Businesses Closed
6 Capítulo 6
Escuto um barulho na porta e viro devagar, Alek fica branco e eu acho que fico também assim que vejo o Nathan na porta.
Aproximo-me do Alek e encaro o Nathan de forma desdenhosa.
- Pode me explicar?- aponto para os machucados do Alek.
Ele encara o Alek, que estremece e se afasta de mim. Nathan se aproxima de mim e agarra o meu braço, me levando para fora do quarto.
- Me solta!- praguejo.
Ele aperta mais a mão e o meu braço arde.
- Nathan!- grito nervosa.
Meu braço é solto com força, me fazendo tropeçar nos meus próprios pés e apoiar-me na parede.
Meus nervos estão à flor da pele, olho para os lados em pânico e lembro-me dos machucados no corpo do Alek. O que ele seria capaz de fazer em mim?
- Por que fez aquilo com ele?- murmuro.
Nathan me encara sério.
- Apenas ensinei o a não cometer mais erros. – ele diz ríspido.
- As pessoas cometem erros, Nathan. – rebato.
Ele cerra o maxilar e seus olhos azuis fuzilam os meus.
- As pessoas, não mafiosos. – retruca ele.
Como a ignorância pode ser tão sobressalente no Nathan? Mafiosos são seres humanos também e não uma raça privilegiada, isso eles nunca vão ser.
- Nathan, você está me dando medo. – murmuro.
- Ótimo. – ele pragueja- Talvez assim você entenda que eu não vou mudar.
- Mas eu nunca quis que mudasse. – franzo o cenho.
- Então para de me criticar. – ele diz sério.
Cerro o maxilar. Critica-lo?
- Olha aqui!- falo entre dentes- Eu não o critiquei, eu nem tive tempo para isso! Mas agora nem ousarei a olhar pra você sem sentir medo, porque o estado do Alek, nem um animal faria aquilo.
Ele me encara incrédulo e parece engolir as palavras.
- Você o defende, mas foi ele que atirou em sua amiga. – ele diz sério.
Sinto como se tivesse levado um soco no estomago.
- Ele é o culpado pela invasão e pelo incêndio, então fique quieta porque você também sofreu as consequências dos erros deles.
Fico sem reação.
Algo quente sobe dos meus pés e chega a minha cabeça, fico sem ar e minha respiração fica ruidosa.
Meu corpo começa a ficar quente e todo parece confuso na minha cabeça.
- Então será que vai criar seu filho?- grito.
Ele para e me encara.
- É assim que vai querer educar seu filho? Será igual ao seu pai? – praguejo.
Ele arregala os olhos e fica tenso, branco.
- Fale alguma coisa agora. – falo irônica.
Nathan sabe muito bem como me atingir com palavrar, porém que também sei fazer o mesmo.
- Isso não vem ao caso. – murmura ele.
- Ah! Vem sim. – encaro-o séria- Vem porque quem faz papel de ignorante aqui é você.
Meu coração bate acelerado e eu estou possessa com ele.
- Você não conhece o meu pai para compara-lo a mim. – ele me encara.
- Não preciso, você vive se comparando a ele em tudo o que faz, mas o problema é que acaba sendo igual ele. Uma pessoa fria, calculista, egocêntrico e assassino. – falo cada palavra bem devagar.
- Eu não preciso conhecer o seu pai Nathan, eu preciso conhecer você. – continuo.
Ele continua me encarando sem reação alguma.
Respiro e caminho lentamente até ele, mantendo a calma novamente.
- Porque você é o pai do meu filho. – murmuro perto dele e continuo andando.
Volto para a escada e desço os degraus com cuidado, repassando o que eu acabei de falar para o Nathan. Talvez eu tenha pego um pouco pesado em compara-lo com o pai dele, porém foi a única saída que achei para volta-lo para a realidade.
A sala está vazia como estava à hora que cheguei a casa. Lucas já deve ter levado as caixas para o porão e o barco não está mais perto da casa. Estou presa com ele, agradeço por ter o Alek e o Lucas aqui.
**
Já deve ser umas oito e pouco, estou na sala com o Lucas vendo Tv a cabo.
- Lucas. – murmuro.
Ele me encara.
- Por que o Alek tem culpa do incêndio?- sussurro e quase não escuto minha própria voz.
- Bem... – ele olha para os lados e se aproxima de mim- Não comente isso com o Nathan.
Concordo mais que depressa.
- Ninguém teve culpa do incêndio, foi um incêndio criminoso. – murmura ele.
Então por que o Nathan colocou a culpa do incêndio no Alek.
- Você não se importa em ver seu irmão daquele jeito?- franzo o cenho.
- Sabe, a ultima vez que ele apanhou do Nathan, ele quase morreu. – ele estremece- Nunca vi o meu irmão tão mal.
Sinto o meu couro cabelo formigar.
- O Nathan tem esse comportamento desde quando?
Ele dá de ombros.
- Eu já o conheci assim. – murmura ele- Mas essa é a regra daqui, saiu da linha ou fez algo errado, sofre as consequências.
Lembro do ontem em
Las Vegas
e das consequências que ele falou. Será que ele bateria em mim naquela época?
Não, o Lucas diz que ele não é tão covarde assim...
- Cassandra?- Lucas me encara confuso.
-Sim?- encaro-o.
- Você ficou em silêncio de repente. – ele sorri.
- Desculpa, só estava pensando. – sorrio torto.
Ele volta a prestar atenção na Tv e eu encaro a escada, com esperando que Nathan desça e venha falar comigo de um modo menos agressivo.
Acaricio minha barriga de leve e lembro-me da pomada que tenho que passar para as queimaduras. Subo de volta e procuro por minhas coisas em algum quarto, o que eu acho que vai demorar muito.
Entro no mesmo quarto que fiquei da ultima vez que estive aqui e é lá mesmo que estão as minhas coisas, procuro nas gavetas e nos armários a maldita pomada.
- Está procurando isso?- uma voz familiar fala comigo.
Ergo o olhar para a porta.
Nathan está segurando o tubo da pomada, fecho a cara.
- Sim. – resmungo.
Ele sorri e se aproxima de mim.
Continuo emburrada e em silêncio.
- Me desculpe. – murmura ele.
Franzo o cenho.
- Eu agi errado. – ele diz baixo- Não devia ter te tratado igual eu vinha tratando, é que tem coisa na minha cabeça...
- Mas isso não explica o que você fez no seu “amigo”. – cruzo os braços.
Não tenho nenhuma feição pelo Alek, embora eu ache uma barbaridade o que o Nathan fez com ele.
- Ele é um empregado meu, também é meu amigo. Mas se ele cometer erros e não for punido, todos irão fazer a mesma coisa, punindo-o eu consigo ter o controle de todos, pois eles ficam medo.
Eu estava certa, ele usa a força bruta para impor o poder.
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