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5 Capítulo 5
Notas iniciais
Lucas continua comigo no quarto, não tenho mais sinal do Nathan, vai ser melhor assim durante um tempo.
Já não me sinto tão bem eu vê-lo como na hora que acordei, agora tenho vontade de matar ele assim que pregar os olhos neles.
**
Passei cinco dias no hospital, pelo o que eu sei, o Nathan vinha me ver só quando eu estava dormindo ou fazendo exame. Momentos onde eu não posso vê-lo ou brigar com ele.
Meu bebê está bem, tive muito sorte pelo o que disse o médico. Como ele ainda não é um feto formado e eu saí consideravelmente do incêndio, não foi muito prejudicial ao bebê, só que estou em gravidez de risco por ter adquirido pressão alta do susto, então tenho que tomar cuidado para não me estressar muito, o que será impossível no meu caso.
Estamos em um porto e tem um barco nos esperando.
- Para onde vamos?- encaro o Lucas.
- Para a casa da ilha. – ele sorri.
Ah, tinha me esquecido que o incêndio acabou com a mansão.
Vejo um menino de cabelo negro na proa do barco, ele está sentando encarando o por do sol em completo silêncio, enquanto o capitão do barco meche em coisas barulhentas, sei que esse menino é o Nathan. Lucas se mexe no meu lado e entra no barco, faço o mesmo.
Caminho meio cautelosa até a proa do barco, faz tempo que não falo com ele depois do acontecido com a enfermeira, o que me deixou na duvida se ele me traí ou não.
Sento bem silenciosamente ao lado dele e encaro o por do sol laranja.
- Eu estou sabendo que não perdeu o bebê. – ele diz seco.
Abaixo a cabeça e encaro minhas mãos.
- Sim. – concordo, mesmo que ele não tenho feito uma pergunta.
Creio que ele não está muito feliz em saber que eu não perdi o bebê. Isso não me conforta muito.
- O incêndio acabou com tudo?- mudo de assunto.
Ele balança a cabeça positivamente.
Nathan não está de falar hoje, está quieto e pensativo, como uma criança que fez algo errado e se arrepende.
- Está com pressão alta, né?- ele me encara.
- Sim. – contraio os lábios.
Ele expira fundo e volta encarar o por do sol.
- O que foi?- encaro-o inclinando a cabeça.
- Eu fiz uma coisa horrível. – murmura ele.
Meu coração acelera. Calma...
- Uma coisa horrível?- indago cautelosa.
Ele contrai os lábios e abaixa a cabeça.
Então percebo o arrependimento em seus olhos e como está frágil agora. Como seus olhos tem medo do erro que cometeu e então e percebo que quanto mais perto eu chego mais longe eu estou.
Ah, meu pequeno menino.
Meu coração bate dolorido por ele e eu tenho vontade de chorar.
- Nathan... – murmuro.
Ele me encara.
- Você me traiu?- pergunto com medo. Talvez essa seja a coisa horrível que ele fez.
- Não. – ele sorri- A coisa horrível não tem nada haver com você.
Ele afaga meu rosto com as costas da mão e seus olhos azuis fitam os meus.
- Pode me contar?- murmuro.
Nathan respira fundo.
Até quando podemos ficar nisso?
Aperto minhas próprias mãos e fico em silêncio. Esqueci-me do motivo que eu tinha raiva dele.
O barco começa a andar e consigo sentir a gotas geladas do mar bater contra o meu corpo. Nathan continua em silêncio e encaro o mar batendo no barco. Eu nunca havia o visto tão quieto assim...
NÃO DEMORAMOS muito para chegar a casa, percebo que a casa não mudou muito.
Rio ao me lembrar da festa do suposto noivado que tivemos.
- O que foi?- Nathan me encara.
- Nada. – paro de rir e continuo caminhando.
A casa está com cheiro de limpeza e totalmente arrumada, tirando as grandes caixas de madeira.
