Notas iniciais
O nome da bebê foi escolhido por votação entre minhas amigas, elas não sabia a que fim seria usado.
Ps: Eu descobri como favoritar comentários, eu sei, fui muito lenta, mas eu cheguei a pouco tempo no Nyah, nem sabia que dava para fazer isso. Então no minimo dois comentarios por caps serão favoritados ^^
espero que gostem do cap e do nome da bebê

Continuo ao lado dele até o Leo voltar com a Naomi, então saio da sala e o aguardo do lado de fora.

Odeio admitir que a realidade dele seja mesmo a razão dos fatos, mas como caminhar se eu tenho medo de cair e nunca mais levantar? De perder tudo como um jogo de poker e nunca poder sentir o que sinto quando estou com ela? De julgar meus sentimentos por alguém que eu mal sei o que pode sentir por mim? Como tentar ser normal se na verdade eu tenho medo de ser assim?

Encosto na parede e consigo escutar os resmungos do Adam sobre o que a Naomi faz com ele, sinto uma dor estranha no peito e abaixo a cabeça.

Depois de mais ou menos meia hora, Naomi sai da sala com uma expressão inativa e quieta.

- Eu joguei a Victória pela janela. – comenta ela.

Engasgo com a minha própria saliva.

- Fez o quê?- indago.

- Joguei pela janela. – ela repete firme.

Arregalo os olhos.

- Você matou ela?- franzo o cenho.

Naomi dá de ombros e saí andando.

Quando eu entender os mistérios dos japoneses, levarei mais cem anos para entendê-la.

Desço para sala novamente e nenhuma janela parece estar quebrada ou aberta ali, vou para a sala de estar e encontro uma janela quebrada, foi dai que veio o barulho e talvez daí que a Victória foi jogada. Me aproximo da janela e olho para baixo, encarando o mar batendo no rochedo da casa, acho que ela não sairia dali viva.

Passos se aproxima da onde eu estou. Viro e vejo o Leo.

- Adam está lá em cima. – ele avisa.

Aquiesço.

- O que fará com o Muller?- ele me encara.

- O que sempre fazemos. – falo indiferente.

- E a máfia?- ele ergue uma sobrancelha.

- Anuncie a morte dele ao Ícaro e deixa-a, alguém irá se interessar, quero apenas parte de suas exportações. – viro para a janela mais uma vez.

Ele saí andando.

Rolo os olhos pelo ambiente e vejo algumas fotografias e um álbum que escondi na estante. Pego a cadeira que se encontra na sala e a arrasto para perto do armário, subo nela e pego o álbum coberto de poeira.

Lembro-me de quando peguei esse álbum, foi um dia depois da morte de minha mãe, Ícaro havia saído e eu fiquei em casa com seus seguranças e suas prostitutas.

Esse álbum está na gaveta do quarto dele, onde eu jamais podia entrar, mas essa regra nunca foi considerada por mim, vivia entrando lá quando eu queria falar ou ver a minha mãe. Nele contém muitas fotos da minha mãe antes depois de me ter. Meses depois da morte dela, ele me colocou em um orfanato, pois não conseguia mais me encarar ou seques falar comigo, já que todos falavam que eu era a xerox de minha mãe e isso o deixava mal e com remorso.

Se não fosse o Adam a me ajudar a fugir de lá, acho que hoje, talvez eu fosse uma criança normal em uma família feliz, com uma mãe que pudesse me amar civilizadamente e não as escondidas de um cara.

Abro o álbum e vou vendo as fotos respectivamente, ela sempre sorria e conseguia esconder o sofrimento que sentia em sua vida com um simples e belo sorriso, eu nunca diria que ela passasse pelas coisas que passava vendo essas fotos. A mesma coisa cabe a Cassandra e isso é ruim de saber.

**

Os meses passaram rápido e o pior é que eu fiquei a deriva nele, viajando em mundo que não me pertence, vendo a Cassandra morrer em cima de uma cama e a monstrinha ir evoluindo cada vez mais, como se ela usasse a energia da Cassandra para isso.

Naomi está eufórica hoje, passou o dia inteiro com o Leo e o Lucas indo de loja em loja comprando o enxoval para ela e decidindo nomes, eu não participei de nenhumas dessas coisas, apenas me preocupei com a máfia e nada mais.

- Vamos?- Naomi coloca a mala no carro e me encara.

Suspiro.

- Sim. – entro no carro.

- O Adam falou para colocar o nome dela de Nathalia, queria saber o que acha. – ela comenta.

Minhas mães ficam frias e presas ao volante.

- Não, escolham outro nome. – murmuro.

