Essa bebê não para de chorar um segundo, nem dá pra pensar direito perto dela.

O pessoal está se derretendo por ela como se nunca tivessem visto um bebê na vida, enquanto isso, a mãe dela está morrendo na cama de um hospital.

- Alguém sabe trocar fralda de bebê?- escuto o Lucas.

- Deixe comigo. – Naomi aparece do nada como sempre.

Continuo subindo a escada e Naomi passa por mim com a menina nos braços, como se ela fosse à coisa mais rara do mundo.

- Quer ajudar?- ela me encara.

- Não.

Elas seguem para o quarto no final do corredor e eu entro no quarto em que a Cassandra ficou, ainda tem algumas coisas dela aqui; roupas, acessórios e seus perfumes colecionáveis, acho que ela só usa alguns.

Me aproximo da cama e deito bem devagar, afundando minha cabeça no travesseiro. Tenho saudades da Cassandra, ela era a única que sabia me por no lugar na hora certa e escutar também, como exatamente trocar minhas palavras em discussões e calar a minha boca de um jeito sábio e lógico.

Tenho medo de que ela nunca mais volte...

Um silêncio estranho toma a casa, não escuto mais a bebê chorar nem passos de um lado para o outro, finalmente eles souberam ficar em silêncio.

Fecho os olhos e tento relaxar um pouco...

Acordo assustado com um choro de bebê, tenho quase certeza que eu dormi. Sento na cama e esfrego os meus olhos, o choro continua e parece não ter ninguém na casa.

Levanto da cama e saio do quarto, caminho pelo corredor seguindo o choro do bebê, até uma porta fechada, abro-a devagar e vejo o berço no meio do quarto e o choro vem de lá.

Engulo seco e me aproximo.

E lá estava ela, se mexendo e chutando o ar, seu rosto é perfeito, bochechas gordinhas, um nariz pequeno e bem feito, tem pouco cabelo, mas o pouco que mostra é negro como o meu. Minhas mãos hesitam e eu seguro no berço.

- Ei. – murmuro.

Ela para de chorar e fica imóvel.

- Você é tão pequena. – sorrio.

Ela vira a cabeça na direção que eu estou.

Ao encara-la não sei o que sinto de verdade, se me sinto feliz ou triste, se sorrio ou simplesmente continuo a encara-la.

Meus braços agem por impulso, indo de encontro com ela e pegando-a, envolvo-a em meus braços com tanto cuidado como se eu fosse quebra-la.

Genevive é tão pequena e frágil, como uma boneca de porcelana, seus olhos abrem às vezes, mostrando uma coloração clara e outra escura.

Meu coração bate mais forte e eu sorrio feito um idiota.

Seguro-a com mais firmeza e confiança, ela é a minha filha, minha monstrinha.

A porta do quarto abre do nada e acabo assustando, viro e vejo a Naomi me encarar assustada.

- Não estou a matando. – comento.

- Eu sei. – ela parece não se importar- Temos um problema.

Franzo o cenho.

- A Cassandra teve o quadro clinico pior e eles terão que coloca-la em isolamento. – Naomi diz devagar.

Meu corpo paralisa e meu coração para, minhas pernas não aguentam o meu próprio peso.

- Eles querem que você vá ao hospital. – ela continua.

Isso não significa boa coisa, ela deve estar muito mal mesmo.

Caminho até a porta, Naomi estende o braço, mas eu não entrego a criança. Então ela me segue.

- Eu vou sozinho. – aviso.

- Hospital não é o lugar da Genevive. – ela rebate.

- O lugar dela é com a mãe dela. – desço as escadas e saio da casa.

- Nathan. – Naomi aparece na porta- Você não vai sair dessa casa com ela.

- Eu vou!- praguejo- A mãe dela deu a vida para ela nascer e não será justo se ela morrer sem ao menos ver a filha.

- Ela está em coma!- Naomi grita.

Eu sei disso, mas não posso perder a pessoa que eu amo mais uma vez na minha vida, não posso perder a Cassandra.

Entro no carro, depois de coloca-lo no bebê conforto, vou o mais rápido que consigo e que posso, sempre lembrando que tenho um bebê no carro.

Chego ao hospital e nem estaciono direito, jogo a chave para o motorista e corro com a Genevive para dentro do hospital, passo o meu rg falso e corro para o andar que a Cassandra está, a médica que me atendeu aquele dia está no corredor falando com algumas enfermeiras, assim que me vê, para de falar e segue até mim.

- Eu recebi o recado... – murmuro-Ela está bem?

A mulher suspira.

- O quadro clinico dela está pior que antes, achei melhor leva-la ao isolamento e começar a tratar com mais cuidado.

Meus lábios ressecam.

- Ela pode morrer?- balbucio.

Ela aquiesce.

A pior das hipóteses está batendo na porta e dizendo; olá! Eu cheguei!

Caminho até a porta do quarto dela, a médica me segue falando algo da Genevive, simplesmente ignoro e entro no quarto, trancando a porta atrás de mim.

Cassandra está mais pálida e magra, porém não perdeu suas curvas ou sua beleza natural.

Me aproximo da cama e encaro-a, ela parece muito mal.

- Por favor, não me deixe. – suplico baixo- Eu não sei cuidar de uma criança sozinho ou ficar sem pensar em você durante um segundo.

- Como eu vou explicar para a Genevive no futuro sobre você? Como irei ficar sem você? Você tem que ficar comigo. – continuo.

Ela continua parada, em outro mundo, bem distante.

Mordo o lábio inferior com força para seguras às lagrimas e aperto Genevive em meu colo. Sento no sofá perto da cama e começo a chorar sem qualquer vontade.

Apenas por medo de perdê-la de verdade, de não poder mais vê-la, como irei cuidar da Genevive sem me lembrar do que aconteceu com sua mãe. Como continuar com a culpa sendo levada nas costas?

Escuto batidas na porta ficarem cada vez mais forte.

Ignoro e continuo prestando atenção em Cassandra, isso deve ser um pesadelo.

Caminho até a cama novamente e afasto um pouco Cassandra para o lado, coloco Genevive ao lado dela e deito logo depois, pego na mão de Cassandra, que se encontra gelada e aperto, as malditas lagrimas ainda escorrem pelo canto de meus olhos.

Eu não posso perdê-la, ela é a única coisa no mundo que eu não posso perder, tolerei a perda da minha mãe, da Isa, no entanto dela eu não vou aguentar, eu não tenho força pra isso.

Afago os nós dos seus dedos devagar e com cuidado, encaro Genevive que ficou em silêncio de repente, ela segura em algumas mexas do cabelo de Cassandra e parece dormir.

- Se você consegue me escutar- murmuro perto do ouvido dela-, não me deixe, aquele dia enquanto você dormia, no mesmo dia que me deu a câmera, você disse que não me deixaria, por favor, não deixe isso ser apenas palavras jogadas ao vento.

Suspiro e fico em silêncio.