Escuto um barulho na porta e viro devagar, Alek fica branco e eu acho que fico também assim que vejo o Nathan na porta.

Aproximo-me do Alek e encaro o Nathan de forma desdenhosa.

- Pode me explicar?- aponto para os machucados do Alek.

Ele encara o Alek, que estremece e se afasta de mim. Nathan se aproxima de mim e agarra o meu braço, me levando para fora do quarto.

- Me solta!- praguejo.

Ele aperta mais a mão e o meu braço arde.

- Nathan!- grito nervosa.

Meu braço é solto com força, me fazendo tropeçar nos meus próprios pés e apoiar-me na parede.

Meus nervos estão à flor da pele, olho para os lados em pânico e lembro-me dos machucados no corpo do Alek. O que ele seria capaz de fazer em mim?

- Por que fez aquilo com ele?- murmuro.

Nathan me encara sério.

- Apenas ensinei o a não cometer mais erros. – ele diz ríspido.

- As pessoas cometem erros, Nathan. – rebato.

Ele cerra o maxilar e seus olhos azuis fuzilam os meus.

- As pessoas, não mafiosos. – retruca ele.

Como a ignorância pode ser tão sobressalente no Nathan? Mafiosos são seres humanos também e não uma raça privilegiada, isso eles nunca vão ser.

- Nathan, você está me dando medo. – murmuro.

- Ótimo. – ele pragueja- Talvez assim você entenda que eu não vou mudar.

- Mas eu nunca quis que mudasse. – franzo o cenho.

- Então para de me criticar. – ele diz sério.

Cerro o maxilar. Critica-lo?

- Olha aqui!- falo entre dentes- Eu não o critiquei, eu nem tive tempo para isso! Mas agora nem ousarei a olhar pra você sem sentir medo, porque o estado do Alek, nem um animal faria aquilo.

Ele me encara incrédulo e parece engolir as palavras.

- Você o defende, mas foi ele que atirou em sua amiga. – ele diz sério.

Sinto como se tivesse levado um soco no estomago.

- Ele é o culpado pela invasão e pelo incêndio, então fique quieta porque você também sofreu as consequências dos erros deles.

Fico sem reação.

Algo quente sobe dos meus pés e chega a minha cabeça, fico sem ar e minha respiração fica ruidosa.

Meu corpo começa a ficar quente e todo parece confuso na minha cabeça.

- Então será que vai criar seu filho?- grito.

Ele para e me encara.

- É assim que vai querer educar seu filho? Será igual ao seu pai? – praguejo.

Ele arregala os olhos e fica tenso, branco.

- Fale alguma coisa agora. – falo irônica.

Nathan sabe muito bem como me atingir com palavrar, porém que também sei fazer o mesmo.

- Isso não vem ao caso. – murmura ele.

- Ah! Vem sim. – encaro-o séria- Vem porque quem faz papel de ignorante aqui é você.

Meu coração bate acelerado e eu estou possessa com ele.

- Você não conhece o meu pai para compara-lo a mim. – ele me encara.

- Não preciso, você vive se comparando a ele em tudo o que faz, mas o problema é que acaba sendo igual ele. Uma pessoa fria, calculista, egocêntrico e assassino. – falo cada palavra bem devagar.

- Eu não preciso conhecer o seu pai Nathan, eu preciso conhecer você. – continuo.

Ele continua me encarando sem reação alguma.

Respiro e caminho lentamente até ele, mantendo a calma novamente.

- Porque você é o pai do meu filho. – murmuro perto dele e continuo andando.

Volto para a escada e desço os degraus com cuidado, repassando o que eu acabei de falar para o Nathan. Talvez eu tenha pego um pouco pesado em compara-lo com o pai dele, porém foi a única saída que achei para volta-lo para a realidade.

A sala está vazia como estava à hora que cheguei a casa. Lucas já deve ter levado as caixas para o porão e o barco não está mais perto da casa. Estou presa com ele, agradeço por ter o Alek e o Lucas aqui.

**

Já deve ser umas oito e pouco, estou na sala com o Lucas vendo Tv a cabo.

- Lucas. – murmuro.

Ele me encara.

- Por que o Alek tem culpa do incêndio?- sussurro e quase não escuto minha própria voz.

- Bem... – ele olha para os lados e se aproxima de mim- Não comente isso com o Nathan.

Concordo mais que depressa.

- Ninguém teve culpa do incêndio, foi um incêndio criminoso. – murmura ele.

Então por que o Nathan colocou a culpa do incêndio no Alek.

- Você não se importa em ver seu irmão daquele jeito?- franzo o cenho.

- Sabe, a ultima vez que ele apanhou do Nathan, ele quase morreu. – ele estremece- Nunca vi o meu irmão tão mal.

Sinto o meu couro cabelo formigar.

- O Nathan tem esse comportamento desde quando?

Ele dá de ombros.

- Eu já o conheci assim. – murmura ele- Mas essa é a regra daqui, saiu da linha ou fez algo errado, sofre as consequências.

Lembro do ontem em

Las Vegas

e das consequências que ele falou. Será que ele bateria em mim naquela época?

Não, o Lucas diz que ele não é tão covarde assim...

- Cassandra?- Lucas me encara confuso.

-Sim?- encaro-o.

- Você ficou em silêncio de repente. – ele sorri.

- Desculpa, só estava pensando. – sorrio torto.

Ele volta a prestar atenção na Tv e eu encaro a escada, com esperando que Nathan desça e venha falar comigo de um modo menos agressivo.

Acaricio minha barriga de leve e lembro-me da pomada que tenho que passar para as queimaduras. Subo de volta e procuro por minhas coisas em algum quarto, o que eu acho que vai demorar muito.

Entro no mesmo quarto que fiquei da ultima vez que estive aqui e é lá mesmo que estão as minhas coisas, procuro nas gavetas e nos armários a maldita pomada.

- Está procurando isso?- uma voz familiar fala comigo.

Ergo o olhar para a porta.

Nathan está segurando o tubo da pomada, fecho a cara.

- Sim. – resmungo.

Ele sorri e se aproxima de mim.

Continuo emburrada e em silêncio.

- Me desculpe. – murmura ele.

Franzo o cenho.

- Eu agi errado. – ele diz baixo- Não devia ter te tratado igual eu vinha tratando, é que tem coisa na minha cabeça...

- Mas isso não explica o que você fez no seu “amigo”. – cruzo os braços.

Não tenho nenhuma feição pelo Alek, embora eu ache uma barbaridade o que o Nathan fez com ele.

- Ele é um empregado meu, também é meu amigo. Mas se ele cometer erros e não for punido, todos irão fazer a mesma coisa, punindo-o eu consigo ter o controle de todos, pois eles ficam medo.

Eu estava certa, ele usa a força bruta para impor o poder.