relance para o Nathan, que encara o tumulo da mãe.
- Tem certeza que não quer que eu vá com você?- volto a perguntar.
- Sim. – ela afaga o meu rosto e logo depois beija- Depois conversamos.
Sorrio fraco.
- Vou adorar te ver de novo.
Ela volta a caminhar para a saída e eu encaro o Nathan.
Mordo o lábio, esqueci de falar sobre o ataque de hoje cedo.
- Hum... Nathan eu tenho que te contar uma coisa.
Ele me encara.
- Fala.
- Hoje eu saí com a Vic e fomos meio que atacadas por uma mulher. – balbucio.
- Se machucaram? – ele diz preocupado.
- Não, a Naomi e o Alek nos salvaram a tempo, porem eles não sabiam quem era a mulher. – desvio o olhar do dele.
Ele franze o cenho e passa a mão no cabelo.
- Como a Victoria reagiu?- ele se aproxima de mim.
- Eu não sei, mas demos calmamente pra ela e o Alek ficou pra cuidar dela.
- Vamos. – ele pega na minha mão e me arrasta para fora do cemitério.
**
Estou em casa primeiro que o Nathan. Naomi me encara séria, Alek e a Vic estão no quarto.
A campainha toca e eu abro a porta sem sair do lugar. Nathan entra e nos encara.
- Quem era a mulher?- ele encara a Naomi.
A mesma levanta rápido e fica em uma pose de prontidão.
- Ainda não sabemos, já pedi para o Leo investigar. – ela diz firme.
Os olhos de Nathan não param, olham para todos os lados e ele parece pensar em algo.
- Onde está o Lucas?- ele volta a falar com a Naomi.
- Ele sai cedo hoje, não disse para onde ia. – ela faz uma careta.
Nathan resmunga algo e caminha em círculos, parecendo a Vic quando descobriu sobre a máfia.
- Faz um favor pra mim?- ele a encara.
- Qualquer um. – ela fica em uma pose ereta.
- Volte pra mansão e ajude o Leo com a pesquisa? – ele a encara duvidoso.
- Tudo bem. – ela vai até a porta- Até Cassandra.
- Até. – murmuro.
Nathan continua andando em circulo, igual um retardado e resmunga algo que não consigo entender.
- Está tudo bem?- inclino a cabeça.
Ele para e me encara.
- Não.
Caminho até ele e seguro sua cabeça entre as minhas mãos.
- Você está muito estressado, sabia?- sorrio.
- São tantos problemas. – suspira.
Inclino a cabeça pra frente e o beijo carinhosamente.
- Eu sei como te deixar mais calmo. – sorrio um tanto maliciosa.
Ele ri.
- Hum... Você é muito convincente.
Mordo o lábio e sorrio.
ESTOU deitada em cima do Nathan, totalmente ofegante e cansada, o mesmo parece relaxado e afaga minhas costas delicadamente.
Espero não ter feito muito barulho, Alek e a Vic estão no quarto ao lado.
Lembro-me do pedido do Nathan e sinto meu estomago embrulhar. Nunca pensei em namorar um mafioso e outra, ele já tão dominador e protetor comigo sem não termos nada, imagine quando começarmos a namorar...
- Nathan... – murmuro.
- Sim. – murmura ele.
- Vamos parar de brigar?- encaro-o.
Ele ri.
-As brigas são as melhores partes do relacionamento, porque depois vem a reconciliação. – ele sorri lascivo.
- Sei...
Ele ri.
Deito a cabeça em seu peito de novo e com a ponta do dedo contorno seus músculos.
- Isso dá arrepio. – comenta ele.
Rio.
- Você vai embora?- essa ideia me entristece.
- Por que eu iria?- ele me encara.
- Por causa do seu pai.
Ele suspira.
- Eu sei me resolver com o meu pai, não vou te deixar por causa disso.
- É muito bom saber disso. – murmuro.
Encaro o seus olhos azuis reluzentes e suspiro. Ele é tão lindo, mas tão ordinário, tão fechado e aberto ao mesmo tempo, nervoso e dócil. Ah, ele continua sendo o meu príncipe desencantado, só meu.
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