- Por que não?- ela inclina a cabeça.

- Não quero nada que lembra minha mãe. – esclareço.

Ela respira fundo.

- Então Alexandra?- ela opina.

Me lembra da Alex...

- Tanto faz. – dou de ombro.

Ela revira os olhos e fica em silêncio.

DEPOIS de cinco horas de viajem, finalmente estamos em frente ao hospital.

Ela desce mais que depressa e passa reto da recepção, indo direto para o elevador.

- Oi. – paro em frente ao balcão- Viemos retirar minha filha da U.T.I.

A mulher me encara.

- Rg.

Ah! Qual é? Da ultima vez queriam o nome do paciente, hoje é o rg?!

- 142.974.115-56. – murmuro.

Rg falso tem bom uso.

Ela me entrega os crachás de visitantes e me libera.

Vou ao quinto andar e procuro pela Naomi, indo até a U.T.I, a bebê já não está mais lá. Meu coração vem na boca e tenho vontade de sair correndo. Naomi aparece no corredor e me chama.

Entramos em uma parte da U.T.I e nos aproximamos de um bercinho e lá estava ela, com a roupa que a Naomi comprou pra ela, está mais esperta que dá ultima vez que eu a vi na incubadora.

- Já pegaram a certidão?- a médica me encara.

Ops.

- Não. – contraio os lábios.

- Sétimo andar. – ela sorri.

Respiro fundo e sigo novamente para o elevador.

Qual será o nome dela?

- Eu vou pegar!- Naomi passa correndo por mim e pega o celular.

Franzo o cenho e paro.

Por que tanta pressa? Ninguém está morrendo, é só uma certidão.

Fico parado no corredor olhando para o nada, meu coração parece estar sofrendo pressão, apenas em imaginar em como a Cassandra ficaria feliz em estar fazendo isso.

Encosto na parede e respiro fundo, ainda tenho que registrar essa menina no cartório, mas como? Todos os meus documentos são falsos, a não ser que eu falsifique um registro, assim como o meu pai fez.

Naomi volta com cara de taxo, sorrio.

- Você precisa assinar. – ela resmunga.

- Aonde?- procuro algum papel em sua mão.

- Elas mandaram aquele segurança me vigiar enquanto eu peço sua assinatura, ande logo. – ela me entrega um papel e uma caneta.

Encaro o homem trajando um terno perto do elevador. Suspiro e coloco o papel na parede, assinando.

- Obrigada. – ela força um sorriso e saí andando.

Esqueci-me de ver o nome, merda.

Depois de uns minutos ela volta e me entrega a certidão e volta para a sala ou quarto em que estávamos.

Encaro o papel e procuro pelo nome da bebê...

Tem muita coisa aqui e acabo lendo a certidão inteira, quando paro na linha que diz; Genevive Bertolazzo Frost.

Sorrio de canto, essa é a minha filha.

Naomi saí com ela nos braços e a doutora segura a mala desnecessária que a Naomi insistiu em trazer. Pego a mala e sigo-as até o carro.

- Preciso falar com o Leo em relação ao registro dela. – comento.

- Não precisa. – Naomi me encara- Já cuidamos disso.

Desde quando minha filha virou assunto para todos?

Pelo menos não terei trabalho em me preocupar com mais uma coisa na minha vida.

- Me leve para casa. – ela avisa.

- Por quê?- ergo uma sobrancelha.

- Eu montei o quarto dela lá. – ela sorri- Vou ficar com ela até a Cassandra acordar.

- Se ela acordar. – acrescento.

Ela revira os olhos.

A CASA da Naomi é mais confortável quando você entra e fica nela, a ultima vez que estive aqui não foi uma visita muito agradável, a Cassandra ainda estava grávida e confusa em relação a tudo.

Eles fazem uma roda em volta da Naomi com a bebê, como se ela fosse a joia mais rara do mundo, ela é só um bebê!

Coloco a mala dela perto da escada e sento em uma poltrona, onde Percy pula em meu colo. Sofremos do mesmo mal, nós dois queremos a Cassandra aqui, mas ela está bem longe.

A bebê começou a chorar do nada e eles entram em pânico, correndo cada uma para um lado. Rio. A fama que eles tem de assassinos, mafiosos, sangue frio, acabou de descer pelo ralo depois dessa cena.

- Ela deve ter fome. – Naomi vai até a cozinha- Vou fazer uma mamadeira.

Esse choro é irritante.

Naomi volta com a mamadeira e ela cala a boca rapidinho ou melhor para de chorar. Suspiro.

Eu iria preferir ver a Cassandra cuidando dela a Naomi.