- Lucas, leve as caixas para o porão. – Nathan diz assim que entra.
Lucas atende rapidamente ao pedido e começa a carregar as caixas para um pequeno corredor e logo em seguida entrava em uma porta. Escuto um barulho no andar de cima, caminha cautelosa e escuto-o novamente, vem do ultimo quarto.
A porta está aberta, não hesito em abrir e rolo os olhos pelo quarto.
É um quarto simples em comparação dos outros, paredes amarelas, moveis antigos de madeira, cama de solteira e uma janela para o mar. Olho para perto da janela e vejo Alek.
Congelo.
Ele está horrível, olhos roxos, hematomas nos braços e cortes no rosto, parece não me perceber no quarto.
Dou um passo para dentro do quarto e ele me encara, arregalando os olhos e se afastando.
- O Nathan não vai gostar de te ver aqui. – ele diz com certo medo.
Franzo o cenho.
- O que fizeram com você?- murmuro.
Ele fica tenso e olha para os lados.
- Apenas aprendi uma lição. – murmura ele.
- Qual lição?- inclino a cabeça para o lado.
Suas mãos suam e seu medo é palpável.
- Só não fale que esteve aqui. – balbucia ele.
- Só farei isso se você me contar o que aconteceu com você. –falo firme.
Alek abaixa a cabeça e encara suas mãos.
- O Nathan me bateu. – murmura ele.
Meu coração dispara e minhas pernas fraquejam.
- Por que ele fez isso?- gaguejo.
- Eu falhei. – ele diz baixo- No dia que eu atirei na Vic, eu havia feito muita merda seguida. Primeiro não vi os caras entrarem, depois não consegui parar a invasão, o Nathan pediu para eu tirar vocês de lá, eu não obedeci e saí atrás dos caras, quando fui atirar no carro deles... Eu vi a Vic, só que já era tarde demais, o disparo já tinha sido feito e ela já estava no chão.
Sinto um aperto forte no peito ao lembrar da cena.
- O Nathan me castigou por isso, no nosso mundo não são admitidas falhas Cassandra e isso que acontece quando cometemos uma. – continua ele.
Minhas pernas estão fracas demais para eu continuar de pé, um temor passa pelo o meu corpo inteiro e eu quase caio no chão.
Quer dizer que o Nathan espancou o Alek por uma coisa idiota, um erro cometido por falta de atenção, ele quase o espancando quase até a morte. Talvez essa seja a coisa horrível que ele supostamente esteja arrependido. Meu deus, quem é o verdadeiro pai do meu filho?
Aproximo-me do Alek com uma dor forte no coração e o abraço. Sinto-me culpada pelo oque aconteceu com ele, embora eu não tenha nada haver com os erros dele.
- Por que está com esses machucados?- murmura ele.
Hum... Ele não sabe do incêndio.
- Nada, só machucados. – dou um sorriso amarelo- Onde mais está machucado?
Ele se afasta de mim e retira a camiseta preta que está usando, revelando hematomas feios e cortes por todo o abdômen. Sinto a dor em mim mesma.
- Ah, Alek... – lamento.
- Relaxa, não é a primeira vez que isso acontece. – ele sorri torto- E também eu não sou o único que já levou uma surra do Nathan.
Passo a mão no cabelo e o pânico diz; oi! Lembra de mim?
Tenho vontade de sair correndo, agora eu realmente sei por que as pessoas o respeitam tanto aqui e porque tem tanto medo dele que mal comentam sobre o trabalho que ele exerce. Agora farei questão de manter minha distância dele.
Alek me encara com certa pena.
- Só tome cuidado Cassandra, o Nathan pode parecer quem ele realmente nunca vai ser. – ele avisa.
Mordo o lábio inferior com força e minhas mãos tremem. Mais uma vez em penso no bebê que vai chegar, em como o Nathan vai lidar e o que pode acontecer.
Meu estomago dá voltas e eu tenho vontade de sair correndo dali, para bem longe...
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